O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, confirmou nesta terça-feira (10) que deixará o comando da pasta na próxima semana. A decisão atende ao prazo de desincompatibilização exigido pela legislação eleitoral, que estabelece o início de abril como limite para que ocupantes de cargos públicos se afastem caso pretendam disputar o pleito de outubro.
“Devo deixar o governo na semana que vem“, afirmou o ministro. A expectativa é que o atual secretário-executivo do ministério, Dario Durigan, assuma a vacância. Embora Haddad ressalte que o anúncio oficial cabe exclusivamente ao presidente Lula (PT), ele pontuou que Durigan conta com a confiança do mandatário.
Estratégia eleitoral e o fator Datafolha
A saída de Haddad é um movimento estratégico de Lula para fortalecer o palanque governista no maior colégio eleitoral do país. O presidente vinha pressionando o ministro a aceitar a disputa pelo Palácio dos Bandeirantes para confrontar o atual governador, Tarcísio de Freitas (Republicanos), aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O convencimento final teria ocorrido após a divulgação da última pesquisa Datafolha, no domingo (8), que mostrou um cenário acirrado na disputa presidencial entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL). Diante do risco de polarização extrema, o governo considera a presença de Haddad em São Paulo fundamental para garantir estabilidade regional e palanque sólido ao projeto federal.
“Já anunciei há bastante tempo a minha intenção de deixar o governo. Tenho conversado com o presidente [Lula] sobre São Paulo, vou ter uma conversa também com o vice-presidente Alckmin, com a Simone [Tebet], temos que ver como esse grupo pode ajudar, tanto a qualificar o debate em São Paulo, quanto jogar luz sobre as diferenças sobre o governo atual e o governo passado no plano federal, o objetivo é esse“, explicou o ministro.
Desafios nas urnas
Apesar do otimismo do Planalto, o cenário em solo paulista é desafiador. Segundo o Datafolha, Tarcísio de Freitas lidera isoladamente todos os cenários de primeiro turno, com mais de 40% das intenções de voto. Em uma simulação direta contra Haddad, o atual governador aparece com 44%.
O ministro, contudo, minimiza o foco imediato nos números e enfatiza a construção política. “Estamos conversando, estudando a que concorrer. Ainda vamos discutir. Não é só a candidatura, temos que ver o grupo de pessoas que vão compor a chapa, estamos vendo tudo isso com os cuidados devidos“, afirmou.
Transição na economia
A troca no comando da Fazenda ocorre em um momento de atenção do mercado à sucessão e à continuidade da agenda fiscal. A escolha de Dario Durigan sinaliza uma transição de continuidade, visto que o secretário-executivo foi o braço direito de Haddad na formulação das principais medidas econômicas do último biênio.
A saída marca o encerramento de um ciclo de pouco mais de três anos de Haddad à frente da economia, período em que priorizou a aprovação do novo arcabouço fiscal e a reforma tributária. Agora, o foco do ministro volta-se para a articulação com lideranças como o vice-presidente Geraldo Alckmin e a ministra Simone Tebet, visando consolidar uma frente ampla para a disputa paulista.
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