Jacqueline Muniz no Cai na Roda: produzir a insegurança faz pessoas como Bolsonaro ganhar eleições

A antropóloga discorre sobre o tema da segurança pública ao longo de uma hora de entrevista com as jornalistas da redação GGN. Assista a partir das 20h

Jornal GGN – A antropóloga e integrante do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Jacqueline Muniz, fala ao Cai na Roda deste sábado, 19 de junho, sobre a política do medo que vem sendo instituída há décadas no país e que resultou no drástico cenário social atual, que vem perpetuando desigualdades e inseguranças. O programa, tocado pelas mulheres jornalistas da redação GGN, vai ao ar às 20h, no Youtube

Muniz usa o Rio de Janeiro, a capital brasileira que mais sofre com a chamada guerra ao tráfico e a violência policial, para exemplificar sua análise sobre o “marketing do terror” e fala sobre o papel da grande mídia nesse limbo, uma vez que “a economia política do crime depende da dimensão espetacular”. 

“No Rio de janeiro, a política do tiro, porrada e bomba, a construção do discurso da ‘fake guerra’ contra o crime, ganhou uma dimensão de elevada visibilidade em função dos principais meios de comunicação, que estão localizados na capital, como a Globo. Precisamos lembrar que não se faz segurança pública ou não se produz insegurança sem as táticas de comunicação social, porque a insegurança é resultado de alguma coisa, não existe segurança em si, existe estar seguro que é um caminho, um processo, uma resultante e esse caminho é preenchido de informações e a principal fonte do medo é a desinformação. A exposição da arma, o crime ostentação, é uma espécie de som em fúria e tem um propósito publicitário, que é o ‘marketing do terror’”, explica. 

“Quando se maximiza o medo mais se estrutura um projeto de insegurança para proliferar intolerâncias e possibilitar a exclusão. Nós estamos diante de um projeto de poder, portanto, de dimensão ostentatória do armamento, como a própria facilitação do acesso ao armamento (…) Isso porque, diante da insegurança, temos o medo agravado e todos nós abrimos mão das nossas garantias individuais e coletivas de direitos conquistados em favor da defesa da vida no seu imediato e isso faz que a gente não consiga perceber que algum direito nosso está sendo tirado, porque o medo ele reduz nossa capacidade coesão, de resistência e de solidariedade, e passamos a engrenar numa lógica egoísta e predatória”, pontua. 

Para a antropóloga, é o aparelhamento desses aspectos que levam pessoas ultraconservadoras, como Jair Bolsonaro (sem partido), a ganhar eleições. “Produzir inseguranças faz subir as rampas dos palácios estaduais e de Brasília. Produzir inseguranças faz ganhar eleições”, diz. 

“Quanto maior o medo, maior a oportunidade de destituição de direitos pela desinformação, maior a oportunidade de arrendamento dos territórios populares. Então, não se tem guerra, se tem arrendamentos, alugam territórios, o estado funcionando como uma grande agência reguladora do crime”, dispara. 

Ainda neste aspecto, Muniz – que também é Sócia fundadora da Rede de Policiais e Sociedade Civil da América Latina e participou da estruturação de implementação de diversas ferramentas de segurança pública – fala sobre a dificuldade do campo progressista em lidar com o tema.   

“Os setores progressistas têm uma dificuldade imensa de lidar com temas que são de controle social, como refúgio, migrações, a própria segurança e tudo que tem a ver com controle de populações em larga escalada. Há uma dificuldade de produzir esse discurso, porque se você quer governar é preciso lidar com dispositivos de controle e regulação”, analisa. 

Professora adjunta do Departamento de Segurança Pública- Instituto de Estudos Comparados de Administração de Conflitos da Universidade Federal Fluminense (INEAC/UFF), Muniz discorre ainda mais sobre o tema ao longo de uma hora de entrevista com as jornalistas Lourdes Nassif, Cintia Alves, Tatiane Correia e Duda Cambraia. Assista.

Sobre o Cai na Roda

Todos os sábados, às 20h, o canal divulga um novo episódio do Cai Na Roda, programa realizado exclusivamente pelas jornalistas mulheres da redação, que priorizam entrevistas com outras mulheres especialistas em diversas áreas. Deixe nos comentários sugestão de novas convidadas. Confira outros episódios aqui:

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