4 de junho de 2026

Manifestações na Venezuela e no Brasil. O mesmo “modus operandi”.

Ontem houve manifestações na capital de São Paulo. Ocorreu o de sempre. Black Blocs na frente, manifestantes atrás .

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Os primeiros com o mesmo lema: proteger e provocar. Na somatória vandalizar.

O movimento “nãovaitercopa” saiu a propalar: investimentos em saúde, educação, segurança e não gastar bilhões do dinheiro público em construções de estádios. Para poucos se locupletarem.

Seria um debate excelente, se o ano fosse de 2005.

Não é gasto, é investimento. A visibilidade do Brasil. O turismo. A economia dinâmica. A inserção do país nos roteiros dos grandes eventos. Não só os esportivos. A imagem do brasileiro como um novo ator no cenário mundial. O retorno do dinheiro.

Por outro lado: O Brasil é um país pobre. Muitos problemas sociais e de infraestrutura que precisam de investimentos prioritários. Não é o momento de gastar em obras faraônicas. A corrupção. A FIFA corrupta também e etc.

Talvez um plebiscito.

Houve chamamento para protestos nesse ano. Apareceram alguns poucos abnegados. O congresso pouco fez.

Porém , mesmo com o plebiscito e aprovação da realização da copa pela população nada impediria que os insatisfeitos fizessem o que estão fazendo hoje.

“Nãovaitercopa” virou ameaça. Terrorismo.

A esquerda nunca foi unida. A história garante.

A direita sempre usou a desunião ao seu favor. Truculentos que são, se esbaldam na falta de visão dos dirigentes de partidos progressistas.

O apressado come cru e quente, não é mesmo?

João Goulart se viu pressionado tanto pela direita como pela esquerda. Ficou isolado. E deu no que deu.

Estamos no mesmo momento.

Os reais manifestantes deixaram o tal de sem partido e hastearam as bandeiras: PSTU, PSOL, UNE. E gritam e assanham e amedrontam as velhas senhoras de sempre.

Hermann Hesse, prêmio Nobel de literatura e guru do movimento hippies, disse: o burguês é acima de tudo um covarde, qualquer coisa chama a polícia. Ou as forças armadas.

Como recentemente fez Ênio Mainardi. Pregando a volta dos militares ao poder: para por ordem no pardieiro.

Ele e o filho, Diogo Mainardi, são estereótipos perfeitos do burguês covarde.

O sonho dos conservadores nacionais é ver por aqui o que acontece lá, na Venezuela.

Tentam reproduzir o cenário catastrófico (econômico e social) do país de Nicolás Maduro. Apostando no medo da classe média e da elite. Usam o poder financeiro e a mídia para espalhar maldades e hecatombes.

A fim de lastrear o que digo, reproduzo parte do artigo de Ignácio Ramonet, diretor do jornal “Le Monde Diplomatique” em sua versão espanhola, publicado pela Folha de S. Paulo, sábado, 22 de fevereiro.

Ramonet fez uma análise dos acontecimentos venezuelanos e a nova tentativa de golpe de estado. O “golpe lento”. E descreve o passo-a-passo do golpismo. A técnica do Manual, golpista.

“… Apesar de se haver unido sob a liderança de Henrique Capriles, a oposição perdeu quatro eleições consecutivas. Diante desse fracasso, sua facção mais direitista, ligada aos Estados Unidos e liderada pelo golpista Leopoldo López, aposta agora em um “golpe de Estado lento”. E aplica as técnicas do manual quanto a isso.

Na primeira fase: 1. Criar descontentamento ao tirar do mercado produtos de primeira necessidade. 2. Fazer crer na “incompetência” do governo. 3. Fomentar manifestações de descontentamento. E 4. Intensificar a perseguição pela mídia.

A partir de 12 de fevereiro, os extremistas ingressaram na segunda fase: 1. Utilizar o descontentamento de um grupo social (uma minoria de estudantes) a fim de provocar protestos violentos e detenções. 2. Montar “manifestações de solidariedade” aos detidos. 3. Introduzir entre os manifestantes pistoleiros com a missão de provocar vítimas de ambos os lados (a análise balística determinou que os disparos que mataram o estudante Bassil Alejandro Dacosta e o chavista Juan Montoya, em 12 de fevereiro, em Caracas, foram feitos com a mesma arma, uma Glock calibre 9 mm). 4. Ampliar os protestos e seu nível de violência. 5. Redobrar a ofensiva da mídia, com apoio das redes sociais, contra a “repressão” do governo. 6. Conseguir que as “grandes instituições humanitárias” condenem o governo por “uso desmedido da violência”. 7. Conseguir que “governos amigos” façam “advertências” às autoridades locais”.

A esquerda e a direita estão usando desta mesma técnica.

No entanto o Brasil não é a Venezuela. A economia vai bem. Os programas sociais avançam. Lula teve melhor relacionamento com G. Bush do que com Obama. A única desavença foi com o caso de espionagem, governo Dilma.

Mas a direita tem a mesma cara, seja na Venezuela, Equador, Bolívia, Argentina. São antidemocráticos e inescrupulosos.

As manifestações são legítimas e benvindas. Tiram o país do marasmo. Mexem com o governo. E promovem avanços democráticos.

Ameaçar com golpe é que é o grande problema.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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  1. Cezar Pereira

    24 de fevereiro de 2014 3:33 pm

    Democracia

    Se os governos de esquerda são democráticos porque Cuba não promove eleições? E porque as pessoas não são livres para ir e vir? Se o governo dos EUA são de direita e ditatoriais porque lá existem eleições? E porque as pessoas são livres para ir e vir?

    Obrigado pelos esclarecimentos

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