Ana Gabriela Sales
Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.
Camila Bezerra
Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...
Carla Castanho
Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN
anarquista sério
28 de setembro de 2014 11:02 amEdivaldo Dias Oliveira
28 de setembro de 2014 11:07 amArmações ilimitadas
Prepara
para armações ilimitadas da mídia contra o PT, nesta última semana. Seja forte. Isso vem desde de 1989 quando Lula concorreu pela primeira vez .
Em 1989, sequestro de Abílio Diniz foi relacionado ao PT e desmentido logo após eleições, mostra pesquisa
Investigação apontou que não houve envolvimento do Partido dos Trabalhadores no sequestro de Diniz. Envolvidos acusaram polícia de obrigá-los a vestir camisa da campanha de Lula
por Redação da Rede Brasil Aatual publicado 25/09/2010 10:25
2002: Lula derrota a velha mídia
o Emiliano José
Apesar de simular neutralidade, como mostramos no artigo anterior, depois de ajudar a eliminar Roseana Sarney e afastar Ciro Gomes, o partido midiático coloca toda a sua artilharia contra o inimigo principal, Lula, até porque sua possibilidade de vitória era real, e esse risco a mídia não queria correr. Mas Lula, no segundo turno, no dia 27 de outubro, obteve mais de 61% dos votos válidos, contra pouco mais de 38% para Serra
Emiliano José é professor-doutor (aposentado) em Comunicação e Cultura Contemporâneas da Universidade Federal da Bahia, jornalista, escritor e integrante do Conselho de Redação de Teoria e Debate
Aqui a manipulação midiática de 2006:
http://www.cartacapital.com.br/politica/aloprados-e-aloprados/
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Política
Cachoeiroduto
Aloprados e aloprados
Em 2006, jornalista contou a araponga de Cachoeira como escândalo da mala de dinheiro foi usado para prejudicar campanha petista
por Redação Carta Capital — publicado 20/07/2012 11:53, última modificação 20/07/2012 15:44
A manipulção em 2010
Sábado, 27 de Setembro de 2014 | ISSN 1519-7670 – Ano 18 – nº 817
JORNAL DE DEBATES
ELEIÇÕES 2010
Os escândalos políticos midiáticos
Por Venício A. de Lima em 14/09/2010 na edição 607
Tão logo as pesquisas revelaram que uma das candidatas à presidência da República havia atingido índices de intenção de voto difíceis de serem revertidos, e que os resultados indicavam a possibilidade de decisão ainda no primeiro turno, a grande mídia e seus “formadores de opinião” reagiram prontamente. Insistiram eles que fatos novos poderiam ocorrer e que ainda era muito cedo para cantar vitória.
Um exemplo: sob o título “Festa na véspera”, a principal colunista de economia do jornalO Globo escreveu em sua coluna “Panorama Econômico” do dia 31 de agosto:
“Então é isso? Uma eleição cuja campanha começou antes da hora acabou antes que os votos sejam depositados na urna? (…) Fala-se do futuro como inexorável. O quadro está amplamente favorável a Dilma Rousseff, mas é preciso ter respeito pelo processo eleitoral. Se pesquisa fosse voto, era bem mais simples e barato escolher o governante.”
Simultaneamente, a poucas semanas do primeiro turno das eleições, os jornalões, a principal revista semanal e a principal rede de televisão abriram fartos espaços para a divulgação de “escândalos” com a óbvia intenção de atingir a reputação pública da candidata favorita.
O primeiro, diz respeito a vazamento de informações sigilosas da Receita Federal ocorridos em setembro de 2009 [antes, portanto, da escolha oficial dos candidatos e do início da campanha eleitoral]. O “escândalo” foi imediatamente comparado com o caso Watergate, que levou à renúncia o presidente dos EUA Richard Nixon, em 1974, e também à prisão de integrantes do PT em hotel de São Paulo, em 2006. A narrativa midiática logo passou a referir-se a ele como “Aloprados II” e/ou “Receitagate”.
O segundo, que surge tão logo o primeiro parece não ter atingido os objetivos esperados, faz um incrível malabarismo ao tentar incriminar a candidata favorita através de ações de lobby e tráfico de influência atribuídos ao filho de sua ex-auxiliar. Um exemplo: a manchete de primeira página da Folha de S.Paulo de domingo (12/9): “Filho do braço direito de Dilma atua como lobista”.
O que estaria acontecendo na grande mídia brasileira?
Controle e dinâmica
Em abril de 2006, no correr da “crise do mensalão”, escrevi neste Observatório [ver “Escândalos midiáticos no tempo e no espaço“] sobre o conceito de “escândalo político midiático” (EPM) desenvolvido pelo professor da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, John B. Thompson, em seu aclamado O escândalo político – Poder e visibilidade na era da mídia (Vozes, 1ª edição, 2002).
O momento é oportuno para retomar os ensinamentos de Thompson.
Os EPM surgem historicamente no contexto do chamado jornalismo investigativo, combinado com o crescimento da mídia de massa e a disseminação das tecnologias de informação e comunicação. E, sobretudo, no quadro das profundas transformações que ocorreram na natureza do processo político, ainda dependente, em grande parte, da mídia tradicional. Envolve indivíduos ou ações situados dentro de um campo ligado à aquisição e ao exercício do poder político através do uso, dentre outros, do poder simbólico. Fundamentalmente, o exercício do poder político depende do uso do poder simbólico para cultivar e sustentar a crença na legitimidade.
O poder simbólico, por sua vez, refere-se à capacidade de intervir no curso dos acontecimentos, de influenciar as ações e crenças de outros e também de criar acontecimentos, através da produção e transmissão de formas simbólicas. Para exercer esse poder, é necessário a utilização de vários tipos de recursos, mas, basicamente, usar a grande mídia, que produz e transmite capital simbólico – vale dizer, controla a visibilidade pública. A reputação, por exemplo, é um aspecto do capital simbólico, atributo de um indivíduo ou de uma instituição. O que está em jogo, portanto, num EPM é o capital simbólico do político, sobretudo sua reputação.
Como a grande mídia se tornou a principal arena em que as relações do campo político são criadas, sustentadas e, ocasionalmente, destruídas, a apresentação e repercussão dos EPM não são características secundárias ou acidentais. Ao contrário, são partes constitutivas dos próprios EPM.
Escândalo político midiático, portanto, é o evento que implica a revelação, através da mídia, de atividades previamente ocultadas e moralmente desonrosas, desencadeando uma seqüência de ocorrências posteriores. O controle e a dinâmica de todo o processo deslocam-se dos atores inicialmente envolvidos para os jornalistas e para a mídia.
Jogo de poder
Na verdade, a grande mídia ainda detém um enorme poder de legitimar a esfera propriamente política através do tipo de visibilidade pública que a ela oferece. Os atores da esfera política dependem de visibilidade na esfera midiática para se elegerem e/ou se manterem no poder. Através desse poder, próprio da esfera midiática, a grande mídia tenta submeter e controlar o processo político, em particular os processos eleitorais. É aí que surgem os EPM.
Não seria exatamente a tentativa de controlar a esfera propriamente política o último recurso que a grande mídia – declaradamente oposicionista pela voz da presidente da ANJ – estaria a exercer na construção de EPM a poucas semanas das eleições?
Será que o Brasil de 2010 é o mesmo de 2006, quando tentativa semelhante levou as eleições presidenciais para o segundo turno?
O que está realmente em jogo é o poder da mídia tradicional – e, por óbvio, dos grupos dominantes do setor – em tempos de profundas transformações nas comunicações. Em tempos de internet.
Quem viver verá.
?
28 de setembro de 2014 11:21 amÉtica na polícia.
http://www.acadepol.mg.gov.br/index2.php?option=com_content&do_pdf=1&id=38
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28 de setembro de 2014 11:25 amÉtica jornalística
http://pt.m.wikipedia.org/wiki/%C3%89tica_jornal%C3%ADstica
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28 de setembro de 2014 11:36 amÉtica no Ministério Público
http://www.jurisway.org.br/v2/dhall.asp?id_dh=12892
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28 de setembro de 2014 11:59 amEtica do delator
Qual é o interesse dobdelator? Ele tem ética?
MiriamL
28 de setembro de 2014 12:00 pmMarx se une a proletários do
Marx se une a proletários do século 21 em minissérie argentina
Redação | Revista Debate | Buenos Aires – 26/09/2014 – 06h00
Na trama, filósofo alemão expõe ideias no bar e cativa jovem sindicalista
Um rapaz entra em um bar e senta-se no balcão. Leva um susto ao ver um homem de barba branca, tomando cerveja. “O que foi? Nunca viu Marx? Voltei para a Terra porque muito se fala sobre as minhas ideias, porém as estão desvirtuando…”
A cena é uma das viagens entre o passado e o presente que fazem parte da minissérie argentina “Marx voltou”. Trata-se de uma criação do coletivo audiovisual Contraimagen e do Instituto de Pensamento Socialista (IPS). Já foram gravados quatro capítulos com duração de 15 minutos cada um, e o quinto será publicado em breve. Desde o lançamento, os episódios já foram vistos por mais de 300 mil pessoas no YouTube, além de circular em universidades, centros culturais e partidos políticos na Argentina.
“Burgueses e proletários”, “O mercado e as crises capitalistas”, “O Estado e a revolução” e “O comunismo” são os títulos dos quatro episódios, protagonizados pelo ator Carlos Weber, que já interpretou o filósofo alemão na montagem argentina da peça “Marx no Soho”, do historiador e dramaturgo norte-americano Howard Zinn. As ideias de Marx são expostas na minissérie com a ajuda de filmes antigos, achados audiovisuais na internet e animações, entre outros recursos.
[video:http://youtu.be/eckwjxa0-w4%5D
“Quando lançamos a série, alguém postou o seguinte comentário na internet: ‘É um produto inclassificável, porém muito bom’. Se você assistir como ficção, ela conta a história de um rapaz lutando pelos colegas que foram demitidos. E você pode nem se dar conta da transmissão das ideias marxistas. Nós misturamos essa história com ideias didáticas sem perder o eixo narrativo-ficcional”, disse Javier Gabino, responsável pela direção e montagem dos vídeos. A minissérie está ambientada nos dias de hoje, no contexto de uma gráfica que começa a suspender e demitir seus funcionários. Martín (Martín Scarfi), um dos operários e protagonista da história, lê o “O manifesto comunista” e acaba se encontrando com Marx. Dessa forma, os episódios começam a mostrar, pela voz do autor de “O Capital”, as ideias revolucionárias sobre classes sociais, as crises, o Estado e o comunismo.
“É impressionante a atualidade das ideias de Marx mundialmente, a partir da crise capitalista de 2008. São temas muito atuais e ainda mais pelo que se conhece por sindicalismo de base. Os que mais se interessaram foram parte de uma nova classe que procura novas respostas na Argentina. Nos últimos anos, a esquerda teve um avanço político e social bastante amplo”, acrescentou Gabino.
Tradução: Mari-Jô Zilveti
Texto publicado originalmente no site da Revista Debate, publicação argentina que trata de política, economia e cultura.
http://operamundi.uol.com.br/conteudo/samuel/37981/marx+se+une+a+proletarios+do+seculo+21+em+minisserie+argentina.shtml
Emanuel Cancella
28 de setembro de 2014 12:01 pmPolícia Federal
Que policia é essa?
