Guedes já trabalha com crescimento de 1,5% em 2019

Sem projetos para aquecer a economia, ministro diz que a estimativa da taxa de crescimento do PIB caiu porque a reforma da Previdência ainda não foi aprovada

Foto: Agência Brasil

Por Welton Máximo

Na Agência Brasil

A equipe econômica já está trabalhando com uma previsão de crescimento de 1,5% neste ano, disse há pouco o ministro da Economia, Paulo Guedes. Em audiência na Comissão Mista de Orçamento (CMO), ele disse que a reformulação de expectativas diante da demora na aprovação da reforma da Previdência justificou a revisão das estimativas.

“As hipóteses já foram superadas desfavoravelmente. Quando o cenário foi feito em abril, havia expectativa de que a reforma [da Previdência] tivesse rapidez e haveria mais rapidez na recuperação econômica, com 2,7% de crescimento”, disse o ministro. “Temos uma economia que pode se recuperar com certa rapidez se fizer reformas que estão encomendadas. [As estimativas] de crescimento já caiu para 1,5%”.

O ministro reiterou que o país está, há décadas, prisioneiro de uma armadilha de baixo crescimento, com a renda per capita crescendo abaixo de 1% ao ano nos últimos 30 anos. Segundo ele, somente a aprovação da reforma da Previdência e de outras reformas estruturais na economia brasileira permitirá a reversão desse quadro.

“Se o Congresso encaminhar primeiro a reforma da Previdência, depois a PEC [proposta de emenda à Constituição] do pacto federativo, que limita o Poder Executivo e descentraliza atribuições para estados e municípios. Depois a reforma tributária, a abertura da economia e principalmente o que chamamos de crowding in, o que desentope a linha de investimentos”, disse Guedes.

Segundo o ministro, quando os investidores perceberem que há futuro fiscal assegurado, que as reformas garantirão equilíbrio fiscal pelos próximos cinco, 10 e 15 anos, os investimentos privados retornarão à economia. Esse processo não ocorrerá apenas em projetos de infraestrutura, disse Guedes, mas também em áreas sociais, como educação, saúde e saneamento.

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Contingenciamento

Segundo Guedes, a desaceleração do crescimento econômico reduz as receitas do governo e torna necessário o contingenciamento (bloqueio) de verbas do Orçamento. Ele esclareceu que o contingenciamento é temporário e não representa cortes definitivos e se disse confiante de que a aprovação das reformas melhorará o quadro fiscal.

“O crescimento [do Produto Interno Bruto, PIB] caiu para 1,5%, as receitas estão menores ainda. Aí começam os planejamentos de contingenciamento de verbas para frente. Não são cortes, são contingenciamentos. São preparatórios. Tenho recebido colaboração na interlocução com o Congresso, nos fóruns de governadores, de prefeitos. Estou confiante que o Congresso vai implementar reformas e que as reformas vão beneficiar a todos”, disse.

O secretário especial de Fazenda, Waldery Rodrigues, que falou logo após Guedes, confirmou que o próximo Relatório Bimestral de Receitas e Despesas, que apresenta estimativas para a execução do Orçamento, trará novos contingenciamentos.

Regra de ouro

O ministro ressaltou a importância de o Congresso aprovar o crédito extraordinário de R$ 248 bilhões para que o governo cumpra a regra de ouro, que exige que o Executivo peça autorização ao parlamento para usar recursos de títulos públicos para cobrir despesas correntes. Desse total, R$ 200 bilhões dizem respeito às aposentadorias da Previdência Social; R$ 30 bilhões do Benefício de Prestação Continuada (BPC), benefício assistencial pago a idosos de baixa renda; cerca de R$ 10 bilhões do Plano Safra e R$ 6 bilhões do Bolsa Família.

Segundo Guedes, o crédito suplementar reforça a necessidade de reformas que reduzam os gastos obrigatórios do governo, como a da Previdência. Isso porque o governo está pedindo autorização para se endividar para cobrir gastos correntes.

“Estamos à beira de um abismo fiscal, precisamos de um crédito suplementar para pagar despesas correntes. Vamos nos endividar para pagar Bolsa Família, para pagar BPC, o plano Safra e as aposentadorias do regime geral, do INSS [Instituto Nacional do Seguro Social]. Estamos nos endividando para pagar despesas correntes. Deveríamos ter recursos para pagar essas despesas correntes, que é o que a regra de ouro prescreve”, disse.

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Desde o fim de março, o projeto que pede o crédito suplementar tramita na CMO. Sem a aprovação do texto, o governo ficará sem dinheiro para pagar aposentadorias, benefícios do BPC, do Bolsa Família e do Plano Safra a partir do segundo semestre. O projeto abre uma exceção da regra de ouro, que determina que o governo só pode se endividar para financiar investimentos.

 

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6 comentários

  1. A verdade é que Jair Bolsonaro e seu ministreco vagabundo da economia atrapalham o crescimento para beneficiar os Bancos. Em algum momento alguém conseguirá provar que eles estão lucrando em razão da estagnação econômica que impuseram ao Brasil.

  2. Pois é, taxado de “pibinho”, o crescimento de 2,5% do PIB apurado no fim do 1o mandato de Dilma, foi alvo de todo tipo de ataques da grande midia (valor, globo, estadão). Embustes deste tipo eram apenas mais estercos espalhados no jardim cerebral (se existe) dos brasileiros, e foi assim que junto a outras cretinices os hoje comprovadamente lesas-patrias adubaram o terreno para o golpe.
    Mas como apresentar e inflar um problema é sempre muito mais simples que resolve-lo, os golpistas infames colocaram o país ladeira abaixo, em direção ao mais putrido esgoto onde hoje nos encontramos.
    Consumado o golpe, e comprovada a total incompetência dos usurpadores da vontade popular que tomaram o poder da legitima presidenta, aquela mídia infame junto com a parcela golpista homiziada no congresso, na Fiesp, na Firjan e também no meio juridico, diariamente colocam seus narizes de palhaço e, enquanto jogam laranjas para o alto, chegaaram a comemorar como “retomada” resultados de pib (minúsculas aqui são apropriadas) com valor de 0,1% no fim de 2017), e hoje aceitam placidamente este resultado ridículo de 1,5%, previsto por um ministro incapaz.
    Por fim, em relação ao cenário caótico atual, enxergo cumplicidade das empresas, principalmente as multinacionais, na manutenção do desemprego, na queda do índices de serviços e na estagnação do crescimento. Apesar de uma metodologia diferente, entendo esta asfixia econômica no Brasil como similar em objetivos a aplicada na Venezuela: implantar propostas favoráveis apenas ao capital.
    No topo, previdência, privatizações, precarização das relações trabalhistas e entrega de território ao poder estrangeiro.

  3. Esta dupla Bozó e Tchutchuca, precisam ser detidos, a sociedade organizada tem que organizar manifestações principalmente dos mais pobres, dos estudantes e dos trabalhadores que terão a previdência completamente destruída. Sem isto estes dois loucos vão destruir o Brasil

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