4 de junho de 2026

Hamlet, ato III, cena 1, por William Shakespeare

Hamlet, em um dos momentos mais profundos de sua reflexão sobre seu destino ante o quadro geral de corrupção no Estado e as pessoas que o cercam:

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Ser ou não ser, essa é que é a questão:
Será mais nobre suportar na mente
As flechadas da trágica fortuna,
Ou tomar armas contra um mar de escolhos
E, enfrentando-os, vencer? Morrer, dormir,
Nada mais; e dizer que pelo sono
Findam-se as dores, como os mil abalos
Inerentes à carne – é a conclusão
Que devemos buscar. Morrer – dormir;
Dormir, talvez sonhar – eis o problema:
Pois os sonhos que vierem nesse sono
De morte, uma vez livres deste invólucro
Mortal, fazem cismar. Esse é o motivo
Que prolonga a desdita desta vida.
Quem suportara os golpes do destino,
Os erros do opressor, o escárnio alheio,
A ingratidão no amor, a lei tardia,
O orgulho dos que mandam, o desprezo
Que a paciência atura dos indignos,
Quando podia procurar repouso
Na ponta de um punhal? Quem carregara
Suando o fardo da pesada vida
Se o medo do que vem depois da morte –
O país ignorado de onde nunca
Ninguém voltou – não nos turbasse a mente
E nos fizesse arcar co’o mal que temos
Em vez de voar para esse, que ignoramos?
Assim nossa consciência se acovarda,
E o instinto que inspira as decisões
Desmaia no indeciso pensamento,
E as empresas supremas e oportunas
Desviam-se do fio da corrente
E não são mais ação. Silêncio agora! 
A bela Ofélia! Ninfa, em tuas preces
Recorda os meus pecados.”

Hamlet, ato III, cena i
 

Wagner Moura como Hamlet na montagem de Aderbal Freire Filho para HAMLET de Wiiliam Shakespeare

Fonte:
Heliodora, Barbara, “Por que ler Shakespeare”, p.81,82; São Paulo: Globo, 2008 (Coleção por que ler / coordenador Rinaldo Gama)

 

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Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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1 Comentário
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  1. rita scaramuzzi

    17 de janeiro de 2014 9:57 am

    eis o dilema: somos

    eis o dilema: somos impulsivos, sonhadores, idealistas…mas a nossa valentia se vai no mar absurdo da corrupção, das leis infindas, da burocracia..a capacidade de reagir se vai pois somos refens do cotidiano que nos massacra, que nos aprisiona  numa redoma… seria uma morte em vida?  perdemos a inocencia e deixamos nos corromper.

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