Creio que a atitude de alguns delegados da Polícia Federal, às vésperas das eleições, em investigar a possível ligação do doleiro Alberto Youssef com tesoureiro do PT, não engrandece a PF. A sociedade gostaria que os três candidatos à frente da corrida presidencial fossem investigados simultaneamente, para ter veracidade a investigação, caso contrário se trata de mais um factóide criado para prejudicar o PT. Ora, os dois outros candidatos que lidera a corrida presidencial, Marina Silva e Aécio Neves, têm fatos muito mais graves e evidentes a serem investigados: Marina Silva viajou 10 vezes no jatinho que matou Eduardo Campos, cuja propriedade do avião não identificada mas sabe-se que inclui doleiro e peixeiro. Já Aécio Neves construiu um aeroporto em terras da própria família que envolveria negócios nebulosos, ainda mais com o incêndio dias depois da denúncia no galpão dentro desse mesmo aeroporto, trazendo suspeitas gravíssimas de que poderia estar destruindo provas. Creio que esses delegados da PF, cujos nomes não são divulgados na denúncia, também devam ser investigados para saber se esse enredo tem cunho policial ou partidário?
Rio de Janeiro, 28 de setembro de 2014;
Cláudio José
28 de setembro de 2014 12:11 pmTODOS CONTRA A FOME
Frei Betto: Educação nutricional
Faltam alimentos? Não. Faltam, sim, justiça, partilha, sensibilidade para com os direitos alheios
O DIA
Rio – ‘A fome é amarela’, escreveu Carolina Maria de Jesus em seu relato autobiográfico, ‘Quarto de despejo’. Acrescento: é também humilhante. A humilhação resulta de ver tanta comida em supermercados, tanto desperdício, e a uma pessoa faltar a segurança de que, no outro dia, não terá de mendigar para merecer o mais básico de todos os direitos animais!
A um ser humano pode faltar tudo, até roupa, dependendo das condições climáticas (como é o caso dos indígenas isolados na Amazônia), menos comida e bebida. São os nutrientes essenciais.
A 16 de setembro, a FAO (Organização da ONU para a Alimentação e a Agricultura) divulgou que, no Brasil, entre 2001 e 2012, a miséria caiu de 14% da população para 3,5%, e a pobreza, de 24,3% para 8,4%.
Isso graças ao Fome Zero e ao Bolsa Família, ao baixo índice de desemprego e ao aumento anual do salário mínimo acima da inflação. E também ao Programa Nacional de Alimentação Escolar, que proporciona refeições gratuitas aos alunos das escolas públicas. Ele beneficiou, em 2012, 43 milhões de crianças.
Há hoje, no Brasil — quarto produtor mundial de alimentos —, 3,4 milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar. Mas, segundo Walter Belik, especialista da Unicamp em segurança alimentar, são 16 milhões os brasileiros que, todos os dias, dormem de barriga vazia. “O combate à fome é uma questão política, de vontade e interesse dos governantes”, afirma Jorge Chediek, representante, no Brasil, do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento.
No mundo, entretanto, os dados são mais alarmantes. Passam fome 870 milhões de pessoas, ou 12,5% da população do planeta. Falta de alimentos? Não. Produz-se o suficiente para alimentar 12 bilhões de bocas. E somos 7 bilhões. Faltam, sim, justiça, partilha, sensibilidade para com os direitos alheios.
Calcula-se que, no mundo, o desperdício anual de alimentos é de 1,3 bilhão de toneladas. O que causa um prejuízo, segundo a FAO, de 750 bilhões de dólares, sobretudo por falta de reutilização (como adubo orgânico, por exemplo) e reciclagem.
Ao lado dos famintos estão os que comem excessivamente, os obesos. Calcula-se que 15% das crianças brasileiras sofrem de obesidade precoce. Consomem açúcares em demasia, gorduras saturadas, alimentos ‘saborosos’ de pouco valor nutricional.
É hora de nossas escolas introduzirem Educação Nutricional: como se alimentar; como reciclar; como partilhar e não desperdiçar.
maurobrasil
28 de setembro de 2014 12:21 pmReféns de um Banco Central “independente”

http://ladroesdebicicletas.blogspot.com.br/2014/09/refens-de-um-banco-central-independente.html
No dia 12 de Novembro de 2010, o governador do Banco Central Europeu, Jean-Claude Trichet, escreveu uma carta ao governo irlandês. A carta era e continua a ser secreta, mas consta que exigia à Irlanda um pedido de resgate imediato sob pena de suspensão do financiamento do Eurosistema à banca irlandesa. No dia 21 de novembro o governo irlandês solicitou o resgate.
No dia 5 de Agosto de 2011, Jean-Claude Trichet escreveu mais duas cartas, uma ao primeiro-ministro de Espanha Zapatero, outra ao primeiro-ministro italiano Berlusconi. Ambas foram mantidas secretas durante muito tempo, mas deixaram de o ser para desgosto do BCE.
Resumo abaixo o conteúdo de ambas as cartas., Mas vale a pena ler os originais. São autênticos programas de governo, escritos num tom impertinente e imperativo do tipo ou cumprem ou… O “ou” está implícito, mas tendo em conta o contexto, é evidente que a ameaça era a suspensão das compras de dívida espanhola e italiana nos mercados secundários por parte do BCE.
As cartas transportavam um veneno letal. Poucos meses depois de as receberem Zapatero e Berlusconi desapareceram do mundo da política ativa. Na realidade Zapatero já havia decidido entregar o poder ao PP, mesmo antes de receber a carta, quando a 29 de Julho de 2011 convocou eleições antecipadas. Mesmo assim Zapatero, não quis desaparecer de cena sem negociar com o PP a alteração constitucional que consagrou a famosa “regra de ouro” do equilíbrio orçamental. Berlusconi tentou sobreviver e conseguiu prolongar a agonia até 12 de novembro de 2011.
“No dia 1 de Agosto de 2014, o Conselho do Banco Central Europeu decidiu suspender o estatuto de contraparte do Banco Espírito Santo, SA, com efeitos a partir de 4 de Agosto de 2014, a par da obrigação de este reembolsar integralmente o seu crédito junto do Eurosistema, de cerca de 10 milmilhões de euros, no fecho das operações no dia 4 de agosto.” Isto é o que se passou a saber desde que a ata do Conselho de Administração do Banco de Portugal de dia 3 de Agosto de 2014 foi oportunamente divulgada por um advogado português que a ela soube aceder. Como se pode ler nesta mesma ata, estas decisões do BCE tornavam “insustentável a situação de liquidez” do Banco, isto é, ditavam a sua morte.
Estes quatro casos ilustram o extraordinário poder do Banco Central Europeu e a extraordinária debilidade de Estados e governos da zona euro, perante esse poder.
Sabemos que não há soberania sem moeda e capacidade de emissão monetária. Quem manda é quem tem o poder de dizer “não há dinheiro”. Dizem-nos que os países da zona euro “partilham” essa soberania. Mas o que significa “partilha da soberania” monetária? Pelos vistos sujeição a um Banco Central dito “independente” que não responde perante nenhum parlamento e que não hesita em exorbitar do seu mandato para impor programas de governo com um claro viés de direita e, como no caso do BES, decisões políticas que põem em risco milhares de milhões de todos nós.
Isto é um problema, por ventura o nosso maior problema.
Carta a Berlusconi (resumo)
Na conjuntura presente consideramos que as seguintes medidas são essenciais:
1. a) Liberalização total dos serviços públicos e profissionais, particularmente privatizações em grande escala de serviços municipais; b) Reforma do sistema de contratação coletiva permitindo que os salários e as condições sejam determinados por acordos de empresa; c) Revisão abrangente das regras que regulam a contratação e o despedimento a par do estabelecimento de um sistema de seguro de desemprego e de um conjunto de medidas ativas de emprego capazes de facilitar a realocação de recursos em favor das empresas e setores mais competitivos.
2. a) Reduzir o défice público previsto para 2011, alcançar um défice de 1% em 2012 e conseguir um orçamento equilibrado em 2013, principalmente através de cortes na despesa. Tornar mais exigentes os critérios de elegibilidade das pensões de velhice; alinhar rapidamente a idade de reforma das mulheres do setor privado à do setor público. Reduzir o custo dos funcionários públicos se necessário reduzindo os salários; b) Introduzir uma clausula automática de redução do défice estabelecendo que quais desvios das metas serão automaticamente compensadas por cortes horizontais em despesas discricionárias
c) Controlo firme do endividamento das regiões municípios
3. Grande reforma da administração pública para melhorar a eficiência tornando-a mais amiga dos negócios: uso sistemático de indicadores de desempenho nos sectores da saúde, educação e justiça; abolição de níveis intermédios da administração pública; aproveitamento de economias de escala nos serviços públicos locais.
Carta a Zapatero (resumo)
Na conjuntura atual consideramos essencial a execução das seguintes medidas:
1.a) Reforçar o papel dos acordos no âmbito da empresas com vista a garantir uma real descentralização das negociações salariais; b) Suprimir clausulas de indexação dos salários à inflação; c) Moderação salarial no setor privado em consonância com as reduções significativas dos salários públicos; d) Redução das indemnizações por despedimento e das restrições à renovação de contratos a prazo.
2.a) Redução do défice estrutural em 2011 para 0,5 do PIB; controlo dos orçamentos regionais e locais; b) Publicação das contas trimestrais de todos os subsectores; c) Aplicação da regra que indexa o aumento da despesa à taxa de crescimento tendencial do PIB a todos os subsetores da administração.
3. a) Refletir os custos nos preços da energia e reduzir a dependência energética; b) Promover o mercado de arrendamento habitacional; c) Aumentar a competitividade do setor dos serviços abordando especificamente a regulação dos serviços profissionais.
Cláudio José
28 de setembro de 2014 1:02 pmHorário eleitoral rende R$
Horário eleitoral rende R$ 4,3 bilhões às emissoras de rádio e televisão
Para especialistas, é importante manter o espaço, mas quantia ‘é um escândalo’
NONATO VIEGAS
Rio – Emissoras de televisão e rádio privadas deixaram de pagar — entre 2004 e 2013, período analisado pelo DIA através de dados fornecidos pela Receita Federal — R$ 3,5 bilhões em impostos, com a desculpa de que o valor é um ressarcimento pelas transmissões de programas eleitorais. Somados aos R$ 839,5 milhões previstos para este ano pela Receita Federal, o Brasil terá aberto mão, ao fim de dez anos, de R$ 4,3 bilhões. A quantia é maior do que o PIB (total de riquezas produzidas) de 75 dos 92 municípios do Estado do Rio.
Os dados constam em relatórios divulgados no site do fisco, que não libera, no entanto, quanto cada emissora reteve de imposto. O órgão alega “sigilo fiscal”. Para o grupo Intervozes, que reúne especialistas e ativistas que militam pela democratização, liberdade e pluralidade nos veículos de comunicação, classificou como “escândalo” o valor da renúncia fiscal.
“O espectro pelo qual as empresas exploram rádio e TV pertence ao cidadão, que não deveria pagar para receber informações de interesse público, como as do programa eleitoral”, afirma Ana Mielke, porta-voz do coletivo, que faz parte do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação.
Nem sempre foi assim.Quando, em 1997, a reforma eleitoral que instituiu a reeleição do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) foi aprovada, incluíram a “compensação fiscal”, após forte lobby da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert).
O valor do desconto nos impostos varia de emissora para emissora de acordo com o seu lucro, numa lógica em que, quanto maior o faturamento, mais desconto ela terá.
Partidos e candidatos não podem comprar espaço publicitário na televisão, como empresas normalmente fazem, limitando-se aos horários estabelecidos conforme o tamanho de cada bancada no Congresso Nacional.
Como exibem as propagandas partidárias todos os anos, mesmo naqueles em que não há eleição, o benefício é concedido e calculado pelas emissoras a partir das tabelas de publicidade destes veículos.
A grosso modo, é como se a sociedade pagasse 80% do valor cobrado a uma empresa pelo tempo em que as inserções de anúncios são feitas.
