La Vanguardia: Bolsonaro hipoteca o futuro do Brasil e eleitores já estão resignados

Medidas liberais de Bolsonaro servem para conquistar algum resultado econômico no curto prazo e abrir caminho para uma agenda de costume e de retirada de direitos de minorias. No final, o Brasil acabará "hipotecando" o seu futuro, diz jornal

Reprodução/La Vanguardia

Jornal GGN – O jornal espanhol La Vanguardia publicou um artigo no último dia 11 onde avalia que há “resignação” por parte do eleitorado de Jair Bolsonaro e que, já nas primeiras semanas de governo, demonstram descontentamento com o fato de que tudo mudou mas continua igual.

Bolsonaro, por sua vez, aposta numa agenda econômica liberal para colher resultados a curto prazo e, com isso, angariar apoio para investir na agenda de costumes que ameaça minorias, prometida aos evangélicos que lhe apoiaram na eleição.

No final das contas, diz o La Vanguardia, Bolsonaro acabará hipotecando o futuro do País, enquanto outras Nações caminham rumo ao progresso.

Por Rafael Mortos

Brasil vive os primeiros dias de Bolsonaro como presidente com resignação

No La Vanguardia

Todos os meios de comunicação internacionais deram um perfil muito preciso do novo presidente do Brasil, Jair Bolsonaro. O sentimento hoje é de resignação.

Principalmente, eram três os perfis de eleitores Bolsonaro: aqueles que compartilham sua ideologia (que são a minoria), que queriam punir o PT (todos e votando com medo) e aqueles que foram levados pela maioria porque eles mostram muito pouco interesse a política (os que são a maioria).

O desencantamento: Mude para que nada mude

Hoje, depois de apenas 1 mês de governo, já existe um certo sentimento de pesar em muitos deles.

Já existem grupos de ex-bolsonaristas que acreditaram numa mudança de tudo e que estão vendo que tudo é o mesmo e que nada parece mudar.

São principalmente dos grupos que votaram para punir o PT e aqueles que votaram com as massas. Para esses grupos, as notícias falsas, algumas delas ridículas, deram-lhes sensações que não correspondiam aos fatos.

Mas o problema é que a maioria no governo é composta por aqueles que compartilham sua ideologia e só estão dispostos a governar por eles, que representam uma minoria e todos eles ultraconservadores.

Classismo: Uma sociedade conservadora

O Brasil é um país muito conservador, mesmo com o governo do PT, a sociedade já era muito conservadora. É uma sociedade muito classista onde a religião é muito presente na vida cotidiana, da política, educação, trabalho ou qualquer outro campo.

E Bolsonaro se aproximou do grupo da Bíblia, porque eles são os mais próximos do povo, aqueles que lhes dão ajuda quando o Estado falha. Estas religiões evangélicas, que têm suas raízes na América pré-Reagan e com a teologia da Prosperidade como uma bandeira para enfrentar a teologia da libertação, que se originou na América Latina, são mais numerosas como cidades ou bairros são mais pobres e prometem uma prosperidade econômica que dificilmente ocorrerá.

Através da religião e em uma sociedade conservadora, o Governo pretende, principalmente, implementar um programa de diretrizes morais e costumes ultraconservadores. Onde as minorias sociais e o meio ambiente serão seriamente ameaçados. Onde os direitos sociais serão afetados por um modelo de vida autoritária, com restrições à liberdade, principalmente em minorias.

Tudo isso com base em um modelo de economia ultraliberal, que veremos como isso é combinado com o nacionalismo, e que é totalmente secundário no programa do governo.

Brasil precisa ser fortalecido

É verdade que o país precisa de muitas medidas, não apenas econômicas, porque seu potencial é enorme e se conforma com pouco, mas o programa econômico de Bolsonaro é secundário, porque é óbvio que, se a economia não funciona, o resto do costumes serão afetados.

É por isso que um presidente ultra-patriótico pretende voltar-se para uma economia ultraliberal, para que os resultados econômicos de curto prazo sejam ótimos e, assim, possam iniciar o processo de reestruturação dos valores morais do país.

O que, na minha opinião, vai levar o Brasil a hipotecar seu futuro vendendo seus principais ativos e vai levá-lo muitos anos atrás em um mundo que está indo a uma velocidade vertiginosa.

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