O ministro da Justiça Flávio Dino anunciou na noite de segunda (24) que encaminhou à Polícia Federal um pedido de investigação sobre a cooperação irregular de procuradores da Lava Jato com autoridades estrangeiras.
A ação de Dino ocorre após novas mensagens da Operação Spoofing revelarem que Deltan Dallagnol travou conversas sigilosas com autoridades da Suíça e dos Estados Unidos sobre o acordo da Petrobras com o DOJ (Departamento de Justiça norte-americano) e a SEC (comissão de valores mobiliários).
As mensagens de Telegram também mostraram que Dallagnol foi avisado pelo procurador Vladimir Aras de que a Lava Jato estava afrontando a lei de cooperação internacional ao afastar o governo federal das tratativas.
Além disso, a equipe de Dallagnol também teria ajudado os EUA a ouvirem testemunhas no Brasil para construir o caso contra a Petrobras, sem o conhecimento do governo brasileiro, o que também seria uma irregularidade.
O acordo entre Petrobras e EUA, assinado em 2018, previa pagamento de 853 milhões de dólares pela Petrobras, para enterrar as denúncias que os americanos forjaram com ajuda da Lava Jato em Curitiba. O valor do prejuízo à Petrobras com o pagamento da multa é superior a todo o dinheiro que a Lava Jato se gaba de ter “recuperado” a título de “combate à corrupção” ao longo de vários anos de operação.
O acordo previa que 80% do valor definido pelos EUA seria devolvido em benefício das “autoridades brasileiras”, mas a Lava Jato tentou interceptar o destino do dinheiro com o plano de criar uma fundação privada. A ideia, contudo, foi abortada pelo Supremo Tribunal Federal, que remeteu os recursos para a União.
Informações sigilosas
Nas conversas com os suíços, Deltan mostrou que soube, com 2 anos de antecedência, que os Estados Unidos admitiram o retorno de parte da multa da Petrobras ao “governo brasileiro”.
Com a informação privilegiada em mãos, a Lava Jato conseguiu se antecipar aos fatos e manobrou para que essa verba, que deveria ser creditada às “autoridades brasileiras”, fossem parar, na verdade, no cofre da 13ª Vara de Curitiba, então comandada por Sergio Moro.
As conversas de Telegram foram divulgadas na semana passada pelos jornalistas Leandro Demori (da newsletter A Grande Guerra) e Jamil Chade (UOL).
Segundo Dino, a PF vai apurar a origem e o destino dos recursos, bem como o motivo que levou a tal acordo.
“Encaminhei hoje à Polícia Federal o caso dos acordos feitos por procuradores com outros países, sem o procedimento legal. O objetivo é a investigação sobre a origem e o destino de bilhões de reais e os motivos que levaram a tais acordos com autoridades estrangeiras”, divulgou o ministro.
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