“Não entendemos ser uma renúncia fiscal. Nós entendemos como ressarcimento pela cessão do nosso tempo. O horário eleitoral muda todos os anos, aumentando sempre. Para as emissoras é extremamente danoso”, reclama Luís Roberto Antonik, diretor da Abert, para quem o horário eleitoral interrompe o segmento normal das estações de rádio e TV: “ A audiência cai e não conseguimos recuperar depois. As empresas pagam para poder explorar a frequência e precisam de espaço para obter remuneração e se manter saudáveis economicamente.”
Utilidade pública
A lei que regula a radiodifusão estabelece a divisão do tempo total de programação em 75% (6.570 horas por ano) para conteúdo — como telejornais, shows e entretenimento — e 25% (2.190 horas/ano) para os anúncios comerciais.
Se houver segundo turno para presidenciáveis e candidatos ao governo do estado, o horário reservado para os partidos e políticos terá ocupado, desde o início do ano, 120 horas — apenas 1,7% do tempo de conteúdo das TVs.
Nesta conta, cada hora de programação terá custado aos cofres públicos R$ 7 milhões, no fim de 2014. Como comparação, a Igreja Internacional da Graça pagou pela hora, em 2013, para ocupar a faixa nobre na TV Bandeirantes, R$ 10,9 mil.
Como existem 1.922 estações registradas na Abert, segundo dados de 2010, cada uma caberia o ressarcimento de R$ 3,6 mil. Entretanto, a conta não é esta. Segundo Antonik, as quatro maiores emissoras de TV — Globo, Record, SBT e Band — são as que mais faturam.
“Para as médias e pequenas estações de rádio e TV não vale a pena pedir o ressarcimento fiscal, pois é preciso pessoal especializado, que custa caro e elas normalmente não tem, para fazer os relatórios mensais necessários. Então, elas assimilam o horário eleitoral sem descontar nada dos impostos sobre faturamento”, explica ele.
Os ativistas do Intervozes, porém, acreditam que não deveria haver isenção alguma. “É obrigação das emissoras transmitir informações de interesse público”, reforça Ana Mielke.
Espaço permite a ampliação do debate
O cientista político João Feres Júnior, professor do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da UERJ, vai além e defende a obrigatoriedade do horário eleitoral, “de fato gratuito”, também para as emissoras de TV paga.
De acordo com ele, conforme vai se popularizando o acesso aos canais por assinatura — hoje são 18,8 milhões de assinantes — e a audiência migra para as novas mídias, o eleitor perde contato com o espaço de diálogo entre partidos, políticos e cidadãos. “O programa partidário, em que os partidos se apresentam, ou os eleitorais, que são dedicados aos candidatos, são espaços onde ocorre a divulgação de informações para além do controle e mediação da grande mídia”, afirma ele.
Na mesma linha vai o professor da Escola de Comunicação da USP Laurindo Leal Filho, que concorda com a declaração do cientista político. Ele afirma que o horário eleitoral é muito positivo, pois permite a ampliação do debate público. “Eu sou a favor deste espaço, que é de diálogo e foge, de certa forma, dos interesses de grupos de comunicação e amplia vozes que não seriam ouvidas de outra maneira”, diz Leal, acrescentando que o que tem de ser discutido é o conteúdo, não sua relevância.
Porta-voz do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação, Ana Mielke afirma que a previsão do espaço deveria constar no contrato de outorga. “Investimos anualmente, através do governo, uma exorbitante quantia de dinheiro nessas emissoras para veicular publicidade e propaganda de campanhas de vacinação, de prevenção de doenças e de acidentes de trânsito. Até esse outro tipo de informação de interesse público deveria ser gratuito nas concessões”, conclui ela.
Marcelo B
28 de setembro de 2014 1:32 pmEduardo Jorge e as manifestações de 2013
Não é possível falar das manifestações de 2013 como somente aquelas que ocorreram em junho, porque muitas manifestações ocorreram de janeiro a dezembro daquele ano. Nem é possível falar de um movimento homogêneo porque houve diversos grupos políticos se manifestando, diversas ideologias, diversas causas, encontrando-se até mesmo umas causas opostas a outras. Nem é possível falar de movimentos que tiveram início em 2013, porque muitos dos movimentos bastante presentes em 2013 tiveram início bem antes, e 2013 foi apenas o ano do auge.
As mais conhecidas manifestações de 2013 foram as dos dias 17 e 20 de junho na Avenida Paulista / Avenida Rio Branco. Foram as que se seguiram às manifestações do Movimento Passe Livre da semana anterior, e reuniram de tudo, desde o próprio Passe Livre até a extrema-direita que repudiava as ideias deste movimento, e, embora o transporte público estivesse ainda na pauta, os muitos cartazes tratavam de muitos outros temas, como corrupção, educação, saúde, grandes eventos esportivos. Mas ao longo de 2013, também ocorreram manifestações como o “Fora Renan”, “Não vai ter Copa”, “Fora Feliciano”, “Contra a Cura Gay”, “Contra o Estatuto do Nascituro”, “Onde está Amarildo”, “Fora Cabral”, a greve dos professores no Rio, as manifestações em defesa dos atingidos por Belo Monte e a continuação de manifestações que já ocorriam há alguns anos, como as paradas gay, as marchas da maconha e as marchas das vadias.
Os integrantes do Movimento Passe Livre, de esquerda, que foi o estopim das maiores manifestações, muito provavelmente são eleitores da Luciana Genro. Mas entre os participantes de outras manifestações, apesar da já mencionada heterogeneidade, caracterizam um novo movimento de opinião pública no Brasil: jovens, com ensino superior ou nele cursando cursando, insatisfeitos com o lulismo, mesmo tendo alguns apoiado no início, mas não se alinhando a nenhuma das oposições mais conhecidas. A oposição de esquerda, mais representada pelo PSOL, defende um sistema econômico mais socialista. A oposição de direita, mais representada pelo PSDB, defende um sistema econômico mais liberal. Opostas no espectro político, estas oposições compartilham uma característica em comum: têm como foco a discussão sobre sistemas econômicos, que inclui a discussão sobre a interação entre o Estado e os agentes privados. Já este novo movimento de opinião não tem como foco a interação entre o Estado e os agentes privados, mas a qualidade do Estado. Por isso, ataca a corrupção e o fisiologismo, e defende melhor qualidade da educação, saúde e transporte público, sem falar de imposto sobre grandes fortunas, como faz o PSOL, nem de redução da carga tributária, como faz o PSDB. Outro obstáculo deste movimento se alinhar com o PSDB é que não é possível criticar o status quo e defender o PSDB ao mesmo tempo, uma vez que um viajante que se desloca por terra de Curitiba a Belém só transita por estados governados pelos tucanos. Outra característica comum a vários manifestantes de 2013 é serem progressistas em temas como gênero, aborto, homossexualidade, religião, drogas e direitos humanos, e defende a preservação do meio ambiente. Ressalvas aos manifestantes e a este movimento de opinião pública devem ser feitas. Não é porque muitos dos manifestantes são escolarizados que suas ideias são complexas e profundas. Pouco se discutiu sobre como diminuir a corrupção, e melhorar a educação, a saúde e o transporte público, apenas que isso deve ser feito. Alguns questionamentos presentes nas ruas sobre os grandes eventos esportivos foram muito pobres, culminando nas infelizes palavras de ordem “não vai ter copa”.
Já vi um colunista escrever que o embrião das manifestações de 2013 é a candidatura da Marina Silva em 2010. Na verdade, vem de antes. Teve início com a candidatura de Cristóvam Buarque em 2006. Foi a primeira a representar uma crítica ao lulismo sem ser “pela esquerda” ou “pela direita”. O senador brasiliense só teve 2%, mas muitos dos que viriam ser os futuros eleitores de Marina Silva quatro anos mais tarde também se viram representados pela Heloísa Helena, que ao contrário de Plínio Sampaio e Luciana Genro, não teve eleitorado restrito à esquerda. No Rio de Janeiro, muitos adeptos deste movimento de opinião que esteve presente nos protestos de 2013 votaram no Marcelo Freixo para deputado estadual em 2010 e para prefeito em 2012 unicamente por identificarem com sua agenda de direitos humanos, sem apoiarem outros candidatos do PSOL.
Em 2014, o programa que mais bem representa este movimento de opinião que esteve presente nas ruas em 2013 é o do Eduardo Jorge, do Partido Verde. http://divulgacand2014.tse.jus.br/divulga-cand-2014/proposta/eleicao/2014/idEleicao/143/UE/BR/candidato/280000000061/idarquivo/83?x=1409866177000280000000061 Contempla a agenda social modernizadora semelhante à do programa de Luciana Genro, como a legalização do aborto, o casamento gay e a legalização da maconha, e trata de fortalecimento dos mecanismos de democracia direta, mas ao contrário do programa do PSOL, não tem uma agenda socialista para a economia. E também não tem uma agenda de direita anti-Estado social. O programa de Eduardo Jorge defende corte de custos através da contensão dos salários dos congressistas, redução do número de congressistas e assessores, redução do número de ministérios e descentralização de atribuições e receita para os municípios, mas não defende redução das atribuições do Estado. E óbvio, há uma agenda a favor do meio ambiente e dos povos indígenas.
O Eduardo Jorge é na verdade o que a Marina Silva poderia ter sido e que não foi. É aquilo que alguns dos eleitores da Marina Silva de 2010 queriam que ela fosse. Se em 2010 ela já não era aquilo que alguns de seus eleitores queriam que ela fosse, em 2014 ficou mais diferente ainda. Defende uma agenda econômica semelhante à do PSDB. Quase não fala mais de meio ambiente. E no ano passado, deu declaração favorável a Feliciano, um dos maiores alvos de muitas manifestações.
Outra semelhança de Eduardo Jorge com as manifestações de 2013 é a forma de usar a Internet. Todos os candidatos têm página no Facebook para divulgar a campanha. Mas os demais geralmente usam linguagem de jornal e televisão na Internet. Já Eduardo Jorge usa a linguagem própria de Internet, na sua bem humorada página YES WE QUERO https://www.facebook.com/yeswequero
Ainda assim, Eduardo Jorge não tem mais de 1% nas pesquisas de intenção de voto. É um nome desconhecido. O maior cargo executivo que teve foi de secretário municipal. A fraqueza do PV, satélite do PSDB e DEM em alguns estados, também prejudicou. Provavelmente ele passará dos 3% no Flamengo, Laranjeiras, Botafogo, Catete e Santa Teresa, mas não muito mais do que isso.
Uma menção que deve ser feita antes de terminar o texto é que Dilma Rousseff também incorporou parte do espírito das manifestações de 2013. Apesar dela ser governo e protestos serem anti-governo por natureza, foram feitas políticas como o Estatuto da Juventude, o Marco Civil da Internet, a alocação dos royalties do Pré-Sal na educação e na saúde, o Plano Nacional de Participação Social e o Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil.
Diogo Costa
28 de setembro de 2014 1:43 pmExpectativa para os resultados do dia 05 de outubro
ATIPICIDADES DO ATUAL CENÁRIO ELEITORAL BRASILEIRO – Em sete dias chegará finalmente a hora da verdade no pleito de 2014. Não se pode compreender o cenário desta eleição sem voltar um pouco no tempo para entender as circunstâncias que nos levaram até aqui.
O ano de 2012 marcou o pontapé inicial na estratégia da oposição tradicional (‘grande mídia’, PSDB, DEM e PPS). Em maio deste ano o Ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, inventou uma estória a respeito de um encontro que teve com Lula no escritório particular do ex Ministro Nelson Jobim.
