
Enviado por Webster Franklin
A planilha de registros aeronáuticos da ANAC, atualizada em dezembro do ano passado registrava como operador do helicóptero Agusta A-109, matrícula PT-SDA, utilizado pela família Marinho, o Consórcio Veine-Santa Amália. A Veine é a empresa que, formalmente, é “dona” da Mansão dos Marinho em Paraty, e tem participação de empresas panamenhas, representadas por “laranjas” brasileiros.
A empresa que, como revelou o Viomundo, foi aberta em São Paulo com o nome de MB (Michel Bechara) Jr. Patrimonial e Investimentos Imobiliártios Ltda. e , um mês e meio depois de criada virou a Agropecuária Veine Patrimonial Ltda., transferiu-se para o Rio com dois sócios: o contador Jorge Luiz Lamenza e a a Sra. Lúcia Cortes Pinho.
Lamenza representava, com 90% do capital, a empresa panamenha Blainville International Inc..
Lúcia tinha os outros 10% e foi localizada por este blog, por telefone.
Negou ter tido qualquer ligação com esta empresa, mas reagiu de forma hostil até ao oferecimento de enviar-lhe os documentos oficiais onde consta como sócia, como naturalmente faria uma pessoa que nada tivesse haver com o negócio. Apesar da gentileza com que foi tratada, demonstrou mais irritação que curiosidade e acabou por bater o telefone.
No momento do telefonema, não tínhamos os documentos que provavam ser a agropecuária operadora do helicóptero dos Marinho.
A Veine o operava em consórcio com uma empresa chamada Santa Amália Administracão e Participacões Ltda, localizada na Fazenda Córrego dos Macacos, em Uberaba, Minas Gerais.
Será feito um novo contato amanhã cedo, com nova oferta de envio dos documentos, pois ninguém quer crucificar uma pessoa muito provavelmente utilizada como “laranja”, pois vive em um apartamento de blocos, num bairro da Zona Norte do Rio de Janeiro.
Como a Dona Lúcia não quis que eu lhe mostrasse os documentos, os mostro aqui, na esperança de que ela, amanhã cedo, não queria entrar de gaiato no navio.


altamiro souza
15 de fevereiro de 2016 12:41 pmas provas contra os marinho
as provas contra os marinho aumentam, mas a omissão da casa grande continua amesma de sempre, assim como os que a represntam na mpf e na pf…
Cristiana Castro
15 de fevereiro de 2016 3:02 pmOcorre que diante de tantas
Ocorre que diante de tantas evidências e evidências pesadas o governo não pode colocar um centavo de $$$ público nessas empresas. na verdade fica complicado até manter essa concessão. Em que tipo de negócio o $$$ do contribuinte está sendo colocado. Isso aí é lavagem de dinheiro escancarada e, agora? Como é que fica?
José Carlos Lima...
15 de fevereiro de 2016 12:47 pmDo helicopterio transportando
Do helicopterio transportando meia tonelada de cocaína ao caso Daniel Dantas passando por tantas e tantas Operaçãoes do MPF-PF que não deram em nada. Os senhores da Casa Grande podem pintar e bordar e ningúem se importa com isso, o que importa é levar Lula para o pelourinho e acoitá-lo par deleite dos midiotas
[video:https://www.youtube.com/watch?v=wPo2_LFRMZs%5D
Malú
15 de fevereiro de 2016 12:53 pmÉ bem por aí mesmo, agora os
É bem por aí mesmo, agora os jornalistas investigativos acertaram na mosca, bem no calcanhar de Aquiles da oposição em geral, os Marinhos. Neste país pode se falar mal de qualquer um da oposição, acusar com provas e o escambau de Serra, FHC, Gilmar Mendes, Aecio, etc.. só não pode mostrar provas contra os Marinhos porque aí a oposição se sente ferida de morte. Então, agora acertaram o ponto, é no Triplo M que tem que mirar.
Juliano Santos
15 de fevereiro de 2016 1:10 pmTetra M, Malú, tem o Moro
Tetra M, Malú, tem o Moro
Malú
15 de fevereiro de 2016 1:42 pmPode-se falar até do Moro ,
Pode-se falar até do Moro , desde que não mexa nos negócios dos Marinhos . Para a oposição nada existe acima dos Marinhos , podem até falar, com provas, das outras famílias da imprensa , mas os negócios do Triplo M, são intocáveis .
