Oligarquias continuam a dominar eleições em importantes cidades

Goiânia, Recife e Campina Grande são exemplos de municípios disputados por famílias que dominam política há décadas

Cidade conhecida mais pelas fotos turísticas, Recife é uma das capitais mais pobres do país. | Foto: Sumaia Villela/Abr
da Rede Brasil Atual

São Paulo – Nas eleições municipais de domingo (15), prefeituras de importantes capitais e cidades do país continuam a ser disputadas por oligarquias que dominam a cena política há décadas.  São os casos de Goiânia, Recife e Campina Grande (PB). Na capital de Pernambuco, dois primos da família do ex-governador Miguel Arraes disputam a liderança, segundo pesquisa Datafolha da quarta-feira (11).

Segundo o Datafolha, João Campos (PSB) – bisneto de Arraes e filho do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos – tem 29% . Ele é seguido por Marília Arraes (PT), neta do ex-governador, com 22%. Em terceiro, vem Mendonça Filho (DEM), com 18%. Ao contrário de Campos e Marília, identificados com o campo progressista, o candidato do DEM é um conhecido membro da velha oligarquia conservadora do estado presente em todas as eleições.

Em entrevista à Rádio Brasil Atual, o cientista político Michel Zaidan, da Universidade Federal de Pernambuco, destaca “o domínio da oligarquia Campos-Arraes” em Pernambuco e na eleição do Recife. Segundo o analista, Marilia tem menos rejeição e, por isso, potencial de crescimento, caso vá ao segundo turno.

Eleições em Goiânia

Na região Centro-Oeste, conhecidos caciques da direita na política local disputam a prefeitura de Goiânia. De acordo com Pesquisa Ibope na semana passada, Maguito Vilela (MDB) é favorito, com 33%. Ele está internado em São Paulo, com covid-19.

Em segundo, aparece o candidato apoiado pelo governador Ronaldo Caiado, Vanderlan Cardoso (PSD), com 26%. “Ambos disputam o legado da gestão de Iris Rezende, que deixa muitas obras por terminar e se comprometem em terminar’, explica o cientista político Flávio Sofiati.

Na capital de Goiás, o PT tem na Delegada Adriana Accorsi (PT), que aparece com 14%, uma possibilidade “muito pequena de chegar ao segundo turno”, de acordo com Sofiati. Mesmo que a petista consiga superar o candidato do PSD, suas chances de superar a união conservadora são praticamente nulas.

Campina Grande

Na importante Campina Grande, principal polo comercial da Paraíba em 2018, segundo o IBGE, Ana Claudia (Podemos) e Bruno Cunha Lima (PSD) são as candidaturas competitivas. Não houve pesquisas de intenção de voto de grandes institutos para essas eleições na cidade.

Para o cientista político José Henrique Artigas, Ana Claudia e Cunha Lima são os favoritos “porque incorporam os dois grupos políticos mais tradicionais da cidade, que têm histórico de dominação oligárquica distribuída entre as famílias Cunha Lima e do Rego”.

Como o sobrenome já diz, Bruno Cunha Lima é de tradicional família da política no estado, enquanto Ana é ligada familiarmente a Vital do Rêgo, político, escritor, professor e advogado, várias vezes deputado, que transitou pela UDN, Arena, MDB, PDS, PDT e PSB.

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2 comentários

  1. Só quem não conhece o Brasil profundo imaginou que seria diferente disso. Somente a esquerda universitária USP-Vila Madalena-Pinheiros, com quem eu convivo há 40 anos, imaginaria coisa diferente disso.
    Dois meses atrás, eu fiz uma listinha e passei para amigos:
    Recife: João Campos, ou outra pessoa da oligarquia Arraes.
    Caruaru: alguém da família Lyra.
    Sobral: alguém da família Gomes.
    Imperatriz: algum dos Alencar.
    Fortaleza: alguém dos Gomes, fim do PT…
    É isso o Brasil.

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