Lavajatismo é um “desvio” e “agora é a hora de corrigir”, diz Augusto Aras

PGR confirmou que a Lava Jato em Curitiba tem dados sobre 38 mil pessoas. "Que não sirva de chantagem, extorsão", disparou

Jornal GGN – O procurador-geral da República Augusto Aras disse em debate com advogados do grupo Prerrogativas que “agora é a hora de corrigir os rumos para que o lavajatismo não perdure.” O encontro, transmitido ao vivo na noite de terça (28), ainda registrou Aras admitindo que o “lavajatismo” é um “desvio” e confirmando que a força-tarefa de Curitiba construiu, sem critérios claros, uma base de dados que atinge 38 mil pessoas, que podem ser “chantageadas” com as informações.

A questão do lavajatismo foi levada ao debate pela advogada Flávia Rahal, que defense o senador José Serra – que está sendo investigado pelo Ministério Público Eleitoral de São Paulo, que tem copiado o modelo de força-tarefa de Curitiba.

Aras começou reconhecendo que o sufixo “ismo” já denota que “alguma hipertrofia, desvio”, ocorreu na Lava Jato. “Lavajatismo já revela que alguma coisa não vai bem nessa figura. E esse conceito, o lavajatismo, ele há de ser superado pelo natural, bom e antigo enfrentamento à corrupção. O lavajatismo vai passar, mas o enfrentamento à corrupção, não. E é isso que acreditamos, que a questão chavão Lava Jato, que fez papel relevante do ponto de vista de exposição, à época, de uma nova forma de fazer investigação, uma metodologia, um sistema, ele deu lugar a essa hipertrofria, a esse desvio.”

O PGR afirmou, contudo, que não gostaria de “pensar no que de desviante pode ter ocorrido [no passado], mas de corrigir rumos. Não podemos gerir o Ministério Público para trás, precisamos gerir para frente. Que o enfrentamento à macro-criminalidade continue a se fazer do mesmo modo, mas no universo dos limites da Constituição e das leis. O lavajatismo há de passar”, assegurou.

Leia também:  Do golpe à lona: o melancólico fim da Lava Jato, por Tiago Muniz Cavalcanti 

COMPARTILHAMENTO DE DADOS

Antes de falar do lavajatismo, Aras tocou numa questão delicada para a turma de Curitiba: o compartilhamento do banco de dados, que teve de ser obtido por meio de autorização judicial, já que a equipe liderada por Deltan Dallagnol se recusou a entregar as informações solicitadas pela PGR.

Aras revelou que “todo o MPF tem 40 terabytes em todo o Brasil para funcionamento de seu sistema. A força-tarefa de Curitiba tem 350 terabytes e 38 mil pessoas lá com seus dados depositados. Ninguém sabe como foram escolhidos, quais os critérios, e não pode se imaginar que nenhuma unidade institucional se faça com segredos”, disparou.

“Esperamos, quando colhidos esses elementos, não o PGR seja dono do destino de 38 mil pessoas, mas que todo o MPF possa, de forma fundamentada, de forma devidamente instruída, justificar para o que quer saber da vida alheia, para que isso não sirva de bisbilhotice, para que não sirva de chantagem, extorsão, de nenhum propósito anti-republicano”, pontuou.

Confira a partir de 48:28:

 

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7 comentários

  1. Brasileiros clamam por justiça vemos uma quadrilha astuta “brigar” p/omitir mas continua se blindando, comprovado pela INTERCEPT de Glenn Greenwald é quadrilha de traidores do Brasil, descumpridores da CF/88 começando pelo ex-juiz “Moro” cadeia a todos.

  2. Eu vou traduzir a fala de Augusto Aras:

    “A operação já cumpriu o objetivo de prejudicar o partido dos Trabalhadores e impedir Lula de se candidatar, e agora como os procuradores tomaram gosto pelo poder e estão tentando chantagear os meus aliados é hora de acabar com a operação”.

  3. Óbvio, já derrubou o PT e prendeu o Lula, está dando a volta e pegando os queridinhos, estaria na hora de acabar, mas negativo, se houve abusos que os culpados sejam punidos…..essa de acabar de mansinho e jogar a m…pra debaixo do tapete é prevaricação…..

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  4. A melhor maneira de corrigir o lavajatismo seria que as cúpulas do judiciário e do ministério público analisassem seriamente estes desvios e “obrigassem” o CNJ e o CNMP a cumprir suas tarefas de punir de maneira exemplar os responsáveis pelo desvios.
    Poderiam começar revendo os processos fajutos de lawfare e lesa-pátria contra a PETROBRAS, empreiteiras, Lula e demais prejudicados por ações irregulares da lava-jato. Mas aí a imprensa oligopólica vai chiar, já que ela está fazendo todo esforço para esconder notícias como essa e, assim, preservar os seus protegidos e seus interesses pessoais, além de tentar esconder que fez parte do mecanismo lavajatista.
    Quem diria: a briga da direita com a extrema-direita é que ia começar a dar um fim na lava-jato de Moro e de Dallagnol.

  5. É sempre assim: Quando é com essa gente e um tal de vamos olhar pra frente,esquecer o passado,etc e tal.
    Está mais do que na hora desta corja que destruiu o país pagar por seus pecados,camisa preta do Paraná à frente.

  6. Mas tem muita coisa a mais que o Aras nem tocou. Como é que ficam todos os atropelos à constituição cometidos pela turma de Curitiba, incluindo aí o Moro. E o prejuízo monumental que a vazajato deu ao país. Tudo isso tem que ser apurado e muita gente terá que ser presa.

  7. Nassif: não vejo por que tanta surpresa. ArrasEguás, esses Gogoboys estão escorados por baionetas. Eles e seu chefe TogaSuja fazem e desfazem o que bem entenderem. Onde e quando quiserem. A bala que os protege tem sempre razão. As ordens são de fontes diversas. Do dono do Quintal onde moramos; da PraiaVermelha, da QuerênciaDeCruzAlta e, sobretudo, do pico das Agulhas. É o sauveiro em peso, se realizando na pessoa dessa quadrilha (organizadíssima). Com mais de 100 anos de tentativa bolaram uma forma sutil de levarem ao poder um Tenente (promovido Capitão por bravura em ato de terrorismo) com um aparente passado de vínculos com coisas “estranhíssimas” (Marielle que o diga). E veja a tática. Só agora visam outro bando, o do PríncipeParisiense, com todos os crimes prescritos (só PauloMoreninho lascou-se; mas tá bem remunerado). Uma alcateia de cachorros mortos, comandados por um perro senil. Ainda por cima, ajudados pelo maldito Corona, que chegou na hora certa (pra eles) se livrem do aposentados do INSS, de uns indiozinhos e dos periféricos pedintes. Por isto te digo sempre, muito bonito pra a História. Pra quem tem fome e sede (especialmente os injustiçados) isto é bonitinho. Mas leva a quê? Quando muito, um ou outro bagrinho vai pagar o pato. Uma satisfa aos Avivados e PobresDeDireita. A Elite, por já conhecer o resultado, nem se empolgará. A impunidade da “caserna” será (fatalmente) a solução (triunfante) de consenso…

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