Era “desconcentração de remuneração”, diz Queiroz sobre recolhimento de salários de ex-assessores de Flávio

Ex-PM e assessor de Flávio Bolsonaro admite que servidores fizeram transferências sistemáticas de parte de salários para sua conta, mas que eles sabiam que era para pagar outros funcionários contratar “informalmente”

Queiroz dança com a esposa em quarto do Hospital Albert Einstein. Reprodução/Facebook

Jornal GGN – “Desconcentração de remuneração”, esta é a base do argumento do ex-policial militar e ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), Fabrício Queiroz, investigado por uma movimentação atípica em sua conta bancária de R$ 1,2 milhão, entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017, e pela prática da “rachadinha” (também chamada de “rachid”) – devolução de parte ou de todo o salário do funcionários para o deputado.

Segundo informações da Folha de S.Paulo, o depoimento feito por escrito foi entregue ao Ministério Público do Rio de Janeiro. Queiroz explica que recolheu parte dos salários de funcionários de Flávio para distribuir a outras pessoas que trabalharam informalmente para o ex-deputado e hoje senador.

A movimentação foi identificada pelo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), levando à abertura de investigações no Gaecc (Grupo de Atuação Especializada no Combate à Corrupção) do MP do Rio. O órgão verificou ainda que o policial militar aposentado recebeu uma série de depósitos fracionados em suas contas bancárias, feitas por funcionários do então deputado estadual, sempre próximo às datas do recebimento dos salários.

Queiroz disse aos procuradores que, quando contratados formalmente para trabalhar na Alerj, os funcionários sabiam do esquema, feito para aumentar o número de assessores de Flávio que atuavam na base eleitoral. Segundo Queiroz, o senador desconhecia a prática.

“Por contar com elevado grau de autonomia no exercício de sua função, resultante de longeva confiança que nele depositava o deputado, o peticionante nunca reputou necessário expor a arquitetura interna do mecanismo que criou ao próprio deputado e ao chefe de gabinete”, diz a petição entregue na quinta-feira (28) ao MP-RJ.

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Além de descrever o esquema como uma “desconcentração de remuneração”, a defesa do ex-PM explicou que essa era uma forma de “multiplicar e refinar os meios de escuta da população por um parlamentar”.

“Ou seja, com a remuneração de apenas um assessor parlamentar, o peticionante conseguia designar alguns outros assessores para exercer a mesma função, expandindo, dessa forma, a atuação parlamentar do deputado”, completou no documento afirmando que vai apresentar os nomes dos funcionários contratados por fora.

Para justificar a movimentação milionária na sua conta, Queiroz disse que mantinha atividades empresariais paralelas como venda de carros, roupas e eletrodomésticos. Sobre o fato de receber depósitos integrais dos salários da filha e da esposa, que também tinham cargos na Alerj, o ex-PM respondeu que o motivo era “administrar o essencial das finanças de seu núcleo familiar”.

O Coaf apontou também que, entre 2014 e 2017, o policial militar aposentado Fabrício Queiroz movimentou um total de R$ 7 milhões em suas contas bancárias, período em que trabalhava no gabinete de Flávio na Alerj. Além disso, ele chegou fez um depósito de R$ 24 mil na conta da primeira-dama, Michelle Bolsonaro.

O órgão verificou ainda que Flávio Bolsonaro recebeu 48 depósitos fracionados no valor de R$ 2 mil totalizando R$ 96 mil em apenas um mês.

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7 comentários

  1. Já o testemunho por escrito é vergonhoso. Por que não direto a uma autoridade? E nem desfaz o roubo aos cofres públicos, descarado e mesquinho.
    É bolsonaro na veia.

  2. Transcrevo três versões contraditórias para justificar o para a movimentação financeira cítrica em suas contas bancárias, duas delas dadas por Fabrício Queiroz e uma por outro ex-assessor do Flávio Bolsonaro:

    “Queiroz diz que gerenciava salários para expandir ‘atuação parlamentar’ de Flávio Bolsonaro sem conhecimento do deputado ”

    https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2019/03/01/queiroz-diz-que-fazia-gerenciamento-financeiro-para-expandir-atuacao-parlamentar-de-flavio-bolsonaro-sem-conhecimento-do-deputado.ghtml

    O ex-assessor Agostinho Moraes da Silva tem outra verão:

    “RIO – Os promotores do Ministério Público do Rio (MP-RJ) ouviram um ex-funcionário do gabinete de Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) admitir que repassava mensalmente quase 60% do próprio salário a Fabrício Queiroz , ex-assessor do agora senador. Em depoimento concedido no dia 11 de janeiro e divulgado na quarta-feira pelo “G1”, Agostinho Moraes da Silva afirmou que os R$ 4 mil entregues todos os meses a Queiroz (a quem chamou de “amigo”) eram aplicados na compra e venda de automóveis, negociação mais rentável para ele do que investimentos tradicionais em banco.