Marcus Vinicius Cartas
15 de fevereiro de 2016 12:54 pmMansão e helicópteros em nome de laranjas…e os iates?
Magnífica reportagem dos jornalistas independentes da blogosfera! Conseguiram reunir evidências de que a famiglia Marinho não tem a mínima condição ética ou moral para falar de Collor, Renan, Lula & Cia. Percebe-se um nítido padrão de comportamento e modus operandi deste poderoso clã, que utiliza empresas offshore e laranjas para ocultar a propriedade e posse de patrimônio milionário. Falta aos repórteres investigativos apurar em que nome estão os caríssimos iates que servem aos ilustres donos daquela mansão, que muito provávelmente devem estar em nome de empresas de fachada e laranjas.
Cristiana Castro
15 de fevereiro de 2016 1:16 pmÉ isso aí! Tem que apertar o
É isso aí! Tem que apertar o cerco para constranger, MP, PF, Ministério da Justiça e, principalmente, os demais veículos de comunicação.
Uma mansão e um helicóptero na LavaJato e até agora, nada… JD foi preso por uma reforma e um passeio de jatinho.
Webster Franklin
15 de fevereiro de 2016 6:27 pmJá imaginaram o patrimônio
Já imaginaram o patrimônio existente do grupo no exterior? Nova York, Miami, Paris, Londres são os paraisos dos ricos brasileiros!!
naldo
15 de fevereiro de 2016 1:43 pmE muitos que apontam os dedo
E muitos que apontam os dedo para os outros, na maioria das vezes sem razão, deveriam faze-lo em frente a um espelho.
alcarpinteiro
15 de fevereiro de 2016 1:46 pmA agropecuária possui mansão
A agropecuária possui mansão na praia e helicóptero. Agora vemos, finalmente, que possui algo na sua área de interesse: laranja.
Jair Fonseca
15 de fevereiro de 2016 6:38 pmTem boi-de-piranha também. É
Tem boi-de-piranha também. É a parte da pecuária…
Jair Fonseca
15 de fevereiro de 2016 2:53 pmAgora vão investigar.
Está
Agora vão investigar.
Está escrito no helicóptero: PT.
Eduardo Pereira Siqueira
15 de fevereiro de 2016 3:34 pmEsqueceram do iate sem dono…
Esqueceram de investigar o iate que leva o clã Marinho para a Paraty House…
Eduardo Siqueira
15 de fevereiro de 2016 4:06 pmSonegação fiscal está no DNA desta famiglia
Agora a equação se fecha. Caso a famiglia Marinho tivesse pago ao fisco os 800 milhões de reais sonegados sobre os direitos das Copas de Futebol, não estaria com tanta folga de caixa para sair comprando mansões em Paraty, helicópteros Augusta e iates de milionários.
Webster Franklin
15 de fevereiro de 2016 6:19 pmMarinhos não são milionários
Marinhos não são milionários e sim bilionários, Eduardo Siqueira!
peregrino
15 de fevereiro de 2016 5:23 pmSistema Globo de Impunidade…
e nós aqui acreditando que o maior crime da Globo é a manipulção da opinião pública
quão bobinhos nós fomos; e por um tempão
e ainda seremos, seguiremos acreditando que lava jato vai causar a extinção de corrupção
mas não é bem assim não; nunca foi
lava jato é apenas para fortalecer o Sistema Globo de Impunidade
caso contrário – alô! atenção! – a Globo não estaria manipulando a opinião pública
Celio Mendes
15 de fevereiro de 2016 7:28 pmQuando se trata dos Lobos
Quando se trata dos Lobos Marinhos, Tucanos e outros animais da fauna silvestre Moro e sua trupe transformam a operação Lava a Jato em uma operação Não vem ao caso a Jato.
Alecio
15 de fevereiro de 2016 7:36 pmMuitas coisas ESTRANHAS
E o mais estranho, se você consultar essa matrícula PT-SDA (http://www2.anac.gov.br/aeronaves/cons_rab.asp) dessa aeronave vai constar:
Proprietário:BRADESCO LEASING S.A-ARREND.MERCANTILCPF/CGC:47509120000182Operador:VATTNE RJ ADM.E PARTICIPACOES LTDACPF/CGC:23043380000147
Se você consultar o CNPJ da VATTNE vai cair num endereço do RJ, no mesmo endereço situado a empresa http://www.brasif.com.br/, e o e-mail de contato desta empresa é [email protected]
E o e-mail de contato do CONSORCIO VEINE é [email protected]
Posto isso, eu pergunto. Será que a Brasif não tem ligação com essas empresas? Por que o dominio de e-mail dessas pessoas é brasif.com.br?
