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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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11 Comentários
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  1. Mailson

    7 de maio de 2015 9:44 am

    Pelo jeito, o secretário vai querer também ouvir o pitbull

    “Ainda tenho que ouvir governador e secretário da Segurança dizerem que eu fui para cima do cachorro. Então, tá, me coloquem na cadeia!

    publicado em 07 de maio de 2015 às 00:01 no Vi o Mundo

    senado1

    Cinegrafista choca e comove com relato do ataque de pitbull

     do Blog do Esmael Morais

    O depoimento do cinegrafista Luiz Carlos de Jesus, da Band, conseguiu emocionar senadores e deputados que participaram na manhã desta quarta-feira (6), em Brasília, da audiência pública na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH), que discutiu o massacre dos professores pela Polícia Militar no último dia 29 abril, em Curitiba.

    Jesus relatava o ataque contra professores com bombas e cães quando foi às lágrimas ao mostrar a calça que usava rasgada por mordida de um pitbull. Ele disse que poderia ter morrido devido ao ferimento.

    Os senadores pelo Paraná Roberto Requião (PMDB) e Gleisi Hoffman (PT) presenciaram o confronto e corroboraram a brutalidade da ação policial, que deixou mais de 200 manifestantes.

    Veja o vídeo “

    Cinegrafista choca e comove com relato do ataque de pitbull

     

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=98T1EmC4jTc&feature=youtu.be align:center]

  2. joao

    7 de maio de 2015 10:38 am

    quem bate como homem
    Tem que apanhar como homem!
    Nossa! O congresso eh a rua do Brasil.
    Agressao. O Dem. Um video da camera.
    A votacao!
    A dep. do PCdoB agredida.

  3. Antonio C.

    7 de maio de 2015 12:21 pm

    Dez frases que líderes medíocres adoram dizer

    Muitas pessoas confundem liderança com chefia. Enquanto há pessoas que já nascem com o espírito de liderança, há outras que adquirem, com o tempo, principalmente após ingressarem no mercado de trabalho, características comuns em líderes. Porém, há também aquelas que exercem cargos de gerência sem o devido preparo.

    Baseado em um artigo da Forbes, escrito por Liz Ryan, exemplificamos os chavões propagados indiscriminadamente por líderes medíocres. Caso tenha escutado alguma das seguintes frases do chefe atual, pode ser a hora de buscar um novo emprego. 

    Não te pago para pensar
    Tendo em vista que as pessoas de fato são pagas para pensar, esse chavão soa como “não quero ouvir o que você pensa porque pessoas mais inteligentes que eu me fazem sentir inseguro”.

    Parece se tratar de um problema pessoal
    Típico de chefes que evitam dialogar com os colaboradores. Uma boa hora para usar esta frase é quando o gerente ligar em um final de semana recrutando voluntários para terminar um serviço que deixou pela metade.

    É trabalho, não é para ser divertido 
    A teoria que espanta investidores. Quem vai querer aplicar capital em uma organização onde os colaboradores são obrigados a fazer o que não querem? Na verdade, o trabalho deve ter seu momento de prazer, principalmente para que o profissional mantenha-se motivado e dedicado à empresa.

    Você não é meu único empregado
    Basicamente esta fala representa que o gerente em questão não está apto a concluir o próprio trabalho. Soa como “não posso lidar com meu trabalho, mas não é inteligente de sua parte apontar isso até que esteja empregado em outro lugar”.

    Pensarei no assunto
    Talvez a frase mais arcaica da lista. Atualmente é usada apenas por administradores incompetentes que não possuem uma resposta com fundamento a respeito do assunto. Ouvir isso pode significar duas coisas: que este é o fim de sua ideia ou que seu gerente vai descobrir um jeito de roubá-la.

    Não quero saber quais são suas prioridades – esta será sua nova prioridade
    Um gestor que pensa assim não faz ideia de que tudo dentro de uma organização está interligado, e um trabalho deixado de lado aqui, refletirá futuramente.

    Se você não quer este emprego, acharei alguém que queira
    Esta sentença evidencia uma liderança baseada no medo e um comportamento agressivo-passivo de quem a propaga. Aqueles que já escutaram frases nesse modelo estão familiarizados com gerentes que ameaçam os colaboradores para mantê-los na linha.

    Sempre fizemos assim
    “E Deus sabe que se não está quebrado, não conserte”.

    Com esta economia, sorte sua ter um emprego
    A demanda de pessoas inteligentes e capacitadas só aumenta. Se você é uma pessoa responsável e qualificada não terá problemas para achar um emprego que combine com sua personalidade. A vida é muito curta para trabalhar para chefes medíocres e carrascos.

  4. Andre Araujo

    7 de maio de 2015 12:34 pm

    http://i.huffpost.com/gen/112

    http://i.huffpost.com/gen/1124861/images/o-GERMANY-SURRENDERS-ALLIES-WWII-ENDS-facebook.jpg

    SETENTA ANOS DA RENDIÇÃO ALEMÃ – Em 7 de maio de 1945 em Reims na França, Quartel General do Comando Aliado na Europa, o General Alfred Jodl, Chefe do Estado Maior do Exercito alemão assinava os instrumentos de rendição incondicional das forças armadas do Terceiro Reich, tendo a seu lado o Almirante von Friedburg em nome da Marinha.

