Novamente os alunos de escolas estaduais de SP recebem livros com contos eróticos.
O conto já foi publicado na revista masculina Ele-Ela e está disponível em página de contos eróticos impróprios para menores de idade.
Link para o conto:
http://recantodasletras.uol.com.br/aviso_erotico.php?url=%2Fcontoseroticos%2F2434122
De A Tribuna
Pais de alunos em Jundiaí pedem ao MP recolhimento de livro com conto erótico

Com informações da Redação
“Eles são burros porque não estão vendo a realidade”, afirma o escritor Ignácio de Loyola Brandão. Ele se refere a um grupo de pais em Jundiaí que pediu ao Ministério Público o recolhimento do livro “Cem melhores contos brasileiros do século”, distribuído em escolas da rede pública. Eles alegam que o conto “Obscenidades para uma dona de casa”, escrito por Brandão, é inapropriado para alunos do ensino médio.
“Nesse momento eu acesso a internet e vejo jovens mandando e-mails com imagens nuas para os amigos. Vejo mensagens no Twitter, de jovem para jovem, muito obscenas. Se você pegar a série ‘Crepúsculo’, tão endeusada, tem muita sacanagem”, diz o escritor. “Eu me pergunto, onde estão esses pais que não conversam com os filhos, que não perguntam o que eles acham de sexo, de erotismo, de palavrão. Que mentalidade é essa, 1500? Em 2010 isso não faz sentido”.
Segundo Gilberto Aparecido da Rosa, pai de duas adolescentes gêmeas de 17 anos, a linguagem do conto “é muito chula para os padrões acadêmicos”. “Acho que os jovens não mereceriam receber uma linguagem dessas dentro das escolas”, afirma.
Brandão diz que esse tipo de abordagem em relação ao livro não é novidade. “Já aconteceu em Jundiaí, já aconteceu em Piracicaba, já aconteceu em Avaré, já aconteceu em Santos”, enumera. “É um livro distribuído para a rede estadual, foi a Secretaria de Educação que escolheu”.
O conto, que foi publicado pela primeira vez em 1983 na revista “Ele & Ela”, narra a história de uma mulher que recebe cartas de um desconhecido, e é baseado em uma história real, que teria acontecido com uma vizinha do escritor.
Sem obscenidades
Para ele, o texto, que já foi publicado em dez línguas e virou vídeo e monólogo teatral, não é obsceno. “Ele é erótico, é sensual, mas é poético. Já foi tema até de vestibular! Não existe obscenidade na arte, a não ser quando ela é pornográfica, e isso é a última coisa que o conto é”, afirma.
Irônico, Brandão agradece aos pais “por terem chamado a atenção para uma obra de arte” e diz não se preocupar com os processos. “Acho que vou ser preso”, brinca. “Estou absolutamente tranquilo. Faço literatura e vou continuar a fazer. Se eu me preocupasse com isso não escrevia nenhuma linha”.
Em Santos
Ao voltar da escola, uma das estudantes do Colégio Olga Cury contou aos pais sobre o conto lido na sala de aula, o que gerou indignação. “A linguagem é extremamente pornográfica, com trechos que fariam um adulto corar”, diz Maristela Leite Silvestre, tia da jovem.
Para Célia Amado, coordenadora da subsede Baixada Santista da Associação dos Professores do Estado de São Paulo (Apeoesp), a reclamação expõe um sintoma da negligência do Estado. “Isso só mostra o descaso da Secretaria de Educação para com o ensino”.
Roselaine Duarte Amirabille, diretora substituta da Diretoria de Ensino de Santos, que responde pela Secretaria Estadual de Educação, afirma que toda escolha de livro passa pela Coordenadoria de Estudos e Normas Pedagógicas (CENP) para avaliar quais as obras mais indicadas para cada estágio do processo de educação.
Fonte: G1
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