Alexandre Weber - Santos -SP
15 de fevereiro de 2016 11:52 pmÉ operação da PF?
Você está alertando a brasif?
Webster Franklin
15 de fevereiro de 2016 9:44 pmLondres, a Meca dos corruptos
Londres, a Meca dos corruptos
Por George Monbiot – on 27/03/2015 Categorias: Capa, Crise Financeira, Desigualdades, Geopolítica, Mundo
À frente, a famosa Torre de Londres. Ao fundo, a reluzente porém obscura “City”, núcléo da rede internacional de “centros financeiros offshore” Como o sistema financeiro internacional converteu capital britânica no centro global de reciclagem para riqueza de políticos inescrupulosos, ditadores e crime organizado Por George Monbiot | Tradução: Vila Vudu A conta não fecha. Quase todos os dias, jornais e televisões inglesas estão repletos de histórias que cheiram a corrupção. Contudo, no ranking de corrupção da ONG “Transparência Internacional”, a Grã-Bretanha ocupa o 14º lugar entre 177 nações (1) – significando que estaria entre as nações mais bem geridas da Terra. Ou os 13 países que vêm antes da Grã-Bretanha são espetacularmente corruptos, ou há algo errado com esse ranking da “Transparência Internacional”.Sim, o problema é o índice. As definições de “corrupção” de que se serve são as mais estreitas e seletivas. Nos países ricos, práticas comuns que sem dúvida poderiam ser consideradas corruptas são simplesmente excluídas; já práticas comuns em países pobres são enfatizadas.Esta semana foi publicado um livro bastante inovador, editado por David Whyte: How Corrupt Is Britain? [Quão Corrupta é a Grã-Bretanha?] (2). Deveria ser lida por todos aqueles que acham que Grã-Bretanha merece a posição em que aparece no ranking da “Transparência Internacional”.Existiria ainda um setor bancário comercial na Grã-Bretanha, não fosse a corrupção? Pense na lista dos escândalos: pensões subfaturadas, fraudes hipotecárias, o embuste do seguro de proteção de pagamentos, a manipulação da taxa interbancária Libor, as operações com informações privilegiadas e tantos outros. Depois, pergunte-se se espoliar as pessoas é uma aberração – ou o próprio modelo de negócio.Nenhum dirigente de banco foi indiciado, sequer desqualificado ou demitido por práticas que contribuíram para desencadear a crise financeira: a legislação que os teria coibido ou enquadrado em crimes já havia sido paulatinamente esvaziada, antes, por sucessivos governos.Um ex-ministro do atual governo britânico dirigia o banco HSBC (2) quando este praticava sistematicamente crimes de evasão fiscal (3) e lavagem de dinheiro do narcotráfico, além de garantir serviços a bancos da Arábia Saudita e Bangladesh ligados ao financiamento do terrorismo (4). Ao invés de processar o banco, o diretor da Controladoria Fiscal do Reino Unido passou a trabalhar para ele, ao se aposentar (5).A City de Londres, que opera com o apoio dos territórios britânicos de além-mar e postos avançados da Coroa, é líder mundial dos paraísos fiscais, controlando 24% de todos os serviços financeiros (6) oferecidos offshore.A cidade oferece ao capital global um sofisticado regime de sigilo, dando assistência não apenas a sonegadores de impostos, mas também a contrabandistas, fugitivos de sanções e lavadores de dinheiro. Como disse a juíza de instrução francesa Eva Joly, ao queixar-se que a City “nunca forneceu sequer uma ínfima evidência útil a qualquer magistrado estrangeiro” (7).Reino Unido, Suíça, Cingapura, Luxemburgo e Alemanha estão todos entre os países menos corruptos na lista da Transparência Internacional. Mas figuram também na lista da Rede de Justiça Fiscal (Tax Justice Network) como administradores dos piores regimes sigilosos de investimento e paraísos fiscais (8). Por alguma estranha razão, nada disso é levado em conta para definir o ranking da ONG Transparência Internacional.A Iniciativa de Financiamento Privado (Private Finance Initiative) tem sido usada por sucessivos governos britânicos para iludir os cidadãos quanto à