Disse o ministro nomeado por FHC que Lula havia sugerido que o julgamento da AP 470 não deveria ser feito de forma simultânea com o processo eleitoral municipal de 2012 (o que em si não teria nada de mais). A “denúncia” premeditada com fins escusos e eminentemente político-partidários foi prontamente rechaçada por Lula e Nelson Jobim.
No entanto o aparato oligopólico de mídia conseguiu o seu intento a partir deste factoide. Ou seja, conseguiu que o então presidente do STF, Carlos Ayres Britto, finalmente marcasse a data do julgamento para o dia 02 de agosto, no meio do processo eleitoral, como queriam os inimigos de Lula e do PT.
A partir de 02 de agosto, e durante intermináveis 04 meses e meio (até o dia 17 de dezembro de 2012), teria lugar no Brasil um abominável e inédito processo de linchamento pirotécnico contra os réus da referida ação. O linchamento teve como alvo preferencial, como não poderia deixar de ser, as grandes e históricas figuras públicas do Partido dos Trabalhadores.
Do ponto de vista jurídico-político esse julgamento caiu como uma bomba na cabeça dos réus petistas. Mas do ponto de vista partidário as movimentações políticas visando 2014 começaram antes até deste referido julgamento.
O governador de Pernambuco na época, Eduardo Campos, começaria no pleito de 2012 a sua estratégia de montar uma “terceira via” política. Para tanto ele se movimentou e conduziu o PSB para um afastamento do PT em algumas cidades importantes, onde havia uma histórica aliança entre estes partidos.
O caso mais notório dessa estratégia de distanciamento do PSB em relação ao PT foi o da disputa da cidade do Recife, que há 12 anos estava sob controle do PT. No mês de junho de 2012, quando Eduardo Campos rompeu com o PT pernambucano e lançou Geraldo Júlio para a prefeitura teve início a ruptura maior que o tempo haveria de confirmar.
Da mesma forma que se afastou do PT, Eduardo Campos costurou e amplificou as alianças diversas com o PSDB nas eleições municipais de 2012 (o PSB e o PSDB tinham alianças municipais e estaduais anteriores ao pleito deste ano, inclusive). O caso mais importante onde essa estratégia foi aplicada aconteceu em Belo Horizonte onde o prefeito Márcio Lacerda, em busca da reeleição, derrotou por estreita margem o candidato petista, Patrus Ananias.
Em dezembro de 2012 FHC lançou Aécio Neves para a presidência da república. Eduardo Campos negaria essa pretensão até outubro de 2013.
Durante todo o ano de 2013 a oposição tratou de buscar uma ruptura do PSB com o bloco de apoio ao governo, além de incentivar a candidatura presidencial de Eduardo Campos. Ao fim e ao cabo conseguiram. Mas a estratégia da oposição nunca foi somente esta. Sempre souberam eles que seria muito importante lançar o maior número de candidaturas possíveis contra a reeleição de Dilma Rousseff. Trabalhariam com afinco neste sentido até junho de 2014.
Dentro dessa estratégia de lançar inúmeras candidaturas contra o PT, a ‘grande mídia’ tratou de endeusar Joaquim Barbosa e de tratá-lo como um dos postulantes ao Palácio do Planalto até o dia 05 de abril de 2014 (prazo final para a desincompatibilização e filiação de magistrados).
Outra ponta dessa estratégia era garantir a candidatura de Marina Silva, que em fevereiro de 2013 começou a coleta de assinaturas para criar um partido que poderia finalmente chamar de seu, no caso, a Rede Sustentabilidade. Essa estratégia foi anulada por incompetência pura e simples de Marina e de seus aliados que em 08 meses não conseguiram juntar sequer as 490.000 assinaturas necessárias para oficializar a novel legenda.
Para não ver naufragar completamente a tese das múltiplas e viáveis candidaturas oposicionistas, ainda conseguiram convencer Eduardo Campos e Marina Silva a assumir um casamento de fachada na data limite para tanto (05 de outubro de 2013).
Marina filiou-se no PSB e essa decisão, tomada há quase 01 ano, é que está salvando a oposição de sofrer a sua maior derrota em todos os tempos para o PT.
No meio de tudo isto ainda houve a questão do junho de 2013. As manifestações começaram logo após a virulenta repressão da PM de São Paulo, comandada há 20 anos ininterruptos pelo PSDB, contra um protesto do MPL em 06 de junho. A revolta foi crescendo e se alastrou por quase todo o Brasil até chegar ao seu ápice no dia 20 de junho.
Não se trata agora de analisar de forma aprofundada este fenômeno, mas sim de compreender que a brutal instrumentalização midiática que foi feita a partir dele atingiu em cheio, tal e qual a AP 470, o Partido dos Trabalhadores. Note-se que a AP 470 sequer arranhou a popularidade de Dilma Rousseff, em compensação as manifestações de junho de 2013 derrubaram momentânea, abrupta e fortemente o apoio popular ao seu governo.
Chegamos enfim ao ano de 2014 e em abril se dissipou toda e qualquer ideia de candidatura de Joaquim Barbosa. O cenário eleitoral se delineou com apenas 03 candidaturas viáveis eleitoralmente (Eduardo Campos, Aécio Neves e Dilma Rousseff). Bom para o governo federal e ruim para a oposição.
Passada a breve digressão, passemos ao cenário eleitoral em si.
As duas últimas pesquisas feitas pelo Datafolha antes da morte de Eduardo Campos mostraram Dilma Rousseff rigorosamente no mesmo patamar, com 50% dos votos válidos. A eleição de 2014, para surpresa dos que pouco entendem de política, se encaminhava para uma reeleição tranquila de Dilma.
E então veio a tragédia que provocou uma comoção nacional. No dia 13 de agosto de 2014 o candidato presidencial do PSB, Eduardo Campos, morreu num acidente de avião na cidade de Santos, no Estado de São Paulo.
Uma eleição que até então, diga-se de passagem, estava absoluta e rigorosamente favorável para a manutenção de Dilma Rousseff no Palácio do Planalto, como atestavam as duas pesquisas feitas pelo Datafolha desde o início da campanha em 05 de julho.
O que parecia ser uma volta olímpica da situação de uma hora para outra se tornou uma dura e renhida batalha.
Marina Silva ressurgiu das cinzas da insignificância e da incompetência (sequer conseguiu fundar o seu próprio partido) para virar do avesso as expectativas eleitorais. Ela se beneficiou duplamente do novo cenário político.
Em primeiro lugar a comoção causada pela morte de Eduardo Campos a catapultou de forma fulminante na disputa. E em segundo lugar Marina Silva deixou de ser alvo da oposição e da situação desde outubro de 2013, quando se viu que ela não seria candidata. Ficou, portanto, de outubro de 2013 até 13 de agosto de 2014 pairando acima das contendas políticas enquanto Dilma, Aécio e Eduardo Campos estavam se engalfinhando no ringue há muito e muito tempo.
Marina entrou lépida e fagueira no meio da campanha, beneficiada pela preservação política de quem havia submergido e beneficiada pela comoção de uma tragédia. Fosse Marina Silva a candidata do PSB desde o início e a sua aura já teria sido quebrada (como vem sendo agora). Como não era, se preservou e conseguiu subir de forma meteórica.
Passada a tragédia o que vimos foi o Datafolha colocar Dilma Rousseff e Marina Silva empatadas na intenção de votos (39% dos votos válidos) quando se contavam apenas 16 dias da morte de Eduardo Campos (no segundo turno a vantagem de Marina foi marcada em 10 pontos percentuais para cima de Dilma).
A partir deste ápice “marinístico”, ocorrido no dia 29 de agosto de 2014, todos os levantamentos do Datafolha mostraram a queda gradual e constante de Marina e a subida também gradual e constante de Dilma tanto no primeiro quanto no hipotético segundo turno da disputa. Chegamos nesta toada até o cenário atual, de franca recuperação de Dilma e de queda da moça lá do Acre.
O Datafolha nos diz que Dilma tem hoje 45% dos votos válidos. Não é de forma alguma um patamar surpreendente visto que nas duas pesquisas anteriores ao falecimento de Eduardo Campos a presidenta ostentava a excelente marca de 50% dos votos válidos.
A verdade é que se a tragédia que abateu Eduardo Campos tivesse ocorrido um mês antes, lá por meados de julho, Marina Silva não teria a mínima condição de romper com a polarização PT x PSDB. O pouco tempo em que ela figurou como candidata presidencial foi um ponto a seu favor pois impediu que o transcorrer normal do debate a fizesse derreter a tempo de ser superada por Aécio Neves.
Como o que importa são os fatos, não há que se tergiversar. Marina Silva foi beneficiada pela comoção de uma tragédia? Sim. Foi beneficiada por ter entrado totalmente preservada e livre de críticas no meio e não no início da campanha? Sim. Mas isso agora pouco importa. Foi o que aconteceu e é em cima disto que se deve trabalhar.
É inegável que Dilma Rousseff se recupera fortemente, que a candidatura de Marina está em queda e que Aécio Neves está subindo ligeiramente. O que acontece é que não há mais um mês de campanha, mas sim apenas uma semana. Penso que as curvas de intenções de votos dos candidatos não irão se modificar e defendo a tese de que há uma grande possibilidade de haver um segundo turno.
Este hipotético segundo turno seria entre Dilma Rousseff e Marina Silva, alijando o PSDB da polarização que durou 20 anos. E penso desta forma apenas porque temos só uma semana até a votação. Se tivéssemos duas semanas a grande possibilidade seria a de vitória de Dilma Rousseff já no primeiro turno e a de aproximação ainda maior entre Marina e Aécio.
Dilma entrará no segundo turno com muita força, numa crescente política. Marina, ao contrário, entrará no segundo turno em linha descendente. Isto faz muita diferença em qualquer disputa.
Além disso, e apesar do senso comum que diz que “segundo turno é outra eleição”, a experiência histórica nos mostra que jamais houve uma virada em eleições presidenciais no Brasil.
Mesmo no campo das eleições estaduais as viradas não são uma constante. Tivemos até hoje 79 segundos turnos em disputas estaduais e apenas 22 viradas. Entre estas 22 viradas estaduais, apenas 04 ocorreram quando a diferença do primeiro para o segundo colocado no primeiro turno foi superior aos 10% de votos válidos. Em apenas uma oportunidade (entre as 22) houve uma virada quando a diferença do primeiro para o segundo colocado no primeiro turno da disputa estadual foi superior a 13% dos votos válidos.
Ou seja, mesmo as viradas estaduais são uma minoria. E são uma ínfima minoria quando a diferença entre os postulantes é superior aos 10% de votos válidos. A única virada que houve quando a diferença entre os postulantes ficou acima de 13% dos votos válidos demonstra bem o caráter excepcional deste acontecimento.
A grande batalha deste pleito de 2014, o grande cabo de guerra entre situação e oposição foi disputado em torno dos percentuais de votos válidos de Dilma no primeiro turno. Era e é de fundamental importância para a oposição conseguir fazer com que Dilma tenha um baixo percentual de votos no primeiro turno. Essa batalha Dilma já venceu.
Nas campanhas vitoriosas do PT em 2002, 2006 e 2010, os votos válidos conquistados pela legenda nos respectivos primeiros turnos ficaram entre 46 e 48%. Tudo indica que Dilma vai ficar exatamente nessa média no pleito atual e isto representa uma doída derrota na estratégia oposicionista de desgaste permanente de Dilma e do PT.
Essa estratégia simplesmente não deu certo e o hipotético segundo turno, como já vimos, não deverá trazer grandes surpresas mas sim confirmar a reeleição de Dilma Rousseff.
Sem querer dar uma de adivinho, mas tentando ser isento e analisar as oscilações dos postulantes, termino colocando os percentuais que imagino que veremos na apuração de 05 de outubro.
