19 de junho de 2026

Europa: Por que o modelo de bem-estar social está em colapso e qual o papel do Sul Global na salvação da economia?

Especialistas discutem no canal TV GGN como a submissão a Washington destrói a economia e fomenta a ascensão da extrema-direita na Europa
Imagem gerada por Inteligência Artificial

O programa Observatório de Geopolítica do canal TV GGN, no Youtube, debateu na noite de terça (26) o declínio geopolítico e socioeconômico da Europa, contrastando a antiga visão latino-americana do continente como modelo de civilização com sua realidade atual. Os especialistas argumentam que a União Europeia atravessa um processo de subserviência aos interesses dos Estados Unidos, o que resultou na perda de autonomia energética e na desindustrialização acelerada.

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

A discussão passou pelo desmantelamento do Estado de bem-estar social e a financeirização da economia, que geraram um abismo entre as elites políticas e os anseios das populações locais. O debate apontau que a Europa se encontra em uma rota de colisão com potências emergentes, como a China e a Rússia, das quais depende para sua sustentação econômica. Por fim, entrou em pauta a falta de soberania e de alternativas à esquerda abre caminho para a ascensão da extrema-direita em um cenário de erosão civilizacional.

O debate é mediado por Bruno Lima Rocha Beaklini, jornalista, doutor em ciência política e professor de relações internacionais. A mesa é composta por Hugo Dionísio, advogado, investigador e analista geopolítico; Miguel Machado, analista de mercados e geopolítica, e Felipe Cezimbra, empresário e analista brasileiro.

Por que o modelo de bem-estar social europeu está em colapso?

O colapso do modelo de bem-estar social europeu é resultado de uma combinação de escolhas geopolíticas, pressões neoliberais e a perda de alicerces econômicos fundamentais. Os principais motivos apontados para esse colapso são:

  • Subserviência Geopolítica e Militarismo: A Europa é descrita como estando em uma “rota de colisão” com quem poderia salvá-la (Rússia, China e o Sul Global) ao priorizar a agenda unipolar de Washington. Isso resultou na transição de um estado social para um “Keynesianismo militar”, onde líderes europeus afirmam que a população deve aceitar a perda de direitos sociais para financiar gastos astronômicos em armamentos.
  • Crise Energética e Desindustrialização: O sucesso industrial europeu, especialmente o alemão, baseava-se em energia barata vinda da Rússia, que foi cortada devido à guerra na Ucrânia e ao que é descrito como a auto-sabotagem do gasoduto Nord Stream. Sem energia abundante e barata, a Europa perde competitividade, sofre um processo de desindustrialização e perde a corrida tecnológica em setores como veículos elétricos e energias renováveis.
  • Neoliberalismo e Financeirização: O modelo social foi corroído por políticas neoliberais que promoveram privatizações em massa, destruindo o papel do Estado como indutor do desenvolvimento e eliminando o “salário invisível” (saúde, educação e transportes públicos acessíveis). A economia europeia aproximou-se do modelo americano de financeirização, onde a remuneração do capital se sobrepõe ao valor do trabalho.
  • Fim dos Pilares Históricos: Os debatedores argumentam que o estado de bem-estar social foi financiado historicamente por excedentes coloniais e pela necessidade de contrapor o modelo da União Soviética. Sem essas condições e com o enfraquecimento dos sindicatos e partidos de classe, a social-democracia tornou-se um “projeto falhado”, incapaz de manter as condições de vida dos povos europeus.
  • Desigualdades Internas na União Europeia: A própria estrutura da União Europeia é criticada por criar uma relação neocolonial interna, onde o centro (liderado pela Alemanha) extrai recursos e mão de obra barata da periferia (como Portugal e Grécia), transformando esses países em meros prestadores de serviços e consumidores de produtos do centro.
  • Capitulação das Esquerdas: A esquerda europeia é vista como tendo capitulado ao modelo neoliberal e ao “eurocomunismo”, focando-se em pautas identitárias em vez da luta de classes, o que deixou um vácuo preenchido pela extrema-direita.

Como a ascensão da extrema-direita se conecta ao declínio social?