    Do outro lado presentes os delagados da Grã Bretanha, França e União Sovietica na mesa presidida pelo General Walter Bedell Smith em nome do Comando Aliado. O General Eisenhower, Comandante em Chefe dos Aliados não esteve presente

    na sessão, achava o evento “disgusting”.

    O instrumento de rendição foi assinado em quatro vias e determiava a cessação do conflito na Europa mas não finalizava a  Guerra, que continuava na Asia.

    Houve uma segunda  rendição no dia seguinte, exclusivamente para fins de propaganda, em Berlim, perante o Comando sovietico, inutil porque a rendição de Reims abrangia todas as frentes na Europa mas Stalin precisva mostrar ao povo sovietico que os alemães se renderam aos russos.

    A formula da “”rendição incondicional” tinha sido definida na Conferencia de Casablanca em 1942 e até hoje sofre de discussões entre historiadores, foi por muitos considerada má estrategia porque desmontou a frente anti Hitler que estava se formando na Alemanha em circulos do Exercito, como foi visto no atentado da Operação Valkiria. Acredita-se

      que se não houvesse essa clausula pre-definida, a resistencia alemã bélica poderia ter sido encurtada em

    varios meses, com menor sacrifico de vidas e destruição material. Quem impos essa clausula foi Roosevelt, contra a opinião de Churchill. Foi mais uma estupidez estrategica dos americanos que introduziram valores “principistas” no

    conflito, na sua permanente tentativa de se considerar representante do bem contra o mal no mundo. Churchill sabia

    que o Exercito alemão poderia derrubar Hitler se houvesse possibilidade de uma negociação com os Aliados.

     

  5. LACosta

    7 de maio de 2015 12:35 pm

    Futebol, o ópio do povo, ou é fora de pauta?

    Sigo alguns campeonatos de futebol (vida de aposentado é dura, nossa agenda está sempre cheia) e faço um resumo para os “acompanhantes” para a rodada da semana seguinte:

    Situação

    O Real Madrid da Espanha precisa ganhar da Juventus da Itália sem deixar que o adversário marque um ou mais gols em sua casa quando a diferença for de um gol. Dá prorrogação e pênaltis caso repita o mesmo resultado da partida de ida, i.é., 1×2.

    No caso de empate também é a Juve quem classifica.

     

    O Bayern de Munique precisa ganhar do Barcelona por 3 gols ou mais gols a ZERO. Caso o Barcelona marque um gol o Bayern tem que marcar CINCO.

     

    O “Curinthians” tem que fazer 3 x 0 nos Guaranys do Paraguai. Não deixar que o adversário marque gol. Mesmo resultado, pênaltis.

     

    O Atlético Mineiro tem que ganhar do Internacional no Beira –Rio, qualquer outro resultado, os mesmos 2 x 2 vai aos pênaltis, 3 x 3 dá Galo.

     

    O inimigo tem que ganhar por diferença de dois gols do São Paulo e não deixar este fazer gols no Mineirão. 2 x 1 dá São Paulo. Mesmo resultado (1 x 0), pênaltis. 

  6. Cláudio José

    7 de maio de 2015 2:00 pm

    PROJETO: A PIRA DA PAZ
    Rio de Janeiro, 7 de maio de 2015 PROJETO: A PIRA DA  PAZ Caros amigos (as) os nossos pracinhas da segunda guerra, merecem uma bela homenagem, por parte de nossa capital. Pensando nisso, gostaria de sugerir um projeto, A PIRA DA PAZ, onde nos jardins da catedral de Brasília seria construído uma belo monumento, com o nome de todos esses bravos brasileiros, que lutaram pela paz, pois esses bravos guerreiros, que tombaram em combate, merecem essa homenagem da capital do Brasil. Essa Pira deveria, ficar acessa 24 horas por dia e  ter também uma guarda de honra, para guardar esse monumento a paz. Essa é a minha homenagem e colaboração pelos 70 anos do fim da segunda guerra, pois como diz um samba, oh virgem santa, ohai por nós, pois precisamos de paz.  Atenciosamente:
    Cláudio José, um amigo do povo e da paz. 

  7. Edoar

    7 de maio de 2015 5:04 pm

    Poema do dia! Autoria Eduardo de Paula Barreto

    BRASILISTA, 

    Perguntam-me se sou petista
    Devido ao que tenho escrito 
    Deixo claro que sou brasilista
    Sem apreço por nenhum partido
    Apenas manifesto a minha opinião
    Que é fruto da profunda avaliação
    Das notícias do dia a dia
    Tenho exercido o direito
    De expressar-me do meu jeito
    Por isso me expresso em poesia.

    Sou contra os oportunistas
    Medíocres e gananciosos
    Que fazem da política
    Um balcão de negócios
    No qual vendem a Nação
    Fazendo da corrupção
    Uma prática corriqueira
    E protegidos pelos comparsas
    Escondem tudo das massas
    Com apoio da Mídia rasteira.

    Hoje o Brasil vive
    Uma situação inusitada
    Políticos e pessoas da elite
    Também veem a Lua quadrada
    Isso eu nunca vi no Brasil
    Aliás acho que ninguém viu
    Tantos presos bem-vestidos
    Por isso eu alimento a certeza
    De que se continuar a limpeza
    O Brasil sairá fortalecido.

