Imprensa tem segunda chance de fazer jornalismo, em vez de idolatrar Sergio Moro

Para ombudsman da Folha de S. Paulo, Moro não pode voltar ao pedestal que ocupava antes do Intercept revelar relações espúrias na Lava Jato

Foto original: Agência Brasil

Jornal GGN – A ombudsman da Folha de S. Paulo, Flávia Lima, publicou artigo neste domingo (3) afirmando que a imprensa tem uma “segunda chance de fazer jornalismo” agora que Sergio Moro saiu do governo Bolsonaro, mas corre o risco de voltar a idolatrar o ex-juiz em reportagens parciais sobre sua conduta como ministro de Jair Bolsonaro.

A provocação vem na esteira do inquérito autorizado pela Suprema Corte para investigar as acusações de Moro contra o presidente da República, envolvendo suposta interferência na Polícia Federal em causa própria.

No texto, Lima destaca que até o ministro Celso de Mello, ao autorizar o inquérito, pareceu dar mais crédito às acusações de Moro contra Bolsonaro. Foi pouco o espaço destinado pela grande mídia para um exercício em via paralela: levantar quais seriam os crimes do ex-ministro, caso ele tenha, de fato, demorado demais para trazer à tona os desvios de seu chefe.

“A imprensa também parece dar mais valor às falas do ex-ministro. Mas não deveria. Nem Moro nem ninguém deve estar imune a questionamentos”, comenta a jornalista.

Segundo Lima, a mídia não pode esquecer que Moro foi muito “habilidoso” na condução da Lava Jato. As mensagens de Telegram vazadas pelo Intercept Brasil mostraram que ele manteve relações promíscuas com procuradores de Curitiba e soube manipular o que entregava aos jornalistas da grande mídia para publicação. Depois dessas revelações, Moro não pode retornar ao “pedestal” que foi colocado no início da operação.

“Após um início vacilante, a imprensa tem uma segunda chance de fazer jornalismo em cobertura envolvendo novamente a figura de Sergio Moro”, diz Lima.

“Ainda há muitas dúvidas. Se não foi a primeira vez que Bolsonaro demonstrou vontade de interferir em investigações, houve omissão de Moro diante de possíveis atos ilegais do presidente? Moro chegou a atender a algum pedido impróprio? Por que o ex-ministro levou tanto tempo para decidir salvar a sua biografia e por que acreditava que ela estivesse intacta?”, questiona.

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