21 de maio de 2026

EUA pedem pausa nos ataques de Israel enquanto bloqueiam a ONU

Nesta segunda (13), Israel voltou a atacar o campo de refugiados de Jabalia, no norte da Faixa de Gaza, deixando dezenas de mortos e feridos
Planário do Conselho de Segurança da ONU. Crédito: Patrick Gruban/ Creative Commons

Mais algumas dezenas de mortos e feridos são o resultado de um novo ataque aéreo das Forças de Defesa de Israel (IDF) nesta segunda-feira (13) ao campo de refugiados de Jabalia, no norte da Faixa de Gaza.

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Conforme relatado por correspondentes da agência palestina WAFA, as equipes de resgate recuperaram pelo menos 31 corpos dos escombros e um número não especificado de feridos. 

A agência palestina relatada que 12 casas foram atingidas pelo ataque israelense na área de Nadi Khadamat, em Jabalia, uma área que já foi devastada anteriormente desde a nova escalada do conflito palestino-israelense.

De acordo com a Al Jazeera, ainda há pessoas sob os escombros dos edifícios, mas as equipes de resgate não conseguem resgatá-las por falta de material para realizar as operações.

As FDI atacaram pela primeira vez o campo de refugiados de Jabalia em 31 de outubro. O ataque provocou o desabamento de vários edifícios e, segundo diversas estimativas, custou a vida a entre 50 e 100 pessoas e deixou várias centenas de feridos. 

Um dia depois houve novo ataque ao local, que também causou a morte de dezenas de civis.

Cessar-fogo se torna narrativa 

Enquanto os ataques a civis seguem na Faixa de Gaza, os Estados Unidos passaram a adotar uma postura dúbia: pedem a Israel a pausa dos ataques, mas não trabalham por qualquer cessar-fogo no Conselho de Segurança das Nações Unidas, chegando a vetar duas propostas de resolução de Brasil e Rússia.  

Por meio de nota, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia alegou que o país norte-americano tenta impor ao Conselho de Segurança uma decisão que permita a Israel continuar a atacar a Faixa de Gaza. Para os russos, apelos a “uma espécie de pausa” não ajudarão a parar as hostilidades.

O ministério lembrou do bloqueio de Washington aos dois projetos de resolução mencionados acima que exigiam um cessar-fogo humanitário, e votou contra a resolução da Assembleia Geral da ONU sobre “Proteção de Civis e Cumprimento de Obrigações”, medidas legais e humanitárias, adotada pela grande maioria dos Estados-Membros.

“Em vez disso, os Estados Unidos impõem às delegações do Conselho de Segurança da ONU uma solução semelhante a um ultimato que permita a Israel continuar a sua varredura militar na Faixa de Gaza, as suas incursões forçadas na Cisjordânia e os seus ataques arbitrários contra o Líbano e a Síria”, afirma o comunicado. 

Ao mesmo tempo, “para distrair a atenção” apelam a “uma espécie de pausa” que não irá parar os combates porque “faltam os mecanismos necessários de introdução e supervisão”.

“É aqui que terminam os gestos humanitários dos EUA, dando lugar à defesa de atitudes agressivas de combate ao terrorismo (como aconteceu no Afeganistão, Iraque, Líbia e Síria) e ao direito à legítima defesa”, sublinha a instituição.

Dificultar esforços

Para o Kremlin, apesar dos apelos unânimes dos membros da ONU a um “cessar-fogo humanitário imediato” que “ponha fim a este castigo coletivo desumano, ao sofrimento das crianças, das mulheres e dos idosos”, as ações dos Estados Unidos impedem que a situação melhore.

“O Conselho de Segurança da ONU, como principal órgão para a manutenção da paz e segurança internacionais, é chamado a tomar a decisão correspondente. No entanto, até agora o Conselho de Segurança não pode cumprir o seu mandato direto e permanece paralisado como consequência da posição de um único país , os Estados Unidos”, sublinhou a nota das Relações Exteriores da Rússia.

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Renato Santana

Renato Santana é jornalista e escreve para o Jornal GGN desde maio de 2023. Tem passagem pelos portais Infoamazônia, Observatório da Mineração, Le Monde Diplomatique, Brasil de Fato, A Tribuna, além do jornal Porantim, sobre a questão indígena, entre outros. Em 2010, ganhou prêmio Vladimir Herzog por série de reportagens que investigou a atuação de grupos de extermínio em 2006, após ataques do PCC a postos policiais em São Paulo.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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