O ex-governador e ex-secretário de Segurança do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, denunciou em entrevista ao jornalista Luís Nassif, apresentador do canal TV GGN, a profunda infiltração do crime organizado nas instituições do Rio de Janeiro, alegando que a situação é ainda mais grave do que se imagina, devido à “associação” inédita entre o “crime e o governo” estadual.
Ele aponta especificamente o envolvimento do Comando Vermelho com a administração estadual, citando um empresário, “grande patrocinador da campanha de Cláudio Castro”, lava dinheiro do grupo criminoso.
Ex-radialista e escritor, Garotinho afirmou na entrevista [assista abaixo] que há um alto grau de “apodrecimento institucional” no Rio de Janeiro. Ele contou, como exemplo, que foi procurado por meses por fontes que narraram como agentes do sistema penitenciário do Estado negociaram com o Comando Vermelho a recuperação de armas roubadas com um líder da facção na Rocinha, sem ninguém ser preso.
“Isso é para dar a dimensão do que acontece hoje entre setores do governo do Estado e o crime organizado. Eu venho publicando uma série de reportagens sobre o envolvimento do Comando Vermelho com este governo, que é tão grande que o chefe da milícia mais importante do Rio de Janeiro, o Zinho, pediu para ser preso pela Polícia Federal porque ele temia ser preso pelo governo do Estado e ser morto”, diz Garotinho.
Sob a gestão de Cláudio Castro, o Comando Vermelho recuperou territórios de milícias e, segundo Garotinho, essa recuperação se deu com “patrocínio da Assembleia Legislativa” (ALERJ), que tem “cerca de 50% de seus membros envolvidos com tráfico, milícias, roubo de carga e roubo de fio de cobre”, evidenciando uma crise de governança e segurança de proporções alarmantes.
O grau de conluio é exemplificado pelo fato de que o Comando Vermelho controla os presídios. No que tange ao sistema de justiça, o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), embora tenha membros honestos, possui uma dependência e uma ligação muito forte com o governador, o que compromete sua responsabilidade de fiscalização e cria uma sensação de impunidade, diz Garotinho.
A entrevista foi concedida ao programa TV GGN 20 Horas, que é transmitida no Youtube pelo canal TV GGN de segunda a sexta-feira, sempre às 20 horas. Assista abaixo:
Rui Ribeiro
10 de novembro de 2025 2:14 pmFoi o tráfico que tomou conta da política ou a política que tomou conta do tráfico?
https://g1.globo.com/politica/noticia/fab-intercepta-aviao-com-cocaina-que-decolou-de-fazenda-da-familia-de-blairo-maggi.ghtml
Família do Nikolas e os Perrelas também são exemplos de traficantes que entraram para o mundo da política. Ou eles se envolveram com o tráfico após entrarem para a política?
Enfocarmos os pequenos traficantes e elegemos os grandes para os cargos públicos de relevância.
Rui Ribeiro
10 de novembro de 2025 2:27 pmO Raul Jungmann disse que não se enfrenta bandido armado de fuzil com teorias e que o uso da força é indispensável.
O uso d força, proporcional, é necessário mas insuficiente para eliminar o banditismo. Combater o crime organizado com força bruta mas sem inteligência equivale a enxugar gelo. Elimina-se um bandido bagre mas outro bagre ocupa seu lugar e os tubarões do crime continuam a se locupletar com o banditismo, que segue livre, leve e solto.
Rui Ribeiro
11 de novembro de 2025 8:44 amDavi, com inteligência, matou Golias, o homem da força.