Maia afirma sua saída do DEM, após ACM entregar sua cabeça “numa bandeja para o Palácio do Planalto”

Ex-presidente da Câmara fez longas criticas ao presidente do ACM Neto e afirmou que agora sua prioridade é a oposição ao governo de Jair Bolsonaro

Rodrigo Maia (DEM). | Foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados

Jornal GGN – O ex-presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), não hesitou e fez duras críticas ao presidente de seu partido, ACM Neto, em sua primeira entrevista após deixar o comando da Casa. Além disso, segundo ele, sua prioridade agora é deixar clara sua oposição ao governo de Jair Bolsonaro (sem partido). 

O motivo pelo racha no DEM foi motivado pela derrota de Baleia Rossi (MDB-SP), que tinha o apoio de Maia para presidir a Câmara. Para o ex-presidente da Casa, ACM Neto foi o responsável pelo episódio, já que um dia antes da eleição a legenda deixou o bloco de apoio a Baleia e declarou neutralidade no pleito. 

“Mesmo a gente tendo feito o movimento que interessava ao candidato dele [ACM Neto] no Senado, ele entregou a nossa cabeça numa bandeja para o Palácio do Planalto”, declarou Maia, em entrevista ao Valor Econômico. 

“Deste partido eu não tenho mais como participar porque não acredito que esse governo tenha um projeto, primeiro, democrático e, segundo, de país. Continuo dizendo que o governo é um deserto de ideias. O DEM decidiu majoritariamente por um caminho, voltando a ser de direita ou extrema-direita, que é ser um aliado do Bolsonaro”, continuo.

Maia afirmou que deixará o partido, mas não revelou com qual legenda deve se filiar, apenas garantiu que “será de oposição a Bolsonaro”. “Hoje posso dizer que sou oposição ao presidente Bolsonaro. Quando era presidente da Câmara, não podia dizer. Mas agora quero um partido que eu possa dormir tranquilo de que não apoiará [o presidente]. Não estou criticando aqueles que defendem. Estou dizendo que nesse projeto não há espaço para mim”, afirmou.

O deputado também voltou a falar sobre o impeachment de Bolsonaro e justificou sua posição contra o processo: “O julgamento do impeachment é político e as condições políticas não estão colocadas. Querendo ou não, Bolsonaro tem 30% de ótimo/bom e 40% de ruim/péssimo. A abertura de um impeachment em um momento em que as condições políticas não estão colocadas só o fortaleceria. Tiraríamos da agenda a pandemia e colocaríamos o impeachment. Talvez seja tudo que o ele quer: tirar da frente as milhares de mortes pela pandemia. A gente ia jogar para segundo plano a responsabilidade do presidente e do seu ministro da Saúde por todo o desastre na administração dessa crise, por todas as mortes, e íamos ficar todos discutindo um processo que ele provavelmente sairia vencedor e fortalecido do ponto de vista político”, explicou. 

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Apoie e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Apoie agora

1 comentário

  1. Não posso deixar de elogiar a colocação de Rodrigo Maia neste episódio. Mesmo ele tendo o viés de direita e eu não, não vou me permitir usar antolhos ideológicos. É claro que a pauta dele difere da que eu quero para o Brasil, mas no atual cenário de baixaria, estupidez e hipocrisia generalizada, Rodrigo acena como uma figura sóbria, coerente e que toma posição. Não há grandeza em ser destrutivo para se configurar como oposição.

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome