9 de junho de 2026

No livro de Jessé, a historia do banqueiro que comprava jornais e autoridades

No livro ”A classe média no espelho: sua história, seus sonhos e ilusões, sua realidade”, Jessé de Souza narra a conversa que teve com alto ex-funcionário de um banco de investimentos, que comprova a extraordinária influência dos novos banqueiros sobre a mídia.

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Há um episódio particularmente expressivo:

Como funciona mandar dinheiro para propinas no exterior, por exemplo, para comprar gente em Angola, na companhia de petróleo? Você liga para o presidente de um banco [e cita, testando minha reação, o nome do presidente de um grande banco] e pergunta qual a comissão dele para fazer remessa. “Assim, na cara de pau?”, pergunto. “E como você acha que funciona?”, indaga Sérgio, rindo e se divertindo com minha surpresa. Lembra daquelas malas do Geddel? Como você acha que aquele dinheiro chegou naquele apartamento? Dinheiro não dá em árvore. Quem tem a possibilidade de fazer o dinheiro circular de um lugar para outro são os bancos, mais ninguém.

Não há nenhum caso de corrupção em que o dinheiro não venha de um banco. Ou seja, os bancos são os intermediários, sempre. A imprensa nunca toca nisso porque é tabu. Afinal, a imprensa é nossa.

Vou lhe contar um caso. Assim que cheguei no banco, o João Carlos estava com problemas com um jornalista, metido a investigador, que publicava todo dia uma notinha chata sobre negócios nossos aqui em São Paulo . O João ofereceu milhões ao cara para apoiar projetos dele se aliviasse a pressão, mas o cara não aceitou. Foi um caso raro, pois era uma grana e tanto na época. O que fizemos? Compramos o jornal, um dos maiores do Brasil, e demitimos o fulano. Agora decidimos o que sai ou não, pois somos os donos do jornal. Não precisamos pedir nada a ninguém. O jornal é literalmente nosso. Toda a imprensa hoje em dia é assim, de um modo ou de outro . Ou eles devem os olhos da cara aos bancos ou os bancos são os donos diretamente. Por isso não sai nada na imprensa contra os bancos. A imprensa é toda nossa: televisão, jornais, internet, o que você pensar.

No livro, o nome da fonte é preservado, assim como dos personagens envolvidos na história. Não se trata de um banco tradicional, mas dos novos bilionários que passaram a atuar politicamente no país.

 

 

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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4 Comentários
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  1. naldo

    3 de março de 2020 10:00 am

    Como sempre pensei, os jornalecos cacarecos nauseabundos nunca vão fechar, nem a rede golpe irá falir, no maximo, será vendida, basta ver essas revistas vagabundas, putrefatas e semi-mortas que ninguem lê, mas continuam por ai, esse midia corrupta-mafiosa cumpre um propósito, vender capas e manchetes…
    E como disse, o Brasil está tomado por genocidas de toda a ordem, e os abutres do rentismo são seus patrões…..um dia o povo acorda…. e vai faltar corda…..

    1. Luis Armidoro

      3 de março de 2020 10:47 am

      Prezado Naldo.
      Falta uma Revolução Francesa aqui.
      Quando a população se irritar e pendurar na ponta de um cepo umas cabeças de algumas “otoridades” e de uns sujeitos que, porque têm grana acham que tudo podem; vão pensar antes de praticar suas patifarias

  2. Edivaldo Dias de Oliveira

    3 de março de 2020 12:42 pm

    O dramaturgo Berthold Brecht já dizia: “Melhor que assaltar um banco é criar um”
    No mundo das finanças o crime sempre compensa. O crime de criar um banco compensa muito mais.

  3. AMORAIZA

    3 de março de 2020 1:37 pm

    Tem um hino dos crentes que diz “quem tem Jesus, tem tudo”, quem não tem, não tem nada, mas quem tem Jesus Cristo, no céu já tem morada”
    Cresci ouvindo essa balada.
    Iludidos os crentes de antanho só agora desconfiam de que Jesus sem dinheiro é nada.
    Só quem tem dinheiro tem tudo.

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