4 de junho de 2026

Marta, a rainha do futebol

Enviado por Mara L. Baraúna

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Da Revista TPM

MARTA VIEIRA DA SILVA

por Karla Monteiro

Ela sonha com o dia em que as meninas serão tão reconhecidas quanto Neymar

“Pelé de saias.” “Rainha do futebol.” “Melhor que Messi.” Cinco vezes eleita melhor jogadora de futebol do mundo (feito jamais alcançado por um colega homem), a alagoana Marta Vieira da Silva chega aos 28 anos na ativa, jogando na Suécia e sonhando com o dia em que as meninas sejam tão reconhecidas (e ricas) como Neymar, Cristiano Ronaldo e outros astros do esporte

Os jogadores de futebol no Brasil parecem percorrer sempre o mesmo caminho. De uma infância humilde, difícil, para o sonho. Marta Vieira da Silva nasceu em Dois Riachos, no interior de Alagoas, em 1986. Passou por todas as privações das crianças pobres do sertão alagoano. Como era boa de bola, encontrou nas peladas de rua e nos campeonatos da escola a esperança. Foi a única mulher em diversos times masculinos. “Comecei a me sobressair e, a cada dia, me interessava mais por futebol. Com o tempo, percebi que aquilo podia ser uma saída para uma vida melhor”, ela diz, de olho no celular, acompanhando discretamente os comentários antes do jogo Portugal x Gana, na quinta-feira, dia 26 de junho. “Adoro ver o Cristiano Ronaldo jogando. Não é à toa que ele é o melhor do mundo”, comenta Marta, a melhor do mundo.

Ela começou a carreira em 2000, no carioca Vasco da Gama. Dois anos depois foi para o Santa Cruz, em Minas Gerais. De lá, para o Umeå IK, da Suécia, onde se tornou conhecida na Europa. Em 2009, jogou nos Estados Unidos, no Los Angeles Sol, faturando o título de artilheira da liga nacional. No mesmo ano, o Santos anunciou a sua contratação temporária. Logo Marta retornou aos Estados Unidos, para o FC Gold Pride. Em 2012, já estava de novo na Suécia, onde hoje joga pelo Tyresö FF. Desde que saiu de Dois Riachos para tentar a sorte nos gramados profissionais, lá se vão 14 anos e uma coleção de histórias e de títulos. Marta foi eleita cinco vezes a melhor jogadora do mundo pela Fifa, em 2006, 2007, 2008, 2009 e 2010. Feito único na história do futebol.

A diferença entre ela e Cristiano Ronaldo mora nas cifras. Segundo Marta, o futebol feminino engatinha. E, no Brasil, quase passa despercebido. Não há investimento, divulgação ou apoio para colocar homens e mulheres no mesmo patamar. Pelo jeito, lugar de mulher ainda não é no campo. “Quando fui jogar na Suécia, ganhava em torno de R$ 3 mil”, conta ela. E continua: “As pessoas pensam que o contrato das jogadoras que se destacam chega perto do contrato do Neymar. Mas isso é totalmente fora da realidade do futebol feminino”.

Dona de uma personalidade extrovertida, sotaque muito carregado e jeito de moleca, Marta chegou ao estúdio, no Rio de Janeiro, para as fotos com 3 horas de atraso. Não deu muita explicação. Mas ganhou todo mundo com simpatia e descontração. Recusou-se a vestir saias ou vestidos, que só usa em ocasiões “formais” – entre elas os compromissos como embaixadora da ONU para causas humanitárias (um time que tem, além dela, a superstar Angelina Jolie, a rainha Rania, da Jordânia, a tenista Maria Sharapova e a modelo Gisele Bündchen). “Se eu colocar uma saia, não sou eu, entende?”, justificou-se. Salto alto também não lhe agradava muito. Até tentou se equilibrar sobre um escarpim, mas não sem reclamar. No fim, acabou trocando por um confortável par de tênis. Não que não seja vaidosa. Vai com frequência ao salão retocar as mexas do cabelo. Gosta de roupas bacanas. Só que sua prioridade é conforto.

Aos 28 anos, Marta já pensa na aposentadoria: não se vê jogando aos 35. Quando isso acontecer, o sonho é voltar a viver em Dois Riachos, perto da família e onde é tratada feito rainha. Ela não abre espaço para perguntas sobre a sua vida pessoal. É a Fabiano Farah, seu empresário há nove anos, que perguntamos se ela é lésbica, uma dúvida recorrente entre os fãs. Ele garante que não – e que, “se fosse, ela não teria o menor problema em assumir”. Solteira, Marta diz que quer ter filhos, mas já se sente realizada com os sobrinhos. Faz questão de frisar outra diferença entre homens e mulheres no futebol: no masculino, os jogadores se casam e levam a família toda pra onde forem. Isso é bem mais difícil para as jogadoras. Se querem casar, elas têm de sair de campo – por isso ela não pensa no assunto agora. O próximo desafio é conquistar a medalha de ouro para o Brasil na Olimpíada de 2016. Quer coroar a carreira no Rio de Janeiro, bater no peito em pleno Maracanã e gritar: “aqui é Brasil!”

