Ana Gabriela Sales
Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.
Camila Bezerra
Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...
Carla Castanho
Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN
José Marco Antonio
11 de maio de 2015 4:40 amR$14,5 milhões: O rombo dos
R$14,5 milhões: O rombo dos Perrella em Minas é troco para a família
http://limpinhoecheiroso.com/2014/01/26/r145-milhoes-o-rombo-dos-perrella-em-minas-e-troco-para-a-familia/
Atila
11 de maio de 2015 11:30 amHelicóptero
Ninguém mais fala dele. Afinal, o que aconteceu com os envolvidos no caso: comandante, os receptores da droga pegos em fragrante e a própria droga avaliada em alguns milhões? O comandante da aeronave era funcionário da assembléia legislativa no gabinete de um Perrela…
Ah! No último sábado prenderam um rapaz vendendo algumas troxinhas de maconha aqui no meu bairro; ele está preso e acho que mofar na cadeia…
Ly
11 de maio de 2015 3:21 pmHelicóptero
E segundo foi divulgado na época, o combustível desse helicóptero era patrocinado pela mesma Assembléia.
José Marco Antonio
11 de maio de 2015 7:10 amAdvogados protestam contra presença de Moro em seminário
http://www.conjur.com.br/2015-mai-08/escritorios-tiram-apoio-congresso-traz-moro-destaque
alex b alves
11 de maio de 2015 7:26 amExceção ou regra?A democracia
Exceção ou regra?
A democracia para além da participação popular na tomada das decisões políticas, exige limites ao poder e a concretização dos direitos fundamentais.
http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/Excecao-ou-regra-/4/33460
Adir Tavares
11 de maio de 2015 9:12 amOs números da publicidade federal em 2014
do Blog Coleguinhas, uni-vos!
Antes de voltar aos números da Pesquisa Brasileira de Mídia-2015, dou uma passada rápida em outra estatística da Secretaria de Comunicação da Presidência da República, no caso os números sobre os investimentos em publicidade do governo federal em 2014. O relatório abrange os números da administração direta (ministérios) e indireta, esta dividida em empresas que vivem em ambiente de competição no mercado (Banco do Brasil, Caixa, Petrobras) e em que não vivem (BNDES, Eletrobras, Infraero etc). As tabelas divulgadas pela Secom são as seguintes:
Investimento de todos os órgãos da administração direta e indireta, por meio.
Investimento de todos os órgãos da administração direta + indireta (empresas que não concorrem no mercado), por meio.
Investimento da administração indireta (empresas que concorrem no mercado), por meio.
Investimento de todos os órgãos da administração direta, por meio.
Investimento de todos os órgãos da administração direta e indireta (que não concorrem no mercado), por anunciante.
Agora, vamos às minhas tabelas e, depois, à análise:
Tabela 1: Total bruto de investimentos em publicidade do governo federal por mídia – 2010/2014
Tabela 2: Variação da participação por mídia em relação ao total de investimentos em publicidade do governo federal – 2010/2014 (em %)
Tabela 3: Variação do investimento bruto por mídia (em%)
Análise
1. Salta aos olhos o crescimento da Internet nos planos de mídia do governo: 152,86% desde 2010; 22,86% de 2013 para 2014 (tabela 3). Resta saber quanto desse investimento seguiu para sites da grande imprensa, quanto para portais tipo Terra, UOL e iG e quanto para sites específicos. De qualquer forma, o patamar de participação da mídia no bolo da publicidade oficial federal mudou extraordinariamente em cinco anos – de 3,69%, em 2010, para 8,43%, em 2014 (tabela 2)
2. A TV continua campeã, sempre com mais de 60% das verbas (tabela 2), mas teve leve queda no comparativo entre 2013 e 2014 (-2,31%) (tabela 3), apesar de ter sido ano de Copa do Mundo, mesmo sendo ela aqui. Importante, para complementação dessa informação, seria a distribuição por veículo.
3. Situação desastrosa das revistas – queda de 33,53% em cinco anos, sendo 28,45% só de 2013 para 2014 (tabela 3), levando o meio a ter menos de 5% do total das verbas publicitárias do governo federal (tabela 2). Uma queda que daria muita razão ao ativismo antigovernamental das principais publicações desse meio.
4. A verba publicitária do governo federal para o meio Jornal também vem caindo aos trambolhões: 22,21% entre 2010 e 2014; 15,71% de 2013 para o ano seguinte (tabela 3). A participação no total do bolo publicitário federal do meio desceu a pouco mais de 6%, o que também parece ter deixado os donos das publicações de muito mau humor em relação do governo.
5. O rádio até tinha conseguido se recuperar em 2013, mas tomou tremendo tombo no ano seguinte ( -20,09%). Na variação de cinco anos, queda de 19,37% (tabela 3). Assim, terminou 2014 com 6,4% de participação total nas verbas, perdendo o segundo lugar que ostentou em 2012 e 2013 para internet (tabela 2).
6. O meio Outdoor parece caminhar para extinção, com queda de 78,05% de 2010 para 2014, sendo nada menos de 70% no comparativo dos dois últimos anos do período (tabela 3). É muito possível que o crescente cerco dos governos municipais e as campanhas para cidades visualmente limpas, tenha influência nesse resultado catastrófico.
7. A Mídia Exterior (anúncios em ônibus, relógios, paradas de coletivos, tótens etc) capturou uma parte dessa perda do Outdoor (23,55% de crescimento entre 2010 e 2014), mas sofreu inflexão brusca em 2014 (tabela 3). Os quebra-quebras promovidos nas Jornadas de Junho de 2013 – dos quais o mobiliário urbano foi grande vítima em muitos casos – podem ter influenciado.
8.O cinema nunca teve grande participação no bolo geral (assim como o Outddor, aliás) e tem registrado queda acentuada tanto no período de cinco anos (-34,25%), quanto no de um ano (-36,55%).
https://coleguinhas.wordpress.com/2015/05/10/os-numeros-da-publicidade-federal-em-2014/
alexis
11 de maio de 2015 10:25 amFutebol de botão?
Ontem acompanhei durante algum tempo o jogo horroroso entre Cruzeiro e Corinthians, dois dos times mais cotados para o título do “brasileirão” de 2015. Durante o jogo, morno e sonolento, os comentaristas tentavam explicar a origem de cada um destes sujeitos de chuteiras: que o Tite trouxe alguns do Botafogo para Corinthians, que Marcelo estava testando o jogador tal, que fulano tinha sido quatro vezes campeão, por quatro times diferentes, etc.
Eu tinha um amigo que, nos anos 60/70 decorou de cor o nome de todos os jogadores, de todos os times, em qualquer um desses anos. Hoje, não deve existir ninguém que saiba a formação de time algum. Como esperar compromisso e fidelidade se existe essa movimentação toda entre jogadores? Contratações bobas, de Zé ninguém em troca de Zé Mané. Alguém ganha com tudo isso? Claro! Os empresários dos jogadores, cuja comissão é ativada nas operações de compra e venda, assim como as comissões de cartolas de cada clube. Isso acontece até na seleção.
É uma tortura assistir qualquer jogo local depois de observar jogos da Eurocopa, por exemplo. Depois de um Barcelona vs. Real Madrid não vale nem a apena assistir um jogo local.
É tudo uma enganação, assim como o futebol de botão, onde você pode trocar todas as fichas com o seu adversário, mas quem realmente joga é aquele dedinho por trás que, no plano real do futebol, é uma mão que sai da nuvem virtual, dos donos do verdadeiro negócio, que sublimou o esporte, as chuteiras, o gramado, as arquibancadas e até os clubes para outra esfera mercantil e gananciosa.
Sérgio T.
