10 de junho de 2026

Estudo brasileiro aponta obesidade e inflamação como fatores de risco para envelhecimento precoce dos pulmões

Embora o tabagismo continue sendo o principal fator de risco, pesquisa indica que outros fatores podem levar à deterioração pulmonar
Crédito: Getty Images

Um levantamento realizado no Brasil com 895 participantes de até 40 anos reforça que o envelhecimento precoce dos pulmões não está relacionado apenas ao tabagismo. De acordo com os pesquisadores, a obesidade e a inflamação sistêmica também contribuem para a perda acelerada da função pulmonar e podem elevar o risco de desenvolvimento da Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC).

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Tradicionalmente associada ao cigarro e conhecida como “doença do fumante”, a DPOC é uma condição irreversível caracterizada por inflamação e estreitamento das vias aéreas, o que provoca falta de ar e limitação progressiva da respiração. Embora o tabagismo continue sendo o principal fator de risco, o estudo indica que obesidade e inflamação sistêmica podem, de forma independente, levar à deterioração pulmonar.

Os dados mostram que o cigarro teve o maior impacto na perda da função respiratória: ao longo de 12 anos, os fumantes apresentaram redução média de 1,95% na função pulmonar. Já a inflamação sistêmica, avaliada por meio dos níveis de proteína C-reativa (PCR) no sangue, esteve associada a uma queda de 0,76% na função pulmonar a cada aumento de 1 mg/dL do marcador inflamatório. No caso da obesidade, cada elevação de 1 kg/m² no índice de massa corporal (IMC) correspondeu a uma redução adicional de 0,28%.

Segundo o coordenador do estudo, Elcio Oliveira Vianna, professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP), os resultados confirmam evidências anteriores. “Além dos efeitos do cigarro, processos metabólicos e inflamatórios sistêmicos podem desempenhar um papel importante na deterioração da função pulmonar, mesmo em indivíduos mais jovens e sem doenças respiratórias diagnosticadas”, afirma.

De acordo com o pesquisador, a inflamação sistêmica de baixo grau, como a que ocorre nos adipócitos em casos de obesidade, pode afetar diretamente os pulmões. Esse processo inflamatório contínuo, ainda que discreto, favorece a lesão progressiva do tecido pulmonar e pode acelerar o envelhecimento do órgão.

Doença multifatorial

Embora os participantes ainda não estivessem na faixa etária típica para diagnóstico de DPOC, os pesquisadores identificaram sinais iniciais da doença, o que permitiu estimar maior risco futuro entre aqueles com obesidade e inflamação sistêmica elevada.

“A inflamação sistêmica tem impacto direto na função pulmonar e conseguimos demonstrar isso nesse estudo populacional. Como todos os participantes eram jovens, foi possível identificar indícios da doença antes mesmo de seu diagnóstico clínico”, destaca Vianna.

Ele ressalta que a associação entre DPOC e obesidade não é amplamente reconhecida. Em estágios avançados, a doença costuma provocar perda de peso e massa muscular devido ao esforço respiratório aumentado, o que contribui para a imagem do paciente com DPOC como alguém magro. “Por isso, foi importante o nosso estudo conseguir demonstrar que a obesidade, assim como outras inflamações sistêmicas, pode desencadear a doença”, explica.

Para Ana Carolina Cunha, pneumologista e primeira autora do artigo, os resultados reforçam a complexidade da DPOC. “A doença é multifatorial e muito mais complexa do que se pensava. Além da inflamação causada pelo cigarro, pode haver um processo inflamatório sistêmico próprio do indivíduo. Estudos anteriores já apontavam essa associação. Hoje sabemos que pacientes com DPOC apresentam inflamação crônica, o que levanta a hipótese de que esse processo possa ser um fator comum entre diferentes manifestações da doença, especialmente em pessoas com predisposição genética ou metabólica”, afirma.

O artigo, intitulado Longitudinal study of the influence of obesity, C-reactive protein, and smoking on FEV1 decline in young adulthood, está disponível no site da revista científica.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

1 Comentário
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  1. PHOTIOS ANDREAS

    19 de fevereiro de 2026 2:44 pm

    Alem disso houve um aumento substancial de fumantes por conta da inação dos vários governos (principalmente o federal) em campanhas e restrições

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