23 de junho de 2026

Federico García Lorca

 

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 Federico García Lorca (*5/6/1898 +19/8/1936) é o poeta de maior influência e popularidade da literatura espanhola do seculo XX.  

  Esta grande figura da Geração de 27 foi músico e desenhista, poeta e dramaturgo, crítico delicado e sobretudo brilhante, que encantou com sua obra o público e a crítica. 

   Em 18 ou 19 de agosto (o dia varia conforme as fontes) completam-se 77 anos do fuzilamento de Federico García Lorca. Apesar de estar no auge de sua popularidade, e por causa dela, sua obra levou-o a atrair a antipatia de alguns setores. 

  A Guerra Civil Espanhola surpreende o poeta em Granada, cidade facilmente dominada pelos militares sublevados. Durante a duríssima repressão exercida sobre a cidade, García Lorca teve sua prisão determinada em 16 de agosto por um deputado direitista, sob o argumento (que tornou-se célebre) de que ele seria “mais perigoso com a caneta do que outros com o revólver”.

   Assim, na madrugada de um dia de agosto de 1936, aos 38 anos de idade, sem julgamento, o maior poeta espanhol do século XX foi executado com um tiro na nuca pelos nacionalistas, e seu corpo foi jogado numa vala comum da Serra Nevada, a sudoeste da cidade de Granada. Segundo algumas versões, ele teria sido fuzilado de costas, em alusão a sua homossexualidade. A caneta se calava, mas a Poesia nascia para a eternidade – e o crime teve repercussão em todo o mundo, despertando por todas as partes um sentimento de que o que ocorria na Espanha dizia respeito a todo o planeta.

 

   O crime foi em Granada

   

    Federico Garcia Lorca foi fusilado em um barranco de Viznar a poucos quilômetros de Granada     

  Sua morte e sua tumba sempre estiveram envoltos em um halo de mistério. Aqui, um documentário que recuperou os esforços de diferentes pesquisadores e historiadores por reconstruir o ocorrido naqueles dias em que os rancores políticos e as vinganças familiares acabaram com a vida do poeta.     

 

  Guerra entre famílias ou ódio dos ultracatólicos?

 

   Aqui entrevista com Miguel Caballero Pérez na Radio e TV Espanhola, pesquisador do Instituto de Estudos Históricos do Sul de Madrid Jiménez de Gregorio. Dedicou grande parte de sua obra à investigação de aspectos inéditos da vida do poeta Federico García Lorca; seu último livro é “As treze últimas horas na vida de García Lorca”. Miguel explica a morte de García Lorca como um resultado de lutas de poder entre as famílias importantes da vida de Granada, a familia Rosales, a família Alba e a família García Lorca, que estavam mortificadas por 50 anos de ódio, que afinal resultou na morte do poeta. O estudioso defende que a morte de Lorca é uma concatenação de causas, não apenas devido à Guerra Civil Espanhola, que serviu mais como um pretexto para ajuste de contas numa guerra entre famílias.

    Já Ian Gibson, o maior biógrafo do poeta andaluz, defende tese diferente. “Gibson levanta várias possibilidades, já que o seu assassinato não seria politicamente interessante, naquele momento, para os fascistas – ao menos para a sua alta cúpula. Mas havia na Andaluzia muitos fascistas que odiavam pessoalmente Federico – por suas ligações com os republicanos, por seu anti-fascimo, por seu homossexualismo, por sua poesia, e até mesmo pelo modo positivo com que considerava a influência mulçumana na formação daquela região. Lorca reunia características intoleráveis para um fascista, especialmente os mais radicais e os ultracatólicos. Diz Gibson, assinalando, sem meias palavras, o papel da ala mais radical do franquismo:

“É minha convicção de que a perseguição que conduziu à morte do poeta foi iniciada não por um homem mas sim por um grupo de ultracatólicos e membros da ‘Acción Popular’, de mentalidade semelhante”  ” (6)

 

A obra de García Lorca, cheia de dor e poesia, continua viva para sempre e aqueles versos que dedicou a seu amigo, o célebre toureiro e escritor da Geração de 27, Ignacio Sánchez Mejías, Lorca nunca imaginou que se converteriam no seu epitáfio. 

 

Tardará mucho tiempo en nacer, si es que nace,

un andaluz tan claro, tan rico de aventura.

Yo canto su elegancia con palabras que gimen

y recuerdo una brisa triste por los olivos.