11 de maio de 2015 11:43 amA esquerda vai mal e pode terminar na irrelevância
José Maurício Domingues: A esquerda vai mal e pode terminar na irrelevância
Por José Maurício Domingues, na Revista Trincheiras
I. Seria difícil, há cerca de dois anos, supor que o Brasil estaria enfrentando uma conjuntura tão intricada. Em que pesem impasses e limitações do projeto que há mais de uma década conquistou o governo federal, para o campo da esquerda se podia imaginar possibilidades de avanço que parecem haver-se esfumado no horizonte. Este artigo se remete assim a duas durações da conjuntura, vinculadas entre si. Uma mais curta, ligada à grande opacidade e confusão do período pós-eleitoral, que se desdobra velozmente, a outra enfatizando questões estratégicas, mais de longo prazo, mas que remetem ao tempo presente.
II. Não haveria como negar que o momento atual é bastante difícil e que se evidencia uma grave deterioração das condições políticas do governo de Dilma Rousseff. A campanha da candidata do PT optou por um discurso claramente à esquerda, mobilizou militantes ante a possibilidade de vitória da centro-direita representada por Aécio Neves e ofereceu uma perspectiva de avanços sociais e políticos. No entanto, o clima de estelionato eleitoral que se instalou desde que a equipe econômica foi nomeada, chefiada pelo neoliberal Joaquim Levy, tem imposto um custo político altíssimo à candidata reeleita, ao mesmo tempo em que os setores liberais e conservadores conseguem se fortalecer. Dilma escamoteou os graves problemas da economia brasileira hoje e propôs remédios, para males menores, que seriam o oposto do ajuste fiscal em curso, que inclui um ataque a certos aspectos das políticas sociais, com o descarte dos projetos e dos economistas desenvolvimentistas que marcaram seu primeiro mandato, cujas avaliações preliminares são críticas e pessimistas, como seria de esperar.
É inevitável lembrar dos fins melancólicos do Plano Cruzado e do Plano Real, que deram, respectivamente, a vitória esmagadora ao PMDB nas eleições para o Congresso Constituinte e governadores na década de 1980 e a reeleição de Fernando Henrique Cardoso pelo PSDB na de 1990, para depois os afundarem ao se desmancharem logo após os pleitos. Resultado: o PMDB acabou por jamais eleger um presidente da república, sendo Fernando Collor de Melo sufragado vencedor na primeira eleição direta desde o fim do regime militar, no segundo caso cabendo a Luís Inácio Lula da Silva recolher os cacos do governo de Cardoso. O ministério, as trapalhadas e a melancolia que cercam a figura pós-eleitoral de Dilma Rousseff antecipam de certa maneira esse desfecho, embora ele não seja inexorável.
O contexto se agrava com a crise da Petrobrás e a Operação Lava Jato, que engolfa grande parte do sistema político e é dirigida pela mídia contra o governo Dilma e o PT, cujas divisões internas são neste momento agudas. O mal-estar social que explodiu nas ruas em 2013 desde então somente piorou, sem que o sistema político em nada se tenha feito mais poroso a um tecido social cada vez mais autonomizado politicamente e bastante avesso aos grandes aparatados burocráticos dos partidos e do estado (que cada vez mais tendem a se confundir).
O desemprego, que já acossa São Paulo e inevitavelmente crescerá como resultado da política econômica, somado à ameaça de crises da água e da energia, especialmente no centro-sul, azedará mais os espíritos. As manifestações dos dias 13 (promovidas pelo MST, CUT e UNE) e 15 de março (promovidas sobretudo pela grande mídia, pelo PSDB e movimentos conservadores e mesmo reacionários) subiram a temperatura e foram claramente favoráveis às forças da direita, em seus diversos matizes. Se isso resultará em explosões massivas mais adiante é ainda questão em aberto.
Nada diz que a história se repetirá, ela está aberta a intervenção criativa das forças políticas. Neste momento, todavia, não se delineia uma saída positiva e pela esquerda para a crise. É patente o desgaste precoce do segundo governo Dilma e do PT mais geralmente, por questões econômicas e pela corrupção, bem como pelo esgotamento de seu projeto centrado no combate à pobreza e na expansão do mercado, com uma tentativa de evitar conflitos políticos e distributivos mais sérios, que agora batem a suas portas. Será a incapacidade do PSDB de aproveitar-se da fragilidade dos governos capitaneados pelo PT superada?
A plausibilidade de uma resposta negativa a esta indagação e a pressa em retomar o poder podem consolidar um tipo de golpismo que evita ainda explicitar-se. Marina Silva pode até ressurgir, mas seus equívocos e apoio final a Neves a converteram em figura prosaica, com sua Rede agora em frangalhos. Por outro lado, o PSOL está longe de configurar-se como alternativa nacional de poder, sem pauta muito clara e com um funcionamento interno em que a mobilização e incorporação da população ao cotidiano da política não figura centralmente, reproduzindo assim tradicionais vícios das esquerdas partidárias. O PSB, finalmente, foi neutralizado em larga medida por sua aliança com o PSDB. Um partido ao estilo do “Podemos” espanhol se mostra muito improvável, de todo modo, no cenário brasileiro, ao menos por ora.
Não era inevitável, mas a política nacional inclinou-se à direita. Para alguns, isso é inclusive, em parte, resultado das manifestações de 2013, expressando-se inclusive em uma nova composição do Congresso, mais conservadora, o que se prova pela eleição de Eduardo Cunha como presidente da Câmara dos Deputados.
Se a última constatação é um tanto exagerada (segundo as análises do NECON, do IESP-UERJ, as coisas pioraram levemente na Câmara, melhorando ligeiramente no Senado, embora as bancadas sindicais do PT de São Paulo tenham sido duramente atingidas), a ascensão do famigerado deputado se explica antes por razões corporativas e pelas fragilidades, substantivas e de articulação, do governo Dilma. De modo mais geral, é preciso afastar uma visão equivocadamente estática da política. A energia liberada pela eclosão daquelas jornadas de rua não tinha direção definida. Era o próprio comportamento dos demais agentes na conjuntura que podia – e ainda pode –, combinando e alterando os vetores em ação, definir sua resultante ou resultantes múltiplas.
A verdade é que as respostas do governo e do PT às manifestações de 2013 foram para lá de insuficientes, agravadas por uma campanha eleitoral bastante manipulativa, seguida do abandono de muitas promessas e de erros táticos seguidos por parte da esquerda – seja no governo, seja fora dele.
A indefinição continua sendo a marca do momento atual, mas a ruptura das promessas governamentais e seus inexoráveis resultados nos próximos meses, além de erros de toda sorte, tende a inviabilizar a sedução de uma base (sobretudo quando jovem) que vê neste tipo de manobra a encarnação do cinismo típico dos políticos profissionais, com por outro lado a base social da direita crescendo e seu discurso encontrando mais legitimidade, embora esses dois fatores não tenham necessariamente que confluir. Na verdade o mais grave é que a parte dominante da esquerda está sem rumo e seus outros setores tampouco estão em condições de dirigir o país. Talvez o avanço da direita acabe por desencadear um movimento à esquerda mais forte adiante, em defesa da democracia e das conquistas das últimas décadas. Mas não há como evitar constatar a dramaticidade do momento atual.
Quais cenários se podem delinear daqui para frente?
O primeiro, mais simples, pautar-se-ia por uma duração mais curta da crise e do ajuste econômico, com rápida retomada do crescimento – com mais espaço para os investimentos privados e menos expansão do consumo, caso funcione a reorientação a que se propõe o segundo governo Dilma, superando as desconfianças dos empresários. Ao mesmo tempo, o PT, Lula e a presidenta (cujas relações parecem péssimas neste momento) se recomporiam, firmando-se a candidatura daquele em 2018 mais uma vez à presidência. Para completar o panorama, a ascensão da direita se interromperia, com os processos do caso Petrobras mantendo-se longe do governo e pouco atingindo o PT. Não se apresenta hoje de modo algum como o mais provável.