extensão dos seus empréstimos, enquanto canalizam dinheiro público para corporações privadas. Envolta em segredo, recheada de propinas ocultas (9), a IFP tem fisgado hospitais e escolas sempre com dívidas impagáveis, enquanto impede que a população controle os serviços públicos.Espiões do Estado lançam-se à vigilância (10) em massa, ao mesmo tempo em que a polícia trabalha servindo-se de identidades de crianças mortas, mente em tribunais para fornecer provas falsas e incita crianças ao ativismo extremista, além de infiltrar-se em grupos pacíficos, tentando destruí-los (11). As forças policiais já mentiram sobre o desastre de Hillsborough (12); já protegeram pedófilos ativos (13) –inclusive Jimmy Savile e, como hoje se afirma, toda uma gama de dirigentes políticos suspeitos também do assassinato de crianças. Savile foi protegido também pelo Serviço Nacional de Saúde (National Health Service) e pela BBC – que demitiu a maioria dos que tentaram expô-lo (14) e promoveu os que tentaram perpetuar o ocultamento dos fatos.Há o problema de intocado sistema de financiamento político, que permite a compra dos partidos (15) pelos mais ricos. Há o escândalo das escutas telefônicas e dos jornais que subornam policiais; da privatização dos Correios britânicos, o Royal Mail (16), vendido a preços insignificantes; o esquema da “porta giratória”, que permite a empresários e empregados de grandes empresas, depois de eleitos, ficar em posição de redigir leis que defendem seus próprios interesses ou dos respectivos patrões; o assalto à seguridade social e aos serviços prisionais, por empresas privadas terceirizadas; a fixação, por empresas, do preço da energia; o roubo diário perpetrado pela indústria farmacêutica, e outras tantas dúzias de casos semelhantes. Nada disso é corrupção? Ou são operações ‘sofisticadas’ demais para serem expostas sob o seu verdadeiro nome, “corrupção”?Entre as fontes usadas pela Transparência Internacional para produzir seu ranking estão o Banco Mundial e o Fórum Econômico Mundial. Confiar no Banco Mundial para aferir corrupção é como confiar em Vlad, o Empalador, para aferir direitos humanos. Orientado pelo princípio um dólar-um voto, controlado pelas nações ricas e atuando nas nações pobres, o Banco Mundial financiou centenas de elefantes brancos que enriqueceram enormemente as elites mais corruptas e beneficiaram capitais estrangeiros (17), ao mesmo tempo em que expulsava pessoas das próprias terras e deixava países afogados em dívidas impagáveis. Para espanto geral, a definição do Banco Mundial para a corrupção é tão limitada que não considera esse tipo de prática.E o Fórum Econômico Mundial estabelece sua escala de corrupção a partir de uma pesquisa que consulta executivos mundiais (18) — precisamente eles, cujas empresas são beneficiárias diretas do tipo de práticas que estou listando nesse artigo. As perguntas se limitam ao pagamento de propinas e à aquisição corrupta de fundos públicos por interesses privados (19), excluindo o tipo de corrupção que prevalece nas nações ricas. Quando entrevista cidadãos comuns, a Transparência Internacional segue a mesma linha: a maior parte das perguntas específicas concerne ao pagamento de propinas (20).Quão corrupta é a Grã Bretanha? Tão estreitas concepções de corrupção são parte de uma longa tradição de retratá-la como algo confinado a países fracos, que precisam ser salvos por “reformas” impostas pelos poderes coloniais e, mais recentemente, organismos tais como Banco Mundial e FMI. Essas “reformas” significam austeridade, privatização, terceirização e desregulamentação. Elas tendem a sugar dinheiro das mãos dos pobres para as mãos das oligarquias nacionais e globais.Para organizações como o Banco Mundial e o Fórum Econômico Mundial, há pouca diferença entre o interesse público e os interesses das corporações globais. O que pode parecer corrupção de qualquer outra perspectiva é visto por eles como fundamentos