Um medicamento experimental desenvolvido na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) voltou a apresentar resultados concretos em pacientes com lesão medular grave.
Com o caso mais recente, já são quatro pessoas que recuperaram parcialmente movimentos e sensações após o uso da polilaminina, substância aplicada de forma excepcional por meio de decisões judiciais para uso compassivo.
A polilaminina
A polilaminina é derivada da laminina, proteína extraída da placenta, e atua como uma espécie de matriz biológica capaz de orientar a regeneração de neurônios na medula espinhal. Desenvolvida integralmente no Brasil, a substância tem chamado a atenção da comunidade científica pelos sinais de reativação neurológica observados em pacientes considerados, até então, sem perspectiva de recuperação funcional.
O tratamento é resultado de 25 anos de pesquisa coordenada pela professora Tatiana Coelho de Sampaio, do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ. Nos casos acompanhados até agora, os avanços incluem aumento de sensibilidade, pequenos ganhos motores e respostas neurológicas monitoradas por equipe multidisciplinar.
Por ainda não possuir aprovação regulatória, o medicamento só pode ser utilizado em situações nas quais não há alternativas terapêuticas disponíveis, com acompanhamento clínico rigoroso. Especialistas alertam que, apesar dos resultados promissores, a polilaminina permanece em fase experimental e precisa ser avaliada em estudos clínicos mais amplos para comprovação de eficácia e segurança.
No início de janeiro, a Anvisa autorizou a primeira fase de testes clínicos, abrindo caminho para que a pesquisa avance além do uso excepcional. O caso reforça o papel estratégico da ciência pública brasileira e o potencial de pesquisas conduzidas em universidades federais para enfrentar desafios médicos historicamente considerados insolúveis.
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