A Frente Parlamentar da População em Situação de Rua da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), coordenada pelo deputado estadual Renato Freitas (PT-PR), convocou uma reunião ampliada para a próxima segunda-feira (19), às 14h, no Plenarinho da Alep. O encontro vai debater a política de internação involuntária de pessoas em situação de rua adotada pelas prefeituras de Curitiba e de São José dos Pinhais.
A iniciativa ocorre após a intensificação de medidas que autorizam o internamento forçado dessa população. No dia 9 de janeiro, uma mulher em situação de rua foi internada de forma involuntária em Curitiba, em uma ação realizada pela Fundação de Ação Social (FAS), em conjunto com a Secretaria Municipal de Saúde e a Guarda Municipal.
Em dezembro de 2025, a Prefeitura de Curitiba publicou a Portaria Conjunta nº 2, que estabelece critérios para autorizar a internação involuntária de pessoas em situação de rua. Ao anunciar a medida, o prefeito Eduardo Pimentel afirmou que se trata de uma “medida dura”, mas necessária para “garantir a segurança da cidade”.
São José dos Pinhais seguiu caminho semelhante. O Decreto nº 6.999, publicado em 15 de janeiro, define “regras gerais” para o internamento involuntário no município.
As medidas vêm sendo alvo de críticas de entidades e movimentos sociais. Em nota pública, o Conselho Regional de Psicologia do Paraná (CRP-PR) manifestou preocupação e reafirmou seu compromisso com os princípios da Reforma Psiquiátrica Brasileira.
“A preocupação reside no risco de que uma medida de exceção seja utilizada como resposta padrão para situações de complexidade social, como a pobreza e a exclusão. Ao deslocar para o hospital responsabilidades que deveriam ser assumidas no território, corre-se o risco de romper vínculos, interromper processos de cuidado em curso e atualizar práticas de institucionalização que a Reforma Psiquiátrica brasileira justamente buscou superar”, afirma o conselho em trecho da nota.
A reunião convocada pela Frente Parlamentar deve reunir movimentos sociais, coletivos e entidades de defesa dos direitos da população em situação de rua. Também participarão representantes da Promotoria de Saúde do Ministério Público do Paraná e a vereadora Giorgia Prates, presidente da Frente Parlamentar das Pessoas em Situação de Rua da Câmara Municipal de Curitiba.
Ato público
Além da reunião na Alep, o Movimento População de Rua convocou uma manifestação contra as internações forçadas também para a próxima segunda-feira (19). O ato está marcado para as 9h, em frente à Prefeitura de Curitiba.
“Internação forçada não é cuidado. É violação de direitos, criminalização da pobreza e aprofundamento da violência institucional”, afirma o chamado do movimento.
Rui Ribeiro
19 de janeiro de 2026 9:05 amPor falar em internação, vou compartilhar o seguinte caso:
– Boa noite, Cumpáde João da Benta
– Boa Noite, Cumpade Zé da Roça. Tudo bem com você, Vizinho?
– Não tô muito bem, não, Cumpade Zé da Roça. Eu tô com galesterol e essa doença tá me maltratando muito. Você não sabe nem dum remédio bom prá essa doença, Cumpáde/
– Olha, Cumpáde, eu também já tive esse galesterol. Me passaram um remédio e eu fiquei bonzin. Só que todo dia eu sinto uma queimação no meu estambo mas eu tô bonzin. Eu tô com a caixa do remédio ali guardada porque se a doença voltar, eu compro outra caixa de remédio. Mas eu posso lhe emprestar a caixa prá você comprar uma caixa prá você, Cumpáde. É tiro e queda.
– O remédio é caro, Cumpade?
– Não é 120 reais a caixa.
– Pois me dê a caixa com o nome do remédio porque eu vou receber meu décimo terceiro e vou comprar o remédio no final do ano. Na hora que eu comprar, eu trago a caixa de volta pro Senhor, meu Cumpáde.
– Tá certo.
No final do ano, o João da Benta foi à cidade comprar o medicamento. Adentrando a farmácia, ele se dirigiu ao Farmaceutico e disse que o Vizinho tinha passado o remédio prá galesterol e perguntou se o tal remédio funcionava mesmo, pois queria comprar uma caixa.
Se aproveitando da matutice e desconhecimento do Caboclo, o Farmaceutico bolou um plano prá vender um remédio 3 vezes mais caro e disse a ele que aquele remédio não valia nada, que remédio bom era o que custava 360 reais e que ele tinha inclusive deixado de vender o remédio passado pelo vizinho, porque não tal remédio não prestava prá nada. Então, como o dinheiro do João da Benta tava contadinho e só dava prá comprar o remédio de 120 reais, ele disse que não ia comprar nenhum remédio, pois o dinheiro que tinha não era suficiente para comprar o remédio que curava seu galesterol, que o dinheiro que tinha só dava prá comprar o remédio que seu vizinho receitou. Quando o João da Benta estava indo embora o Farmaceutico se dirigiu a ele:
– Olha, Amigo, o seu vizinho tem razão. Esse remédio que ele passou é muito bom prá galesterol, eu tava confundindo esse remédio com outro. É a velhice e as preocupações que faz a gente se confundir. Eu tenho esse remédio que o seu vizinho passou e ele funciona direitinho.
Então o seu João da Benta comprou o remédio e foi embora curar seu galesterol.
E viva a hétero-auto-medicação numa sociedade em que saúde é um direito básico da população apenas no papel, sendo, na verdade, fonte de lucro. Quem pode, tem saúde, quem não pode, morra.