    Segundo Silva, o lucro mensal de 18% teria sido pago por Queiroz em espécie e as transações, não declaradas à Receita Federal, teriam ocorrido enquanto os dois eram lotados no gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), quando o parlamentar ainda era deputado estadual. O salário líquido de Silva, à época, era de R$ 6 mil. No início deste mês, o filho do presidente Jair Bolsonaro assumiu a vaga no Senado para a qual foi eleito em outubro.

    O depoente disse que a prática era vantajosa “na medida em que lhe retornava um valor maior do que seria em caso de investimentos bancários tradicionais””

    https://oglobo.globo.com/brasil/queiroz-recebia-quase-60-do-salario-de-colega-lotado-no-gabinete-de-flavio-bolsonaro-na-alerj-23473174

    Já o abofelamento dos salários da filha e da mulher do Fabrício Queiroz, ex-assessor e ex-motora do Flávio Bolsonaro, não era para expandir a ‘atuação parlamentar’ do Flávio Bolsonaro, mas para tirar sua família da Comunidade onde eles moravam:

    “Eu morava, no meu primeiro casamento, em um apartamento arrumadinho, tinha piscina, tinha a coisa toda. Eu me separei e vim morar na comunidadezinha, comunidade só de trabalhadores. No Rio de Janeiro. Esse mérito de dinheiro eu queria explicar ao MP. São pessoas da minha família. Eu GERO o dinheiro da minha família, EU QUERIA TIRAR ELES DA COMUNIDADE. E minha filha trabalha comigo desde cedo, desde 15 anos. E em todas as eleições elas estiveram presentes. Quando teve a oportunidade eu pedi pra empregá-las porque elas eram muito eficientes”. – Fabrício Queiroz, em entrevista ao $BT.

    Como insinuou o Vice-Presidente Mourão, tem algo de podre no Reino das Laranjas:

    “O ex-motorista, que conheço como Queiroz, precisa dizer de onde saiu este dinheiro. O Coaf rastreia tudo. ALGO TEM, aí precisa explicar a transação, tem que dizer”. – Mourão.

    Essa laranja é podre, não é sadia. Deve ser esmagada da mesma forma que o Bebianno, segundo o Alexandre Frota.

  3. Conforme declaração do Fabrício Queiroz, ex-assessor e ex-motora do Flávio Bolsonaro, “com a remuneração de apenas um assessor parlamentar, eu conseguia designar alguns outros assessores para exercer a mesma função, expandindo, dessa forma, a atuação parlamentar do deputado”.

    O Queiroz Laranja afirmou ainda que “buscava a concordância prévia das pessoas que indicava para as funções quanto à desconcentração de parte de sua remuneração para os fins já descritos” e que “o emprego dos recursos se revestia de evidente finalidade pública”, pois “multiplicar e refinar os meios de escuta da população por um parlamentar consiste em claríssimo reforço de aspecto central da atividade-fim parlamentar”.

    Os assessores do segundo escalão, por assim dizer, também concordavam previamente com a desconcentração de parte de sua remuneração ou isso só valia para os assessores do primeiro escalão?

  4. Taí, vivendo e aprendendo. Ao que parece o Bolsonaro, segundo presidente do golpe de 2016, na reforma da previdência, apenas deseja fazer “desconcentração da remuneração” do trabalhador para pagar apoios recebidos para ser guindado ao posto de Presidente e favorecer os bancos e o mercado financeiro.

  5. Dividir o que é seu com os mais necessitados, redistribuir renda. Exemplo máximo de socialismo – por que não dizer, comunismo, praticado pelos funcionários do deputado flavio bolsonaro.
    E a nomenclatura é ainda mais curiosa – ” desconcentração de renda”.
    Como é que o queiroz é tão docinho que não precisa comparecer a qualquer convocação judicial?
    Será que assim como o termo “desconcentração de renda” para funcionários fantasmas o termo “depoimento escrito de queiroz” vem significar um novo “fôro privilegiado”?
    E aquele negócio de enfiar o pé na porta do ex-presidente as 6 da manhã sem notificação prévia para “prestar depoimento” é tratamento especial só para a ocasião?
    Ainda bem que a justiça é para todos (os amigos)

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