Desde 10 de setembro e também em 24 de setembro defendi que estes percentuais de votos válidos acabariam sendo o retrato aproximado do primeiro turno de 2014. Faltando apenas sete dias para o pleito, mantenho a avaliação:
-Dilma Rousseff: 47%;
-Marina: 28%;
-Aécio Neves: 22%;
-Outros: 03%.
A conferir.
Cláudio José
28 de setembro de 2014 2:17 pmPROJETO: JUSTO E SOLIDÁRIO
Rio de Janeiro 28 de setembro de 2014 PROJETO: JUSTO E SOLIDÁRIO Caros amigos (as) gosto de ajudar quem precisa de ajuda as crianças e os idosos abandonados, por isso gostaria de sugerir um projeto: O JUSTO E SOLIDÁRIO onde quando as pessoas entrarem na justiça pedindo danos morais, por algum processo na internet, ao invés de pegarem o dinheiro, para gastar em outras coisas, que elas pensem nas crianças e nos idosos que precisam de ajuda. Temos muitos artistas e políticos com processos na justiça, alguns justos, outros não, e muita gente precisando de ajuda, isso na minha humilde opinião, seria mais JUSTO e SOLIDÁRIO. Atenciosamente:
Cláudio José, um amigo do povo e da paz.
Mara L. Baraúna
28 de setembro de 2014 2:37 pmMiles Davis, milhas à frente
Miles Dewey Davis III (26 de maio de 1926, Alton, Illinois – 28 de setembro de 1991, Santa Monica, Califórnia)
Revista Piaui, por Rafael Teixeira
Num intervalo de vinte anos, Miles Davis revirou pelo avesso a história do jazz três vezes seguidas
Em 20 de janeiro de 1949, Harry Truman assumiu o cargo de presidente e discursou no Congresso, em Washington, na primeira posse transmitida pela televisão. Um dia depois, em Nova York, Miles Davis entrou nos estúdios de outro capitólio, a Capitol Records, gravadora cujo emblema era a cúpula do prédio do Congresso. Aos 22 anos, gravou músicas que marcaram a concepção do cool jazz. Dez anos depois, em uma igreja convertida em estúdio da Columbia, ele revirou novamente o panorama da música popular e deu forma ao jazz modal. E, mais uma vez, na década seguinte, também nos estúdios da Columbia, aproximou o jazz do rock para dar origem ao fusion.
No espaço de uma vida, Miles Davis comandou três viradas estéticas, que lhe valeram o epíteto de “Picasso do jazz”. Hoje, dezessete anos depois de sua morte – de pneumonia e derrame -, ainda se discute o seu papel como inventor de gêneros jazzísticos, e o quanto ele se valeu de caminhos previamente abertos. Mas, se Davis não inventou propriamente o cool, o jazz modal e o fusion, ele cristalizou os gêneros.
“O status de Miles Davis no mundo do jazz significa que, quando deixava seu nome em um estilo, ele o validava tanto aos olhos do público quando dos jazzistas”, disse o crítico inglês Stuart Nicholson. No livro A Vida Como Performance, que traz um perfil do trompetista, o crítico Kenneth Tynan escreveu: “O movimento moderno no jazz tem muitas mansões, mas somente quatro arquitetos: Charlie Parker, Thelonious Monk, Dizzy Gillespie e Davis, o parceiro mais jovem.”
Miles Dewey Davis III nasceu em 26 de maio de 1926, em Alton, cidadezinha no estado de Illinois, às margens do rio Mississipi. Filho de uma família abastada, sua infância foi uma perfeita antítese da maior parte dos músicos de jazz de então. Louis Armstrong, o exemplo mais eloquente, nasceu paupérrimo em uma das ruas mais miseráveis de Nova Orleans, filho de uma mãe que se tornou prostituta e de um pai que abandonou a família. Já o pai de Davis era um dentista cuja família tinha uma fazenda de 120 hectares no Arkansas, onde o garoto aprendeu a andar a cavalo. Sua mãe, Cleota Henry Davis, era uma figura respeitada na vizinhança, além de hábil pianista de blues.
Em plena década de 1920, quando boa parte dos Estados Unidos vivia sob leis segregacionistas que impediam negros e brancos de frequentarem o mesmo banheiro público, a família Davis tinha uma empregada e uma cozinheira. Quando o casal e seus três filhos – Dorothy, Miles e Vernon – se mudaram para East St. Louis, em 1927, ele foi morar em um bairro de brancos, nos fundos do consultório de odontologia do pai. Apesar do bem-estar material, Miles Davis passou por maus bocados. Seus pais brigavam muito e sua mãe lhe aplicava uma surra de vez em quando – o que talvez explique, em parte, o motivo pelo qual Davis viria a se tornar arrogante, grosseiro e, eventualmente, violento. Seu pai tinha um gênio péssimo, que o filho sempre suspeitou ter herdado.
Aos 13 anos, Davis ganhou um trompete de seu pai, e começou a ter aulas com Elwood Buchanan, um músico local. Foi por meio dele que Davis começou a desenvolver aquela que seria para sempre a sua marca no trompete: a ausência de vibrato – a vibração da nota final de uma frase musical. Convidado por Buchanan para ver seu aluno tocar, o trompetista Clark Terry (que viria a ser uma das influências de Davis) se lembraria, anos mais tarde, de seus heterodoxos métodos de aprendizado: “Buch tinha uma régua enorme… e toda vez que Miles tremia uma nota, ele o acertava com ela nas juntas dos dedos e dizia: ‘Pare de tremer essa nota. Você já vai tremer bastante quando ficar velho.'”
Além disso, foi Buchanan quem incentivou Davis a estudar o estilo mais relaxado de trompetistas como Bobby Hackett e Harold Shorty Baker – um jeito de tocar que guardava algo da primeira das três revoluções que seriam empreendidas pelo trompetista.
Em 1949, quando Davis deflagrou o cool jazz, a Capitol era uma gravadora jovem. Foi a primeira a ter sede em Los Angeles, mas mantinha um estúdio em Nova York, onde estavam boa parte dos músicos de jazz e grandes gravadoras como a RCA Victor, a Columbia e a Decca. Naquele ano, Bing Crosby era um sucesso nacional e Frank Sinatra já aparecera em onze filmes. Em Manhattan, a rua 52 era cheia de clubes, onde tocavam o saxofonista Coleman Hawkins e os pianistas Art Tatum, Thelonious Monk e Bud Powell, e a cantora Sarah Vaughan.
No que diz respeito ao jazz, porém, era o bebop que estava na moda, graças às novidades concebidas pelo saxofonista Charlie Parker e o trompetista Dizzy Gillespie, os pais do gênero. Com os dois, o bebop emancipou o jazz das melodias cantáveis e dançantes que fizeram sua fama até os anos 30. Era um estilo que dava ênfase à técnica, habilidade e inspiração do solista, com harmonias complexas e andamentos rápidos, exigindo muito do músico.
Davis, que tocava profissionalmente desde 1944, assistiu de dentro a popularização do jazz com o bepop, com Parker e Gillespie lotando boates na rua 52. Àquela época, Davis já cheirava cocaína regularmente. Em suas memórias, ele lembra como Parker podia servir de “exemplo” para outros músicos: “Corria a idéia de que o uso da cocaína podia fazer a gente tocar tão bem quanto Bird [o apelido de Parker].”
Convidado por Bird, em 1947, para ser trompetista de seu conjunto, Davis percebeu que não conseguiria – ou que não queria – replicar a torrente sonora dos pais do bebop. Ele era um jovem que tinha Parker como ídolo, mas desenvolveu uma personalidade musical própria: menos elétrica, com notas mais espaçadas, que funcionou às mil maravilhas. Assim o definiu Kenneth Tynan: “Ele é como uma garrafa térmica, que sugere a presença do calor sem irradiá-lo.”
Naquele modo de soprar, antecipava-se o cool jazz – segundo alguns jazzófilos, menos como uma busca artística e mais como resolução de um dilema prático. Segundo o crítico americano Gary Giddins, Miles Davis “não tinha o virtuosismo de Dizzy Gillespie”, e por isso “criou um jeito de tocar que era mais baseado em timbre e melodia. Tocava pouquíssimas notas, mas fazia com que fossem as notas certas”. Stuart Nicholson discordou frontalmente: “A maioria das pessoas que conhece alguma coisa sobre jazz não diria que Davis não tinha o virtuosismo de um Parker ou um Gillespie.” Como prova, ele cita gravações, de janeiro de 1949, que originaram o disco The Metronome All Stars, no qual Davis e o trompetista Fats Navarro tocaram com Dizzy Gillespie – e como Dizzy Gillespie.
No fim dos anos 40, Davis era um dos muitos músicos que frequentavam o apartamento do arranjador Gil Evans, em um porão atrás de uma lavanderia chinesa na rua 55, em Manhattan. “Havia todos os canos do prédio, uma pia, uma cama, um piano, uma chapa elétrica de cozinha e nenhum aquecimento”, lembrou o sax-barítono Gerry Mulligan em um artigo para a edição de 1971 do álbum Birth of the Cool. Usando o local para ensaios, praticamente o mesmo noneto com que Davis inaugurou o cool jazz se apresentaria por duas semanas no Royal Roost Club, em setembro de 1948.
Continua aqui
Miles Davis Quintet
Saiba mais em:
Página oficial
Wikipédia
Cinebiografia de Miles Davis, estrelada e dirigida por Don Cheadle, começará a ser filmada.
Miles Davis (1926 – 1991)
Miles Davis: Deus era negro, Revista Bula, por Cezar Santos
Exposição Miles Davis, lenda do jazz
Alguns vídeos:
[video:https://www.youtube.com/watch?v=wOA9_TdRFt4%5D
[video:https://www.youtube.com/watch?v=Ik49L1wvPlw%5D
[video:https://www.youtube.com/watch?v=LVFLYz0SdKg%5D
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jura
28 de setembro de 2014 3:14 pmQuando os marqueteiros brigam, quem ganha é você!
O publicitário Fernando Meirelles chamou o marqueteiro João Santana de Goebbels. Ou seja: mentiroso.
Goebbels, para quem não lembra, foi o marqueteiro e publicitário do nazismo, para quem uma mentira repetida milhares de vezes vira uma verdade.
Eis aí uma briga interessante.
Ela tem tudo pra revelar de uma vez por todas, para quem ainda não percebeu, o que é e para que serve o marketing político.
Antes, porém, é preciso revelar o publicitário que se esconde por detrás do cineasta Fernando Meirelles.
http://www.diariodocentrodomundo.com.br/fernando-meirelles/
Mara L. Baraúna
28 de setembro de 2014 3:51 pm28 de setembro: dia de luta pela descriminalização do aborto
Avançar na defesa dos direitos democráticos das mulheres contra o avanço e a perseguição dos setores conservadores no Brasil e no mundo
O 28 de setembro para o movimento de mulheres ficou marcado como Dia Global de ação para o Acesso ao Aborto Seguro e Legal. Na América Latina e Caribe onde existem muitos países em que a pratica é considerada crime a data marca o Dia de Luta pela sua descriminalização.
Neste ano de 2012 alguns acontecimentos marcam essa data e reforçam a campanha. Primeiro o caso da jovem que morreu na Republica Dominicana por causa da restrição legal que existe ao aborto; a possibilidade de mudança na lei de 1938 que consiera crime o aborto no Uruguai; e no Brasil o debate do novo Código Penal que propõe a descriminalização do aborto até a 12° semana de gestação.
Contexto geral
Com a proximidade da data a Rede Mundial das Mulheres pelos Direitos Reprodutivos lançou um chamado que traz alguns dados da situação do aborto em todo o mundo.