    Eu ficaria muito feliz
    Se a nossa Pátria em seu colo
    Abrigasse clones do juiz
    Sérgio Fernando Moro
    E colocasse um no CARF
    Outro no HSBC e colocasse
    Um também no Trensalão
    E se restasse alguém na turma
    Poderia pôr um na lista de Furnas
    E quem sabe no mineiro Mensalão.

    Assim eu desconsideraria o golpismo
    E colocaria uma bandeira na janela
    Simbolizando o meu patriotismo
    E usaria camisa verde e amarela
    E gritaria para todo o Brasil
    De forma ordeira e varonil:
    Finalmente acredito na justiça!
    E encomendaria outros clones
    Não de juízes de renome
    Mas de políticos sem cobiça.

     

  8. Andre Araujo

    7 de maio de 2015 5:48 pm

    http://cbn.globoradio.globo.c

    http://cbn.globoradio.globo.com/comentaristas/call-de-abertura/CALL-DE-ABERTURA.htm

    ECONOMISTAS DE CIRCO : O DESEMPREGO É BOM

    O ancora do Jornal da CBN do meio dia teria um lugar garantido em qualquer novela da Globo: cara, postura, voz,

    gestual de chefe de estação do interior nos anos 30. Mas o aspecto bonachão não tira a graça dos absurdos que ele entretem em seu horario, ideal para ouvir no carro quando se volta para o almoço em casa.. Tem um quadro chamado CALL DE ABERTURA onde hoje entrevistou um tal de Teco (que ridiculo usar apelidos em conversa publica) que disse que o Banco Central está feliz da vida com o desemprego, quanto mais desemprego mais facil atingir a sacrossanta meta de inflação de 4,5% em dezembor de 2016, que coisa importante, a meta é tudo na vida, o desemprego é um detalhe asem nenhuma importancia, milhões de brasileiros ferrados não é nada, o bom é O CENTRO DA META.

    Que ainda exista um pensamento economico que consagre o desemprego como ferramenta de politica economica é um retrato cabal da pobreza, da mediocridade, da ausencia de qualquer projeto mais inteligente, por parte dos “economistas” de boca cheia de anglicismos, loucos por uma carreirinha no Itau ou no Bradesco, economistas

    de porta de faculdade”, os Teco da vida e os seus idolos, Levys e Altamires do Banco Central. Mas será que não tem mais nenhum Delfim, nenhum Simonsen, nenhum Roberto Campos, pessoas com alguma massa cinzenta de cultura economica dentro de uma cultura geral e politica avançada? Como é possivel sequer dizer que o desemprego é bom para o Banco Central. Pensar semelhante asneira já é grave, dizer é horrivel, praticar é crime.

    Há 80 anos John Maynard Keynes já desmontou o pensamento ortodoxo que glorificava a reserva de desempregados como boa para o capitalismo, combater a inflação com o desemprego é como combater a dor  de cabeça com  afogamento, acaba a dor e acaba o dono da cabeça. Para que serve a inflação baixa? Para as pessoas poderem comprar comida a preços razoaveis MAS se o freguês está desempregado e não tem renda para que serve a inflação baixa? Para quem não tem dinheiro no bolso a inflação tanto faz ser 30% ao ano ou ser zero.

    O tal Teco expressa a cartilha dos economistas burros, categoria onde a burrice é mais abundante do que nas demais profissões. Politica economica precisa saber dosar inflação com prosperidade, as vezes a inflação é necessaria para reativar a economia, para aliviar as dividas, a inflação não é uma variavel no vacuo, ela decorre de outras variaveis, TRAZER A INFLAÇÃO PARA O CENTRO DA META, expressão que dá orgasmo a muitos economistas pode ser um DESASTRE para qualquer economia, hoje na Europa muitos economistas tentar fazer inflação e não conseguem.

    O MODELO DE METAS DE INFLAÇÃO é um das maiores fraudes em ciencia economica, é uma politica tola e viciosa, não tem que haver meta de inflação nenhuma, a politica economica deve ser FLEXIVEL ao maximo para se amoldar às circunstancias e ciclos, META DE INFLAÇÃO É UM ENGESSAMENTO da economia em torna de uma só variavel, não tem coisa mais burra sob o sol.  Os EUA nunca adotaram essa ideia, Alan Greenspan tem um paper antologico sobre a esputidez desse modelo que poucos paises adotam, as razões dele são obvias, qual a vantagem de engessar um instrumento de politica economica? Para reativar uma economia paralisada a INFLAÇÃO É UMA FERRAMENTA.

    Em 1933 no auge da Grande Depressão o candidato presidencial Herbert Hoover, postulando a reeleição, disse que sua politica seria mais do mesmo, mais recessão para combater a Depressão. Keynes deu uma entrevista ao New York Times mostrando a burrice dessa ideia, acabou com Hoover e abriu as portas da Casa Branca para Roosevelt, que fez o contrario, jogou moeda na economia para levantar a economia.

    Quam a logica de BUSCAR O CENTRO DA META em dezembro de 2016 com a economia arrasada, no chão, desemprego nas alturas, consegui o CENTRO DA META e daí? Acontece o que ? Resolveu o que?

    O que vai acontecer é ainda pior, vão tentar chegar nesse centro da meta, NÃO VÃO CONSEGUIR, mas pelo caminho vão destruir a economia produtiva para….NADA. A burrice é a mercadoria mais abundante do planeta.