O segundo cenário teria o PSDB como protagonista principal, com tentativas contundentes de impeachment, na crista dos protestos de rua. Mas a agenda claramente neoliberal e a postura “elitista” do partido, apesar do apelo de suas denúncias contra a corrupção, não lhe têm favorecido. Há que se ver como a crise geral e o descrédito do sistema político, bem como a própria Operação Lava Jato, o atingirão.
O PSOL pela esquerda e Marina pelo centro não aparecem como prováveis intérpretes robustos dos descontentes com a crise. Um terceiro cenário com isso se põe, com um candidato que repita o fenômeno Collor roubando a cena nas próximas eleições, distantes é verdade, mas para as quais desde já se posicionam as forças políticas (inclusive aquelas que se mantêm recolhidas). Enfim, é possível uma evolução mais complexa, que renove e reposicione a esquerda, ainda que a curto e médio prazo as coisas estejam para lá de complicadas.Vale frisar que a evolução da política nacional se realiza contra o pano de fundo de uma nova situação geopolítica.
A virada do milênio assistiu ao chamado giro à esquerda na América Latina. Modesto em seus resultados, remando contra a maré global, ele significou a implantação de um social liberalismo de cunho progressista, tendo em seu centro políticas de equidade que suavizaram de forma humanitária e economicamente estimulante as agruras das massas de miseráveis da região mais desigual do mundo, por vezes implicando em mais centralidade do estado na coordenação da vida econômica e um distanciamento dos ditames mais severos do capital financeiro, sem que a igualdade propriamente haja sido buscada. Esse giro atingiu seus limites e, finda a bonança das commodities e a fartura de recursos que proporcionou durante a década de 2000, somente enfrentamentos sociais distributivos mais aguçados poderiam permitir que retomasse seu ímpeto, levando a políticas sociais mais universalistas e custosas, bem como a uma mudança mais decidida de modelo econômico.
A esquerda latino-americana carece dessa força no momento e, além do mais, não anda lá muito disposta a apostar em sua criação a médio e longo prazo, obviamente com cada país da região exibindo características próprias em sua dinâmica política e na configuração das forças que a moldam. Mas as escolhas dos Estados Unidos são também extremamente importantes para entender o momento atual.
Os EUA, em aliança com a Comunidade Europeia (quaisquer que sejam as suas divergências menores), escolheram a Rússia pós-soviética como seu adversário da vez. Se no Oriente Médio, na medida em que não têm uma solução que garanta o controle da região, jogam na criação do caos pura e simplesmente, e no caso da China trabalham para manter fortes relações comerciais acompanhadas por um cerco militar, no que diz respeito ao país de Putin é uma vitória decisiva o que buscam, ainda que não esteja claro como se realizaria, em vista dos enormes armamentos nucleares russos. No que nos importa mais de perto, por outro lado, a normalização das relações com uma América Latina que vive impasses mais ou menos evidentes se mostra estrategicamente fundamental nesse cenário. O restabelecimento de relações diplomáticas com Cuba e a proposta de Obama de fim do bloqueio comercial ao país, as negociações de paz, já em sua reta final, entre o governo e as guerrilhas na Colômbia, os elogios à Bolívia e a retomada de boas relações com o Brasil – aconteça o que acontecer no futuro próximo – são parte desse jogo.
Com Cristina Kirchner sucedida pela centro-direita do peronismo, na figura de Scioli, e Maduro na Venezuela isolado e com muito pouca margem de manobra, esse quadro se fecha (com Uruguai, Equador, Chile e Peru, além da América Central, não pondo problemas maiores para a política estadunidense). Desde que, é claro, essas parcerias renovadas se calquem em uma retórica mais branda dos EUA e nas debilidades que revelam os países latino-americanos.Tudo isso poderia se enquadrar em um recuo e reorganização organizados das esquerdas do subcontinente, nelas incluída a brasileira, de modo a reciclar-se e buscar uma nova ofensiva mais adiante. Não é isso, porém, o que vem se desenhando, o que de certo modo se complicou com os resultados eleitorais vitoriosos no Brasil no contexto do que vem, porém, se configurando em larga medida como um emparedamento e possível derrota política.
Nesse contexto, cabe às forças populares se organizarem, com independência do governo e mesmo das forças partidárias dominantes. Em primeiro lugar, mais que defender o governo Dilma, trata-se de sustentar a democracia, contra qualquer tentativa golpista. Além disso, são cruciais a construção de uma agenda renovada, a reestruturação organizativa da própria esquerda e a rearticulação de uma coalizão progressista, de modo a converter este momento de crise e recuo em possibilidade de avanços em futuro não muito distante.
III. Em primeiro lugar, consideremos as bases sociais de uma coalizão capaz de retomar os processos de transformação democrática e social que marcam a história do Brasil da década de 1980 à de 2000. É comum nas esquerdas acusar-se a classe média de reacionária, denunciarem-se os “coxinhas” e artifícios semelhantes. Mas ou supomos que as massas populares têm força e devem bater de frente com as burguesias industriais, agrárias e financeiras que ainda fundamentalmente controlam nosso país, ou temos de pensar num sistema de alianças bem mais complexo. Ele precisa incluir setores significativos das classes médias, sobretudo das classes médias baixas, cuja situação vem em franco deterioro em especial nos últimos dois anos (como demonstram estudos de economistas como Waldir Quadros), com a distribuição da riqueza permanecendo intocada e salvaguardando os ricos durante toda a era Lula-Dilma (como pesquisadores como Marcelo Medeiros evidenciaram). Portanto, é imprescindível uma mudança de curso. Se na agenda atual não está posto o socialismo, temos de todo modo que buscar distribuir a riqueza controlada pelos ricos, ao mesmo tempo em que é necessário fazer com que invistam, como capitalistas, no desenvolvimento econômico do país. Não se trata obviamente de tarefa fácil, mas somente uma aliança popular com setores amplos das classes médias pode alcançar esse feito.
Assim, a ideia de uma frente de esquerda tem sentido, limitado, apenas no que se refere a contribuir, pela mobilização popular, a dar peso a certos temas essenciais da agenda pública. Além do mais, alianças amplas oferecem a maneira mais adequada de tirar a esquerda de um isolamento crescente, evidente sobretudo mas não exclusivamente em São Paulo. Servem também para neutralizar aventuras de uma direita que não tem conseguido, pelas vias partidárias normais, retomar o governo central, mas que pode vir a tentar fazê-lo utilizando-se de novos salvadores da pátria, demagogos que se apoiem nas infelicidades das classes médias descendentes e parte dos setores populares, que não são necessariamente esteios das forças progressistas.
Seguir insistindo na oposição entre os “pobres” e o restante da população é receita certa, daqui para frente, para a derrota. Esse é tema real e identidade de grande parte dos brasileiros, mas se o Brasil é um país de trabalhadores, são muitas as suas variedades, que abarcam, além do mais, vastos setores das classes médias. Entregá-los todos nas mãos da direita é equivoco pelo qual pode-se pagar muito caro, o que é já bastante visível. Mais uma vez, quem atrair o centro político – partidário, mas também socialmente – terá vantagens no processo de resolução da crise. A esquerda não deve se autoisolar.
Que agenda pode sustentar novos avanços?
O aprofundamento da democracia é decisivo. Apesar da retórica e de certo apoio aos conselhos participativos no estado, ele não vem figurando com centralidade na agenda das forças predominantes na esquerda. Ou se organiza e mobiliza a população, com alternativas de políticas de esquerda, democratizando-se o estado, dando-lhe transparência, combatendo-se a corrupção, abrindo-se os debates publicamente, e, sobretudo, reorganizando-se o funcionamento da política fora do próprio estado, ou não conseguiremos avançar.
A democratização da esquerda é portanto também fundamental. O debate intelectual e político no Brasil contemporâneo é de uma pobreza extrema. Contra ou favor, no que toca a políticas de curtíssimo alcance, é o que se espera inclusive de intelectuais profissionais, sem espaço para um arejamento e ampliação de nosso horizonte, inclusive programático. Os esforços do MST e da CUT foram recentemente positivos, mas este é um caminho que apenas agora voltam a trilhar, As organizações políticas tradicionais da esquerda – partidos, sindicatos e semelhantes – mostram-se muito burocratizadas e distantes da população, sobretudo dos jovens.
É imperioso mudar isso e impulsionar um processo amplo de mobilização que faça da participação algo real, que não se perca nos desvãos burocráticos do estado, e potencialize uma representação que seja ao fim democratizada por uma reforma que exclua o grande capital do jogo direto da política (com a proibição da doação por empresas), respondendo ao contra-ataque da direita, que quer fazer da reforma neste momento uma maneira de aumentar seu controle do processo político (com clareza, no entanto, de que esse é um jogo neste momento bastante arriscado). Isso ofereceria por outro lado alternativas ao anarquismo bastante tosco que, em diversas roupagens, tende a hegemonizar as manifestações urbanas e a introdução de novas gerações de brasileiros à participação política.
A democratização da mídia não pode deixar de ser tocada aí, mas de nada adianta propô-la se a esquerda seguir escondendo-se atrás da denúncia da rede Globo e da grande imprensa, enquanto se furta a construir sua própria grande imprensa democrática, bem como a investir na televisão pública nacional e latino-americana (Telesul).
No que tange às políticas econômicas e sociais, para começar uma solução diferente para a dívida pública é certamente necessária,baseada no crescimento e na queda dos juros, bem como o é sua revisão e a do próprio sistema tributário. Com o tributo que se paga ao capital financeiro por meio do sistema da dívida, é hoje impossível construir um estado do bem-estar social minimamente decente.
A revisão da estrutura de impostos é imprescindível, fazendo-a progressiva, baseada na riqueza antes que nos rendimentos do trabalho. Os ricos devem suportar finalmente a carga tributária brasileira. Uma solução para o ajuste fiscal hoje até certo ponto necessário poderia desde agora tomar, com isso em mente, um rumo bem distinto do que o governo Dilma escolheu.
A retomada da reforma agrária, que junte o financiamento generoso aos pequenos produtores e às cooperativas com a redistribuição da propriedade, tem de voltar à agenda da esquerda. Isso significa ao mesmo tempo negociação com o estado, em particular no que tange a recursos, e seu enfrentamento no que se refere à estrutura da propriedade altamente concentrada que temos no país, tencionando ao limite a coalizão governamental ora no poder, muito dependente do agronegócio. Obviamente, aprofundar e melhorar os programas de habitação popular, revolucionar a saúde e a educação, são tarefas que não deveriam esperar a próxima geração para se concretizarem.
Que se aposente de vez, assim, o ilusionismo de uma “nova classe média” que, ascendendo da pobreza, poderia arcar com os custos dos serviços sociais e buscá-los diretamente no mercado. E que se vá além das políticas sociais liberais focalizadas nos pobres ou inclusive aquelas setorializadas (relativas em particular à raça e ao gênero), ainda que não devamos desconhecer sua importância, emergencial ou de longo prazo.
A retomada da industrialização brasileira, com um verdadeiro processo mais planejado de substituição de importações é decisiva, pelo menos em alguns nichos importantes, de modo a melhorar o tecido econômico do país e reverter nossa suave, mas permanente, descida aos infernos da reprimarização e ao que alguns chamam de “consenso das commodities” (que gostamos de ver nos países vizinhos, ocultando o quanto se expande também no próprio Brasil, com suas destrutivas consequências ambientais e sociais). Isso passa pelo empresariado privado, com o qual é preciso negociar de fato um modus vivendi que garanta seus lucros e investimentos produtivos, com uma baixa da taxa de juros que diminua os ganhos do capital financeiro, no qual os industriais parecem também enlaçados. Todavia, a necessidade de inovação econômica nacional, na qual eles não se mostram jamais interessados, terá de ser assumida muito mais diretamente pelo estado.
Aí se põe a questão da recriação de empresas estatais, em diversos ramos, capazes de investir em novas tecnologias, em parceria com universidades e, quando possível, com as empresas privadas, mas mais isoladamente quando isso se mostre inviável. Essa é questão que, depois de tantos esforços de pouco resultado, precisa ser repensada, com novas soluções delineadas, não obstante os conflitos que se possam se pôr com o empresariado (sem falar de que esperar e concentrar todos os esforços nesse sentido no deslanche do Pré-sal parece ser uma má estratégia, embora a defesa da Petrobras dos ataques que sofre nesse momento seja evidentemente importante).
Mais a longo prazo – ou seja, em termos estratégicos, que taticamente têm de ser traduzidos nos termos do tempo presente – é preciso alterar certos elementos que se encontram no cerne do atual modelo de “desenvolvimento”. A América Latina tem sido pródiga em colocar esse tipo de questão, desde os anos dourados da CEPAL, passando pela ideia de desenvolvimento sustentável nos anos 1990, com posteriormente ideias como “bem viver” e “viver bem”, supostamente de matriz indígena andina, emergindo nos debates sobre que tipo de sociedade queremos. Em nenhum lugar do mundo, mas em particular em regiões tão desiguais como a nossa, seria factível simplesmente abandonar o crescimento econômico em favor de algum tipo de sustentabilidade (como querem os que na Europa têm defendido o “crescimento zero”).
A questão deveria ser posta de outra maneira: o que importa é que tipo de crescimento, com que relação com os seres humanos e a natureza, com que inovações tecnológicas, queremos. Do contrário, inclusive, entrega-se as populações em particular dos países menos desenvolvidos simplesmente à direita, que lhes promete bem-estar crescente com mais capitalismo e destruição (ainda que isso hoje muitas vezes venha com disfarces mais ou menos eficazes). Nesse sentido, a noção de “desenvolvimento sustentável”, apesar das indefinições e do mau-uso a que tem sido submetida, evidencia ainda grande potencial.De um lado, trata-se de desenvolver nossas economias e sociedades, de modo a alcançar uma relação menos predatória com a natureza.
A questão energética sobressai aí, embora não se possa imaginar nenhum tipo de atividade humana que não tenha impacto sobre o meio ambiente. Novas tecnologias são imprescindíveis. Para produzi-las e disseminá-las, uma combinação entre formas de vida e produção ditas “tradicionais”, esforços de inovação estatal, mas também do “capitalismo verde”, são instrumentais, com forte regulamentação estatal globalmente coordenada. Mesmo que discordemos deste último, se esperarmos pelo socialismo ou outras radicais novas formas de vida para mudar nossa relação com o meio ambiente, é improvável que haja tempo para chegarmos lá. Entretanto, um segundo elemento é também decisivo. Trata-se de mudar nossas formas de consumo, desinvidualizando-as e desmercantilizando-as. Ou seja, tornando nosso consumo mais coletivo e reorientando a produção material – a começar pela indústria automobilística – no sentido de possibilitar esse giro civilizatório. Isso é evidente no que se refere às atividades e serviços típicos do estado do bem-estar social, como educação e saúde, bem como no que diz respeito ao transporte – público de qualidade em países que já atingiram padrões mais avançados. Mas é possível estender esse princípio a outras esferas, no que a imaginação e os movimentos populares podem ter grande papel a cumprir.
Quanto ao plano internacional, dois comentários devem ser aduzidos. Em primeiro lugar, isso tudo se potencializa se feito em parceria com os países da América Latina, levando o MERCOSUL a um estágio mais avançado do que o de mero mercado comum, no que seus limites são demasiados claros. É preciso avançar em ciência, tecnologia, políticas sociais, meio ambiente e, com os cuidados necessários, integração física. A responsabilidade do Brasil em projeto como esse, por seu tamanho e estágio de desenvolvimento, é enorme. Mais globalmente, é absurdo que o Brasil haja perdido protagonismo nos governos Dilma. Com a cautela necessária que nossa fragilidade atual recomenda, é imperioso retomar e aprofundar a busca de espaços de autonomia e desenvolvimento que de fato são possibilitados pelo aumento do multilateralismo na última década e meia.
