Governo tem que pisar no freio, diz Gustavo Franco
Ex-presidente do BC afirma que o ajuste fiscal é necessário, fácil e bem visto pelo mercado
Na opinião do economista, o novo governo brasileiro, liderado por Dilma Rousseff, deveria aproveitar os primeiros meses para “pisar no freio e sentar em cima do caixa”. Segundo ele, um ajuste fiscal não é difícil. “O ajuste é esperado e deverá acontecer também nos governos estaduais”. Franco disse ainda que a crise foi um pretexto para o governo se distanciar da responsabilidade fiscal. “Os governantes não voltaram a essa responsabilidade, então tivemos anos ruins”.
O cenário que deve ser desenhado na política econômica brasileira em 2011, na visão de Franco, é de continuidade do que já vem acontecendo, com uma tensão entre o Ministério da Fazenda e o Banco Central, juros altos e necessidade de controle de gastos.
No mercado acionário, o ex-presidente do Banco Central acredita que a Bolsa de Valores brasileira deve ser favorecida caso haja, de fato, um maior rigor fiscal. “O mercado veria muito bem um maior controle. Ainda que os cortes de gastos levem a um crescimento menor no curto prazo, a perspectiva é de crescimento”, afirma.
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Para o mercado cambial, Franco diz que os economistas “deveriam considerar a desvalorização do dólar positiva. “Sempre se reclamou do alto deficit norte-americano. Agora que o dólar está desvalorizando, todos criticam”, afirma.
Na opinião dele, o encontro do G-20, que acontece esta semana em Seul, não deverá trazer uma solução para a guerra cambial. No entanto, ele vê de forma muito positiva a participação de representantes da China, que vão ouvir o que os demais países tem a dizer sobre a desvalorização da moeda chinesa.
Meirelles no Banco Central
A melhor escolha para o comando do Banco Central no próximo governo, na opinião de Gustavo Franco, seria a manutenção de Henrique Meirelles. “O ideal seria que o mandato dele tivesse mais um ano. Como não é assim, acredito que a melhor opção é a continuação”, afirmou.
Segundo ele, em um aspecto mais geral, o Brasil pode ter otimismo com economia apesar de qualquer insegurança com governo. “Após estabilização, o Brasil entrou em nova era de compromisso com promessas econômicas. Hoje importa menos quem é o presidente, dependemos menos do governo. Podemos ter maus governantes, que eles não vão bagunçar a economia.”

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