     

  9. Nilva de Souza

    7 de maio de 2015 6:19 pm

    Brasil: vítima de racismo em

    Brasil: vítima de racismo em escola, menina é obrigada a pedir desculpas aos agressores

    Publicado há 1 dia – em 6 de maio de 2015 » Atualizado às 12:14 

    Categoria » Casos de Racismo

    0      

    camila_lorena-800x450

    Desde que Camila dos Santos Reis consegue lembrar, a filha Lorena, de 12 anos, sempre foi uma menina doce, que gosta de correr pelo Parque Ibirapuera, em São Paulo, e assistir desenhos da Disney. No entanto, desde a volta às aulas esse ano, Lorena estava diferente — mais quieta, retraída. Era uma noite de março quando Camila recebeu uma ligação da escola avisando que Lorena seria transferida de turma porque “os colegas não se adaptaram a ela”.

    Do Global Voices Online

    Foi difícil para Camila entender. As duas sempre foram muito próximas, era estranho que Lorena não tivesse contado nada. Quando a mãe a procurou, ela explicou: tinha vergonha. Desde o início do ano letivo, Lorena — que é negra — estava sofrendo bullying e racismo na escola.

    No mesmo dia em que Camila recebeu a ligação, Lorena havia procurado a direção para reclamar dos ataques. Mas, segundo Camila, a escola só tomou medidas para identificar quem estava por trás dos atques duas semanas depois. Quando os outros alunos souberam que Lorena teve que nomear os agressores, acabou sendo confrontada, como conta o post da página Preta e Acadêmica:

    No espaço da escola, seus “colegas” começaram a questionar sobre o ocorrido, e como ela pode ter os dedurado, iniciando uma gritaria contra a criança, que correu para os braços da diretora do colégio. A diretora, que “já está de saco cheio dessa história” (palavras da própria), resolveu fazer uma acareação. O resultado? Lorena teve que pedir desculpas para seus agressores.

    Por fim, a diretora perguntou se a menina gostaria de trocar de turma e Lorena, cansada, aceitou.

    Quatro dias depois, as coisas pioraram. Como Camila contou em seu perfil do Facebook, compartilhado por mais de 74 mil pessoas, Lorena lhe enviou uma mensagem com a frase: “Olha como eu sofro”, seguida de uma série de áudios.

    (…) coloquei meu fone no ouvido, e apertei o botão “REPRODUZIR”, que susto eu levei… logo a primeira frase gritada em alto e bom som foi “SUA PRETA, TESTA DE BATER BIFE DO CARA*****”, foram 53 segundos de ofensas horrorizantes, palavrões ofensivos, a nível físico, racial e por incrível que pareça sexual, vinda de um garoto de aproximadamente 13 anos morador do condomínio onde vivemos.

    Um grupo formado por 20 crianças — alguns da escola de Lorena, outros, seus vizinhos em São Bernardo do Campo — usaram um grupo no Whatsapp para seguir com as agressões contra Lorena. Camila conta no mesmo post:

    Pedi para ela me mandar todos os áudios que tinha recebido, uma sequência de mais de 20 áudios aproximadamente, então percebi que os áudios estavam sendo enviados de um grupo de amizade da qual ela faz parte. Todos os participantes do grupo são do condomínio, onde 2 meninos a ofendiam enquanto alguns outros incentivavam as ofensas.

    As frases que mais marcaram e mais me assustaram foram:

    “SUA PRETA, TESTA DE BATE BIFE DO CARA******!”
    “EU SOU RACISTA MESMO, QUANDO EU QUERO SER RACISTA EU SOU RACISTA, ENTENDEU?”
    “TODA VEZ QUE EU ENCONTRAR ELA NA MINHA FRENTE EU VOU ZUAR ATÉ ELA CHORAR”
    “VOCÊ VAI FICAR NESTE GRUPO ATÉ VOCÊ CHORAR”
    “CABELO DE MOVEDIÇA, CABELO DE MIOJO, CABELO DE MACARRÃO”

    Muitos dos colegas ficaram quietos e preferiram não se manifestar, um deles até saiu do grupo quando as ofensas começaram, teve outro que se revoltou e disse que estavam passando dos limites e que aquilo já era desrespeito demais.
    Entrei em choque, diante de tantas agressões psicológicas, tamanha inconsequência dessa juventude que ainda nos dias de hoje se comporta de maneira tão cruel, não posso encarar essa situação como “coisa de criança”, racismo nunca foi coisa de criança.

    Por envolver menores de idade, o caso foi encaminhado ao Conselho Tutelar. Dentro da escola, não houve nenhuma punição aos agressores ou mesmo uma tentativa de abordar a agressão com os envolvidos.

    Em entrevista ao Global Voices, Camila revelou que isso foi o que a deixou mais indignada.

    “É o errado vencendo o certo, trocou de turma, mas os alunos não foram conscientizados do erro que estavam cometendo, e nos corredores da escola quando se encontrassem, como seria? Eles iam continuar ofendendo ela? Recebi uma ligação da escola no período da noite me informando que ela seria trocada de turma porque não houve uma adaptação. Como assim? E na sociedade aonde eu coloco ela?”.

