Justiça decide que Católicas pelo Direito de Decidir não podem se denominar ‘católicas’

De posicionamento feminista, ONG atua no Brasil desde 1993 e defende direito da mulher de ter acesso ao aborto seguro dentro dos casos previstos em lei

Jornal GGN – A ONG Católicas pelo Direito de Decidir não pode mais se denominar ‘católicas’ por determinação do Tribunal de Justiça de São Paulo.

Segundo o jornal Folha de São Paulo, a decisão atendeu a pedido do Centro Dom Bosco, entidade católica de viés conservador que entrou com ação judicial no ano passado tentando censurar o especial de Natal do Porta dos Fundos onde Jesus é retratado como homossexual.

De acordo o relator, o desembargador José Carlos Ferreira Alves, não é “minimamente racional e lógico o uso da expressão ‘católicas’ por entidade que combate o catolicismo concretamente com ideias e pautas claramente antagônicas a ele”. Segundo a decisão da 2.ª Câmara de Direito Privado, do dia 20 de outubro, a organização terá de adequar o estatuto social e extinguir a expressão “católicas” em 15 dias, sob pena de multa diária de R$ 1000. A ONG pode recorrer.

A ONG Católicas pelo Direito de Decidir atua no Brasil desde 1993. Feminista e pró-aborto nos casos previstos em lei (estupro, risco de morte da mãe e anencefalia), a organização trabalha por “justiça social, buscando o diálogo inter-religioso e mudanças dos padrões culturais e religiosos que cerceiam a autonomia e a liberdade das mulheres”.

 

 

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4 comentários

  1. Manda o juizeco José Carlos Ferreira Alves demitir o Papa Francisco então!!! Também está indo contra os “Iluminatti” e a Opus Dei!

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  2. E se colocarem no nome: “Católicas Dissidentes”… o juiz poderá proibir também?
    Que outros brilhantes “argumentos” ele usaria?
    Por essas e outras nasceram o Protestantismo e até a Igreja Anglicana do Henrique VIII.
    E nem precisaram de “juízes”!

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  3. Machado de Assis não alcançaria tamanho disparate em sua crônica mais feroz. Nosso excelentíssimo desembargador por certo considera-se porta voz do Vaticano e apto a prenunciar o próprio Papa. A Casa Verde atende hoje por Judiciário.

  4. Sensata a decisão desse desembargador… De “católica” essa tal ONG só tem o “nome” (pessoa jurídica)… Tal grupo não tem legitimidade nem interlocução nos “ambientes católicos”.
    Se numa sociedade democrática é assegurado a liberdade de pessoas e/ou grupos defenderem o aborto… Não seria democrático não assegurar o direito político e jurídico de cidadãos e/ou entidades representativas se oporem à lassidão de legislações permissivas que legalize, sem legitimidade moral e política, o aborto. A legislação brasileira sobre o assunto é razoável o bastante para assegurar o direito ao aborto, sem que isso agrida à consciência ética humanista.
    É imperioso combater a hipocrisia de grupelhos de direita – de viés religioso – que se opõe irresponsavelmente (por oportunismo político) a qualquer situação passível de aborto, desconsiderando os dramas pessoais… De outra feita, também é necessário confrontar os grupelhos liberais e esquerdistas, que tomados pela mentalidade utilitarista do “meu corpo, minha decisão”, advogam a banalização do aborto. Desde a antiguidade, as histórias dos povos demonstram que diante da banalidade do mal ante à vida humana, tais sociedade engendraram a barbárie.
    Visto de uma perspectiva da crônica dos costumes, não é insensato constatar que o PT foi defenestrado do poder da República por forçar a “mão ideológica” (decisões) sobre a maioria da população… No afã de se manterem no poder, Lula e Dilma, deram espaço político às minorias ruidosas que se imaginavam “empoderadas” o bastante para impor suas pautas ao conjunto da população. É inviável política e socialmente a “democracia das minorias”.
    Para os grupelhos abortistas – liberais e esquerdistas – invariavelmente estratos da classe média, a legalização do aborto em hospitais públicos “aliviaria” o bolso, pois os procedimentos nas clinicas clandestinas montam a quantia de trinta / cinquenta mil reais.
    Na eventualidade da “liberação geral” do aborto as mulheres pobres e periféricas teriam enormes dificuldades de acesso aos procedimentos legalizados. É de fácil constatação que essas mulheres não conseguem de imediato uma simples consulta ginecológica nas unidades básicas de saúde!
    Isso sem aludir à legitima objeção de consciência (ética da profissão) dos médicos da saúde publica quanto a recusa em proceder à pratica médica do aborto “legalizado”.
    O fato é – de uma perspectiva evolucionária – cada feto abortado de uma mulher pobre será um revolucionário a menos no futuro. Para os direitistas e os liberais cada feto pobre abortado atenua-lhes o temor da revolução no médio prazo, e, cinicamente, acreditam que no curto prazo, será um bandido a menos… Convém observar: todo liberal é um direitista em potencial. Isso é fato, de simples constatação sociológica e histórica).

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