O espectro de Marielle por trás das mudanças no governo Bolsonaro

Há suspeitas fundadas de que Braga Neto ajudou a desviar o foco da família Bolsonaro na fase mais decisiva das investigações, impedindo que a morte da vereadora respingasse sobre a campanha presidencial.

É impressionante como, no governo Bolsonaro, todos os movimentos têm, de alguma maneira, relação com o passivo trazido pela família Bolsonaro, de envolvimento com milícias implicadas na morte de Marielle.

É o que explica a inesperada nomeação do general Walter Souza Braga Neto para o mais importante cargo do governo, o de Ministro Chefe da Casa Civil, em substituição ao insosso Onyx Lorenzoni.

Caber à Casa Civil o filtro jurídico das decisões de governo e, também, a articulação com outros poderes. O que um general da ativa teria a oferecer? Maior racionalidade a um governo de loucos, certamente. Mas não tem nenhuma experiência em articulação política.

Mais que isso, nas disputas anteriores, Bolsonaro sempre ficou com a banda terraplanista de Olavo de Carvalho. O que o levou a privilegiar novamente os militares?

A explicação é simples.

Braga Neto foi o general comandante da intervenção militar no Rio de Janeiro. Ficaram sob seu comando a Polícia Civil e a Militar. E, nessa condição, ele foi o comandante dessas forças quando ocorreu o assassinato de Marielle, assim como as investigações posteriores.

Há suspeitas fundadas de que ajudou a desviar o foco da família Bolsonaro na fase mais decisiva das investigações, impedindo que a morte da vereadora respingasse sobre a campanha presidencial. Do mesmo modo que o então comandante geral das Forças Armadas, general Vilas Boas

Ele é nomeado de surpresa no mesmo dia em que, de surpresa, aparece morto o miliciano Adriano da Nóbrega, chefe do Escritório do Crime, e testemunha chave para a elucidação do crime. É mais uma peça nessa conspiração do silêncio, se somando aos indícios de cumplicidade entre a polícia bahiana e a carioca na execução de Adriano, assim como os movimentos posteriores, de tentativa de prisão de jornalistas que investigavam o caso de perto.

14 comentários

  1. Houve um golpe de Estado,onde a presidenta legitimamente eleita foi deposta através de uma artimanha jurídica que possibilitou dar um caráter legalista,não legítimo,ao chamado impeachment.
    Este foi o momento grave,é sempre bom lembrar.
    Todo o resto,inclusive a eleição do sujeito que ocupa a presidência da república,é um efeito colateral disso.
    Enquanto a sociedade brasileira não se conscientizar do golpe que foi vítima,todo o restante continuará a ser aceito,como está,como mero esperneio da oposição.

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  2. Polícia Federal: comando bolsonarista; polícia carioca: comando Witzel (PSC, em tensão com Bolsonaro); e polícia baiana: comando PT!!! Miliciano carioca morto na Bahia em ação das duas polícias estaduais e – certamente – com participação da PF… Tem algo desencaixado aí. O que é?

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    • Muito boa a sua questão final.
      A meu juízo, o ponto fora da curva em toda esta história é a ocorrência do fato num território, digamos, inimigo, qual seja; o Estado da Bahia, governado pelo meu ParTido.

      Tá passando da hora da Direção Nacional instar/intimar/convocar o senhor governador a dar uma explicação plausível para o ocorrido, antes que o PT como um todo saia todo manchado.

      Não creio que o governador pessoalmente, tenha tido conhecimento prévio da execução, nem que tenha com ela concordado posteriormente, nesse caso cumpre demitir imediatamente o comadante geral da pm e até o seu secretário de segurança. Ou é isso ou então o governador deveria oferecer a sua própria renuncia.

      Se nada disso ocorrer, a DN deve se livrar desse seu quadro.

      O PT deve um melhor esclarecimento a toda a sociedade e principalmente a sua militancia.

      Pessoalmente acho que o gov da BA não se envolveu, mas foi envolvida no caso e isso precisa ser esclarecido.

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      • Se foi envolvido, ele precisa primeiro fazer uma faxina no comando da PM baiana, em ato contínuo, exonerar o Secretário de Segurança e depois pedir pra sair ou ser expulso do partido. Vc tem toda a razão. Esse cara já está cheirando mau faz já algum tempo.

      • Prezado Edivaldo, num episodio como esse, o governador Rui Pimenta certamente sabia de toda a operação. Ele é chefe do secretario de Segurança, portanto não havia como não saber o passo a passo de uma operação importante como foi aquela.
        Alias, não é de agora que Rui Pimenta contemporiza com o bolsonarismo. Uma decepção.