    “Não é bullying, e sim racismo”

    camila_lorena2-338x400

    O que aconteceu com Lorena parece denominador comum na infância de alunos negros. É a experiência de vida de milhares de meninas negras que passam pelos anos de escola tendo que ouvir piadas sobre seus cabelos e a cor da pele. Todas vítimas de racismo, não bullying.

    Para diferenciar as duas formas de preconceito, em 2013, um grupo de 21 mulheres negras resolveu reunir suas histórias de escola no livro “Negras (in)confidências: Bullying, não. Isto é racismo”, onde explicam:

    As organizadoras fazem questão de afirmar que o que ocorre com as crianças negras não é bullying e sim racismo, pois, no primeiro caso, a maior parte das agressões acontece sem a presença dos adultos e os que sofrem a agressão tendem a cometer atos de agressão por terem sofrido agressões, mas não falam sobre o assunto. O racismo, no entanto, é uma ideologia que afirma uma raça superior a outra; a ideologia é tão difundida que as agressões ocorrem tanto na presença de adultos, como os mesmos as promovem, assim, mesmo que as crianças procurem ajuda na escola, não a obterão, o que aumenta a sensação de injustiça e solidão. Acreditam que o bullying inferioriza e o racismo, para além de inferiorizar, desumaniza o ser humano.

    Uma pesquisa realizada pela Fundação Institucional de Pesquisas Econômicas (Fipe), em 2009, mostrou que o preconceito étnico-racial é o segundo mais forte nas escolas brasileiras, atrás apenas de preconceito por questões físicas, como obesidade. O estudo ouviu professores, funcionários e alunos de 500 escolas em todo o país. Apenas 5% dos entrevistados eram negros.

    Em 2003, a assinatura da lei 10.639, tornando o ensino da “História e Cultura Afro-Brasileira” temática obrigatória nas escolas, parecia anunciar uma mudança no sistema. Mas não foi bem assim. Dez anos depois, num artigo na Revista Fórum, o professor Dennis Oliveira, membro do Núcleo de Pesquisas e Estudos Interdisciplinares sobre o Negro Brasileiro (Neinb), apontou entre os problemas na implementação da lei a resistência de cursos superiores de pedagogia em incluir a matéria no currículo e, consequentemente, a falta de professores com formação nela.

    Viviane de Paula, em artigo publicado no site Blogueiras Negras, afirma que “o ambiente escolar é ainda agente opressor para muitas identidades”, algo que tanto o Estado quanto as comunidades escolares ainda não conseguem reconhecer:

    A escola, sem dúvidas, é um espaço sócio-cultural que deve aceitar e, sobretudo, discutir amplamente a pluraridade cultural, até mesmo como uma maneira de desconstruir preconceitos. O que muitas vezes presencia-se nas escolas são atitudes de descaso e silenciamento por parte da gestão escolar. Observa-se que os gestores de instituições públicas e privadas não se posicionam: é mais fácil esconder, do que problematizar.

    #SomosTodasLorena

    Depois de tudo o que aconteceu na escola, Lorena só queria ver o pai, a mãe e a melhor amiga. “Isso gerou uma insegurança muito grande nela, além da resistência em ir para a escola, ela está tendo muita dificuldade de dormir, acorda de madrugada e não consegue mais pegar no sono, e o apetite dela diminuiu muito”, contou Camila em entrevista ao GV.

    Ainda assim, o apoio que Camila encontrou nas redes sociais desde que contou a história da filha revela que a internet se abriu como espaço de afirmação a tudo aquilo que é ignorado fora da rede. “Diante da proporção que este caso tomou e da quantidade de mensagens de apoio, ajuda e carinho que recebemos, acredite, existem muito mais pessoas do bem do que do mal”, comentou em entrevista ao GV.

    todaslorena-400x320

    Logo após a publicação do relato no Facebook, um sociólogo escreveu para Camila se oferecendo para realizar um treinamento com o corpo docente da escola sobre medidas socioeducativas a serem tomadas nesse tipo de situação. A escola aceitou, mas depois voltou atrás.

    Segundo Camila, ainda há muito para acontecer até a conclusão do caso. A hashtag #SomosTodasLorena começou a circular mostrando mães e comunidades dedicadas a exaltar os cabelos crespos, como o grupo As Vantagens de se Enrolar.

    Desde que sua história apareceu na internet, Lolô (como Lorena é carinhosamente chamada) adotou um black power. Um começo para ela descobrir como ela é linda e tem poder.

    7/5/2015Geledés Instituto da Mulher Negra

    Leia a matéria completa em: Brasil: vítima de racismo em escola, menina é obrigada a pedir desculpas aos agressores – Geledés 
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  10. Mara L. Baraúna

    8 de maio de 2015 12:45 am

    Telhada pode presidir Comissão de Direitos Humanos em São Paulo

     

    Telhada pode presidir Comissão de Direitos Humanos em São Paulo

    Por Wanderley Preite Sobrinho

    Da Carta Capital 

    O PSDB colocou o ex-integrante da Rota em uma de suas três vagas no colegiado

    O Estatuto da Criança e do Adolescente cria “monstrinhos” que a redução da maioridade penal pretende encarcerar. “Estamos falando de assassinos, estupradores e assaltantes.” Em alguns dias as declarações poderão ser atribuídas a ninguém menos do que o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). 