A esquerda vai mal. Pode terminar até próxima da irrelevância. Ela precisa fazer um esforço para publicamente e sem amarras em pontos de vista partidários ou de organizações políticas semelhantes se renovar, no debate intelectual e programático, bem como nas lutas sociais. Os próximos anos serão muito difíceis, mas os que se lhes seguirão podem ser ainda piores se não fizermos esse esforço. Podem ser também mais luminosos se nos abrirmos para pensar o que seria efetivamente novo, em nossa contemporaneidade, na história do Brasil e do mundo, nos mobilizando pata tonar essas novidades realidade. Não há porque, sobretudo se buscamos um novo ciclo de mobilização e de giro à esquerda, evitar os conflitos. Mas é preciso fazê-lo com clareza de nossas forças, ampliando-as, e com uma agenda capaz de mobilizar vastos setores e atacar os problemas mais de fundo que se põem para o Brasil e, mais além, para nosso planeta.
http://www.revistaforum.com.br/rodrigovianna/plenos-poderes/jose-mauricio-domingues-esquerda-vai-mal-e-pode-terminar-na-irrelevancia/
Dê
11 de maio de 2015 3:29 pmNassif, uma parte da
Nassif, uma parte da excelente entrevista com o Muhammad Ali onde ele fala sobre racismo…séria mas cheia de humor. Ótima entrevista também para entender como Cassius Clay se tornou Muhammad Ali…..simplesmente sensacional.
[video:https://youtu.be/rtxfTEyJZg4%5D
Emanuel Cancella
11 de maio de 2015 6:04 pmPetrobrás
PSDB, Globo e Lava Jato,
o trio que quer destruir a Petrobrás
O governo de Fernando Henrique Cardoso, do PSDB, com apoio da Globo, tentou privatizar a Petrobrás. Na ocasião, a Globo, em campanha na mídia, comparou a Petrobrás a um paquiderme e chamou os petroleiros de marajás. O governo tucano também tentou, sem sucesso, mudar o nome da empresa para Petrobrax, para minimizar a ligação da empresa com a nação, através do “Brás”.
FHC conseguiu quebrar o monopólio do petróleo. E queria mais! Não conseguindo privatizar a Petrobrás, dividiu a empresa em Unidades de Negócios, para vendê-la fatiada, mas só conseguiu vender 30% da REFAP (Refinaria do Rio Grande do Sul). Além de sucatear a empresa não realizando concursos públicos, Fernando Henrique também destruiu a indústria naval, pois com o argumento do menor preço mandou fabricar, no estrangeiro, navios, plataformas, sondas etc. Com isso, FHC fechou os estaleiros, os maiores da América latina, desempregando milhares de trabalhadores brasileiros.
Como miséria pouca é bobagem, criando o REPETRO, lei que eximiu de impostos as exportações de máquinas e equipamentos, FHC também acabou com a indústria brasileira nesse setor, pois antes dele, por esforço da Petrobrás e do BNDES, 80% desses materiais eram fabricados no Brasil. Foi no governo de Fernando Collor que começou e depois FHC deu continuidade, a privatização do setor petroquímico e de fertilizantes.
Quando assumiu o governo, Lula tornou a REFAP novamente 100% Petrobrás. Lula afastou também o perigo de privatização, desfazendo a venda das Unidades de Negócios; retomou os concursos públicos, acabando com o sucateamento e recompondo o seu corpo técnico. Esses petroleiros, em 2006, desenvolveram tecnologia inédita no mundo propiciando a descoberta do pré-sal. O governo petista retomou o setor petroquímico, o mais lucrativo da indústria do petróleo, através do Comperj, e o de fertilizantes, através da Fafen e outros.
Lula retomou a indústria naval: navios, plataformas e sondas voltam a ser fabricadas no Brasil. Com a lei de Partilha, 12.351/10, Lula retoma parte importante do controle do petróleo e garante o conteúdo local. A indústria brasileira, através desse dispositivo, vai produzir parte considerável dos materiais e equipamentos para esse setor, gerando impostos para os governos e emprego e renda de qualidade para os brasileiros.
A lei garante também a Petrobrás como única operadora do pré-sal. A partilha obriga o mínimo 30% de participação para a Petrobrás, nos campos do pré-sal; e a União continua a ser dona do petróleo e o pagamento tem que ser feito em óleo. Na lei 9478/97 de FHC, que quebrou o monopólio e introduziu as concessões, a União recebia participação nos leilões em dinheiro e o arrematador virava dono do petróleo. A lei da Partilha, infelizmente, só vale para o pré-sal!
A operação Lava Jato da Policia Federal tem o mérito de, pela primeira vez na história deste país, prender corruptos e corruptores e confiscar seus bens. A base dessa investigação é a delação premiada, lei sancionada no governo Dilma. A operação, entretanto, peca pela seletividade dos investigados, pois só direciona as investigações nos membros do PT, partido da presidenta Dilma. Pergunta que não quer calar: se prendeu o tesoureiro do PT por que não os do PSDB, PMDB, PP já que todos esses também foram citados na delação premiada e só o tesoureiro do PT está preso?
O que coloca o chefe da operação, juiz Sérgio Moro em suspeição entre outras alegações, é de que sua mulher Rosangela Wolff de Quadros Moro é advogada do PSDB no Paraná. Será esse o preço para não prender o tesoureiro tucano? E não é só isso. Dois delegados que compõem a operação Lava Jato fizeram campanha, através de um blog, para o candidato Aécio Neves (PSDB) e chegaram a postar em página que Lula e Dilma seriam “antas”. E tem mais, a delação premiada só vale no final do processo, com o trânsito em julgado, mas estão usando-a, o tempo todo, como verdade absoluta, para atingir pessoas ligadas ao partido do governo, com a finalidade de fragilizar a Petrobrás.
Segundo denúncia do Wikileakes, publicada na Folha, o candidato à presidência do PSDB, José Serra, em 2009, se comprometeu, caso eleito, com a petroleira americana Chevron a desmontar a lei da Partilha. Felizmente Serra não se elegeu! E agora, em 2015, o senador José Serra apresenta emendas à lei 12.351/10, para mudar a própria Partilha, o Conteúdo Local e a condição da Petrobrás Operadora de todos os campos do pré-sal. Voltam com a proposta original de FHC de desmonte da Petrobrás, pois eles sabem que parando a Petrobrás, para o Brasil. Até quando vamos assistir a tudo isso calados?
Vamos lembrar o que dizia Martin Luther King senador americano: “O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons!”
OBS.: Artigo enviado para possível publicação para o Globo, JB, o Dia, Folha, Estadão, Veja, Época entre outros órgãos de comunicação.
Emanuel Cancella é coordenador do Sindicato dos Petroleiros do Estado do Rio de Janeiro (Sindipetro-RJ) e da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP).
Rio de Janeiro, 11 de maio de 2015
Cláudio José
11 de maio de 2015 8:49 pmO FUTEBOL DE SALÃO NO RIO
O Salão do Rio: Confira os desafios dos clubes cariocas de futsal ainda ativos
Série especial vai ‘reviver’ dias gloriosos, mostrar os problemas e apontar soluções para driblar dias nebulosos do futsal no Rio
O DIA
Rio – Em 2 de junho de 1953, o extinto jornal “Última Hora” noticiava um passo importante na consolidação do futebol de salão no Rio de Janeiro. Naquela data, os salonistas cariocas se reuniram para fundar a Federação Metropolitana da categoria. De acordo com o periódico, a cidade já contava com diversas equipes interessadas na criação da entidade esportiva e elas foram prontamente convocadas pelos organizadores para comparecer à Av. Augusto Severo, nº 60, na Glória, local escolhido para a reunião. O mesmo jornal foi o responsável por patrocinar o primeiro torneio oficial da Federação Metropolitana, vencido pelo Braz de Pina Country Club, em janeiro de 1956. Das 43 equipes filiadas, 38 estiveram na disputa.