  3. Nassif, considere as seguintes hipóteses para o complexo “Mariele-Adriano-Bolsonaro”:
    a) por que matar um de seus melhores homens sendo que até agora ele não contou nada e certamente não contaria?
    (Convém lembrar que a fuga de Adriano é uma aula da técnica de “retraimento” dos cursos de ações de comandos; que nesses cursos eles são submetido à torturas para verificar o limite de sua lealdade. Se Sérgio Cabral não abriu o bico, Adriano não abriria. Esse arquivo estava lacrado).
    b) Seria uma demonstração de poder para os de dentro: “se eu faço isso com o Cap. Adriano, o que eu não faria com você, que não é nem metade dele?”. Lembre-se do exemplo citado por Maquiavel (Principe, cap. VII) na qual César Borgia manda executar em público seu braço direito, Ramiro Peço, para provocar temor no povo.
    c) consequência das duas primeiras: talvez as tropas que estejam querendo se afastar (cf. Helena Chagas, em Os Divergentes) e por isso uma ação de impactos para “a ordem unida”, agora sob a batuta de nosso “mais disciplinado soldado” no comando interno do governo (isso é a casa civil de Dirceu e Dilma, não nós esqueçamos). Unificar o corpo político naquilo que é o ponto central do governo é uma máxima da arte de governar.
    d) uma greve dos petroleiros (do câncer Petrobrás) que não se curva e nem arrega, mesmo com decisões do TST e do STF. “Se a moda pega…”
    Se tudo isso for plausível, os militares estão sentido que já há evidências de oposição popular ao governo que as atuais configurações de força não tem como dar conta. Logo, ordem unida!!!

  4. O brasil (a ser grafado cada vez mais com uma minúscula sempre mais acentuada, pois não se trata mais de uma nação, mas sim de uma varzea qualquer) existe sob o signo da máfia, e eu não falo apenas do governo atual, do presidente e de sua família. O que eles são senão a representação de um desejo, de uma aspiração da elite e da classe média brasileiras? E mais do que isso, o que eles são senão um fato? O fato de que a realidade social, econômica, política e cultural brasileiras existem, determinadas, sob a forma ulterior e manifesta da corrupção, do contrabando, da alienação, do roubo e da discriminação econômica e intelectual. Vamos falar a verdade das coisas: Este lugar foi feito para a existência de poucos, de ricos, de abastados, aos pobres deste país cabe contentarem-se com a sua “sorte” (e como a população pobre brasileira contenta-se!), cabe viverem como simples animais (atrás da pura sobrevivência do próximo dia), enquanto os empresários, os grandes agentes econômicos, a elite política, a elite “sindical”, regalam-se com os frutos da terra, e o que é mais horrível: com os frutos da morte (aqui a morte frutifica aos milhões a abundância dos ricos). É simplesmente uma brincadeira de mau gosto falar da existência, aqui nesse lugar, de empresários com visão de futuro, de país (classe que nunca se furtou a massacrar, matar e estuprar os pobres do país, a garantir o apoio e o poder político às oligarquias mais reacionárias, tudo sob a justificativa do império da moral e do progresso, progresso palavrinha que os mais românticos ainda hoje não se envergonham de pronunciar), de políticos probos (estes simplesmente não existem politicamente), de militares mais patriotas (raça mascarada de salteadores e tiranos ), até mesmo de elite (o que há é uma raça maldita de vilipendiado res). Não cabe nem mesmo olhar para trás, para uma suposta época de caráteres melhores na vida pública nacional, olhar isto com saudosismo, romantismo imbecil (qual o lado da história que os supostos melhores empresários, os de mais caráter, de mais visão de futuro escolheram? Resposta? O da história familiar, o de serem os privilegiados, o da segurança do sofá burguês; e os “grandes homens públicos de outrora” o que fizeram? Que curso das coisas mudaram? Não habitaram politicamente também o campo das “influências”, do “tráfico” de poder, do “poder”? Não é um contra senso, então, o termo grandes? ) Este lugar está sob o mandato de uma cruzada e de uma guerra civil anunciadas, promovidas e chanceladas a partir das últimas eleições presidenciais, e os lados desta guerra já foram tomados: A elite e a classe média já se posicionaram, ao lado do governo, do tráfico, da máfia; os pobres da população também já tomaram seu posto, o da indiferença para com seu destino; e os outros pobres (aqueles que o são não necessariamente por sua condições sócio-econômicas, mas por assumirem-se como tais) também já correram para seus postos: o da impotência (prova maior dela não é o nosso eterno palavrório acerca do governo atual, satisfeitos de ao menos pier criticar?) Mas a impotência muitas vezes é apenas uma escolha.

  5. Noziak já apontou a sintonia militarismo-lavajateirismo no governo, com muita propriedade.

    A PF (logo, Sergio Moro) foi avisada em janeiro da operação de caça ao miliciano amigo super-homenageado da famiglia Bolsonaro. O aviso foi vendido (para otários) como solicitação informal para participação da PF na caça, servindo de desculpa – a não solicitação formal – para as “escusas” em não participar diretamente: seria um escândalo provavelmente incontornável se tivesse sido a PF a executar Adriano, em vez do BOPE bolsonarista baiano. Na verdade, houve uma participação estratégica disfarçada de Moro/PF no assassinato, a exclusão em 30 de janeiro do miliciano amigão dos Bolsonaro da lista de procurados da PF, e, quem sabe, para reforçar, acompanhado de um cochicho no ouvido de Adriano, por um emissário, de que sua ausência na lista significava proteção da turma no poder, podendo ficar tranquilo na Bahia, o que lhe resultou fatal. O miliciano relaxou, junto com a família, e pagou caro: 3 dias depois da lista – 02 de fevereiro – a primeira tentativa (frustrada) na costa de Sauípe, seguida de perseguição e assassinato 7 dias depois.

