
A Mota-Engil Latam Portugal venceu, nesta sexta-feira (4), o leilão para construir e operar o primeiro túnel submerso do Brasil, que ligará Santos a Guarujá. As propostas foram abertas durante cerimônia na B3, em São Paulo. A Acciona Concesiones, da Espanha, também disputou o certame.
A vencedora apresentou o maior desconto sobre a contraprestação mensal a ser paga pelo poder público ao longo da concessão, que terá prazo de 30 anos. “É uma grande honra. Temos a certeza de que iremos cumprir com nossas obrigações e esperamos iniciar a obra o mais rápido possível”, afirmou Manuel António da Fonseca Vasconcelos da Mota, vice-presidente da Mota-Engil.
O que está previsto
- Modelo: parceria entre governos estadual e federal, com participação privada responsável por construção, operação e manutenção.
- Investimento: R$ 6,8 bilhões (estimativa).
- Extensão: 1,5 km, sendo cerca de 870 m submersos.
- Calendário: obras concluídas até 2030; depois, execução dos acessos. A expectativa do governo paulista é abrir o túnel em 2031.
- Uso: tráfego de carros, ônibus, caminhões, bicicletas e pedestres. Hoje, aproximadamente 78 mil pessoas cruzam diariamente o canal em embarcações e balsas.
O projeto tende a se tornar a maior obra do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Política e cooperação
O empreendimento tem sido tratado por governos estadual e federal como ação conjunta. No lançamento do edital, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) elogiou o compromisso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que, por sua vez, defendeu a cooperação institucional. Após o leilão, Tarcísio destacou a complexidade da obra e disse que o “interesse do cidadão vem em primeiro lugar”. Representando o governo federal na cerimônia, o vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que o resultado decorre de uma “união de esforços”.
Segundo o Ministério de Portos e Aeroportos, a opção pelo túnel imerso — formado por grandes blocos de concreto pré-moldados e com câmaras internas de ar — considera o solo local, composto por argilas moles e sedimentos fluviais, pouco adequado a escavações profundas. A solução também reduz desapropriações, diminui impacto visual e permite execução mais rápida e eficiente.
A alternativa de ponte foi descartada por restrições da Base Aérea de Santos e pelo intenso tráfego de navios no canal do porto.
Como será a construção
1) Preparação do leito e módulos – Escavação no fundo do canal e execução de base de concreto. Em terra firme, os módulos são pré-moldados e testados quanto à vedação e resistência.
2) Transporte e submersão – Rebocadores levam as peças ao local exato. A água é bombeada para afundá-las de forma controlada, com monitoramento eletrônico. Os blocos são encaixados e nivelados com sistemas hidráulicos, fixados com pinos de aço e assentados sobre leito de areia.
3) Proteção – Toda a estrutura recebe camada de pedras para resguardar o túnel de impactos e das correntes.
A ligação definitiva entre Santos e Guarujá é discutida há quase 100 anos. O primeiro projeto data de janeiro de 1927, no governo estadual de Júlio Prestes, com plano do engenheiro Enéas Marini. Após décadas de idas e vindas, o edital atual foi lançado no início deste ano em ação conjunta entre o governo federal e o Estado de São Paulo.
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