21 de maio de 2026

Morte de Epstein volta ao centro do debate com novos arquivos; ex-parceiro de cela ouvido pelo GGN fala em “queima de arquivo”

“Como ele conseguiu se suicidar lá, eu não tenho a menor ideia”, diz Marcos Elias, fundador da Empiricus, ao GGN
Foto: Reprodução/Netflix

Documentos do DOJ revelam fotos e relatórios que questionam a versão oficial do suicídio de Epstein em 2019, no MCC de NY.
Falhas no sistema prisional, como falta de vigilância e câmeras inoperantes, cercam a morte do financista acusado de pedofilia.
Relato de preso no MCC descreve o regime de vigilância suicida e sugere que Epstein não apresentava perfil para suicídio.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

A divulgação de novos documentos oficiais pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos sobre o caso Epstein trouxe novamente à tona as controvérsias em torno da morte do financista acusado de pedofilia, encontrado morto em sua cela em 2019, no Centro Correcional Metropolitano (MCC), em Nova York. Embora o episódio tenha sido oficialmente classificado como suicídio, o material agora tornado público reabre o debate e lança dúvidas sobre a versão institucional dos fatos.

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Entre os arquivos estão mais de 20 fotografias inéditas do corpo de Epstein, relatórios internos, documentos da autópsia e registros do FBI. As imagens mostram o financista sem camisa, vestido apenas com o uniforme laranja de presidiário, com a mandíbula amarrada e sinais visíveis de lesões no pescoço. Algumas fotos registram tentativas de reanimação, com paramédicos pressionando seu tórax, já em ambiente hospitalar. As informações foram publicadas em reportagem do jornal O Globo.

Os documentos também incluem exames que indicam fraturas na cartilagem tireoide do pescoço, além de relatórios psicológicos produzidos nos dias anteriores à morte. Parte do material revela que Epstein havia sido colocado sob vigilância especial após uma tentativa de suicídio em julho de 2019, mas, semanas depois, foi retirado do protocolo de prevenção.

Os registros mostram ainda uma sequência de falhas no sistema prisional. O companheiro de cela foi retirado um dia antes da morte, as rondas noturnas obrigatórias não foram realizadas e o sistema de câmeras da unidade estava inoperante. O corpo de Epstein foi encontrado durante uma ronda matinal, horas depois do período em que ele deveria estar sob monitoramento constante.

A liberação desses documentos, incluindo versões integrais e editadas de relatórios do FBI, reforça a percepção de inconsistências institucionais que cercam o caso desde 2019, e alimenta, até hoje, a desconfiança pública em relação à narrativa de suicídio.

“Queima de arquivo”

É nesse contexto que ganha peso o depoimento exclusivo ao GGN de Marcos Elias, fundador da Empiricus, que esteve preso no mesmo complexo penitenciário que Epstein, em Manhattan. Em relato ao jornalista Luis Nassif, ele descreve o funcionamento interno do sistema carcerário e, especialmente, do protocolo chamado de suicide watch — o regime de vigilância máxima aplicado a presos considerados em risco de suicídio.

Elias afirma que viveu pessoalmente essa experiência e que foi o próprio Epstein quem o orientou a se declarar suicida para ser transferido para a cela especial, não como tentativa de tirar a própria vida, mas como estratégia para conseguir descansar. Isso porque ambos dormiam em um beliche, e o financista não gostava de ser incomodado com qualquer barulho enquanto dormia.

“Eu estava numa cela com um cara extremamente violento, não conseguia dormir. O próprio Epstein me explicou: ‘fala pro officer que você quer se suicidar, eles vão te levar pro suicidal watch e lá você consegue dormir’. Eu nunca tive pensamento suicida nenhum, zero. Só queria descansar. No momento em que eu disse a palavra mágica, vieram vários agentes e me levaram imediatamente.”

Segundo ele, a própria experiência no suicide watch desmonta a tese de suicídio, tanto pela estrutura física da cela quanto pelo nível de vigilância imposto aos detentos submetidos a esse regime.

“Aquilo não é uma cela normal. É uma estrutura toda de vidro, 360 graus, com uma iluminação no teto que nunca se apaga, 24 horas por dia. Não tem cama, não tem colchão, não tem travesseiro. Você dorme num bloco de concreto. O cobertor é uma placa rígida, feita exatamente para impedir qualquer tentativa de suicídio. Não existe reentrância, não existe canto, não existe absolutamente nada. São quatro policiais, um em cada janela, observando o tempo inteiro. A missão deles é te manter falando, conversando, avaliando se você representa risco. Não existe um segundo de privacidade. A comida vem num pote redondo de plástico, sem garfo, sem faca, sem colher. Você come com a mão. É um ambiente totalmente desenhado para impedir qualquer autolesão.”

Com base na convivência direta no Centro Correcional Metropolitano (MCC), Marcos Elias caracteriza Epstein como sereno, articulado e sem sinais compatíveis com um perfil de risco suicida. “Ele era tranquilíssimo, sereno, calmo, magnético. Um cara inteligente, com um tom de voz envolvente, absolutamente longe de qualquer perfil suicida. Zero. Nada.”

Segundo ele, após ouvir detalhes de seu relato sobre o funcionamento do suicide watch, Epstein demonstrou interesse no sistema e, pouco tempo depois, foi visto sendo levado para o mesmo regime.

“Eu expliquei exatamente como funcionava. Depois disso, um dia a gente viu a movimentação dos officers levando ele pro suicidal watch. Na prisão todo mundo sabe de tudo. Quando alguém vai pra lá, todo mundo fica sabendo“. E Epstein não retornou. “Ele foi levado pro suicidal watch e de lá não voltou. E aí vem a pergunta central: como ele conseguiu se suicidar lá? Eu não tenho a menor ideia. Pra mim, foi queima de arquivo total“.

Para o jornalista Luis Nassif, a hipótese de suicídio não se sustenta diante da estrutura do sistema e do contexto político que cercava o financista. “E esse homem arrumava menores para grandes autoridades. Uma delação dele comprometeria gente do topo do poder mundial: Wall Street, elites políticas, empresários, figuras globais. O sistema inteiro estava em pânico com o que ele poderia falar”.

Assista, abaixo, a um trecho da participação de Marcos Elias na TV GGN:


Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

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Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

1 Comentário
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  1. Avel Alencar

    8 de fevereiro de 2026 8:49 am

    Esse é um “suicidio” muito conveniente.

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