Mais algumas dezenas de mortos e feridos são o resultado de um novo ataque aéreo das Forças de Defesa de Israel (IDF) nesta segunda-feira (13) ao campo de refugiados de Jabalia, no norte da Faixa de Gaza.
Conforme relatado por correspondentes da agência palestina WAFA, as equipes de resgate recuperaram pelo menos 31 corpos dos escombros e um número não especificado de feridos.
A agência palestina relatada que 12 casas foram atingidas pelo ataque israelense na área de Nadi Khadamat, em Jabalia, uma área que já foi devastada anteriormente desde a nova escalada do conflito palestino-israelense.
De acordo com a Al Jazeera, ainda há pessoas sob os escombros dos edifícios, mas as equipes de resgate não conseguem resgatá-las por falta de material para realizar as operações.
As FDI atacaram pela primeira vez o campo de refugiados de Jabalia em 31 de outubro. O ataque provocou o desabamento de vários edifícios e, segundo diversas estimativas, custou a vida a entre 50 e 100 pessoas e deixou várias centenas de feridos.
Um dia depois houve novo ataque ao local, que também causou a morte de dezenas de civis.
Cessar-fogo se torna narrativa
Enquanto os ataques a civis seguem na Faixa de Gaza, os Estados Unidos passaram a adotar uma postura dúbia: pedem a Israel a pausa dos ataques, mas não trabalham por qualquer cessar-fogo no Conselho de Segurança das Nações Unidas, chegando a vetar duas propostas de resolução de Brasil e Rússia.
Por meio de nota, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia alegou que o país norte-americano tenta impor ao Conselho de Segurança uma decisão que permita a Israel continuar a atacar a Faixa de Gaza. Para os russos, apelos a “uma espécie de pausa” não ajudarão a parar as hostilidades.
O ministério lembrou do bloqueio de Washington aos dois projetos de resolução mencionados acima que exigiam um cessar-fogo humanitário, e votou contra a resolução da Assembleia Geral da ONU sobre “Proteção de Civis e Cumprimento de Obrigações”, medidas legais e humanitárias, adotada pela grande maioria dos Estados-Membros.
“Em vez disso, os Estados Unidos impõem às delegações do Conselho de Segurança da ONU uma solução semelhante a um ultimato que permita a Israel continuar a sua varredura militar na Faixa de Gaza, as suas incursões forçadas na Cisjordânia e os seus ataques arbitrários contra o Líbano e a Síria”, afirma o comunicado.
Ao mesmo tempo, “para distrair a atenção” apelam a “uma espécie de pausa” que não irá parar os combates porque “faltam os mecanismos necessários de introdução e supervisão”.
“É aqui que terminam os gestos humanitários dos EUA, dando lugar à defesa de atitudes agressivas de combate ao terrorismo (como aconteceu no Afeganistão, Iraque, Líbia e Síria) e ao direito à legítima defesa”, sublinha a instituição.
Dificultar esforços
Para o Kremlin, apesar dos apelos unânimes dos membros da ONU a um “cessar-fogo humanitário imediato” que “ponha fim a este castigo coletivo desumano, ao sofrimento das crianças, das mulheres e dos idosos”, as ações dos Estados Unidos impedem que a situação melhore.
“O Conselho de Segurança da ONU, como principal órgão para a manutenção da paz e segurança internacionais, é chamado a tomar a decisão correspondente. No entanto, até agora o Conselho de Segurança não pode cumprir o seu mandato direto e permanece paralisado como consequência da posição de um único país , os Estados Unidos”, sublinhou a nota das Relações Exteriores da Rússia.
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