A ascensão da extrema-direita na Europa está intrinsecamente ligada ao declínio social e ao ressentimento gerado pela falência das promessas do modelo europeu. Essa conexão manifesta-se através dos seguintes pontos principais:

  • Ressentimento e Traição Política: A extrema-direita cresce ao capturar o “ressentimento social” de populações que se sentem traídas pela social-democracia e pelo que os debatedores chamam de “esquerda identitária”. O exemplo da Grécia é citado como emblemático: a incapacidade de oferecer alternativas reais ao neoliberalismo destruiu o “sonho grego” e a moral do povo, empurrando o eleitorado para a direita como forma de protesto.
  • Proletarização da Classe Média: O declínio social é visível na “proletarização” de grandes setores da sociedade, onde a classe média está sendo empurrada para as classes baixas em um processo que já dura três gerações. Essa “erosão civilizacional” cria um ambiente de desespero onde o populismo de direita encontra terreno fértil, tendo crescido 50% nos últimos 15 anos na Europa.
  • Vácuo de Representatividade da Esquerda: Os analistas do Observatório de Geopolítica argumentam que a esquerda europeia capitulou ao modelo neoliberal e ao “eurocomunismo”, focando-se em pautas identitárias e institucionais em vez da luta de classes. Como as esquerdas não apresentam mais uma resistência ao capital financeiro, a extrema-direita “nada de braçada”, canalizando a insatisfação e a falta de perspectiva da população.
  • Canalização da Frustração via Discurso Antimigração: Sem um projeto de desenvolvimento que garanta direitos, a extrema-direita utiliza o discurso antimigração para oferecer uma explicação simplista e nacionalista para as insuficiências demográficas e econômicas causadas pelas próprias políticas de austeridade europeias.
  • A “Fascização” como Resposta ao Encurralamento: O debate sugere que a União Europeia, ao se ver “encurralada” por ter se amputado econômica e politicamente, acaba facilitando um processo de “fascização acelerada”. Diante da perda de soberania para burocracias centrais (Bruxelas) e do declínio industrial, as sociedades europeias acabam votando “umas contra as outras”.

Qual o papel da América Latina e do Sul Global na possível salvação da economia europeia?

O papel da América Latina e do Sul Global na possível salvação da economia europeia é o de atuar como alicerces de um mundo multipolar com os quais a Europa precisaria cooperar para manter sua relevância e seu modelo social. No entanto, o debate sugere que a Europa está atualmente em uma “rota de colisão” com esses potenciais salvadores ao manter uma postura de subserviência aos interesses dos Estados Unidos. Os principais pontos que definem esse papel e os obstáculos para sua concretização são:

  • Fornecimento de Recursos e Mercado: Enquanto a Europa sofre um processo de desindustrialização e falta de recursos naturais próprios, o Sul Global — e especificamente a América Latina — possui recursos abundantes que poderiam sustentar o desenvolvimento europeu. Além disso, o mundo ascendente, representado pela China e o Sudeste Asiático, oferece uma demanda gigantesca que a Europa está alienando ao impor sanções e tarifas.
  • Alternativa à Hegemonia Unipolar: A salvação da Europa dependeria de ela se afirmar como um polo independente em um mundo multipolar, negociando com todos os atores, em vez de hostilizar a Rússia e a China por imposição da agenda de Washington. Os especialistas apontam que o crescimento econômico e populacional hoje está concentrado na Ásia (cinco sextos da população mundial), e a persistência europeia no projeto unipolar a condena à marginalidade.
  • O Brasil como Potencial Estratégico: O Brasil é citado como um país que, ao contrário da Europa (que parece já ter atingido seu auge), ainda possui uma grande potencialidade de desenvolvimento e recursos que poderiam servir de base para parcerias estratégicas, como ocorreu historicamente no setor nuclear e industrial.
  • Herança de Valores: O “projeto social-democrata”, que outrora foi o diferencial europeu, está sendo hoje mais bem representado e executado por países do continente euroasiático e do Sudeste Asiático do que pela própria União Europeia, que é vista como um projeto falhado nesse aspecto.

Assista abaixo:

Nota da redação: O Jornal GGN utiliza Inteligência Artificial para transformar o conteúdo original feito pela equipe de jornalistas e especialistas do canal TV GGN, no Youtube, em texto para o portal. O uso de ferramentas de I.A. não dispensa, em hipótese alguma, a revisão, apuração e edição, por parte de um jornalista do GGN, antes da publicação do texto.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Recomendados para você

Recomendados