O documento aponta que praticamente todos os abortos na África, na América Latina e no Caribe são inseguros (95%), e na Ásia mais de metade (60%) de todos os abortos realizados permanecem inseguros devido à ilegalidade ou restrições para que o procedimento seja realizado em hospitais por profissionais qualificados.
Apesar da maioria dos abortos na Europa e nos Estados Unidos serem atualmente realizados em condições de segurança, o número de mulheres que recorrem a métodos inseguros, provavelmente irá aumentar nos próximos anos devido ao aumento de restrições ao acesso a serviços de aborto seguro.
No mundo todo, cerca de cinco milhões de mulheres são hospitalizadas por ano para tratamento de complicações relacionadas ao aborto, tais como hemorragia e sepse (infecção). Pelo menos 47.000 morrem a cada ano devido ao aborto inseguro, o que representa uma estimativa de 13% das mortes maternas no mundo todo. Quase todas essas mortes ocorrem em países atrasados, com o número mais alto na África. Ou seja, países onde prevalece a ilegalidade.
Estima-se que as adolescentes (jovens com idade entre 15-19) correspondam a 2,5 milhões de cerca de 19 milhões de abortos inseguros que ocorrem anualmente nesses países. Solteiras, grávidas, mulheres jovens enfrentam barreiras severas ao aborto e são obrigadas a procurarem abortos inseguros. Elas também são muitas vezes mal equipadas, com relação a informações precisas e estigmatização; como o medo de que suas famílias e suas comunidades tomem conhecimento de suas gestações. Elas podem ser forçadas a saírem da escola, desistirem de seus empregos, e estão mais propensas a um maior risco de violência quando são pintadas como “promíscuas”. Todos esses dados estão baseados em informações da Organização Mundial de Saúde (OMS).
A jovem condenada à morte
Diante desses números fica evidente que o aborto é um problema social, de saúde pública. Os números expõem ainda que a criminalização não funciona como alternativa para evitar a prática do aborto. Sendo, portanto, um problema que não pode ser resolvido através da ação policial, da justiça, da perseguição das mulheres.
Mas tem mais. O caso da jovem que em meados de agosto foi condenada à morte na República Dominicana pela lei que diz “defender a vida” confirma, sem margem para dúvida, que a interrupção da gestação trata-se também de um direito das mulheres. Mesmo diante da campanha conservadora que tenta combater esse direito a partir de um dogma e de uma falsa “defesa da vida”.
A jovem de 16 que agora teve seu nome revelado pelo movimento de mulheres, Esperanza, não recebeu tratamento para o câncer que teve diagnosticado em meados de julho porque estava grávida e a quimioterapia colocava em risco “a vida do feto”.
Tudo isso se deu porque, ironicamente, o artigo 37 da Constituição da República Dominicana foi reformulado em 2010 e agora estabelece que “o direito à vida é inviolável desde a concepção até a morte”. Mas qual direito à vida?
Diante da pena de morte contra a jovem Esperanza, fica evidente que a condenação do aborto não serve para defender a vida, mas para retirar direitos femininos e relativizar o valor da vida da própria mulher. E para os defensores da condenação do aborto o potencial de vida que é o feto, vale muito mais que a vida de uma jovem mulher.
Como se pode ver, esta é uma lei que condena à morte, e não defende a vida.
No Uruguai
No Uruguai a data será marcada pela discussão da descriminalização do aborto pela Câmara de Deputados, ou Representantes como é chamada.
O projeto de lei que foi aprovado no final de 2011 sofreu modificações e está para ser votação da Câmara em 25 de setembro. Não é a legalização e a garantia plena do direito ao aborto, mas a nova legislação prevê a mudança na lei de 1938 que determina pena de três a nove meses de prisão para a mulher que abortar.
Em 2008 uma legislação semelhante chegou a ser levada à sanção presidencial, mas o então presidente Tabaré Vazquez vetou a medida por pressão direta da hierarquia da Igreja Católica.
Na forma como está agora a lei cria condições para que o aborto não seja considerado criminoso até a 12ª semana de gestação. Havendo possibilidades de extrapolar esse prazo em casos de violência sexual, risco para a vida da mãe ou malformação fetal grave.
O problema é que ao longo do debate dentro do Congresso e por pressão dos conservadores foram se criando condicionantes severos para o acesso à interrupção da gestação, ao ponto de a vontade da mulher e seu direito de decidir livremente estar submetido a uma série de restrições que na prática ainda colocam esse direito nas mãos de médicos e do Estado.
Conseguindo maioria de votos na Câmara a lei volta ao Senado para ser ratificada e na sequência segue para o presidente José Mujica que declarou estar comprometido com sua sanção.
No Brasil
Por aqui a luta pela legalização do aborto continua tendo de enfrentar os conservadores de direita e de esquerda.
Neste momento o governo do PT está dando um passo atrás no único avanço democrático previsto na reforma do Código Penal brasileiro em debate no Senado Federal.
A proposta de novo Código Penal prevê para a legislação brasileira mudança semelhante a que está para ser votada no Uruguai. A descriminalização do aborto até a 12ª semana de gestação, com condicionantes.
Apesar de limitado o reconhecimento do aborto como direito, e sua prática deixando de ser crime, é uma importante conquista para as mulheres. Inclusive no contexto brasileiro de perseguição sem limites contra as mulheres que abortam.
Em junho foi tornado público o caso da jovem Keila Rodrigues que seria levada à Júri Popular pelo Tribunal de Justiça de São Paulo acusada de crime aborto. Keila é moradora de rua e viciada em drogas. Mão de dois filhos que não é capaz de cuidar decidiu interromper a gestação. Ela foi inocentada em primeira instancia, mas o Ministério Público decidiu recorrer da decisão e em nome de uma “punição moral” o desembargador Francisco Bruno, acatou a denúncia. Se condenada Keila Rodrigues pode pegar até três anos de prisão.
Não podemos também esquecer o terrível caso do Mato Grosso do Sul onde quase 10 mil mulheres foram acusadas sem provas e mais de mil processadas, acusadas de aborto criminoso depois que uma clinica que funcionou mais de 20 anos na cidade de Campo Grande foi fechada numa batida polícia.
Lutar contra a ofensiva da direita
Em todo o mundo essas histórias de morte e perseguição podem aumentar diante da ofensiva para impor ainda mais restrições ao direito das mulheres de decidirem livremente sobre a maternidade.
Nos EUA além da investida em diversos estados para mudar a legislação nacional através de restrições locais, as eleições presidenciais trouxeram à tona a verdadeira opinião da direita sobre as mulheres e seus direitos.
Mais de um candidato republicano declarou ser totalmente contra o aborto mesmo em casos de estupro. Ao ponto de um candidato ao Senado no estado do Missouri, Tood Akin, questionar a violência sexual cometida contra mulheres que recorrem ao aborto, porque segundo ele “estupro não engravida”.
Para defender seu dogma religioso e que o Estado (laico) puna (como se fosse a Igreja) o pecado do aborto esse senhor insinuou que se uma mulher engravida é porque de fato o contato sexual não foi um estupro.
Mas essas declarações grotescas e abertamente contra as mulheres estão escondidas na campanha do dia a dia que diz que a luta contra o direito ao aborto é a defesa da vida. Mas já foram dadas demonstrações de que isso não passa de cinismo de direita. O mesmo que apresentava o nazismo como o melhor para a Alemanha; e diz que a redução maioridade penal é o melhor para as próprias crianças.
Fim dos processos, pela legalização do aborto!
Nesse sentido é fundamental reforçar a campanha para esclarecer que o direito ao aborto é parte da luta em defesa da maternidade, da vida e da democracia. É parte da luta pelo Estado Laico, pela liberdade de escolha.
O direito ao aborto e o acesso aos métodos contraceptivos dá a mulher a liberdade de decidir sobre a maternidade. É a defesa da maternidade inclusive para impedir que o Estado aja em detrimento de sua vontade, como com campanhas de esterilização.
Aqui é importante fazer um destaque para caso recente no Distrito Federal onde o governo petista fez propaganda de cirurgias de laqueadura com divulgação da foto de algumas mulheres que se submeteram ao procedimento.
O Coletivo de Mulheres Rosa Luxemburgo registra aqui a defesa do direito de escolha e vê com muita desconfiança esse tipo de iniciativa do Estado que não garante acesso aos métodos contraceptivos, atendimento médico ginecológico regular e adequado, mas promove a esterilização de mulheres negras e jovens.
É preciso estar atento a todas essas iniciativas. O movimento organizado de mulheres defende o direito à maternidade livre e por amor, pela vontade e desejo da mulher. Para isso o Estado deve garantir tanto a possibilidade de prevenção, planejamento familiar e direito de aborto, como também saúde, educação, licença-maternidade, creches etc.
No Brasil é preciso defender ainda o fim de todos os processos e prisões de mulheres acusadas de aborto; denunciar, repudiar e lutar contra a tropa de choque da direita no Congresso Nacional que tenta aprovar projetos semelhantes ao que condenou a jovem Esperanza, na República Dominicana, aqui intitulado Estatuto do Nascituro; impedir a instalação da CPI do Aborto que quer estender para todo o país a perseguição que ocorreu contra as mulheres no Mato Grosso do Sul; e defender a descriminalização do aborto no novo código de processo penal apesar da capitulação do governo da presidenta Dilma Rousseff.
A luta pela legalização do aborto passa por todo esse debate, pela verdadeira defesa da vida; contra o avanço da ofensiva da direta e pela defesa dos direitos democráticos de toda a população.
Emanuel Cancella
28 de setembro de 2014 5:44 pmMídia na eleção
O Globo, Estadão, Folha e Veja querem salvar Geraldo Alkmim da seca e tirar Pesão da Lama
Duas candidaturas ao governo de estado que lideram nas pesquisas deixam a sociedade perplexa. A de Pesão no Rio de Janeiro e de Geraldo Alkmin em São Paulo. Pesão foi vice do governador Sérgio Cabral, o governador mais corrupto da República, inclusive sumido das eleições. Haja vista que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, defenestrado da política pela sociedade, ainda aparece comentando eleição. Já Cabral, ninguém sabe ninguém viu! Será que Pesão, vice de Cabral, durante todo o governo, não sabe de nada? Fez todo esse tempo o quê? Por exemplo, qual a sua avaliação da “Festa do Guardanapo”, sobre isso provavelmente Pesão não vai falar, pois a imprensa denunciou que um enteado seu trabalha para a Delta, cujo dono, o empresário Fernando Cavedish, aparece na foto dessa festa, juntamente com o Cabral. Mas e os outros escândalos de Cabral, como do uso indevido do Helicóptero do estado, da tentativa de demolição do Museu do Índio, do Parque aquático Julio de Lamare, do Estádio de Atletismo Célio de barros, da Escola Municipal Friedenreich, uma das melhores do país; da destruição do Lanagro, único laboratório que fiscalizava e inspecionava alimentos, inclusive o controle de seu teor nutricional, bem como bebidas e água para consumo humano. tudo isso seria destruído no entorno do Maracanã para favorecer o futuro consórcio que viria administrar o Maracanã. Ou que outro interesse Cabral teria? Não podemos nos esquecer do bondinho de Santa Tereza. Pesão, diante desse mar de lama, estaria, quando vice, adormecido confortavelmente sob os pés de Cabral. É isso?
