Os dados publicados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas), no dia 2 de abril, deixaram claro que a indústria não se recuperou apesar do gigantesco volumes de recursos públicos repassado.
A queda no mês de fevereiro foi de 2,5%, após ter registrado um índice oficial de crescimento de 2,6% no mês anterior. Na comparação com fevereiro de 2012, a queda foi de 3,2%. O recuo de 2,5% em fevereiro foi o mais intenso desde dezembro de 2008, quando a queda tinha sido de 12,2%.
A principal queda aconteceu no setor de veículos automotores, cuja produção diminuiu 9,1%. Também houve quedas fortes em 15 dos 27 ramos investigados. A categoria de bens de consumo duráveis apresentou queda de 6,8%. A produção de bens de consumo semi e não duráveis caiu em -2,1% e a de bens intermediários em -1,3%.
Em 2012, por exemplo, a produção industrial caiu 2,8%; em 2011, tinha ficado estagnada. A balança comercial do setor apresentou em 2012 o maior déficit da história, de US$ 50,6 bilhões. O peso da indústria no PIB brasileiro é o pior dos últimos 50 anos, com 13,3%. Em 1985, tinha sido de 27%. A economia está direcionada para a exportação especulativa de meia dúzia de matérias primas destinada à especulação financeira e para o consumo de produtos que, na maioria, são importados.
O único fator de otimismo se relaciona com as previsões estapafúrdias do governo, dos capitalistas e da imprensa burguesa. Por trás da tentativa de mostrar esse certo otimismo está o grande saque promovido em cima do orçamento público. As contas públicas são fechadas de acordo com a arrecadação prevista para o ano. Por esse motivo, o percentual do PIB vai sendo reduzido no decorrer do ano; a diferença é fechada por meio do aumento do endividamento público, o que, na prática, se traduz no comprometimento de um percentual maior da parte do orçamento do ano seguinte destinado ao pagamento dos serviços da dívida pública, que hoje já supera os 45%.
As “novas” medidas do governo: mais do mesmo neoliberalismo
As medidas do governo para tentar conter o aprofundamento da crise continuam sendo mais do mesmo. Mais uma vez, pela quarta vez, a redução do IPI foi mantida no setor automotriz e também foi renovada para o setor de linha branca. Mas se trata de uma medida artificial. Em grande medida, essas medidas têm levado os capitalistas a uma corrida desesperada para manter as taxas de lucro, o que envolve o aumento das importações e, como consequência à continuidade do processo de desaceleração industrial.
Nem com 15 “pacotes de incentivo” o governo conseguiu promover o crescimento industrial. Os investimentos privados estão paralisados e direcionados diretamente à especulação financeira. A dependência parasitária dos recursos públicos transferidos em condições hiperfavoráveis, por meio de vários mecanismos, é absoluta e pode ser observada em todos os setores da economia. Mesmo assim, a aversão ao risco tem disparado. Para que os capitalistas iriam se envolver em atividades produtivas, com todas as dificuldades envolvidas, como vendas em queda, greves etc, quando fica muito mais fácil parasitar no mercado financeiro?
Segundo uma recente pesquisa realizada pela Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), neste ano, a indústria brasileira de transformação investirá 9,5% menos que em 2012.
Uma economia em recessão pode ser movimentada em cima da venda de veículos e da especulação imobiliária? Obviamente, as limitações são enormes e o potencial explosivo também. Com esses mercados saturados pela enxurrada de crédito viabilizada em cima de fartos recursos públicos, é natural a inadimplência continuar aumentando e as pressões inflacionárias ficarem ainda mais fortes assim que as isenções tributárias forem suspendidas. A queda na arrecadação continuará erodindo as contas públicas. Ou seja, o governo brasileiro, fortemente amarrado pelo imperialismo e pela especulação financeira, não tem para onde correr.
A produção de bens de capital está aumentando?
Segundo o IBGE, a produção de bens de capital teria registrado um aumento de 1,6% em fevereiro ante janeiro, e de 9,1% em relação a fevereiro de 2012. Mas em 12 meses, houve uma queda acumulada de 7,8%.
A produção dos chamados bens de capital referencia a produção de meios de produção, ou seja, a garantia da expansão industrial.
Como é possível que a produção de meios de produção tenha aumentado enquanto o consumo e os bens intermediários estão em queda (de 5% e 4,4% respectivamente)?
A resposta é relativamente simples e deve ser analisada à luz das múltiplas tentativas do governo para ocultar a realidade. O grosso dos investimentos em bens de capital foram direcionados ao setor extrativista e ao agronegócio, que estão direcionados à exportação especulativa – principalmente, petróleo cru, minério de ferro e soja. O direcionamento das políticas públicas para este setores, imposto pelo imperialismo, provocam a desaceleração industrial.
De acordo com a pesquisa da Fiesp, a queda prevista nos investimentos destinados à compra de máquinas e equipamentos industriais é de 16,4%. Luiz Aubert Neto, presidente da Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos) declarou: “É caro investir no Brasil. É muito mais fácil trazer o produto pronto de fora, porque o retorno sobre o investimento é demorado demais.”
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