Um buraco de R$ 23 milhões em materiais esportivos “fantasmas” coloca a gestão de Tarcísio de Freitas (Republicanos) sob os holofotes do controle público. Um inventário realizado pela Secretaria de Esportes, motivado por exigência do Tribunal de Contas do Estado (TCE-SP), revelou que uma fortuna em equipamentos adquiridos simplesmente não é encontrada nos almoxarifados da pasta.
De acordo com reportagem da Folha de S.Paulo, o imbróglio começou quando o TCE identificou divergências gritantes entre o saldo contábil no sistema orçamentário (Siafem) e o que a secretaria declarava possuir. O pente-fino inicial da comissão de inventário mostrou que, das notas de empenho que somavam R$ 51,5 milhões em compras, apenas R$ 16,7 milhões estavam fisicamente estocados.
Após meses de buscas e a localização de recibos de doações, a pasta ainda não conseguiu prestar contas de R$ 23.230.138,45 em materiais. O caso ganhou contornos políticos com a saída de José Ribeiro Lemos Junior, então secretário-executivo, que vinha cobrando com “prioridade e diligência” a abertura de sindicâncias para apurar o rombo. Lemos foi exonerado no início de 2026 a pedido da secretária Helena Reis, o que, segundo fontes internas, teria sido uma resposta ao incômodo gerado pela sua pressão por transparência.
Especialistas ouvidos pela reportagem, como o professor de Direito Administrativo da USP, Vitor Schirato, classificam a situação como inadmissível. Em uma estrutura privada, um sumiço desse porte resultaria em demissões imediatas e investigação policial. No setor público, a morosidade em abrir uma sindicância oficial levanta dúvidas sobre a disposição da gestão em punir eventuais desvios.
Em nota, a gestão Tarcísio afirma que está implementando “medidas aprimoradas de controle” e que um relatório preliminar subsidiará uma futura sindicância.
Deixe um comentário