E o Geraldo Alkmin, que disputa a reeleição acusado de ser beneficiário do propinoduto do metrô de São Paulo, o qual envolve os governadores tucanos, de Mário Covas a ele próprio, denunciados pelo recebimento de propina pela Alstom, empresa francesa. Como se isso não bastasse, a cidade de São Paulo, uma das maiores do mundo e das mais ricas, cortada por diversos rios (veja a lista de Rios de São Paulo no Wikipédia) fica sem água, e cá para nós, não dá para culpar São Pedro. É incompetência de uma sequência de governos tucanos, com o agravante de que, segundo as pesquisas, vai ser reeleito em primeiro turno. A mesma mídia que ataca e critica Dilma, Marina Silva, Garotinho e outros candidatos colocou uma blindagem em Pesão e Alckmim. Não tenha dúvida de que O Globo, Estadão, Veja e Folha querem salvar Geraldo Alkmim da seca e tirar Pesão da Lama.
Rio de Janeiro, 28 de setembro de 2014;
NICKNAME
28 de setembro de 2014 6:14 pmJÂNIO DE FREITAS DESLOCADO HOJE
Quem for procurar a coluna do Jânio de Freitas na FSP, não o encontrará no primeiro caderno (pela web), e , sim, no caderno Especial (tive dificuldade de encontrá-lo, por isso). No seu artigo (que o Nassif creio poder republicá-lo sob autorização da Folha que de um tempo pra cá impede assinates UOL ou Folha de copiá-lo), ele dá dicas sobre agressividades e a dose certa. De qq modo, eis o link
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/especial/187825-feia-grossa-e-errada.shtml
NICKNAME
28 de setembro de 2014 6:54 pmP q Ciro Gomes não é chamado, convidado ao Blog?
Veja-se no Youtube.
Leandro Ferrari
28 de setembro de 2014 8:07 pmRevisitando a história do futebol
Revisitando a história do futebol – por Leandro Ferrari [editado em 28/09/2014]
No Brasil é muito difundido a ideia de que o futebol teve como origem a Inglaterra durante o século XIX, uma vez que Charles Miller, ao regressar de seus estudos no país inglês, por aqui tornou o esporte conhecido. No entanto, no nosso dito “país do futebol” e agora da Copa, pouco se fala de que uma possível origem seria a China, há muito mais tempo atrás, possivelmente durante o período conhecido como Primavera e Outono, entre 771 e 481 a.C.
A menção mais antiga diz respeito à época dos Estados Combatentes, período entre 479 e 221 a.C., encontrado no Zhan Guo Ce, uma compilação de trabalhos históricos escritos nesta época. O ministro Su Qin do reino de Zhao, para combater o reino de Qin (reino que acabou unificando a China em um único reino em 221 a.C.), tentou uma aliança com o reino de Xuan, entre 319 e 301 a.C. Assim ele descreveu o enorme território de Qi e sua enorme população e exército:
“A cidade de Linzi sozinha tem 70.000 famílias e sua população é rica e próspera, todos se ocupando com clarinetes, alaúdes, cítaras, violões, brigas de galo, corrida de cães, jogos de tabuleiro e futebol. Como pode tal Estado se curvar perante ordens de Qin?”
Dentre os registros históricos mais antigos até então encontrados, também está o do astrônomo e filósofo Sima Qian (145 a.C. – 86 d.C.), que, para atender à vontade de seu pai, terminou o trabalho desse em descrever a história da China desde os tempos dos primeiros governantes até aproximadamente 100 a.C., tornando-se então um dos grandes historiadores chineses.
O escritor Liu Xiang (77 a 6 a.C.) afirmou que o futebol chinês teria sido inventado pelo Imperador Amarelo (2.697 a.C.), um dos ancestrais heróis culturais chineses, mas teria se desenvolvido durante os Estados Combatentes:
“É uma demonstração de guerra, é algo para o treinamento de oficiais militares e por isso pode-se encontrar os mais talentosos. Com base em diversão e jogo, eles são ensinados e treinados. Agora, quando não há tarefas para os soldados, eles devem ser empregados no futebol.”
Outro exemplo é um poema do oficial Li You (50 a 130 d.C.) “Inscrições da bola e da cidade”:
鞠城銘
圓鞠方牆、倣象陰陽。
法月衡對、二六相當。
建長立平、其例有常。
不以親疏、不有阿私。
端心平意、莫怨其非。
鞠政由然、況乎執機!
— 李尤(漢代 50-130 C.E.)
“Bola redonda e muro quadrado, como yin e yang
Seguindo a Lua, confrontação horizontal, dois seis se equivalendo
Estabelecem-se os chefes e nivelam os escores, suas regras tem constância
Não conforme relações descuidadas, não há favorecimento ao egoísmo
Com o coração direito e pensamentos calmos, ninguém culpa a falha do outro
O regulamento da bola sendo esse, situação na qual se desenrola o mecanismo”
Uma descrição do antigo futebol chinês também aparece em “Rapsódia no Átrio das Grandes Bençãos”, escrito em 249 d.C., na qual se compara a competição do jogo a exércitos em guerra. De fato, foi um esporte muito utilizado para treinamento militar, desenvolvendo habilidades físicas de ataque e defesa e de ação em grupo. Uma ilustração de como seria pode ser vista no filme “A Batalha dos Três Reinos”, de John Woo (Battle of the Red Cliffs, 2008). O filme narra uma das famosas batalhas da história chinesa, que se passa na época do final do Dinastia Han (que durou entre 206 a.C. e 220 d.C.), quando o exército de Han liderado pelo Primeiro Ministro Cao Cao foi derrotado por um exército muito menor, iniciando o período conhecido como “Três Reinos”.
Vídeo 1 – Youtube: Red Cliff
Cao Cao citando a importância do futebol no treinamento militar:
https://www.youtube.com/watch?v=Z9V49XLNMX4&list=PLE76F13E950F0F87B
Vídeo 2 – Youtube: Red Cliff
Soldados praaticando futebol (avançar até 2:50)
https://www.youtube.com/watch?v=5RaQ5ZhU8tM&list=PLE76F13E950F0F87B&index=2
Na verdade, ainda há dúvidas de como o futebol chinês seria jogado antes da Dinastia Tang pelo fato de que há poucos detalhes disponíveis, por exemplo, a partir da interpretação de antigos contos e poemas, como o citado, imagina-se que cada time tinha seis jogadores (“dois seis” seriam “dois times de seis”), havia uma área cercada e em cada lado seis gols. Outras interpretações sugerem que “dois seis” seriam “dois vezes seis”, portanto haveriam 12 jogadores para cada lado. A interpretação dos antigos textos chineses por nós ocidentais sempre constituiu um formidável obstáculo, inclusive tal dificuldade é vista pelos historiadores como um dos fatores que permitiu a grande longevidade da cultura chinesa.
Podemos notar inclusive que, na Dinastia Tang (618 a 907 d.C.), o direito codificado trouxe uma estrutura básica de 6 formas de classificação para homicídio, sendo uma delas relativa a homicídio ocorrido durante um esporte ou jogo perigoso (xi sha 戲殺). As outras formas eram: homicídio premeditado, quando a intenção de matar era formada antes do assassinato (mou sha 謀殺); homicídio intencional, onde a intenção de matar era formada no momento em si (gu sha 故殺); assassinato por erro, onde a intenção era matar A, mas B foi morto por engano (wu sha 誤殺); morte durante o curso de uma briga, onde a intenção original era meramente causar dano (dou sha 鬥殺); e morte acidental, onde não havia uma intenção de matar ou causar dano (guo shi sha 過失殺).
continue lendo em: http://leandro2112.wordpress.com/2014/09/28/revisitando-a-historia-do-futebol/
MiriamL
28 de setembro de 2014 9:04 pmA longa vida de BB, a
A longa vida de BB, a mulher inventada por Brigitte Bardot
Tiago Bartolomeu Costa (em Paris) 28/09/2014 – 00:11
A “única estrela que o cinema francês teve” faz 80 anos este domingo. Isolada em Saint-Tropez, vive a vida que diz querer viver, longe daquela que deixou que o cinema filmasse. Em França, há quem celebre o mito por não conseguir lidar com a realidade.
“Aos 80 anos vou ser diferente, acho”, disse um dia Brigitte Bardot, nem 30 tinha. E aos 80, que se celebram este domingo, como vive “a única estrela que a França teve”? “Não sou feliz, mas não sou infeliz”, confessou no programa Un jour, une histoire, do canal de televisão France 2, que lhe dedicou uma emissão especial na terça-feira, antecipando as celebrações informais do aniversário “daquela que um dia chegou sensual, magnífica e provocadora como um ovni na paisagem cinematográfica francesa, mas também na sociedade”. É assim que o argumentista e realizador Jean-Max Causse explica o mito BB no ciclo que lhe dedica a Filmothèque du Quartier Latin, em Paris — uma retrospectiva de 11 filmes a pretexto do aniversário da actriz e do lançamento de um novo livro, Mes as de coeur, com perfis de figuras que se dedicaram à causa animal, a mesma que há décadas eclipsou “o desejo de liberdade” que a sua chegada ao cinema encarnou.
“Um dia ela disse não e nós sentimo-nos abandonados”, escreve Jean-Max Causse. “Agora que ela se foi embora, incontáveis rapazes perguntam-se, há mais de 40 anos, como foi crescer sem ela”, escrevera antes o jornalista Michel Grisolia num livro que lhe foi dedicado e que é citado no texto de apresentação do ciclo Brigitte Bardot, Bardot, como o título da canção de Dario Moreno: “Brigitte Bardot, bravo/ Por ti, a cada segundo/ bate o coração de um homem”.
“Nunca mais houve nada parecido”, lamenta um dos espectadores da sessão em que passa Vagabundos ao Luar (1958), de Roger Vadim, filme que hoje parece uma bizarria pela visão de Bardot a tourear na província espanhola. “Na altura queríamos todas ser como ela, mas não sabíamos nem podíamos”, confessa-nos outra espectadora “quase da idade dela”. “Ela foi, muitas vezes, a única liberdade que a que tínhamos direito”, continua. No programa do ciclo, Jean-Max Causse lembra que Bardot foi capaz de “insuflar [a França] de um desejo de liberdade que anteciparia, em 12 anos, o fim do jugo gaullista [do general Charles de Gaulle]. “Ela não era só uma figura do cinema, era a França libertada”, insiste a mesma espectadora de cabelos brancos, emocionada com o reencontro com “a melhor das francesas”.
Mas hoje, quando é notícia pelo extremismo e já não pelo cinema, continua Brigitte Bardot a ser BB? “Representei a liberdade, a juventude e a felicidade. Hoje já não sou assim”, disse a actriz e activista à France 2.
[video:http://youtu.be/f6j3M5PhSao%5D
Há algo de profundamente trágico em Bardot. Algo que, de um ponto de vista racional, nos faz olhar para esta mulher e tentar perceber em que se tornou e porquê. Quando Laurent Delahousse lhe pergunta se regressou às origens e BB diz que não percebe a pergunta, o jornalista lembra-lhe o pai conservador. Bardot faz uma pausa e depois assume: “Sim, eu sou uma conversadora. Tem razão, voltamos às origens.”
“Com os anos, dei-me conta da injustiça e da mediocridade humana. Percebi que o ser humano tem defeitos insuportáveis. Acha que a sociedade evoluiu no melhor sentido? Tenho a certeza de que não. Veja a merda em que nos encontramos. É claro que sou conservadora.” Confrontada com as declarações de apoio à Frente Nacional, ao arrepio de uma França que a admira pela sua liberdade, Bardot responde: “É a imagem da França que gostaria de ver surgir.” E percorre, sem perdão, o perfil dos vários presidentes que foi conhecendo. Não poupa nenhum, com excepção de Giscard d’Estaing, “um amigo” que ainda hoje lhe faz a corte. Jacques Chirac é tratado como mentiroso, tal como Nicolas Sarkozy, por lhe “terem prometido muito e não terem cumprido nada”. A François Miterrand reconhece “o gesto simpático” de a ter agraciado com a Legião de Honra, “que não queria”; François Hollande, o actual ocupante do Eliseu, é um homem que “parece ouvir” o que lhe diz. Mas é de Marine Le Pen que BB espera mais: “Gosto muito dela, ela é mais do que os outros. Em termos gerais, as ideias de Marine Le Pen agradam-me. É a única mulher com um par de tomates.”
