6 de junho de 2026

Invasão da Rússia à Ucrânia entra no segundo dia com mais confrontos

Balanço incerto mostra ao menos 150 civis ucranianos e milhares de soldados mortos.
Sputnik Brasil

A invasão da Rússia à Ucrânia entrou no segundo dia com mais confrontos, avanço dos mísseis e tanques nos subúrbios da capital ucraniana Kiev, contrariando as declarações de Vladimir Putin, ao fim do dia de ontem (24), de que a operação militar russa no país havia terminado.

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Do lado russo, Putin argumenta que os ataques não poderiam cessar, com a abertura de negociação e diálogo, enquanto a Ucrânia não se render. O presidente da Rússia pede às forças militares e cidadãos ucranianos que “deixem as armas”.

Foi a declaração do ministro de Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, que afirmou que o objetivo da operação militar especial na Ucrânia não era ocupar o país e dar o poder à Rússia, mas “impedir uma guerra”, lutar contra a ascensão da direita na fronteira e a tentativa de aliar a Ucrânia à Otan.

“Estamos prontos para negociações, a qualquer momento, assim que as forças armadas ucranianas ouvirem nosso chamado e soltarem suas armas”, disse Lavrov, em entrevista coletiva hoje.

Entretanto, a aceitação de diálogo já foi dada pelo presidente da Ucrânia, que insistentemente respondeu que estava “apelando” à Rússia para “sentar na mesa de negociações e parar as mortes”. Apesar de ambas palavras para um diálogo, as atividades militares seguem neste segundo dia, com novos avanços das tropas, tanques e soldados dentro da capital ucraniana.

Apesar da impossibilidade de se contabilizar o impacto real, pelo menos até que o confronto termine, já se sabe que mais de 150 civis morreram e mais de 100 mil pessoas abandonaram a Ucrânia. Logo cedo, a Rússia falava em mais de 450 soldados do país mortos. Somente em uma operação na manhã desta sexta (25), a Rússia narrou ter matado mais de 200 soldados ucranianos.

Logo pela manhã, Kiev acordou com sirenes de ataques aéreos soando, barulhos de explosões e de foguetes e veículos militares russos se aproximando.

“Ataques terríveis com foguetes russos em Kiev”, anunciou o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Dmytro Kuleba, em seu Twitter. “A última vez que nossa capital experimentou algo assim foi em 1941, quando foi atacada pela Alemanha nazista. A Ucrânia derrotou aquele mal e derrotará este”, continuou.

Durante a noite, autoridades ucranianas relataram que um avião russo foi derrubado e caiu em cima de um prédio em Kiev, incendiando-o. O Ministério da Defesa da Ucrânia também afirmou que as forças russas chegaram à região de Obolonskyi, que está a 10 km do centro da capital Kiev. A cidade de Kharkiv, que está em outra fronteira com a Rússia e é a segunda maior cidade da Ucrânia, também escutou explosões e sirenes de ataques aéreos nesta sexta (25).

Do lado ucraniano, a menor capacidade militar fez com que o governo estimulasse a população a se armar e entrar no conflito.

Nesta quinta (24), o governo estava distribuindo armamento aos cidadãos. Novamente hoje, a Defesa divulgou comunicado para que os moradores da capital, Kiev, relatassem movimentos das tropas russas e se preparassem com “coquetéis molotov para neutralizar o inimigo”.

Apesar de Putin ter declarado, após o primeiro dia de invasão, que o país havia cumprido a sua missão, de desativar bases militares da Ucrânia, os confrontos permanecem e a Rússia ainda busca atingir alvos de infraestrutura militar, aeródromos e aviação.

De acordo com o secretário de Defesa do Reino Unido, Ben Wallace, a Rússia fracassou no primeiro dia e não esperava que os ucranianos fossem lutar tanto. “A Ucrânia está lutando e o presidente Putin não está conseguindo o que queria”, disse à agência britânica Sky News.

Com informações do The Guardian, Sky News e Reuters.

Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile. Coordenadora de Projetos. Repórter e documentarista de Política, Justiça e América Latina do GGN desde 2013.

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