    A opinião foi expressa nesta quarta-feira 6 pelo deputado estadual e ex-policial militar Coronel Telhada (PSDB) em audiência pública da Comissão Especial da Maioridade Penal realizada na Câmara dos Deputados.

    Na semana passada, o controverso deputado foi oficializado no Diário Oficial do Estado como um dos três indicados do PSDB para compor a Comissão de Direitos Humanos no estado. Ele foi escolhido pelo partido em sua bancada de 22 parlamentares, a maior da Casa.

    A indicação tem a assinatura do presidente da Alesp, Fernando Capez, correligionário de Telhada. Como a presidência da comissão ficará com o PSDB, o ex-policial vai poder disputá-la com outros dois tucanos, Carlos Bezerra Jr. e Hélio Nishimoto.  

    A nomeação foi publicada dia 28, mas só ganhou os corredores da Alesp nesta quarta. A insatisfação de petistas, tradicionais detentores da comissão, foi imediata. Até no PSDB a indicação surpreendeu por contrariar declarações recentes do governador Geraldo Alckmin (PSDB) em favor de minorias.

    A notícia chega um dia depois de o governador afirmar que “a defesa dos direitos humanos não tem fronteira”. “Um compromisso de todos nós”, disse ele na terça-feira 5 depois de uma reunião com esposas de líderes de presos políticos da Venezuela no Palácio dos Bandeirantes.

    Para o deputado petista João Paulo Rillo, a indicação é “legítima”. “Mas é óbvio que a visão dele sobre direitos humanos está na contramão de tudo o que acreditamos”, afirmou a CartaCapital. “Uma comissão que teve no passado recente Adriano Diogo agora corre o risco de se tornar instrumento do conservadorismo paulista.”

    Comissões paradas

    Essa não é a única polêmica envolvendo as comissões. Faltando menos de 30 dias para o fim do primeiro semestre, a Alesp ainda não discutiu ou votou qualquer projeto de leiproposto pelos parlamentares eleitos em outubro passado porque as 15 comissões da Casa ainda não entraram em atividade.

    Os 171 membros foram oficializados somente no dia 24 de abril, mas nenhuma discussão pode ser iniciada porque as disputas políticas impediram a escolha dos presidentes de cada uma delas.

    Nem mesmo a mais importante de todas, a Comissão de Constituição e Justiça, iniciou os trabalhos. Com isso, novos projetos para áreas como Saúde, Transporte, Educação e Infraestrutura, entre outras, permanecem parados, uma vez que precisam passar por prévia discussão nesses grupos antes de os deputados decidirem seu destino.

     

  11. Mara L. Baraúna

    8 de maio de 2015 1:49 am

    As razões do Dia Mundial contra a Monsanto

     

    Dezenas de países preparam, em 23/5, protesto contra transnacional que, além de atentar contra ambiente e agricultores, envolveu-se com submundo da política e dos exércitos privados

    por Luã Braga de Oliveira 

    Da Carta Capital

    [Este é o blog do site Outras Palavras em Carta Capital. Aqui você vê o site completo]

    Você sabia que existe um Dia Mundial Contra a Monsanto? Muitos não conhecem a empresa pelo nome, ou talvez tenham apenas ouvido falar dela, sem saber ao certo seu setor ou posicionamento. Entretanto, quase todo mundo faz uso contínuo de alimentos a base dos organismos geneticamente modificados (OGMs) produzidos e vendidos pela corporação.

    O fato é que este ano a Marcha Mundial Contra a Monsanto ocorrerá no dia 23 de Maio e levará milhares de pessoas as ruas, por todo o mundo, para protestar contra a atuação e práticas da corporação. Mas por que existe um dia mundial dedicado exclusivamente à denúncia deste gigante da agroquímica? O que de tão nefasto representa esta empresa? Vamos tentar relembrar os principais fatos da trajetória da Monsanto que a fizeram se considerada pela revista Fortune como “possivelmente a corporação mais temida da América”. Prejuízos aos pequenos agricultores, possíveis danos à saúde e meio ambiente, formação de lobby, manipulação de pesquisas científicas e até a contratação de mercenários são algumas das polêmicas nas quais a empresa se envolveu ao longo de seus 103 anos de existência.

    A Monsanto é uma multinacional de alcance global da área de agricultura e biotecnologia. É especializada em engenharia genética (produção de organismos geneticamente modificados), sementes e herbicidas. Criada em 1901 como uma companhia novata na área da engenharia química, aos poucos tornou-se a maior empresa do mundo no setor, fornecendo produtos à base de organismos geneticamente modificados para gigantes como a Coca-Cola, a Pepsico e a Kraft. Hoje, controla 90% do mercado de sementes transgênicas do mundo – consagrando-se como um dos maiores monopólios já vistos. O crescimento da empresa foi vertiginoso. Recentemente, ela adquiriu diversas empresas na América do Sul e no Leste Europeu, dominando consistentes fatias de mercado em países como Argentina, México e Brasil – onde está presente há quase 60 anos.

    Este crescimento tem representado uma ameaça real à sobrevivência de pequenos produtores em todo o mundo. Em seus contratos de venda de sementes, a Monsanto prevê que os pequenos produtores não poderão guardar nenhuma semente e são obrigados a permitir que a empresa vistorie suas plantações a qualquer momento. Além disso, as sementes geneticamente modificadas são apenas tratadas com os herbicidas vendidos pela própria companhia, fato que condiciona os agricultores à dependência. De todo modo, os impactos dos produtos geneticamente modificados comercializados pela Monsanto vão além da esfera socioeconômica. 

