15 de junho de 2026

Instruções para esquivar o mau tempo, de Paco Urondo

 
INSTRUÇÕES PARA ESQUIVAR O MAU TEMPO
 
Paco Urondo
 
Em primeiro lugar, não se desespere e em caso de agitação não siga as regras que o furacão quererá lhe impor.
Refugie-se em casa e feche as trancas quando todos os seus estiverem a salvo.
Compartilhe o mate e a conversa com os companheiros, os beijos furtivos e as noites clandestinas com quem lhe assegure ternura.
Não deixe que a estupidez se imponha.
Defenda-se.
Contra a estética, ética.
Esteja sempre atento.
Não lhes bastará empobrecê-lo, e quererão subjugá-lo com sua própria tristeza.
Ria ostensivamente.
Tire sarro: a direita é mal comida.
Será imprescindível jantar juntos a cada dia até que a tormenta passe.
São coisas simples, mas nem por isso menos eficazes.

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Diga para o lado bom dia, por favor e obrigado.
E tomar no cu quando o solicitem de cima.
Dê tudo o que tiver, mas nunca sozinho.
Eles sabem como emboscá-lo na solidão desprevenida de uma tarde.
Lembre que os artistas serão sempre nossos.
E o esquecimento será feroz com o bando de impostores que os acompanha.
Tudo vai ficar bem se você me ouvir.
Sobreviveremos novamente, estamos maduros.
Cuidemos dos garotos, que eles quererão podar.
Só é preciso se munir bem e não amesquinhar amabilidades.
Devemos ter à mão os poemas indispensáveis, o vinho tinto e o violão.
Sorrir aos nossos pais como vacina contra a angústia diária.
Ser piedosos com os amigos.
Não confundir os ingênuos com os traidores.
E, mesmo com estes, ter o perdão fácil quando voltarem com as ilusões acabadas.
Aqui ninguém sobra.
E, isto sim, ser perseverantes e tenazes, escrever religiosamente todos os dias, todas as tardes, todas as noites.
Ainda sustentados em teimosias se a fé desmoronar.
Nisso, não haverá trégua para ninguém.
A poesia dói nesses filhos da puta.
 
Paco Urondo (1930 – 1976) foi escritor, jornalista, poeta, militante político e guerrilheiro argentino.

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7 Comentários
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  1. Norberto Ferreras

    16 de maio de 2016 3:36 pm

    Instruções para esquivar o mau tempo

    A bela poesia publicada não é de Paco Urondo, é de Alejandro Robino. Algumas vezes foi atribuída a Paco.

    Mas, faz totalmente sentido para os tempos que correm.

  2. Aracy_

    16 de maio de 2016 3:36 pm

    Muito bom. À nossa direita

    Muito bom. À nossa direita não existe poesia. Como ensinou mestre Mario Quintana, eles passarão e nós passarinho.

  3. GDH

    16 de maio de 2016 4:37 pm

    A poesia dói
    Um poema.
    Um alento.
    Oportuno.

  4. nilo filho

    16 de maio de 2016 6:57 pm

     
    http://pajarorojo.com.ar/?p

     

    http://pajarorojo.com.ar/?p=20387
     

    INSTRUCCIONES PARA CAPEAR EL TEMPORAL

    Por Alejandro Robino*

     

