Felipe Neto: Negacionismo e obscurantismo têm de ser desmascarados, não ignorados

No Roda Viva, o empresário e influenciador digital Felipe Neto fez mea culpa e deu uma aula de comunicação para a imprensa e oposição ao governo Bolsonaro

Jornal GGN – O empresário e influenciador digital Felipe Neto usou o programa Roda Viva para compartilhar lições de comunicação com a imprensa, a oposição ao governo Bolsonaro e aos setores da sociedade civil que fazem frente ao “regime de opressão” em vigor no País, nas suas palavras.

Neto comentou que é um erro estratégico de comunicação simplesmente ignorar, como vem sendo feito até aqui, os “negacionistas, revisionistas, obscurantistas” e toda a massa de apoiadores dos Bolsonaro, que minam o jornalismo e compartilham fake news pelo WhatsApp.

“Nós não podemos dar voz e validar o obscurantismo, o negacionismo e o revisionismo histórico. Acho que a grande lição que a gente pode tirar disso tudo que está acontecendo, do papel da imprensa, do papel dos influenciadores, dos comunicadores, é que obscurantistas e negacionistas precisam ser desmascarados. Ignorá-los, como a gente fez com o Olavo de Carvalho durante décadas, pode ter consequências trágicas para uma Nação inteira, como a gente está vendo acontecer”, disse Neto.

Segundo ele, “apenas ignorar não é a solução. Dar voz para essas pessoas – como acho que a CNN Brasil erradamente está fazendo, ao dar voz a extremistas, negacionistas e revisionistas em debates, como se aquela opinião devesse ser validada – nada disso ajuda no cenário de longo prazo.”

“Negacionismo, obscurantismo e revisionismo têm de ser desmascarados. Tudo que é anti-ciência tem de ser desmascarado, e não apenas conviver com tolerância e dizer ‘está certo pensar que a Terra é plana’.”

Sem se aprofundar em análises políticas, que fogem de sua “alçada”, Neto disse que acha difícil uma frente ampla suprapartidária contra o governo Bolsonaro, por que depende da vontade de partidos como PT e PDT, que mais trocam farpas que se ajudam ultimamente.

“Agora, não vejo uma força política para derrubar esse movimento reacionário que a gente está vivendo sem esse tipo de união. E não só das esquerdas. Aí é que a gente [influenciadores e sociedade civil] entra. A derrubada desse regime de opressão, que a gente chama de fascismo – e que tem identificação com o fascismo sim, mas parece que o uso da palavra afasta as pessoas – a luta contra isso, ela é completamente independente de bandeiras políticas.”

Na entrevista ao Roda Viva, Neto afirmou que mudou muito de opinião política desde que se lançou como youtuber, aos 22 anos. Hoje, na casa dos 30, ele chama o impeachment de Dilma Rousseff de golpe e diz que nem Bolsonaro, nem Sergio Moro são “salvadores da pátria.”

 

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