 

      “Llanto por Ignacio Sánchez Mejías” é uma obra que contém os poemas ‘La cogida y la muerte’, ‘La sangre derramada’, ‘Cuerpo presente’ e ‘Alma ausente’, e é considerada uma das maiores elegias em castelhano.

 

 

Canções Populares Espanholas.

    A coleção de “Canções Populares Espanholas” recompiladas e harmonizadas por Federico García Lorca foi banida nos tempos de Franco, e hoje em dia a música sobrevive ainda que de uma maneira vaga e no subconsciente do povo espanhol.

Anda jaleo

Yo me alivié a un pino verde
|: por ver si la divisaba 😐 ,
y sólo divisé el polvo
|: del coche que la llevaba 😐

Anda jaleo, jaleo:
ya se acabó el alboroto
y vamos al tiroteo.

No salgas, paloma, al campo,
|: mira que soy cazador 😐 ,
y si te tiro y te mato
para mí será el dolor,
para mí será el quebranto,

Anda, jaleo, jaleo:
ya se acabó el alboroto
y vamos al tiroteo.

En la calle de los Muros
|: han matado una paloma 😐 .
Yo cortaré con mis manos
|: las flores de su corona 😐 .

Anda jaleo, jaleo:
ya se acabó el alboroto
y ahora empieza al tiroteo.

 

  Estátua de Federico García Lorca na Praça de Santa Ana em Madrid

 

Passados dez anos da morte do poeta espanhol, outro poeta, o brasileiro Carlos, compareceu perante o túmulo de Federico para depositar “vergonha e lágrimas”, repudiando “a ditadura franquista, mas longe da poesia panfletária, sem mencionar nomes e acontecimentos.” (4)

 

A Federico García Lorca

Carlos Drummond de Andrade

 

Sobre teu corpo, que há dez anos
se vem transfundindo em cravos
se rubra cor espanhola,
aqui estou para depositar
vergonha e lágrimas.

Vergonha de há tanto tempo

viveres – se morte é vida –
sob chão onde esporas tinem
e calcam a mais fina grama
e o pensamento mais fino
de amor, de justiça e paz.

Lágrimas de noturno orvalho,
não de mágoa desiludida,
lágrimas que tão-só destilam
desejo e ânsia e certeza
de que o dia amanhecerá.

(Amanhecerá)

Esse claro dia espanhol,
composto na treva de hoje,
sobre teu túmulo há de abrir-se,
mostrando gloriosamente
-ao canto multiplicado
de guitarra, gitano e galo –
que para sempre viverão
os poetas matirizados.

                                             Desenho feito por Federico Garcia Lorca e exposto em Granada em 1925

 

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Links para acessar a obra de Federico García Lorca disponível online:

1.  Antología poética de Federico García Lorca 75.º aniversario de su muerte

2. Obras Completas de Federico García Lorca

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Vídeos:

1) Teresa Berganza canta “Anda jaleo” por Federico García Lorca

     Guitarra: Narciso Yepes 

     gravação: 12/1976, Munich, Alter Hercules-Saal

2) Ana Belén canta “Alma ausente”, música de Victor Manuel.

    Gira ‘Lorquiana’ (1998).

    Espectáculo dirigido por Lluís Pasqual, apresentando canções populares e poemas de Federico García Lorca, contidos no álbum duplo ‘Lorquiana’.

3) Ramón Fernández recita “Llanto por Ignacio Sánchez Mejías” 

4) José Maria Alves lê “A Federico García Lorca” de Carlos Drummond de Andrade

 

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Fontes:

1. A la carta Televisión y Radio  –  Para todos La 2 – Federico García Lorca  – 11/10/2011 rtve.es –  Corporación de Radio y Televisión Española 2013

2Federico García Lorca “Alma ausente”, “Llanto por Ignacio Sánchez Mejías” *, Antología poética, Losada, Buenos Aires, 1967 * (Sevilla, 1891 – Madrid, 1934)

3. Carlos Drummond de Andrade; poesia e prosa Nova Aguilar -1979 – pp. 253-4

4. Ricardo de Souza Carvalho, “Drummond e a Espanha, apontamentos para duas recepções“, USP, O Eixo e a Roda. Revista de Literatura Brasileira, UFMG, volume 14, 2007.

5. Lineas de trabajo – Dibujo y Arquitectura – Federico Garcia Lorca

6. Basilio Miranda,  Federico García Lorca, poeta do século XX e de sempre, 19/08/2006

7. Wikipedia – Federico García Lorca

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