O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou nesta sexta, 8 de março, Dia Internacional das Mulheres, um estudo que mostra os níveis de desigualdade entre homens e mulheres considerando fatores como gênero, raça regionalidade.
O estudo mostrou que, em 2022, mulheres dedicaram o dobro do tempo dedicado pelos homens no cuidado de pessoas e de tarefas domésticas. Embora tenham maior frequência escolar e nível de escolaridade que os homens, mulheres têm uma menor taxa de participação no mercado, continuam recebendo salário inferior ao dos homens e também têm taxa de informalidade maior.
O recorte por raça mostra uma desigualdade ainda maior. Mulheres brancas dedicam, em média, 20,4 horas semanais com tarefas domésticas e cuidados; as mulheres negras, 22,0 horas. Enquanto isso, não há distinção relevante entre o comportamento de homens brancos ou negros: eles dedicam 11,7 horas semanais a essas tarefas.
O IBGE ainda fez análises sobre violência contra as mulheres usando os dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) de 2019, a última edição publicada. A proporção de mulheres com 18 anos ou mais que enfrentaram pelo menos uma dessas formas de agressão nos 12 meses que antecederam a entrevista foi de 6,0%. Pretas ou pardas representam a maior parte das vítimas de feminicídios praticados fora do domicílio.
As mulheres pardas e negras são mais afetadas pela pobreza. O Banco Mundial define como parâmetro para pessoa que em situação de extrema pobreza a renda de até US$ 2,15 por dia. Em 2017, 6,1% das mulheres brasileiras estavam nessa situação, contra 5,7% dos homens. Cerca de 32,3% das mulheres estavam abaixo da outra linha, sobrevivendo com uma renda per capita diária de até US$ 6,85. Essa era a situação de 41,3% das mulheres pretas ou pardas que vivem no Brasil, contra 21,3% das brancas.
Confira, abaixo, um resumo do próprio IBGE sobre as estatísticas de gênero no Brasil:
Tarefas domésticas
- Em 2022, enquanto as mulheres dedicaram, em média, 21,3 horas semanais aos afazeres domésticos e/ou cuidado de pessoas, os homens gastaram 11,7 horas. As mulheres pretas ou pardas dedicaram 1,6 hora a mais por semana nessas tarefas do que as brancas.
Violências
- Em 2019, considerando apenas a principal violência sofrida nos últimos 12 meses, cerca de 5,7% das mulheres brancas relataram ter passado por violência psicológica, física ou sexual praticada por ex ou atual parceiro íntimo. A proporção era maior para as mulheres pretas ou pardas (6,3%).
Mercado de Trabalho
- A taxa de participação das mulheres no mercado de trabalho foi de 53,3% enquanto a dos homens foi de 73,2%. Isso equivale a uma diferença de 19,9 pontos percentuais (p.p.). Além disso, a taxa de informalidade delas (39,6%) era maior que a deles (37,3%), sendo que a diferença entre mulheres pretas ou pardas (45,4%) e dos homens brancos (30,7%) nesse indicador chegou a quase 15 p.p.
- Também em 2022, o rendimento delas foi, em média, equivalente a 78,9% do recebido por homens. No início da série histórica, em 2012, essa razão era estimada em 73,5%. A maior diferença no rendimento, em 2022, estava no grupo de profissionais das ciências e intelectuais: elas receberam o equivalente a 63,3% da média dos homens.
Educação
- A proporção de mulheres brancas com 25 anos de idade ou mais que tinham completado o nível superior (29,0%) era o dobro da observada para as pretas ou pardas (14,7%).
Renda
- Cerca de 32,3% das mulheres do país estavam abaixo da linha de pobreza, ou seja, tinham renda domiciliar per capita de até U$6,85 por dia, segundo critério do Banco Mundial. Essa era a situação de 41,3% das mulheres pretas ou pardas que vivem no Brasil, contra 21,3% das mulheres brancas.
Mortalidade materna
- Em 2020, com a pandemia de Covid-19, a razão de mortalidade materna cresceu 29% na comparação com o ano anterior, atingindo a marca de 74,7 óbitos por 100 mil nascidos vivos. No ano seguinte, essa proporção foi de 117,4/100 mil. Em 2022, a razão de mortalidade materna caiu, sendo estimada em 57,7 a cada 100 mil nascidos vivos.
Representação política
- Embora a proporção de deputadas na Câmara Federal tenha aumentado de 14,8%, em setembro de 2020, para 17,9%, em novembro de 2023, o país se encontrava na 133ª posição de um ranking de 186 países e tinha posição inferior a vários países latino-americanos como o México, Argentina, Equador e Bolívia.
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