Leia aqui a entrevista com Marta

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6 Comentários
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  1. alexis

    13 de agosto de 2014 11:51 am

    Globetrotters

    Pelos anos 50 surge, nos EUA, um tipo de espetáculo de basquete de enorme impacto. Era engraçado e mostrava talentos que nunca imaginaríamos ver nas quadras de basquete oficial, era uma espécie de Robinho pedalando, o foquinha Kerlon (do Cruzeiro), Neymar, Denilson e dezenas de “habilidosos” dando espetáculo. Era um show! Apenas que não era levado a sério nem havia times suficientes que levassem essa brincadeira para frente, de modo que apenas a turma do Harlem aceitou esse desafio e deu dezenas de turnês pelo mundo todo. Eu assisti duas vezes (até um jogador com um único braço tinha no time).

    O futebol feminino, com raras exceções (países onde os campeonatos universitários dão espaço para o aparecimento de times e de seleções), não possui condições para manter times femininos, campeonatos e nem sequer público para sustentar essa situação, a não ser um time brincalhão e habilidoso, com Marta na cabeça, saindo pelo mundo assim como os Globetrotters.

    O futebol é um esporte de contato, de força física, que acaba não sendo muito adequado para mulheres. Agora, ganhar como Neymar é coisa do mercado, e o tal de mercado não se interessa por meninas chutando bola. Fazer um campeonato feminino, com estádios cheios e dinheiro envolvido para elevados salários etc. será bem mais difícil que converter uma jogadora de futebol em modelo fotográfico, como a foto aqui exposta (saiu bonita, não é?)

  2. Vantuil Barbosa Filho

    13 de agosto de 2014 11:57 am

    Sinceramente…

    … o futebol é um esporte amado e respeitado para quem joga e vê futebol, e tem suas régras desde os campinhos de terra batida; é esporte pra macho, e se for mulher, tudo bem; Más se entra um viadinho na pelada a coisa desaba, não dá certo, não é coisa que se quer entender, apenas não dá certo!. Agora no caso das mulheres, ou quase machos, só de longe, pois se cherar perto, a coisa desaba, e nenhum empresário vai querer ver sua marca estampado ao lado de um mais ou menos coisa nenhuma, então; Para muito é preconceito, homofobia; mas a verdade, que no futebol, tem regras e as barreiras são intransponíveis, e desse jeito que está, nunca serás umas Neymar da vida.

  3. DanielQuireza

    13 de agosto de 2014 12:53 pm

    Provavelmente nunca serão

    Provavelmente nunca serão pois o nível técnico é muito inferior.

    Um esporte em que as mulheres ficam mais próximas, tecnicamente, do nível  dos homens é o volei.

    Mas futebol e tenis, por exemplo, elas ficam muito atrás. Qualquer um que acompanhe e entenda minimamente dos esportes sabe muito bem disso.

  4. mello

    13 de agosto de 2014 2:05 pm

    Marta  é simplesmente uma

    Marta  é simplesmente uma excelente jogadora de futebol :  5 vezes a melhor do mundo,  é pouco ?  Já fez gols maravilhosos ,  de deixar  alguns “craques” ( de araque)  babando de inveja.  Merece aplausos e homenagens.

  5. Alessandre de Argolo

    13 de agosto de 2014 2:21 pm

    Marta é craque

    Marta é craque. Joga pra cacete. E outra, no sertão de Alagoas, na cidade de Dois Riachos, que eu conheço, tive oportunidade de conversar com contemporâneos de Marta certa feita. Perguntei como ela era lá quando jogava futebol. Os caras me disseram que Marta jogava futebol desde 13, 14 anos de idade, com os homens adultos, estes já com vinte, vinte e poucos anos de idade. E os caras disseram que ninguém aliviava para ela. Eu acredito, até porque, tendo nascida no sertão de Alagoas, não havia como ser diferente. Tinha que jogar mesmo entre os homens. Se é assim em muitas outras cidades do país até hoje, mais ainda na cultura tradicional do sertão, onde futebol não é jogo para mulher. Marta é uma transgressora também por isso.

    Marta é craque. Joga em qualquer time de futebol do mundo, independentemente do gênero. Coloque para jogar para você ver. Marta arrebentará.

  6. Luana Victória Neves Martins

    15 de janeiro de 2015 2:20 pm

    Marta

    Olá,

           tenho o maior prazer, de falar que sou fã número 1 de Marta, uma mulher que veio de bairro pobre, mais sempre tentando conquistar as pessoas com sua simplicidade e talento. 

          Tenho 15 anos, me chamo Luana, sou apaixonada pelo futebol feminino, apesar de saber que aqui no Brasil o futebol feminino não é valorizado quato fora do Brasil. Sou uma menina batalhadora, pois tento fazer tudo com capricho, quando vejo que aquele drible ainda não está bom, faço, repito e repito até aprender a fazer direito, pretendo em 2015 subir para times grandes do futebol e que possa chegar a onde a Marta, Formiga, Andréia, Rosana, Cristiane entre outras chegaram.

          Marta, obrigada por ser este exemplo de mulher e de jogadora para nosso Brasil, e que venha 2015 com muitos títulos para você e para nos todos 🙂 . 

                                                Que Deus te abençoe, e que venha novas vitórias.!!!!!!!!!!!

          

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