Este lado beligerante, que a fez retirar-se da vida pública, que a afastou da televisão, que a atirou para a barra dos tribunais onde foi perdendo processo atrás de processo, recurso atrás de recurso, face às acusações de incitamento ao ódio e a denúncia daquilo a que chamou, no livro Un cri dans le silence, “a islamização da França”, é o rosto que a França hoje encontra quando procura aquela que em tempos encarnou a República. Foi em 1968, o ano da revolta estudantil, que BB se viu esculpida por vontade de De Gaulle — e, para escândalo da sua mulher, exposta em todos os estabelecimentos públicos franceses.
“Sou consciente de que deixei a minha marca”, diz para falar da “beleza insolente, que adorava” por ser a sua. E então ri-se quando Laurent Delahousse lhe lembra que o público também adorava essa insolência, para depressa voltar a uma modéstia da qual só podemos desconfiar: “Nunca tive noção do impacto que provocava. Fui sempre o que fui e quis ser. Ainda hoje.” Questionada sobre se recusa, a mitologfia BB, afirma, peremptória, “não cuspir no passado”, usando a favor da fundação que criou em 1986 a força do seu nome e desse passado. “Não recuso nada. Sei bem que é graças a ter sido BB que cheguei onde cheguei”, deixou escrito em Brigitte après Bardot (2014).
O corpo do desejo
Regresso ao momento em que Bardot se tornou BB. Foi em 1956, e bastou-lhe uma dança em cima de uma mesa rodeada por vários homens. E Deus Criou a Mulher, realizado pelo seu primeiro marido, Roger Vadim, inaugura a imagem de uma mulher que já antes entrara em filmes mas ainda não nascera como fantasia cinematográfica. É, diz hoje, BB como Bardot gostava e ainda gosta de ser, e como nunca antes tinha podido: “Penteada como gostava, despentada; maquilhada como gostava, sem nada; vestida como gostava, ou seja nua.” Na altura, o realizador François Truffaut veio em defesa da actriz nas páginas dos Cahiers du Cinéma, dizendo que, a par de Marylin Monroe e James Dean, BB transformava todos os outros actores em “pálidos manequins”. “Agradeço a Vadim ter dirigido a sua jovem mulher, fazendo-a repetir gestos quotidianos em frente à câmara, gestos insignificantes como brincar com a sua sandália ou menos insignificantes como fazer amor em plena luz do dia – menos insignificante mas mais real!” Bardot retribuiu-lhe o agradecimento e assim nasceu uma actriz.
Nesse tempo, BB “vivia como todos sem ser como ninguém” (Jean Cocteau). BB era “a primeira mulher moderna, capaz de tratar os homens como objectos sexuais” (Andy Warhol). BB era a mesma mulher que Claudia Cardinale – com quem haveria de fazer um filme, Les Petroleuses (1971), de Christian-Jacques – “gostaria de ser”, da roupa aos cabelos. E essa mulher, “o sonho de todos os homens casados”, como lhe disse Vadim, era a mesma que se deixava aprisionar num elevador de um hotel com uma empregada que de garfo em riste a acusava de ser “a ladra de todos os homens”. Ao mesmo tempo que era um símbolo de emancipação e de liberdade, era também a mulher que vivia numa prisão, “uma bela prisão, mas ainda assim uma prisão”, disse em entrevista. A primeira sequência de O Desprezo (1963), de Jean-Luc Godard, quando nua pergunta a Michel Piccoli se gosta de todo o seu corpo ou se prefere alguma parte em especial, faz parte da construção de um corpo que era, na altura, o corpo que a França desejava. “Sou como a natureza me fez. Ainda é assim, hoje”, confessa, orgulhosa de nunca se ter feito intervencionar.
Para Francine Rivière, uma das suas amigas, citada no documentário da France 2, Bardot “representou a típica rapariga francesa”, a dos sonhos, que, como diz uma outra amiga, Irène Bolling, “fazia vender tudo, carros, produtos de beleza, viagens”, ao mesmo tempo que, acrescenta mais uma amiga, Jacqueline Veyssière, “sofria com o mito que representava”.
Há um lado negro nesta história que o cinema inventa. Foram três tentativas de suicídio: aos 19, aos 26 e aos 49 anos. Houve um filho que recusou e com o qual, ainda hoje, tem uma relação complexa. “Vemo-nos raramente. Vi as minhas netas uma vez. As famílias são difíceis”, diz, sem mais acrescentar sobre a polémica criada pelo que contou no livro Initiales BB, onde falava da gravidez como um tumor do qual se queria libertar. Pouco depois do nascimento de Nicolas, dizia que não podia ser mãe quando ainda precisava de ser filha.
BB não sabia ser Bardot. “Pertenço a todos e essa existência é-me insuportável”, confessou nos anos 1960. A BB que o assume é a mesma que não recusa o seu papel na construção de uma relação mal-sã com uma imprensa na altura ainda a aprender a lidar com o impacto das estrelas de cinema. Quarenta anos depois, perguntam-lhe o que a levou a desistir e responde assim: “Quando se comem muitos chocolates, tem-se uma indigestão. Eu tive uma indigestão de fotógrafos, de filmes e de imagens que me perseguiram a vida toda.”
Quando, numa entrevista à beira dos 40, disse que “sem o cinema [se imaginava] serena”, ninguém podia adivinhar que era já o anúncio do fim da carreira. Um dia, depois de mais uma cena de nu, disse ao seu agente que acabara. Ficaram por responder os convites para filmar nos Estados Unidos com Marlon Brando e para ser uma das convidadas da série Dinastia. A explicação veio em comunicado: BB “já não conseguia ver-se envelhecer”, sentia-se desconfortável.
Hoje, Christian Brincourt, que a conheceu no início da sua carreira, diz-se impressionado por, 60 anos passados, “a burguesinha do 16.º bairro ainda fazer parte dos sonhos das pessoas”. “Ela foi sempre livre e pagou muito cara essa liberdade”, sublinha o marido, Bernard d’Ormale, figura reconhecida do partido de extrema-direita Frente Nacional. O isolamento no qual vive BB, explica, deve-se “a um mundo que ela não compreende e que se recusa a compreendê-la”. E, por isso, apesar dessa distância, e da recusa em regressar, a mesma Bardot que vendeu o que tinha para construir uma fundação para a defesa da causa animal responde a todas as cartas e a todos os pedidos que invariavelmente continuam a chegar-lhe. “Vive na nostalgia de um passado”, chega a dizer um dos seus próximos. “Num mundo próprio”, corrige o marido. “Sem remorsos nem lamentos”, diz BB, a rapariga que, como cantou Dario Moreno, “se não tivesse existido/ teria de ter sido inventada”.
http://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/a-longa-vida-de-bb-a-mulher-inventada-por-brigitte-bardot-1671071#/0
Mara L. Baraúna
29 de setembro de 2014 1:43 am50 anos de Mafalda
Mafalda é a obra-prima do argentino Quino, Joaquín Salvador Lavado. Através da personagem de uma garotinha aparentemente inocente e de seus amigos, o desenhista reflete sobre a política, a economia e a sociedade em geral, sempre com um toque de humor. Mafalda é uma menina de 6 anos que pensa como gente grande, sempre questionando o mundo que a cerca. Por vezes ela demonstra a sua incredibilidade diante das atitudes (ou da falta das mesmas) dos adultos. Nada escapava ao seu olhar crítico.
Mafalda se tornou extremamente popular, mas poucos sabem que ela foi criada em 1962 para uma campanha publicitária de uma máquina de lavar roupas, que deveria ser impressa no jornal Clarín. O diário, no entanto, rompeu o contrato com a empresa que estava pagando pelo anúncio e ele nunca chegou a ser publicado.
Mafalda apareceu pela primeira vez em 1964, no suplemento de humor Gregorio, da revista argentina Leoplán, que publicou então três tiras. Quino já era um cartunista conhecido, que há uma década publicava seus desenhos de humor em jornais e revistas. Em 29 de setembro do mesmo ano, o semanário Primera Plana, de Buenos Aires, começou a publicar regularmente as tirinhas de Mafalda. Essa data foi transformada no aniversário da personagem.
Foi em 1965, quando os quadrinhos com a personagem passaram a ser estampados diariamente no El Mundo, que sua fama foi alcançada. A menina de seis anos de idade, dona de comentários ácidos, que odiava a guerra, a injustiça e, principalmente, as convenções sem sentido dos adultos, logo fez sucesso por levantar questões pertinentes a sua época. Tanto que, mesmo após o jornal falir, em 1967, as tirinhas permaneceram em alta e passaram a ser publicadas no semanário Siete Dias, de 1967 até terminar em julho de 1973, ao fim de mais de três mil tiras.
Mas, em 1973, quando Quino percebeu que não poderia usar Mafalda para comentar os assuntos mais recentes, já que seus quadrinhos precisavam ser entregues semanas antes da publicação do semanário, ele decidiu parar de publicá-las.
Desde então, novos desenhos de Mafalda foram criados raramente, feitos apenas para algumas campanhas publicitárias, como as da Unicef. Mesmo assim, suas críticas ainda são atuais e continuam sendo republicadas.
Mafalda ja tem uma estátua em San Telmo mas, aos 50 anos, não estará mais sozinha: vai festejar o aniversário com dois amiguinhos, a fofoqueira Susanita (que so pensa em casar com um bom partido e ter filhos) e o materialista Manolito (cujo sonho é ter uma enorme rede de supermercados), que também vão ganhar estátuas nesta segunda-feira.
Baixinha, de cabelos curtos adornados por um enorme laço, Mafalda nasceu com seis anos e – apesar de ter sobrevivido menos de uma década (Quino decidiu parar de desenhá-la em 1973, três anos antes do último golpe militar argentino) – ganhou fama internacional. O escritor e sociólogo italiano Umberto Eco chegou a batizá-la de “heroína enraivecida”.
Mafalda comentava os acontecimentos da época: eram tempos de Guerra Fria e ditaduras na América Latina. Mas suas frases, criticando a injustiça social, a destruição do meio ambiente e a falta de sensibilidade dos governantes, parecem ter sido ditas ontem. É o caso da tirinha em que pergunta o que há de errado com a “família humana” e que “todos querem ser o pai”.
Aos 81 anos, o próprio Quino manifesta sua surpresa com a personagem que ganhou vida própria. Em entrevista em abril passado, na inauguração da Feira do Livro em Buenos Aires, ele disse: “Fico surpresa quando vejo como temas que abordei há 50 anos permanecem atuais. Até parece que desenhei a tira hoje. Deve ser porque o mundo continua cometendo os mesmos erros”.
Mafalda foi traduzida para 10 idiomas, exportada para vários países, foi garota-propaganda de campanhas da UNICEF, motivo de cartões-postais e de selos argentinos.
Em Buenos Aires, uma série de eventos lembra atualmente os 50 anos de Mafalda.
Blog Clube da Mafalda
La biografia de Mafalda
Mafalda online
Mafalda na Wikipédia
Conheça Mafalda: saiba mais sobre essa menininha triste e suave que encantou o mundo
50 años Mafalda
Em aniversário de 50 anos, Mafalda é tema de mostra
Mafalda: fãs comemoram os 50 anos de personagem dos quadrinhos argentinos
Mafalda faz 50 anos
Mafalda e os antigos problemas atuais, por Jeferson Batista
Os primeiros quadrinhos de Mafalda
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