econômicos. O poder das finanças globais e a imensa riqueza da elite global estão fundadas em corrupção, e os beneficiários têm interesse em enquadrar a questão para desculpar-se. Sim, muitos países pobres sofrem o flagelo do tipo de corrupção que é o pagamento de propinas a servidores públicos. Mas o problemas que atormentam a Inglaterra são mais profundos. Quando o sistema já pertence à elite, propinas são supérfluas.NOTAS1. https://www.transparency.2. http://www.plutobooks.com/3. http://www.theguardian.com/4. http://www.hsgac.senate.5. http://www.theguardian.com/6. John Christensen, 2015, in David Whyte (ed). How Corrupt is Britain? Pluto Press, London.7. Nicholas Shaxson, 2011. Treasure Islands: Tax Havens and the Men Who Stole the World. Random House, London. http://8. http://www.9. http://www.theguardian.com/10. http://www.theguardian.11. http://www.theguardian.12. Sheila Coleman, 2015, in David Whyte (ed). How Corrupt is Britain? Pluto Press, London.13. http://www.theguardian.14. http://www.theguardian.15. http://www.theguardian.16. http://www.theguardian.17. http://www.18. http://www3.weforum.org/19. http://www.ticambodia.org/20. http://www.transparency
Webster Franklin
15 de fevereiro de 2016 10:06 pmSonegação dos ricos é 25 vezes maior que corrupção nos países em
Sonegação dos ricos é 25 vezes maior que corrupção nos países em desenvolvimento
Por Marcelo Justo, da Carta Maior
Londres – Uma visão muito difundida sobre o desenvolvimento econômico afirma que os problemas enfrentados pelas economias em desenvolvimento e os países pobres se devem à corrupção. Essa visão se choca com um dado contundente da realidade internacional: a China. Nem mesmo o Partido Comunista põe em dúvida que a corrupção é um dos grandes problemas nacionais, o que não impediu um crescimento médio de dois dígitos nas últimas três décadas.No entanto, segundo Jason Hickel, professor da London School of Economics, esta perspectiva oculta um problema muito mais fundamental em termos sistêmicos para a economia mundial: a corrupção dos países desenvolvidos. Trata-se de uma corrupção do colarinho branco, invisível e refinada, que foi uma das causas do estouro financeiro de 2008. Carta Maior conversou com Hickel sobre o tema.Segundo a Convenção da ONU sobre Corrupção, ela custa aos países em desenvolvimento entre 20 e 40 bilhões de dólares anuais. É uma soma considerável. Mas você diz que, comparativamente, a corrupção do mundo desenvolvido é muito maior e tem um impacto sistêmico muito maior. Como chegou a essa conclusão?Jason Hickel: O presidente do Banco Mundial, Jim Kim, fez este cálculo sobre o custo da corrupção no mundo em desenvolvimento. Mas esta soma, sem dúvida importante, constitui apenas cerca de 3% do total de fluxos ilícios que abandonam os países em desenvolvimento a cada ano. A evasão fiscal é 25 vezes maior que essa soma. No ano passado, cerca de um trilhão de dólares fugiram dos países em desenvolvimento e terminaram em paraísos fiscais por meio de uma prática conhecida como re-faturamento, através da qual as empresas falsificam documentos para que seus lucros apareçam em paraísos fiscais nos quais não pagam impostos, ao invés de aparecer nas jurisdições onde as empresas realizaram esses lucros. É claro que isso é só parte do problema. Há outras práticas como o chamado preço de transferência. As multinacionais comercializam seus produtos entre suas próprias subsidiárias para pagar na jurisdição onde o imposto é mais baixo, algo que envolve cerca de um trilhão de dólares anuais, mais ou menos a mesma coisa que o re-faturamento.Por que a evasão fiscal é tão fácil?Jason Hickel: Porque as regras da Organização Mundial do Comércio permitem aos exportadores declarar o que bem entendam em suas declarações alfandegárias. Isso lhes permite subavaliar seus produtos para que paguem menos impostos. Isso não deveria nos surpreender dada a ausência de democracia interna da OMC.