    Pois bem, miliciano-bomba morto,, fantasma de Marielle e rachadinhas enterradas, hora de pagar: entrega de poder e obediência aos superiores. Toma lá dá cá.
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    PS – Uma dúvida: os membros do Bope que executaram o miliciano amigo e guardador de segredos dos Bolsonaro – com o (aparente) requinte de tortura de, ainda vivo, marcá-lo a ferro e fogo no peito com o cano de fuzil ardente – foram também os invasores da casa na costa de Sauípe no dia 2 de fevereiro, na primeira tentativa frustrada, digamos, de “prender” o miliciano tri-homenageado pela família Bolsonaro? Foram selecionados ou voluntários? Afinal de contas, correram grande risco de serem mortos pelo perigosíssimo ex-colega do BOPE-RJ, mesmo rendido. Receberão medalhas ou outros prêmios merecidos?

  6. Supõe-se que o fanatismo, a lealdade cega, assim como a crença cega em pastores e sacerdotes maus e espertos de religiões (boas ou não) ou em líderes políticos “supremos” em geral emburrecem, pois a lógica, o conhecimento, a experiência e os fatos sempre serão suplantados pela fé infinita, que explica qualquer coisa.
    Fico pensando como um sujeito sabidamente ameaçado não:
    1) Distribui material incriminador de tudo aquilo que sabe e/ou participou a algumas pessoas ou instituições como famoso: “divulgar / publicar caso eu morra”.
    2) Uma vez perseguido e escapado (ex: Sauípe), chamar a imprensa para se entregar publicamente.
    Poderiam ser até os intragáveis Datenas, Baccis, Geraldos e que tais. Eles adorariam e daria um tchans na audiência!
    Agora, nesta briga de facções, como já comentado, é difícil saber quem está perseguindo e eliminando quem.
    Só sei que estes governos nefastos estão aparelhando tudo e comendo pelas beiradinhas,
    E nós, mariscos envenenados lentamente, só olhando…

    • Sabe o que é Bo Sahl,
      é que bandido tem honra, compromisso e palavra entre os seus, diferentemente dos citados intragáveis, que como não são de confiança, desconfiam de todo mundo e gritam de medo a qualquer ameaça.
      Para o miliciano, os bozos eram de absoluta confiança, por isso não entregou ninguém.

  7. Não só Bolsonaro, mas principalmente parte expressiva do Congresso e, claro as Forças Armadas, principalmente o Exército, Sérgio Moro, Dallangnol e os procuradores e juízes das instâncias da justiça ligados à Lava Jato, em Curitiba, Brasília e Rio de Janeiro, com suas ligações no STJ e STF, são os responsáveis pelos acontecimentos que estão tornando claro que o cerne do desgoverno Bolsonaro está aliado às milícias. Como refere o jornalista, o general Braga Neto teve atuação decisiva na eleição de Bolsonaro. Na verdade, o poder de fato, do qual participa Braga Neto, está disfarçadamente militarizando ainda mais o desgoverno Bolsonaro, no seu cerne, na Presidência, todos no andar, onde o Bolsonaro somente faz pirotecnia, como segundo presidente fantoche do golpe de 2016. Óbvio que não dá para dizer, mesmo com boa vontade, que Bolsonaro haja decidido por esta modificação na estrutura da Presidência, na prática tendo como resultado o domínio do próprio presidente, que encontrar-se-á tolhido na sua ação, pois estão aplicando uma espécie de tornozeleira, para evitar os desmandos e desacertos que comanda com o seu ministério, que dificultam as ações de Paulo Guedes na economia, que está impactando o Brasil e seu povo, tudo que as Forças Armadas também defendem, que entendem esteja acontecendo, numa análise enviesada toda ideologizada. Estão tentando dar rumo ao barco, já que o mar, por mais que escondam, que se esforce a mídia sob liderança da Gobo, não está para peixe. A não ser isso, Paulo Guedes está em maus lençóis.

  8. O envolvimento da PM da Bahia na morte de Adriano é a prova mais clara de que hoje a PM não está subordinada ao seu respectivo governador, mas a família Bolsonaro. E isso se junta a um ato de quebra de hierarquia inimaginável anos atrás = às vaias da PM a Dória e aplausos a Bolsonaro num evento em que os dois estavam juntos aqui em SP. A execução feita fora do Rio, infelizmente hoje um território totalmente Bolsonarista, e justo no no maior estado comandado por um governo do PT é demonstração clara de que os Bolsonaros já contam com sua guarda pretoriana = a PM – policiais com treinamento militar e com mais gente do que as próprias forças armadas.

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