7 de julho de 2026

o Brasil & o Brasil (9)

“Eu sempre disse a verdade. O senhor me ouviu, inspetor. Eu lhe disse muitas vezes. Orciny é um lugar que não existe.”

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“A cidade & a cidade”, China Miéville

nas vésperas do 1º de Maio de 1977, alguns operários estiveram numa assembléia de estudantes pedindo apoio para companheiros presos, incomunicáveis, sob tortura e correndo o risco de “desaparecerem”. quem então poderia supor os rápidos e poderosos desdobramentos deste encontro? em 02/05/1977 é realizado um histórico ato na PUC-SP, com cerca de 5 mil pessoas. no dia seguinte, 80 mil universitários entram em greve. assim foi deflagrada a retomada do movimento estudantil, dando início ao processo de redemocratização!

em 1979, após a intervenção nos sindicatos do ABCD, Lula estava pronto a retornar ao seu emprego na Villares. tudo levava a supor o refluxo do movimento, com os operários voltando ao trabalho de cabeça baixa e mãos vazias. mas a greve prosseguiu. os metalúrgicos repetiam com orgulho: ”somos todos Lula. podem prender o Lula, agora todo mundo é Lula”. depois de dois dias sumido, Lula reapareceu num estádio lotado pelos peões do chão de fábrica, dando início a formação do PT e da CUT!

em 1961, ao finalmente desembarcar em Porto Alegre, após a Rede da Legalidade garantir sua posse, Jango foi recebido por Brizola e comandantes militares com a proposta de marchar por terra com tropas e povo até Brasília, mas optou ir de avião ao lado de Tancredo, aceitando o Parlamentarismo. foi assim que os golpistas tiveram caminho livre para depor Goulart em 1964.

na manhã do primeiro de abril de 1964, o herói da II Guerra Mundial e comandante da Base Aérea de Santa Cruz, Rui Moreira Lima, localizou e deu um vôo rasante sobre as tropas revoltosas, que se apavoraram e se jogaram no mato. contudo, não foi autorizado a atacar, nem mesmo quando propôs que o bombardeio seria tão somente às posições da estrada, vanguarda e retaguarda, para estabelecer um bloqueio. foi assim que Mourão chegou ao Rio, para na manhã de 1º de Abril entregar a “revolução” a um Costa e Silva sonolento e de cuecas.

em 1964, após retirar-se do Rio para Brasília e em seguida para Porto Alegre, Jango decidiu pelo exílio, mesmo diante de militares que diziam NÃO ao golpe, como a garantia dada pelo General Ladário da viabilidade da resistência armada. Brizola não se conteve e desabafou: “Vai embora, traidor. Tu nunca mais vais voltar para este país.”. foi assim que se iniciou o longo dia que durou 21 anos.

em 1954, foi necessário Getúlio atirar contra o próprio peito e sair morto do Palácio, para que o povo ocupasse as ruas e barrasse o golpe.

em 2016,

mesmo após um STF – com 8 de seus 11 membros indicados por Lula e Dilma – rasgar a Constituição e permitir um réu confesso presidir a sessão de votação do impeachment na Câmara; mesmo após uma votação na qual apenas dois Deputados Federais citaram como motivo de seus votos a justificativa jurídica do impeachment, as “pedaladas fiscais”; mesmo após o pavoroso escárnio de se dedicar um voto ao torturador de Dilma; mesmo após o relator da Comissão do impeachment no Senado ser autor das “cavalgadas fiscais” em Minas Gerais; mesmo após a conduta seletiva e conspiratória do PGR; mesmo após o Povo sem Medo ocupar as ruas, com uma ininterrupta sequência de atos e manifestações; mesmo após a favorável repercussão na mídia internacional; mesmo após o corajoso exemplo dos secundaristas de SP, e de todo o Brasil; mesmo após assegurar em seu discurso do 1º de Maio sua intenção de “resistir e lutar até o fim”,

mesmo assim Dilma Roussef não foi capaz de abrir as portas do Planalto, para o Povo sem Medo nas ruas entrar e  ocupar, sob a palavra de ordem: “só sairemos daqui mortos! não vai ter golpe! vai ter luta!”, foi assim que o Brasil & o Brasil mergulharam na mais grave crise de sua história.

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Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

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