“Nem PT, nem Lula tinham direito de serem ingênuos nesse 3º mandato”, diz Luís Costa Pinto à TVGGN

Jornalista fala ao canal TVGGN sobre o novo livro O Procurador, que revela os bastidores da atuação de Aras na PGR; assista

Nas últimas décadas, o PT sofreu um processo de esvaziamento de lideranças históricas e preparadas para o exercício do poder, de modo que a equipe que chega com Lula ao Planalto em seu terceiro mandato pode ser classificada como ingênua e, em alguns casos, despreparada. É o que analisa o experiente jornalista Luís Costa Pinto, que falou com exclusividade à TVGGN na noite de quarta (10).

A declaração de Costa Pinto ocorreu durante entrevista com o jornalista Luis Nassif, que colocou em pauta as decisões desastrosas tomadas pelos governos do PT em relação a cargos estratégicos para o equilíbrio das instituições, como a nomeação da Procuradoria-Geral da República.

Nassif, que entrevistou Costa Pinto para o programa TVGGN 20 Horas, no canal do GGN no Youtube [assista abaixo], lembrou que a ex-presidente Dilma Rousseff teve chance de indicar Elo Wiecko, referência no Ministério Público Federal, para comandar a PGR, mas optou por reconduzir Rodrigo Janot, que entrou na onda do lavajatismo permitindo toda sorte de excessos praticados por procuradores da República.

Na sequência de Janot, Raquel Dodge foi indicada à PGR pelo então presidente Michel Temer, iniciando um processo de colocação de freios na Lava Jato, que só foi intensificado com a chegada de Augusto Aras, indicador por Jair Bolsonaro.

Protagonista do livro “O Procurador”, que será lançado em breve por Luís Costa Pinto, Aras foi o responsável por desmontar a estrutura de força-tarefa que deram azo ao lavajatismo. No livro, Costa Pinto mostra os bastidores desse trabalho de Aras, mas também da reação do então PGR e de ministros do Supremo Tribunal Federal para desarticular os intentos golpistas de Bolsonaro, que ensaiou um golpe, na surdina, ainda em 2021. >>> LEIA MAIS: Fux ameaçou mandar atirar em golpistas e Aras disse que “ele está certo”: os bastidores do 7 de Setembro revelados por Luís Costa Pinto

Lula, agora em seu terceiro mandato, colocou na PGR o membro do MPF, Paulo Gonet, que está, nas palavras de Luís Costa Pinto, “fazendo acenos ao lavajatismo – que não morreu”, por questão de sobrevivência no cargo.

“Como a Lava Jato precisava ser expurgada e não foi – no final do período do Aras, a Maria Elizeta Paiva Ramos permitiu que eles se mantivessem lá dentro [do MPF, em postos relevantes] – eles se recompuseram. E Gonet nomeou lavajatistas simbólicos para a 5ª Câmara [do MPF, que revisa acordos de delação e leniência] e para atuação no STJ [Superior Tribunal de Justiça. Isso é muito perigoso. [O lavajatismo] não foi extirpado”, comentou Costa Pinto.

Para Nassif, o PT “não aprendeu nada.” “Esse amadorismo, essa falta de um centro de inteligência nos partidos, ajudou no desmonte. É um sinal de subdesenvolvimento também”.

“Nem PT, nem esquerda, nem presidente Lula tinham direito de serem ingênuos nesse terceiro mandato. Por tudo que viveram e vivenciaram. No mínimo, há uma grossa ingenuidade. E acho que há um despreparo muito grande da equipe palaciana atual, muito diferente de equipes passadas. José Dirceu era um craque, uma figura extremamente preparada para o exercício do poder”, citou Luís Costa Pinto, lembrando do ex-ministro da Casa Civil que acabou sofrendo um ocaso no Mensalão.

“Houve interrupção de uma geração dentro do PT. O PT não se renovou internamente, e o PT hoje tem, por exemplo, a pior bancada da sua história. O presidente Lula está preocupado com isso. Essa é a informação que tenho. Mas ele não sabe para onde olhar. E, na minha opinião, isso é uma tragédia”, concluiu Costa Pinto.

Assista a entrevista completa abaixo:

Redação

4 Comentários

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  1. Ingenuidade?
    Ah, tá bom…conta outra.

    Calabouço fiscal, revisão da vida toda, esqueçam 64, ingenuidade?

    Omissão em colocar militares golpistas na cadeia?

    Ingenuidade?

    Não, covardia sim…

    Cumplicidade?
    Quem sabe?

  2. Daqui a vinte anos, historiadores isentos se debruçarão sobre o tema. No momento é até perigoso nele se aprofundar. Desta feita, a genialidade de Lula reside em ter voltado… a pedidos.

  3. Entendo, o Luiz C. Pinto, porém, ás circunstancias referente a governabilidade e estabilidade do Estado Democrático de Direito, mudaram ás estratégias de governança. O PT, não é absolutista, é defensor da nossa soberania, e o nosso grande LULA, não é o super homem, estávamos, no limite de uma tragédia em todos os sentidos como nação, a primeira etapa era estancar a ruptura total, a segunda etapa era adquirir confiança e pelo menos tentar unir o país, talvez Luiz a próxima etapa, seja não ser ingênuo, a cobrança está muito além da real possibilidade, o país estava desmontado, e sendo transformado em um México do sul, é preciso ter cautela, entender, e conter o fascismo religioso/miliciano militar que iria destruir qualquer possibilidade de desenvolvimento, os ovos da serpente chocados, continuam ai, escondidos, esperando uma oportunidade novamente. Bem vindo ao mundo multipolar…

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