17 de agosto de 2026

Lula no primeiro turno? Vitória é considerada difícil, mas possível e depende de mobilizar indecisos contra a abstenção, diz analista

Desafio das campanhas será engajar o eleitor já decidido e atrair quem rejeita a polarização e vê o petista como um "mal menor"
DE VOLTA ÀS ORIGENS - Lula lança candidatura a presidente em 2026 no estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, berço das greves sindicais. Foto: Ricardo Stuckert

A análise da mais recente pesquisa Quaest aponta para um cenário de estabilidade no eleitorado, o qual não se mostra favorável para Flávio Bolsonaro, uma vez que abre margem para que os votos de outros candidatos migrem e os indecisos façam a candidatura de Lula crescer. Atualmente, não há nenhum concorrente posicionado para retirar votos de Lula, o que levanta a possibilidade de uma vitória ainda no primeiro turno. No entanto, vencer no primeiro turno é uma tarefa muito difícil e, caso ocorra, será por uma margem extremamente estreita. Além disso, projeta-se que, em um eventual segundo turno, Lula não apresentará um crescimento expressivo, repetindo o padrão observado na eleição de 2022, já que a maioria dos eleitores situados atrás dele pertence ao campo da direita.

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A análise acima foi feita pelo cientista político e professor da UnB, Thiago Trindade, durante entrevista aos jornalistas Icaro Brum e Lourdes Nassif, apresentadores do programa TV GGN 20 Horas da últimas sexta (14), no Youtube [assista abaixo]. Trindade observou que, diante desse panorama de eleitorado congelado, o grande desafio das campanhas será a mobilização. Segundo o analista, primeira prioridade consiste em engajar os eleitores que já estão decididos para garantir que eles de fato compareçam às urnas para votar. Em um segundo momento, o objetivo é atrair os indecisos, parcela que frequentemente se mostra desacreditada com a política, rejeita a polarização e pode acabar optando por Lula por considerá-lo um mal menor. A definição do pleito dependerá diretamente da capacidade de mobilização desses dois grupos de eleitores.

A entrevista também destaca a estratégia da extrema direita de desacreditar o sistema eleitoral com o intuito de desestimular o comparecimento das pessoas às urnas, visto que o aumento da abstenção historicamente beneficia esse grupo político. Como exemplo desse fenômeno, cita-se a eleição de Doria para a prefeitura de São Paulo, que ocorreu em um contexto de abstenção altíssima. Em contrapartida, na eleição presidencial de 2022, os níveis de abstenção se mantiveram estáveis entre o primeiro e o segundo turno, sem o aumento abrupto que costuma ocorrer historicamente, o que acabou sendo vantajoso para Lula, pois garantiu o comparecimento de seu eleitorado.

Assista ao trecho da entrevista abaixo:

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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