Atualmente, o cenário do salão carioca é bem diferente. Os tempos áureos ficaram para trás. A série “O Salão do Rio” vai fazer um mapa da modalidade, “reviver” os momentos gloriosos, mostrar os problemas e apontar soluções para driblar os dias nebulosos.
Na primeira matéria da série, o Esporte Online do O Dia fez um Raio-X de alguns clubes que ainda mantêm a modalidade viva na cidade. Entre as equipes, histórias de superação e, em alguns casos, até heroísmo. Por meio dessas agremiações, conseguimos concluir que o futsal carioca vive um “marasmo existencial”, que só será quebrado com investimentos e trabalho duro.
Grandes ou pequenos, os desafios do futsal são para todos
Clubes de camisa do Rio, Botafogo, Flamengo, Fluminense e Vasco estão trabalhando apenas com as categorias de base no futsal. O Alvinegro, desde 2010, mantém uma parceria com a Casa de España , uma tradicional agremiação do bairro do Humaitá, Zona Sul da cidade. Ao todo foram mais de 20 títulos neste “casamento”, sendo três Taças Brasil (sub-15, 17 e 20) – um dos principais torneios do Brasil – , além de inúmeros campeonatos estaduais.
“A ideia é que as categorias de base do futsal fiquem sob a coordenação da Casa de España e sejam integradas com nosso Departamento de Futebol da base. Todo atleta que for para o campo vindo da Casa de España terá um tratamento especial quando for ser avaliado. A ideia é estar sempre bem próximo e trocando informações”, disse Manoel Renha, diretor da base do Botafogo, ao site do clube alvinegro.
Felipe, Pedrinho, Bismarck e, mais recentemente, Philippe Coutinho, Alex Teixeira, Souza e Allan são só alguns exemplos do que o Vasco é capaz de fabricar no salão para o mundo do futebol. Próximo dos dirigentes cruzmaltinos, devido ao Futebol 7, o craque Falcão, afastado temporariamente da seleção brasileira, revelou que houve um projeto para reativar o futsal do Vasco no ano passado.
O jogador também fez elogios ao papel desempenhado pela torcida do Gigante da Colina no financiamento coletivo para reforma do ginásio de São Januário, um dos templos do futsal carioca. Em menos de três dias, a meta de R$ 185 mil foi batida e o rateio foi finalizado em R$ 241.592 mil, 30% a mais do que o necessário.
“Essa volta do futsal do Vasco quase aconteceu no ano passado. Não sei o que houve, se foi falta de tempo ou de espaço no orçamento do clube. Mas eu sei que é um ideia deles voltar com o futsal. Eu tenho certeza de que se voltar a torcida abraça o projeto. Mas tem de ser bem-feito, para ser atrativo aos torcedores e patrocinadores. Hoje o ginásio de São Januário não serve para jogos por conta das dimensões da quadra e da carga mínima de público, é uma pena. O Vasco teria de fazer uma grande obra e não só uma reforma para ele ter condições. Porém, por esse lado de resgate da história do clube, é muito importante essa mobilização dos torcedores e dos dirigentes”, disse Falcão, jogador do Sorocaba/Brasil Kirin, time da Liga Nacional de Futsal.
A Federação de Futsal do Rio de Janeiro lamenta o enfraquecimento dos clubes de camisa na categoria adulto e espera por patrocinadores para dar suportes aos times do estado que queriam entrar em torneios nacionais.
“O futsal é um esporte que está desacreditado. Se você for ver na Liga Futsal, os únicos clubes são o Corinthians e o São Paulo. O resto é empresa ou prefeitura, clube de verdade apenas os dois. Nós tínhamos o Cabo Frio, mas ele saiu porque a prefeitura não quer mais bancar. É difícil arrumar patrocínio. Eu mesmo já tentei levar os times de camisa para o interior do estado para ver se as prefeituras querem bancar e levar para estes torneios nacionais, mas elas não querem”, disse José Sebastião Ferreira, diretor-técnico da Federação.
O desafio é ainda maior para os clubes menores. O fechamento da sede social e do complexo esportivo do América Football Club para reformas, em junho de 2014, fez com que o clube formalizasse uma parceria com o Helênico Atlético Clube para seguir no futsal. A tradicional camisa do América é usada nas categorias sub-15 e 17. Nas inferiores é a do Helênico que entra em quadra. São mais de cem atletas nesta mescla entre os dois clubes. As duas comissões técnicas também foram unidas. Pelo futsal do Mecão já passaram jogadores como Athirson e Marco Brito.
“A parceira está sendo positiva. Nós tivemos de refazer toda essa questão de logística. Os garotos e os pais deles eram acostumados a vir ao nosso ginásio e tiveram de criar o hábito de ir ao Rio Comprido. Essa foi a única barreira que enfrentamos”, disse José Vicente Nóvoa Cavalcante, vice-presidente de Esportes Olímpicos do América.
O Madureira Esporte Clube continua a pleno vapor, disputando os torneios da Federação e da Rio Futsal (Liga esportiva que possui uma grande adesão dos clubes que não conseguem pagar as taxas da Federação Carioca), o Tricolor Suburbano mantém sete categorias de base. Para cuidar de tantas crianças, o clube possui 12 profissionais contratados. A estratégia é movimentar os atletas e deixar todos em ritmo de competição.
“A cobrança em cima dessas crianças é muito grande, tanto dos pais quanto da própria competição. Então nossos treinadores têm de ser os mais didáticos e cuidadosos possível”, disse José Luiz Ganança, Vice de Futsal do Madureira.
Luiz Antonio (volante do Flamengo), Lenny e André Lima são só alguns exemplos de atletas dos gramados que passaram pelo futsal do Madureira. Sem cumprir as dimensões oficiais para os jogos de um time adulto, o clube está com um projeto para, daqui a no máximo dois anos, aumentar sua quadra. O Tricolor é mais uma das equipes que sofrem com o abandono do esporte no Rio.
“Nosso problema é o mesmo do restante do Rio. Lido com futsal há mais de 30 anos e o Rio está morto. A Federação teve uma mudança. O presidente é novo e ele está buscando resgatar essa tradição que o Rio tinha. Nós estamos confiando no trabalho deles, tanto que apoiamos essa chapa nas últimas eleições. Mas o futsal, por não ser um esporte olímpico, tem muitas dificuldades. Batemos na porta de empresas grandes e a burocracia deixa tudo mais difícil”, comentou o dirigente, que também reclamou da postura dos clubes de camisa no assédio aos jogadores do Madureira.
“Existe o assédio sem ética e moral. O nosso presidente tem visto se ele consegue diminuir esse assédio, mas acho complicado isso mudar. Eles abordam os pais nos jogos e levam os atletas. Tive um jogo com o Vasco, recentemente, e eles foram tiram um jogador meu, mesmo com o campeonato em andamento e eles não podendo inscrever esse atleta. Eles teriam de falar comigo antes: ‘Posso convidar aquele atleta para jogar no Vasco?’. Claro que não vou atrasar a vida de ninguém. Já trabalhei no Fluminense, no Botafogo e no próprio Vasco. Infelizmente, há dirigentes que pensam mais em enfraquecer os adversários do que no bem-estar das crianças.”
