5 de junho de 2026

Máquinas da Hyundai são usadas na destruição da Amazônia, diz Greenpeace

Escavadeiras fabricadas pela Hyundai estão precipitando a destruição da Amazônia e colocando povos indígenas em risco
Máquinas fabricadas pela Hyundai são usadas na destruição da Amazônia. Foto: Greenpeace
Máquinas fabricadas pela Hyundai são usadas na destruição da Amazônia. Foto: Greenpeace

The Guardian

A Hyundai está sendo instada a impedir que seus produtos de máquinas pesadas sejam usados ​​em mineração ilegal e destruição ambiental na Amazônia brasileira.

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Um relatório publicado pelo Greenpeace na quarta-feira constatou que as escavadeiras e outras máquinas pesadas do conglomerado sul-coreano estão precipitando a destruição da floresta tropical e colocando em risco a sobrevivência das populações indígenas.

Em sobrevoos realizados sobre territórios indígenas protegidos Yanomami, Munduruku e Kayapó entre 2021 e março de 2023, o Greenpeace registrou 176 garimpeiros desmatando ilegalmente a floresta. Destes, 75 foram identificados como sendo da marca Hyundai.

Maquinário empurra garimpeiros para áreas protegidas

A chegada nos últimos anos de escavadeiras hidráulicas na Amazônia brasileira acelerou dramaticamente a expansão da mineração ilegal de ouro lá. Uma dessas máquinas pode, em 24 horas, realizar trabalhos que levariam 40 dias para serem concluídos por três homens, disse o relatório.

Essa maior eficiência está empurrando os garimpeiros cada vez mais para áreas supostamente protegidas da floresta em busca de novos depósitos de ouro, disse Danicley de Aguiar, ativista florestal sênior do Greenpeace Brasil.

O The Guardian viu escavadores destruindo terras Yanomami em dezembro passado. Acredita-se que as escavadeiras tenham sido transferidas recentemente para a maior reserva indígena do Brasil, onde a invasão em larga escala de garimpeiros ilegais combinada com a negligência do governo anterior de Jair Bolsonaro produziu uma catástrofe humanitária.

“A mineração ilegal destrói nossas aldeias, destrói nossa cultura e aniquila nossa tradição”, diz liderança Kayapó

Mas os garimpeiros foram avistados pela primeira vez no território Munduruku, localizado a cerca de 620 milhas ao sul no estado do Pará, em 2014, enquanto a terra Kayapó mais afetada é afetada pelo uso de maquinário pesado desde 2010.

“A mineração ilegal destrói nossas aldeias, destrói nossa cultura e aniquila nossa tradição Kayapó”, disse Doto Takak-Ire, uma liderança Kayapó que há décadas observa o desmatamento, a poluição dos rios e do solo e a desordem social causada pela busca por ouro.

Investigadores do Greenpeace contaram 140 escavadeiras nas terras Kayapó, 88 das quais foram encontradas durante um sobrevoo em março.

Esforços do governo Lula

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, prometeu acabar com a mineração ilegal em terras indígenas, mas o Greenpeace disse que esses números recentes mostram que os esforços das autoridades ambientais para destruir o maquinário não conseguem acompanhar o ritmo em que novas escavadeiras são adquiridas e transportadas nessas áreas.

O relatório argumenta que fabricantes como a Hyundai têm o dever moral de garantir que seus equipamentos não sejam usados ​​para cometer crimes ambientais e violações dos direitos humanos, e diz que as empresas têm a tecnologia para fazer isso.

“Todas as empresas que fabricam escavadeiras já possuem tecnologia de monitoramento remoto, que pode até desligar as máquinas se necessário”, disse Aguiar. “Pedimos que essa tecnologia, que já existe, seja utilizada em colaboração com os órgãos de proteção ao meio ambiente [do Brasil].”

Lucros da Hyundai

A Hyundai, cuja subsidiária de fabricação de máquinas pesadas recebeu aplausos por seus compromissos ambientais, sociais e de governança corporativa, deveria dar o exemplo, disse Daul Jang, especialista em defesa do Greenpeace no leste da Ásia.

Os negócios da empresa no Brasil estão crescendo, o que, disse Jang, “mostra que eles estão lucrando com a venda de máquinas pesadas de construção para o mercado brasileiro, incluindo a Amazônia”.

O Greenpeace descobriu que um revendedor autorizado de equipamentos Hyundai tinha concessionárias localizadas perto dos três territórios indígenas, em áreas onde há pouca demanda por máquinas pesadas.

Em 2020, o Ministério Público brasileiro investigou a responsabilidade de fabricantes e fornecedores de máquinas pesadas pelos danos causados ​​por seus equipamentos nas mãos de garimpeiros ilegais. A Hyundai não respondeu na época ao pedido dos promotores por informações sobre as medidas tomadas para limitar tais usos, disse o Greenpeace. A empresa também se recusou a comentar uma reportagem de 2021 sobre o assunto da mídia investigativa brasileira Repórter Brasil.

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Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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  1. Simão H Rubik

    12 de abril de 2023 11:32 am

    Primeiro mostre o território da Amazônia por que tem muita coisas erradas por lá sobre o desmatamento. veja estes vídeos de https://www.youtube.com/@CARLOSVIRISSIMO mostre o real como este cidadão mostra tem muita mentiras dos meios de comunicação que não vai lá ver pessoalmente.

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