FIM ENFIM

Em homenagem ao meu irmão Maurício Antônio Moreto (*15/01/1962 +08/04/2015)

 

O ÚLTIMO ANO

 

 

 Há tempos convivendo com esta doença estou me enfraquecendo sentindo cansaço sabendo que a morte se aproxima. Minha família está ao meu lado, mas, só posso encaminha-los para viverem sem mim. Mais cedo ou mais tarde aconteceria isto e não vou lamentar a partida dos meus pais, eles que lamentarão a minha.  Tenho mais um dia, ou mais um mês ou mais um ano, mas, tenho fé que estarei no paraíso. Atravessarei um buraco negro para um universo paralelo, para outra dimensão em que os espíritos não precisam se incorporar ou animar um corpo. Serei apenas consciência. Se não for assim, não faz mal também, é inevitável. Acaba um dia começa o outro e já, já outra consulta, já, já outra dose de medicamentos injetada nas minhas veias em busca de cura, de qualidade de vida, eu e minha família queremos minha cura e mais vida para mim, mas, já devo me preparar para a eternidade. Já não aguento mais nada. Não tenho muito fome e meu xixi e cocô são incontroláveis. Olho para a porta aberta e não tenho a noção se é uma entidade que vem buscar minha alma ou uma alucinação. As pessoas querem me visitar, inconscientemente me dizerem adeus. A morte é natural e o espanto diante dela também. Já passou o último ano, passou o último dia, é noite terei a morte que todos querem. Agora estou vendo a natureza consumir o meu corpo e não tenho sentimentos. Retorno de onde vim para ser luz e energia naturalmente sem fim enfim.

 

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