     -En primer lugar, no se desespere y en caso de zafarrancho no siga las reglas que el huracán querrá imponerle
    -Refúgiese en la casa y asegure los postigos una vez que todos los suyos estén a salvo
    -Comparta el mate y la charla con los compañeros, los besos furtivos y las noches clandestinas, con quien le asegure ternura
    -No deje que la estupidez se imponga
    -Defiéndase
    -A la estética, ética
    -Esté siempre atento
    -No les bastará empobrecerlo y lo querrán someter con su propia tristeza
    -Ríase estentóreamente
    -Mófese: la derecha está mal cogida
    -Será imprescindible cenar juntos cada día hasta que la tormenta pase
    -Son cosas simples, sencillas, pero no por ello, menos eficaces
    -Diga hacia el costado buen día, por favor y gracias
    -Y la concha de tu madre cuando lo soliciten desde arriba
    -Tírele con lo que tenga, pero nunca solo
    -Ellos saben cómo emboscarlo en la desprevenida soledad de una tarde
    -Recuerde que los artistas serán siempre nuestros
    -Y el olvido será feroz con la comparsa de impostores que los acompaña
    -Todo va a estar bien si me hace caso
    -Sobreviviremos nuevamente, estamos curtidos
    -Cuidemos a los pibes que querrán podarlos
    -Solo es menester bien pertrecharse y no escatimarnos amabilidades
    -Deberemos dejar a mano los poemas indispensables, el vino tinto y la guitarra
    -Sonreírles a nuestros viejos como vacuna contra la angustia diaria
    -Ser piadosos con los amigos
    -No confundir a los ingenuos con los traidores
    -Y aún con estos, tener el perdón fácil para cuando vuelvan con las ilusiones forreadas
    -Aquí nadie sobra
    -Y eso sí, ser perseverantes y tenaces, escribir religiosamente todos los días, todas las tardes, todas las noches
    -Aún sostenidos en terquedades si la fe se desmorona
    -En eso, no habrá tregua para nadie
    -La poesía les duele a estos hijos de puta.

     

    *​ ​Dramaturgo, Director Teatral, Docente, ha escrito desde 1991 más de diez obras teatrales y dirigido más de veinte entre propias y ajenas. Sus piezas han sido estrenadas y publicadas tanto en Argentina como en el exterior, así como obtenido Premios en la especialidad. Ejerce la docencia en la Universidad de Buenos Aires, en el Teatro del Pasillo y en su taller particular. De continua actividad pedagógica itinerante en su país y en el exterior, ha dictado numerosos cursos, talleres y seminarios en las disciplinas: actuación, dirección, dramaturgia y análisis de texto.

      

     

  5. resistente

    16 de maio de 2016 9:06 pm

    por que tristurar o tempo
    se

    por que tristurar o tempo

    se podemos transformá-lo a partir dessas ruínas

    e desmonstes desse infame governo golpista?

    por que tanta  tristura 

    se podemos costurar novos tempos,

    tecer novas lutas?

    nisso lembrei do poema genial de mauro mota, a tecelã,

    a que tecia todos os vestidos e voltava da fábrica à tarde

    quase nua no onibus  lotado de esperanças… 

    para ecomeçar no outro dia na engrenagem da fiação..,,

    avós, pais, semearam, cultivaram,

    ancestrais perdidos na plantação…

    teces tecendo a ti mesma

    na imensa maquinaria,,,

    dando o sangue à estamparia…

    por que te enroscaste nos golpistas?

    (parafraseio)

    em tanta gente com ademanes ofídicos

    da serpente multifária

    para ti, nem o pano preto de luto….

    navegam fome cansaço

    nas águas negras do rio

    teces tudo para os outros,

    mas  a tua mesa está vazia…

     

    ….

    por falar em vazio, lembrei de uma cena da peça

    do guarnieri, “eles não usam black tie”

    o pai chama para a greve, o filho quer casar, acha

    aquilo uma tolice dos velhos…

    conversam perto de uma poça dágua….

    o pai diz – meu filho, voce está confundindo uma lagoa com um rio!!!

    muita água, então, 

    EU

    deduzo, vai rolar….

    os golpistas auto-devorar-e-ão na lagoa  envenenada por eles mesmos…

    e jamais chegarão ou descobrirão esses mistérios e segredos

    da terceira margem desse rio que um dia transbordará

    de esperanças e de maior alegria…

    vendo os golpístas desesperados na falácia da solidão infame…

     

     

     

     

     

     

     

    1. Jo

      25 de janeiro de 2018 5:10 am

      Obrigado pelo poema. 

      Obrigado pelo poema. 

  6. Jacson Faller

    10 de outubro de 2018 4:30 pm

    Equívoco?
    El texto de Alejandro Robino, empezó a circular a finales de 2015 con el título “Instrucciones para capear el mal tiempo”, adjudicado al poeta, periodista y militante político Francisco Paco Urondo. Aquí un intento de aclarar el mal entendido.

    http://www.agenciapacourondo.com.ar/cultura/instrucciones-para-no-adjudicar-firmas-cualquiera

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