    Um estudo de 2009 do Journal of Biologycal Science¹ mostrou que o consumo do milho proveniente da semente geneticamente modificada pode produzir efeitos negativos em órgãos como os rins e o fígado. Outro estudo, publicado em 2012 na Food And Chemical Toxicology², constatou que ratos submetidos a uma dieta à base de organismos geneticamente modificados morrem mais rápido e são mais propensos ao desenvolvimento de câncer. Para chegar a esta conclusão, cientistas administraram em 200 ratos, durante dois anos, três dietas distintas: uma à base de milho convencional, outra a base do milho transgênico NK603 e outra a base do NK603 tratado com o herbicida RoundUp. Tanto o milho transgênico NK603 como o herbicida RoundUp (o mais utilizado do mundo) são pertencentes à Monsanto. O resultado foi a morte acelerada de parte dos ratos e o aparecimento de tumores enormes naqueles cuja base da dieta fora o milho transgêncio NK603, da Monsanto.

    A pesquisa divulgada pela Food And Chemical Toxicology gerou controvérsias. Enquanto recebeu o apoio de diversos cientistas pelo mundo, alguns a criticaram, afirmando que houve viés na metodologia, o número de ratos fora inadequado e aquele tipo de rato de laboratório já possuía propensão ao desenvolvimento de tumores. Após forte pressão, a revista cedeu e, um ano depois, anunciou a retirada do estudo por ela publicado. A decisão, todavia, não agradou ao principal autor da pesquisa – o diretor científico do Comitê para Investigação e Informação Independente sobre Engenharia Genética da França, Gilles-Éric Séralini. O cientista reafirmou que a pesquisa não continha fraudes e que, caso a revista insistisse em sua decisão de retirar a publicação, iria acioná-la judiciamente por danos morais. A despeito da pesquisa de Séralini, outras pesquisas ao longo das décadas já confirmaram em condições similares os efeitos dos organismos geneticamente modificados sobre a saúde humana. Além disso, as empresas que controlam o setor – sobretudo a Monsanto – possuem altos níveis de poder acumulado, que lhes permite interferir em pesquisas e políticas públicas por meio da formação de lobby para benefício de seus produtos.

    Dessa forma, o poder econômico acumulado pela Monsanto lançou as bases para um acúmulo significativo de poder político. Executivos da Monsanto foram posicionados em cargos estratégicos do governo dos Estados Unidos — dentre eles, a Agência de Proteção Ambiental [“Environmental Protection Agency”, EPA], o ministério da Agricultura [U.S. Departament of Agriculture”, USDA] e o Comitê Consultivo do Presidente Obama para Política Comercial e Negociações. A Monsanto ainda posicionou funcionários em cargos estratégicos em universidades pelo mundo, dentre elas a South Dakota State University, o Arizona State’s Biodesign Institute e a Washington University. Desde 1980, políticas federais americanas têm incentivado instituições públicas de ensino a produzir pesquisas nas áreas agrícola e de biotecnologia em parceria com empresas privadas. Em consonância com esta política, a Monsanto tem inundado instituições públicas de ensino com investimentos. Em troca, tem seus produtos protegidos e fortalecidos por um arcabouço de pesquisas técnicas e científicas com viés favorável.

    Além de cargos no governo e na academia norte-americana, executivos da Monsanto posicionaram-se em cargos em instituições-chave para política alimentar e científica de seu país ou de âmbito internacional, como o “International Food and Agricultural Trade Policy Council”, o “Council for Bitechnology Information”, a “United Kingdom Academy of Medicine”, a “National Academy of Sciences Biological Weapons Working Group”, a “CropLife International” e o “Council of Foreign Relations”.

    Naturalmente, as posições privilegiadas alcançadas pela Monsanto renderam-lhe excelentes retornos. Em 1993, a Agência para Alimentação e Medicamentos [Food and Drug Administration”, FDA] dos EUA aprovou o uso de um produto denominado “Hormônio de Crescimento Bovino” [Recombinant Bovine Hormone, ou rBGH]. Desenvolvido pela Monsanto, trata-se de uma droga hormonal injetada em vacas de modo a incentivar a produção de leite. O rBGH foi a primeira substância geneticamente modificada aprovada pelo FDA.

    A aprovação foi no mínimo controversa. Estudos apontaram que o rBGH produziria sérios impactos na saúde física e psicológica das vacas. O mais comum deles, a mastite bovina, é tratada com base na administração de antibióticos. A exposição constante das bactérias aos antibióticos contribui para a criação de bactérias resistentes que podem infectar seres humanos. Além disso, alguns estudos também apontaram que o consumo do leite com resíduos do hormônio aumentaria o risco de desenvolvimento de câncer de colo, de mama e de próstata. A substância é proibida nos 27 países da União Europeia, mas graças ao poderoso lobby da Monsanto nos EUA sua utilização é liberada – o que também ocorre no Brasil…

    Após a aprovação do uso do rGHB pelo FDA, funcionários ligados à Monsanto que trabalhavam na FDA foram investigados pelo Escritório de Prestação de Contas do Governo [Government Accountability Office” (GAO)] por formação de lobby. O GAO investigou os executivos Michael Taylor, Margaret Miller e Suzanne Sechen. Os três funcionários tiveram ativa participação no desenvolvimento da droga e, posteriormente, exerceram funções na FDA, tornando-se responsáveis pela avaliação e aprovação do produto que ajudaram a desenvolver. Ao fim da investigação, o GAO concluiu que não havia dispositivos legais para incriminar os envolvidos e que não havia provas cabais de conflitos de interesses no caso.