O poder de negociação na OMC está determinado pelo tamanho do mercado e as decisões mais importantes são tomadas em reuniões do chamado “quarto verde”, administrado pelos países mais poderosos, de maneira que o comércio mundial termina sendo manipulado em favor dos ricos.Curiosamente, no índice mais difundido em nível global sobre corrupção, o da Transparência Internacional, se apresenta um panorama exatamente oposto, ou seja, o mundo desenvolvido sofrendo nas mãos do mundo em desenvolvimento por causa dos estragos da corrupção. Qual sua opinião sobre esse índice?Jason Hickel: Ele tem uma série de problemas. Em primeiro lugar, se baseia na percepção da corrupção que há no próprio país. De maneira que os pesquisados não podem dizer nada sobre o que pensam acerca de outros modos de corrupção como, por exemplo, os paraísos fiscais ou a OMC. Em segundo lugar, como o índice mede mais percepções do que realidades, está exposto às narrativas dos departamentos de relações públicas.A narrativa dominante é promovida por um complexo de organizações, desde o Banco Mundial até a USAID e passando por muitas ONGs, que centram o tema da pobreza na corrupção dos próprios países em desenvolvimento. De maneira que não surpreende que os entrevistados terminem refletindo essa visão. Além disso, os índices se baseiam em dados de instituições como o Banco Mundial e o Fórum Econômico Mundial. Estas instituições, que representam países ricos ocidentais, tem interesse direto em manter essa narrativa sobre a corrupção.Dois países que costumam estar na vanguarda de todas estas denúncias sobre a corrupção no mundo em desenvolvimento são Estados Unidos e o Reino Unido. Qual é a situação real destes países a respeito da corrupção?Jason Hickel: Segundo a Transparência Internacional, os Estados Unidos estão bastante livres da corrupção. Segundo a Rede Tax Justice, em troca, os Estados Unidos estão em sexto lugar no ranking da corrupção mundial, devido ao fato de que têm jurisdições secretas que permitem que funcionem como centros de evasão tributária. Além disso, sabemos que a corrupção atravessa o sistema político estadunidense. As corrupções podem gastar dinheiro sem limites nas campanhas políticas para assegurar que seus candidatos sejam eleitos. Assim, não surpreende que mais da metade dos congressistas sejam multimilionários. E há outras formas de lobby político muito mais diretas.Segundo a Rádio Nacional Pública, para cada dólar gasto pelas corporações em tarefas de lobby, elas obtêm um retorno de 220 dólares. E os sistemas regulatórios costumam ser capturados por gente dessas corporações que devem ser reguladas. O exemplo mais óbvio é Henry Paulson, o CEO de Goldman Sachs, que foi Secretário de Tesouro dos EUA e artífice do resgate que canalizou trilhões de dólares dos contribuintes para a banca privada.Em resumo, as corporações abusam do Estado para seu próprio proveito, o que é a definição de corrupção da Transparência Internacional. O Reino Unido é outro grande exemplo. A City de Londres é um dos centros de funcionamento dos paraísos fiscais, de maneira que surpreende que o Reino Unido seja classificado pela Transparência Internacional como um país sem corrupção. E não é a única instância de corrupção. A privatização da infraestrutura pública, tanto do sistema nacional de saúde como a dos trens, permitiu que pessoas como o multimilionário Richard Bransen ganhassem milhões em subsídios estatais para sua empresa Virgin Trains.Isso não elimina o fato de que a corrupção no mundo desenvolvido é real e tem um forte impacto social, econômico e institucional. Como deveria ser um índice neutro e justo sobre o tema da corrupção?Jason Hickel: Certamente que a corrupção no mundo em desenvolvimento é real e não deve ser subestimada como problema. Mas é importante concentrar o olhar em formas de corrupção ocultas. No momento, o mais próximo que temos de um índice objetivo é o elaborado pela Rede Tax Justice. Neste índice, o ranking é elaborado considerando países responsáveis por ocultar cerca de 30 trilhões de dólares de riqueza em países fiscais. Se você olhar a lista verá que os países que encabeçam o ranking são Reino Unido, Suíça, Luxemburgo, Hong Kong, Singapura, Estados Unidos, Líbano, Alemanha e Japão. Estes são os principais centros de corrupção que devemos enfrentar.
Tradução: Marco Aurélio Weissheimer
era infame
16 de fevereiro de 2016 6:47 pmaprofundando bem, numa dessas
aprofundando bem, numa dessas nem a globo é da glob, isto é, dos marinhos…
pode ser do pentágono ou de waal street, sei lá, via esta empresa…
ou os marinhis são testa de ferro do murdoch?
da série viajando na maionese ….
Erica
18 de fevereiro de 2016 3:14 pmSe a justiça fosse atrás da
Se a justiça fosse atrás da origem dos helicópteros brasileiros, temos frota enorme. Uma CPI dos helicópteros, a Casa Grande tremeria.