3 de junho de 2026

Lula pede de Gonet compromisso com “a liberdade, a democracia e a verdade”

"Muitas vezes se destrói uma pessoa antes de dar a chance dela se defender e quando são provadas inocentes, não é reconhecido publicamente."
Foto: Ricardo Stuckert/PR

Durante a posse do novo procurador-geral da República, Paulo Gonet, nesta segunda (18), o presidente Lula lembrou a importância do órgão e, sem citar diretamente a Lava Jato, destacou erros que o Ministério Público Federal (MPF) cometeu no processo, que levou o líder à prisão. Em seu discurso, Lula pediu a Gonet trabalhe “somente com a verdade”.

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“O Ministério Público é uma instituição tão grande que nenhum procurador tem o direito de brincar com ela”, disse o presidente. Ele afirmou que o MPF “não pode se submeter a manchetes de nenhum jornal e nenhuma manchete de um canal de televisão”.

Na explícita crítica à Lava Jato, ainda que sem nominá-la, Lula lançou: “Muitas vezes se destrói uma pessoa antes de dar a chance dela se defender e quando são provadas que são inocentes, não são reconhecidas publicamente.”

O presidente ficou preso por 1 ano e 7 meses, entre 2017 e 2019, em processo carregado de incoerências e sem provas que o acusou falsamente de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

“É importante recuperar aquilo que foi a razão pela qual os constituintes enalteceram o Ministério Público: garantir a liberdade, a democracia, a verdade, não permitir que nenhuma denúncia seja publicizada antes de saber se é verdade, porque senão as pessoas serão condenadas previamente. Muita gente não tem condições sequer de serem absolvidas. Eu prezo muito por isso. Houve um momento em que aqui, neste país, as denúncias das manchetes de jornais falaram mais alto do que os autos dos processos. Muitas vezes. E quando isso acontece, se negando a política, o que vem depois é sempre pior do que a política”, continuou.

Hoje na frente dos ministros do Supremo e com o PGR nomeado por ele, absolvido pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que anulou as condenações e considerou a prisão de Lula inconstitucional, o presidente destacou a responsabilidade do órgão.

Lembrando, ainda, da tentativa de golpe e quebra das instituições no dia 8 de janeiro, por bolsonaristas, disse: “Se a gente quiser evitar aventura neste país, como a que aconteceu no dia 8 de janeiro deste ano, se a gente quiser consagrar o processo democrático como o regime político mais extraordinário que o ser humano conseguiu inventar, o Ministério Público precisa jogar o jogo de verdade.”

E pediu à Gonet: “A única coisa que eu peço a você, em nome do que você representará daqui para frente na história desse país, é que você só tenha uma preocupação: fazer com que a verdade, e somente a verdade, prevaleça acima de quaisquer outros interesses. Trabalhe com aquilo que o povo brasileiro espera do Ministério Público.”

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Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile. Coordenadora de Projetos. Repórter e documentarista de Política, Justiça e América Latina do GGN desde 2013.

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