5 de junho de 2026

“Nos manteremos fora da discussão política”, diz Anvisa sobre guerra da vacina

Em coletiva de imprensa, Anvisa afirma que segue critérios técnicos, não faz diferenciação entre vacina de Oxford e a chinesa, e nega interferência externa no registro

Jornal GGN – O presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres, afirmou à imprensa, na tarde desta quarta (21), que a agência se manterá de fora da politização em torno da vacina contra o novo coronavírus. O dirigente ainda afirmou que a agência não faz diferenciação entre a vacina de Oxford e a vacina chinesa e negou que exista “interferência externa” nas decisões técnicas a respeito do registro dos imunizantes. Ainda segundo Barra Torres, a Anvisa não terá participação na compra e distribuição das vacinas, sendo papel exclusivo do governo federal em entendimento com os governos estaduais e municipais.

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A Anvisa foi cobrada a ter um posicionamento público a respeito da politização da vacina depois que, a mando de Jair Bolsonaro, o Ministério da Saúde recuou da decisão de comprar 46 milhões de doses da vacina chinesa, em acordo assinado no dia anterior com o Instituto Butantan. À mídia, o presidente admitiu que mandou cancelar a carta de intenções de compra porque o governador João Doria, seu desafeto, assinou o documento.

Em pronunciamentos públicos, Bolsonaro também tem insinuado que a vacina chinesa não é segura e, por isso, não valeria o investimento bilionário. O presidente faz distinção de tratamento em comparação com a vacina de Oxford, que recebeu, em agosto passado, o sinal verde do Ministério da Saúde para a compra de 100 milhões de doses ao custo de R$ 1,9 bilhão.

“Eu entendo que haja uma série de ansiedades e vontades envolvidas, isso é óbvio, (…) mas nosso dever é no trabalho que já nos consome por demais”, disse Barra Torres, escapando de fazer críticas diretas a Bolsonaro.

“Nos manteremos fora da discussão política e fora de qualquer discussão que não seja o norte técnico e científico para que, o quanto antes, possamos entregar respostas vacinais ao povo brasileiro. Esse é nosso compromisso”, pontuou.

Segundo Barra Torres, a Anvisa também não terá parte na discussão sobre a compra e distribuição das vacinas em desenvolvimento após o registro. “A Anvisa não participa de nenhuma compra feita pelo governo federal, de nenhum medicamento ou insumo”, disse.

Ele acrescentou que, para a agência, “pouco importa de onde vem a vacina ou qual é seu país de origem. Nosso dever constitucional é fornecer a resposta de que esses produtos tem ou não tem qualidade, segurança e eficácia. Após isso são efetuadas as decisões de compra pelo governo federal e estaduais e municipais, eventualmente. Não há participação da agência nesse processo.”

NÃO HÁ PEDIDOS DE REGISTRO ATÉ O MOMENTO

Diretora de medicamentos da Anvisa, Alessandra Bastos Soares explicou à imprensa que, até o momento, não há pedido de registro de nenhuma das quatro vacinas em desenvolvimento no Brasil.

O que a Anvisa fez foi avalizar os protocolos de desenvolvimento vacinal de quatro imunizantes e, agora, está acompanhando os processos. Somente após a conclusão dos ensaios clínicos é que haverá o pedido de registro junto à Anvisa.

“A competência da agência é, de uma forma imparcial, verificar sempre. Independente da origem do país, nosso critério não é de onde vem, mas se há qualidade no que é fabricado”, reforçou a diretora.

Ela também afirmou que a Anvisa não faz nenhuma diferenciação entre a vacina de Oxford e a da Sinovac. “Não há de forma alguma nenhuma diferença no tratamento de ambos os estudos. Eles cumprem rigorosamente o mesmo trâmite. [Somente] Os tempos são distintos, em função do período de solicitação para que os dados fossem analisados.”

Os dois dirigentes disseram que não há nenhum prazo para o pedido de registro e análise por parte da Anvisa. “Não há data pré-definida para conclusão de estudos e fornecimento de registros a qualquer uma das quatro vacinas em análise neste momento na agência. Entendemos a angústia, ansiedade e a pressa, mas [a decisão] não será atrelada a nenhuma data. Lançaremos mão do menor e melhor tempo.”

Barra Torres informou também que a Anvisa ainda não recebeu os dados que atestam a segurança da vacina chinesa, divulgados na segunda (19) pelo Instituto Butantan.

Cintia Alves

Cintia Alves é jornalista especializada em Gestão de Mídias Digitais e editora do GGN.

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2 Comentários
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  1. Carlos Elisioc

    22 de outubro de 2020 3:45 am

    Esta politicagem cretina promovida em.torno da vacina certamente vai prolongar a tragedia. Enquanto isso a covid continua matando e não se importa com posição, dinheiro, religiao, etc.
    https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2020/10/21/senador-arolde-de-oliveira-morre-no-rio-aos-83-anos.ghtml

  2. jcordeiro

    22 de outubro de 2020 8:35 am

    Nassif: ou esse cara da ANVISA tem três colhões ou tá querendo ir prá casa mais cedo. Se o TogaSuja, muito mais famoso e forte, dançou quando tentou dizer NÃO a favorecimentos às Milícias do Queiroz, que dirá esse pequeno burocrata. Cavalão, reles “capitão” tem atropelado ate Generais. Que dirá ele. Vai jantá-lo, com cebola e tomate….

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