A Associação dos Servidores Civís da Aeronáutica (ASCAER) é uma das equipes mais tradicionais do futsal carioca. O clube da Ilha do Governador foi um dos formadores do jogador Diego Souza, meia ex-Fla, Flu e Vasco. O último talento gerado foi Wesley David de Oliveira Andrade, o “Gasolina”, atualmente atleta do Flamengo e com passagem pela seleção brasileira sub-15. Jogando a Rio Futsal, o ASCAER já faz planos para retornar aos campeonato promovidos pela Federação. Para cumprir esta meta, o clube tenta fechar com alguns apoiadores.
“A parte financeira é a minha maior dificuldade. Meu grupo de trabalho tem nove profissionais formados e remunerados. Dentro do clube nós temos pais que são empresários e acabam virando parceiros neste sentido. Se conseguirmos voltar à Federação, nossa ideia é manter os nossos garotos do primeiro ano na Rio Futsal para dar ritmo de competição para eles”, disse Alexandre Duarte, Coordenador do ASCAER.
São mais de 100 crianças, entre os que jogam torneios e os que apenas treinam, em quatro categorias do sub-7 ao 13. Mesmo sendo um clube de servidores da Aeronáutica, filhos de não-militares também podem participar do processo seletivo para atletas. O ginásio é um dos orgulhos do ASCAER, que pede mais apoio dos empresários e comerciantes da Ilha do Governador.
“Nosso ginásio está sempre cheio e é um dos melhores do Rio. Eu até brinco, às vezes, dizendo que o ginásio é um dos únicos que não tem problema com goteiras em dias de chuva. A reforma que fizemos foi de qualidade, não foi só uma mãozinha de tinta. O ASCAER é um dos clubes pequenos que mais cede jogadores aos clubes de camisa. Hoje nós somos o maior representante da Ilha. Mesmo com vários clubes por aqui, só o ASCAER disputa competições. Sinto falta dos empresários do bairro em ajudar mais. Nós oferecemos até cesta básica para algumas crianças. Se 1% dos empresários ou comerciantes da Ilha me ajudasse, eu teria um estrutura ainda melhor para dar suporte para as minhas crianças”, comentou Alexandre.
O Grajaú Country Club é um oásis no meio do deserto. O clube tem time no adulto, um dos poucos na cidade, e mantém outras quatro divisões de base, com vinte atletas em cada. Na Federação, o Country disputa as séries Ouro e Prata, uma é destinada aos atletas de segundo ano e a outra para os de primeiro. Atual campeão estadual sub-20 da FFSERJ, o time será o representante carioca na Taça Brasil, em Minas Gerais, deste ano.
Enquanto não começa o Campeonato Carioca, o clube manterá o seu time adulto em atividade na liga UFSERJ (União de Futsal do Estado do Rio de Janeiro). A equipe foi montada sem patrocinadores e, segundo o vice-presidente de esportes Mário Leão, são os próprios atletas que procuram o clube por conta da sua tradição nas quadras. O dirigente busca apoio para melhorar as condições oferecidas aos atletas. Na campanha que rendeu o título do Estadual Sub-20, o Grajaú contou com um patrocinador. Para este ano, as partes já estão conversando para renovar o apoio e estendê-la ao adulto.
Julio Cesar (goleiro), Juan (zagueiro), Luisinho e Bismarck (ex-Vasco) passaram pelo Country. O clube conta com três quadras, duas secundárias e uma principal. Na maior delas, o sistema de iluminação foi todo renovado e o piso é de tábua corrida. As outras menores são de taco e de concreto liso.
“Vitória com força de vontade”. Essa frase define o momento vivido pela Associação Atlética Vila Isabel . O clube acerta os últimos detalhes para recolocar sua garotada em cinco categorias dos campeonatos promovidos pela Federação Estadual de Futebol de Salão do Rio. A estreia deve acontecer no segundo semestre deste ano. Para o retorno, o clube fez uma reforma na quadra e a pintura foi refeita. Os reparos na parte elétrica e iluminação do ginásio tiveram a ajuda do pai de um dos atletas, que fez o serviço. A agremiação não tem patrocínio, mas os parceiros informais estão dando uma forcinha para as crianças. A Ícone forneceu o material esportivo, a Coral disponibilizou o material para reforma da quadra e o Burger King dá os lanches para os atletas. O comércio do bairro também foi mobilizado na missão em prol do Vila. Dezenove lojas pagam cem reais mensalmente.
“Eu mostrei para eles que o clube mexeria com as crianças. A nossa escolinha é grátis. Eu ofereço adesivos na quadra e agradecimentos aos apoiadores. Vila Isabel é um bairro fantástico e somos um clube tradicional e é só com isso que eu fui atrás dos caras. Se pedir R$ 200 ou R$ 300 eles correm de você. Eu, como comerciante, tenho uma credibilidade na região que acabou me abrindo portas”, disse Jorge Mendes, vice de esporte da Associação Atlética Vila Isabel.
Sem jogar campeonatos de futsal desde 2008, o clube montará suas equipes com os meninos da escolinha. São 80 alunos e os professores serão aproveitados também na comissão técnica das equipes do Vila. As reformas tiveram reflexos no quadro social, que aumentou após a repaginada na sede. Sem previsão para montar um time adulto, a agremiação está focada nas categorias de base. Aluguel da quadra e mensalidades são as principais fontes de renda.
“No basquete nós não começamos do zero, foi do menos 30. Não tinha bola, nem tabela, absolutamente nada. O aluguel da hora no basquete é mais caro e somos a única quadra com tabela para alugar por aqui. Só essa semana eu tive cinco ligações telefônicas procurando nossa quadra para jogar basquete e assim vai, vamos sobrevivendo”, revelou o dirigente, que pediu mais apoio aos clubes de bairro.
“Eu preciso de movimentos. Recebo ligações elogiando e falando que vão me ajudar, mas essa ajuda é só ir até lá e desfrutar do clube. Pôr a mão no bolso ninguém põe. Tirando os grandes que têm recursos e o Tijuca Tênis, eu quero que me falem um que não esteja falido. São impostos, dívidas, tudo contra. Incentivo não existe por parte do Governo”, completou Jorge.
No bairro do Méier, o Sport Club Mackenzie “vai bem, obrigado”. Presente nas séries Prata e Ouro da Federação Carioca em seis categorias, o clube ainda conta com um time feminino e masculino adulto. No verão, a sede social fica lotada. Segundo o vice de esportes, são quase 60 mil frequentadores, em média, nesta estação. Quando os meses mais quentes do ano passam, este número cai para 20 mil.
Atual vice-campeão carioca adulto masculino, para este ano, a agremiação deve apostar nos atletas já conhecidos pela comissão técnica, contando com alguns reforços do futebol de campo e completando com jogadores do sub-20, pratas da casa, para montar sua equipe na categoria principal. Caso ainda haja alguma carência no elenco, o clube não descarta fazer contratações de peso.
A quadra está em boas condições de uso, mas não atende ao tamanho mínimo estabelecido pela Federação. Por conta disso o clube está estudando onde poderá mandar seus jogos. As Vilas Olímpicas da Mangueira (favorita na lista) e de Caxias, além da quadra do Grajaú Country, surgem como as opções. Índio, Andrey, Evander e Mosquito (Vasco), César e Muralha (Flamengo) e Allan (Udinese) são alguns dos jogadores do futebol de campo que já passaram pelo futsal do Mackenzie.
Com o dinheiro captado nas mensalidades, sobra pouco para investimentos. A arrecadação é basicamente para pagar funcionários, impostos e a manutenção estrutural da sede. Nos aluguéis para eventos e shows terceirizados, o clube assume o funcionamento do bar e seus lucros, deixando o resto para os contratantes.
“Nesse sistema nós ganhamos pouco, mas não nos colocamos em risco. Acho que a maioria dos clube trabalha desta forma hoje em dia”, disse José Marcos Braziellas, vice de esportes do clube.
