O Grupo Fictor protocolou no domingo (1º) um pedido de recuperação judicial no Tribunal de Justiça de São Paulo, informando um passivo aproximado de R$ 4 bilhões. A empresa atribui o agravamento de sua situação financeira à liquidação do Banco Master pelo Banco Central, ocorrida meses antes, que teria comprometido de forma decisiva a liquidez do grupo.
Segundo a companhia, a crise teve início em 18 de novembro do ano passado, data da decisão do BC, classificada internamente como um evento externo que interrompeu uma operação societária em curso. Um consórcio liderado por um dos sócios da Fictor havia anunciado, na véspera da liquidação, uma proposta para aquisição e transferência do controle do Banco Master, operação que acabou inviabilizada.
No pedido apresentado à Justiça, a holding solicita a concessão de tutela de urgência para suspender execuções e bloqueios pelo prazo inicial de 180 dias, conforme prevê a legislação. A empresa sustenta que a medida é necessária para permitir a negociação de um plano de reestruturação, afirmando que não registrava inadimplência antes do episódio e que pretende quitar integralmente os débitos, sem deságio, com renegociação de prazos.
A Fictor argumenta que a recuperação judicial é fundamental para garantir a continuidade das atividades e preservar mais de 10 mil empregos diretos e indiretos. De acordo com o advogado Carlos Deneszczuk, responsável pela coordenação do pedido, as subsidiárias operacionais ficaram fora do processo para evitar impactos sobre empresas viáveis, incluindo a Fictor Alimentos, que mantém unidades em Minas Gerais e no Rio de Janeiro e segue em pleno funcionamento.
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