    Em 2012, a empresa opôs-se à chamada Proposition 37 – apelidada pelos americanos de Iniciativa pelo Direito a Saber [Right to Know initiative]. A iniciativa propunha-se a promulgar, no estado da Califórnia, uma lei no obrigando as empresas que vendessem produtos à base de ingredientes geneticamente modificados a neles instalarem rótulos visíveis alertando para tal fato, evitando assim a venda destes produtos como naturais. Esta iniciativa, no entanto, não passara incólume pelo imenso poder de barganha das grandes indústrias do setor, sendo a Monsanto sua “ponta-de-lança”. Empresas como Nestlé e Mars Inc. despejaram mais de 370 mil dólares em campanha contra o projeto. Só a Monsanto despejou, sozinha, 8,1 milhões de dólares em campanhas contra a iniciativa, estabelecendo-se como doadora majoritária em uma campanha que totalizou 45 milhões de dólares arrecadados de diversas empresas envolvidas na derrubada da proposta. É claro que com todo este empenho a iniciativa não prosperou e os californianos não conquistaram o direito de saber a procedência do alimento estão ingerindo.

    No Brasil, a Câmara dos Deputados aprovou, em 28 abril deste ano, por ampla maioria o Projeto de Lei 4.148/2008³, de autoria do deputado ruralista Luiz Carlos Heinze (PP-RS), que ao contrário da legislação vigente (baseada na Lei 11.105/2005) propõe a não obrigatoriedade da rotulagem de alimentos a base de OGMs.

    Para além das polêmicas e controvérsias citadas até agora, a Monsanto ainda guarda em sua história íntimas relações com o poder militar. É fato público e conhecido o fornecimento do famoso Agente Laranja lançado nas plantações do Vietnan pelas forças armadas norte-americanas que guerreavam para manter o país sob dominação. As consequências, entre as populações que serviram de alvo, foram sentidas por muitos anos. O que pouco se sabe é que há indícios de ligações da Monsanto com forças militares mercenárias. A empresa contratou serviços de espionagem de empresas ligadas a conhecida antiga Blackwater (agora XE) – uma das maiores companhias militares privadas do mundo. Segundo documentos obtidos pela revisga The Nation4 a empresa usou de serviços oferecidos por duas empresas de espionagem – “Total Intelligence Solutions” e “Terrorism Research Center” – cuja propriedade é do dono e fundador da XE, Eric Prince. Os documentos apontam que entre os serviços prestados à Monsanto por estas empresas estão a infiltração de espiões em movimentos sociais, ONGs e entidades protetoras dos animais e de combate aos transgênicos. Alguns sugerem que esta relação da Monsanto com empresas de espionagem explique o misterioso vírus que atacou os computadores de ativistas da organização “Amigos da Terra” e da “Federação para o Meio Ambiente e Proteção à Natureza” da Alemanha. O ataque se deu no contexto de apresentação de uma pesquisa realizada por estas entidades sobre os efeitos da substância glisofato no corpo humano. O glisofato é base de um dos produtos mais rentáveis vendidos pela monsato – o herbicida RoundUp. A empresa afirmou que não teve e jamais teria envolvimento no fato.

    O histórico e a atuação da Monsanto no seu setor, considerando todas as polêmicas e controvérsias nas quais a corporação se envolveu, trazem à tona o necessário debate acerca dos custos e benefícios envolvidos no desenvolvimento de organismos geneticamente modificados. Se por um lado a biotecnologia e a agroquímica trouxeram crescente otimização da produção e distribuição de insumos, é necessário refletir acerca das consequências do uso destes insumos, da garantia da liberdade de pesquisa com relação a seus efeitos e principalmente das consequências da extrema concentração deste mercado nas mãos de pouquíssimas corporações. Afinal de contas, como dito, não é todo dia que uma empresa ganha um Dia Internacional de protestos contra si.

    A maior parte das informações aqui relacionadas pode ser encontrada no relatório “Monsanto: A Corporate Profile”, da ONG Food & Water Watch. Além disso, o portal “Esquerda.net” possuiu um dossiê completo da empresa e sua atuação pelo mundo. Para os que preferem material audiovisual, existe uma série documentários que tratam de maneira crítica da questão dos transgêncios e das poderosas corporações do setor. São alguns deles eles: “Food Inc”, “The future of Food”, “El Mundo Según Monsanto” e “Seeds of Free”. O site oficial da Marcha Mundial Contra a Monsanto pode ser acessado em:http://www.march-against-monsanto.com/.


    REFERÊNCIAS

    ¹ Disponível em : http://www.ijbs.com/v05p0706.htm

    ² Disponível em: http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0278691512005637

    ³ Disponível em: http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=412728

    4 Disponível em: http://www.thenation.com/article/154739/blackwaters-black-ops#

     

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