Depois de Ronaldo e Vander Carioca, o Social Ramos Clube continua com bons olhos para encontrar talentos. No ano passado um “furacão” chamado Caio Silvestre passou pela quadra do clube. O jovem marcou nada menos do que 105 gols em dois torneios na Liga Rio Futsal, tornando-se o recordista da entidade e ajudando o clube no título do Campeonato Carioca do 1º semestre de forma invicta. Hoje, o atleta está no sub-14 do futebol de campo do Flamengo, mesmo destino do seu companheiro de equipe Braian Salles. O Social mantém quatro categorias até o sub-15. São quase 50 crianças vestindo as cores do clube de Ramos.
“Diferentemente de tantos outros clubes de bairros, o nosso está numa crescente. Eu peço que as pessoas que gostam dos clubes de bairros que elas retornem para eles, senão eles vão acabar”, revelou Cesar Augusto Barros, gerente do Social Ramos Clube.
O Marã Tênis Clube revelou jogadores como Edmundo, Djair, Léo Lima, Lennon (Cabofriense) e Deivid (ex-Flamengo). O clube está, aos poucos, retornando aos torneios organizados pela Federação do Rio de Janeiro. Antes, apenas participava da Liga Rio Futsal. O supervisor José Cezarino de Almeida, frequentador do Marã há 53 anos, diz que foi graças ao apoio do pai de um dos atletas que o clube começou o caminho de volta à Federação. São quase 100 jovens entre escolinha e atletas federados do sub-7 ao sub-17. O ginásio passou por uma pintura e o placar eletrônico está novinho em folha.
“Nosso grande problema é que a gente faz atleta para os outros. Tínhamos um garoto bom aqui e veio o Fluminense e levou. Precisamos de alguém que segure esses jogadores nos clubes de bairro”, disse José Cezarino, supervisor do Marã.
Na Zona Oeste, o Jacarepaguá Tênis Clube colhe os frutos de um trabalho árduo. Presente em cinco categorias dos campeonatos promovidos pela Federação de Futsal do Rio de Janeiro, a agremiação já estuda o ingresso na sexta. A quadra passou por uma reforma no teto e o clube já se prepara para pintar o ginásio.
Do “Grilo” já saíram Wellington Silva (jogador do Arsenal que estava emprestado ao Almería, da Espanha), Rafael (goleiro do Bonsucesso), Diego Maurício, Negueba e Wescley (Paraná Clube). Hoje são quase 100 atletas. O clube ainda mantém um projeto paralelo para captar novo talentos. Atualmente, cerca de 60 crianças estão no programa, que não cobra mensalidades para jovens carentes. Formador assumido, o Jacarepaguá não se incomoda com o assédio dos “clubes de camisa” em seus jogadores. Pelo contrário, trata isso como um “movimento natural”.
“É a realidade da vida. Os grandes formadores são os times pequenos. Não é culpa do grandes. Eles têm maior facilidade de pegar jogadores bons. Quem não quer jogar pelo Flamengo, Vasco? Hoje eu tenho dois atletas meus no Fluminense. Tenho dois garotos do sub-17 que nós fizemos das tripas coração para eles ficarem aqui e não irem para o Fluminense. São craques”, disse Antonio Alves, gestor do Jacarepaguá.
A Vila da Penha é o bairro onde vive o Mello Tênis Clube . De lá já saíram jogadores como Fellipe Bastos, Vitinho (ex-Botafogo) e Rafinha (Fluminense). Hoje são aproximadamente 130 jovens em seis categorias. O clube está nas séries Ouro e Prata da Federação de Futsal do Rio, onde acredita que seus jogadores terão uma melhor visibilidade do que em ligas paralelas. A ida de crianças para fazer testes no time ainda é feita na base do boca a boca.
Para jogar na Federação, o clube teve de consertar o seu placar eletrônico, uma exigência da entidade. Já está nos planos uma troca de telhas, que foram danificadas após uma chuva de granizo na região. O diretor afirmou que o assédio em seus jogadores é tanto de clubes grandes quanto de pequenos.
“Nós tínhamos um pré-mirim aqui que o treinador trocou de time e levou todos os atletas com ele para o novo clube. Meu time da categoria chupetinha do ano passado foi diluído, cada um foi para um canto: Vasco, Fluminense”, disse André Luiz da Silva Machado, Diretor de futebol do Mello.
O clube depende do quadro de associados para entrar nos campeonatos. O presidente Dedeco é um dos responsáveis por manter a tradição do clube nos torneios de futsal. O apoio dos pais também é fundamental. Quase todos se tornam sócios do Mello e, com isso, contribuem financeiramente nas mensalidades. Mesmo sem um patrocinador, o clube já montou um projeto para ser apresentado aos empresários interessados em ajudar.
Localizado às margens da Marina da Glória, o Clube de Regatas Boqueirão Passeio é um dos fundadores da Federação de Remo do Estado do Rio de Janeiro e possui diversos títulos na modalidade. Em quadra, também não faz feio. Depois de perceber que o nível técnico da sua escolinha estava alto, o presidente Mário Emerenciano resolveu apostar na molecada e se lançou em uma competição. Com o apoio dos pais dos atletas, o time está atuando na Liga Rio Futsal. São mais de 60 crianças, do sub-9 ao sub-17. Com menos de cem sócios pagantes, o clube não consegue nem pagar a folha salarial dos funcionários com a arrecadação de mensalidades.
“Quando não há treinos, nós alugamos a quadra. Dentro do clube nós também temos um espaço que é para locação comercial e outro para eventos, bailes, já fizemos até shows da FM O Dia. Meu desabafo é essa abandono do poder público. Principalmente para os clubes de bairros. Se não fossem essas locações nós não existiríamos. A gente está sufocado e respirando por aparelhos. Nosso time não é tão tradicional no futsal porque nós nunca precisamos jogar campeonatos. Só aqui dentro a gente fazia torneios com mais de cem pessoas em todas faixas etárias, de crianças aos veteranos”, disse o presidente Mário Emerenciano.
A quadra do Boqueirão possui um placar eletrônico, que foi comprado recentemente, mas está sem uso por conta de uma bolada. O conserto já foi feito e o aparelho só aguarda sua instalação. O piso é de concreto liso e está com a pintura recente.
“O Douglas Barbosa é nossa maior joia. Ele esteve no Flamengo e hoje treina no Vasco, tem 19 anos. Todos clubes assediam nossos jogadores. Até mesmo os clubes pequenos, mas com mais visibilidade do que nós”, encerrou o presidente do Boqueirão.
Paulo F.
12 de maio de 2015 1:02 amFidel e Hollande
Do Diário de Notícias de Lisboa
Visita histórica de Hollande a Cuba, com direito a um encontro com Fidel Castro
por Susana Salvador Amanhã
O presidente francês esteve com o líder histórico da revolução cubana. Horas antes, defendeu o fim do embargo norte-americano
O encontro não estava na agenda do presidente francês, o primeiro líder europeu a visitar Cuba desde a aproximação entre Havana e Washington, mas acabou por se concretizar. François Hollande pediu e foi ontem recebido pelo ex-líder da revolução cubana, Fidel Castro, às 15.00 locais (20.00 em Lisboa). O encontro ocorreu já depois de o presidente francês, num discurso na Universidade de Havana, ter pedido o fim do embargo dos EUA à ilha. Segundo o Eliseu, ambos tinham previsto falar de Defesa e Ambiente.
Antes de chegar a Cuba, o presidente francês tinha-se mostrado “disponível” para se encontrar com o ex-líder cubano, de 88 anos. Afastado do poder desde 2006 por problemas de saúde, Fidel é raramente visto em público, recebendo esporadicamente em sua casa os líderes que passam pela ilha. O encontro não foi aberto a jornalistas, mas o filho de Fidel, Alex Castro, costuma tirar fotografias neste tipo de ocasiões. As imagens são depois publicadas no jornal oficial do Partido Comunista Cubano, o Granma.