Guedes perde liderança da economia para políticos do Nordeste

Para articulista, ministro não consegue oferecer empregos ou segurança aos investidores, abrindo o campo para políticos que trocam votos por dinheiro

Foto: Reprodução

Jornal GGN – O presidente Jair Bolsonaro provavelmente não leu livros fundamentais para entender o Brasil, como Casa Grande & Senzala (Gilberto Freyre), mas tem conseguido capturar eleitores em regiões que podem ser decisivas na eleição de 2022, como o Nordeste – muito por conta do auxílio emergencial pago durante a pandemia.

“Freyre compreendeu a miscigenação como um dos elementos de construção da identidade nacional. É muito criticado por isso. Sérgio Buarque de Holanda (o homem cordial), Raymundo Faoro (patrimonialismo) e Roberto DaMatta (o jeitinho brasileiro) também são acusados de generalizações exageradas e da absolutização de seus conceitos”, explica o jornalista Luiz Carlos Azedo, em artigo publicado no Correio Braziliense.

“(Gilberto Freyre) mostra que a escravidão e o latifúndio fortaleceram a sociedade patriarcal onde o homem branco – o dono da Casa-Grande – era o proprietário de terras, escravos, até mesmo de seus parentes, no sentido que ele governava gado e gente.  Desta maneira, criou-se uma sociedade sempre dependente de um senhor poderoso e incapaz de governar a si mesma”.

E aí chegamos no ponto: a política nordestina é dominada por um patriarcado que manteve costumes culturais e políticos tecidos no Brasil colonial, e Bolsonaro conseguiu fazer alianças com políticos nordestinos tanto pelos seus seis mandatos de deputado federal como por suas relações com políticos do baixo clero, o que também mostra a força de políticos como o ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e o deputado Arthur Lira (PP-AL) na queda de braços com o ministro da Economia, Paulo Guedes, sobre o financiamento do programa social Renda Cidadã.

Na visão de Azedo, “(Guedes) está perdendo a liderança do bando, isto é, da política econômica, para os políticos do Nordeste, que prometem votos a Bolsonaro em troca de R$ 300, porque não consegue oferecer trabalho aos desempregados nem segurança aos investidores. Simples assim”.

 

 

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