
Pierre Laval
OS HOMENS DA CRISE – As crises da História produzem dois tipos de personagens: o homem providencial, aquele que parece ter se preparado por toda a vida para aquele momento especial e o oportunista, o personagem menor que se aproveita da crise. As vezes só aparecem os oporunistas, que rondam as carcassas para pegar seu naco.
Em maio e junho de 1940 a França deu um exemplo de um cenário de crise. Um país corroído por uma década com conflitos internos insolúveis, sem nenhum acordo de poder viável, tornou-se presa fácil do ímpeto nazista que a partir de uma invasão pouco defendida tomou a França com relativa facilidade já que era pouca a vontade de resistir.
Dois homens surgiram nos escombros da tragedia: um coronel desconhecido e sonhador, Charles De Gaulle, que não aceitou a derrota e a ocupação e fugiu sozinho para Londres em um teco teco e um político espertíssimo, oportunista, Pierre Laval, que viu na derrota de seu país uma oportunidade para sua grandeza pessoal. ‘Os alemães venceram? Então vou me compor com eles. Eu gosto de vitoriosos’, pensou o veterano político. Nasceu a “”colaboração” da qual Laval foi o cérebro e o principal líder. O Marechal Petain, com seus 85 anos, era apenas uma figura simbólica.
O esperto se deu bem com o ocupante, a quem servia com eficiencia. A milícia política do regime de Vichy, chefiado por Laval como Primeiro Ministro, era pior que a Gestapo e operava a serviço dos alemães.
Enquanto isso, o homem providencial construía do nada um exército de franceses livres, recrutando fugitivos e costurando alianças. É claro que com apoio de Churchill, seu grande aliado.
Dois homens, dois destinos. O homem providencial salvou a alma da França, que exclusivamente por causa de sua visão e persistência termina a guerra como país vencedor, um dos cinco grandes, com assento no Conselho de Segurança da ONU. O outro, o esperto, terminou seus dias frente a um pelotão de fuzilamento.
Nota zero para os bem pensantes da França, a alta burguesia que apoiou o Governo de Vichy e odiava De Gaulle, que atrapalhava seu jogo com os alemães. A elite bem pensante tem como visão a distância de um quarteirão.
Aqui no Brasil certa elite bem pensante, a “elite Higienópolis” mais um sistema de mídia, hoje liderado por cérebros de ovelhas, apoiou um personagem menor, oportunista, como se salvador da pátria fosse. A conta chegou rápida.
Gilberto Cruvinel
19 de julho de 2015 11:35 amo oportunista esperto e o gangster
” o oportunista, o personagem menor que se aproveita da crise. “
A primeira figura nefasta que me ocorre é o Serra, o oportunista esperto, que se põe a serviço das companhias estrangeiras para dilapidar a riqueza e o futuro da nação. A segunda é o Cunha, o oportunista gangster, que vive de propina e achaques.
Emilia Silva
19 de julho de 2015 1:54 pmDisse bem.
Disse bem.
Fabio SP
19 de julho de 2015 12:05 pmPra mim, a oportunista, aqui
Pra mim, a oportunista, aqui no Brasil, não foi homem…
sergio m pinto
19 de julho de 2015 12:45 pmTá falando de quem? Da Marina
Tá falando de quem? Da Marina ou da Marta?
Malpho de Dor
19 de julho de 2015 5:13 pmEvidentemente não entendeu nada, como de hábito
Mente curta, preocupa-se mais com o oportunismo do que seu uso.
Que pode até ser ser para o bem…
Ou para o mal.
DjalmaSP
19 de julho de 2015 12:14 pmElite de higienópolis
É tão obtusa a mente desse elite porca, que arrendam em seus quadros um oportunista contumaz, que tem o descaramento de representar um estado interiorano morando e se deliciando em outro estado à beira mar.
Usando sua cota de deslocamento para suas bases para chegar em aeroporto muito além do que devia aterrar, e sempre às custas do erário público, que não questiona a diferença de custos desses deslocamentos maiores.
Esse é mais do que o oportunista citado na matéira acima: é o velhaco espertalhão, mimado e sem caráter das alterosas.
Pra bom entendedor meias palavras bastam.
Renato Lazzari
19 de julho de 2015 12:23 pmDiferenças
Em ’40 na Europa acontece uma crise geral e real: a Alemanha invade a França. Oportunistas aproveitam-se disso. Hoje no Brasil os oportunistas tentam estabelecer uma crise bem específica, que lhes sirva e para dela se aproveitarem.
– “Caramba! Mas há uma crise real no Brasil de hoje, todo mundo sabe! Você não assiste TV, não lê jornais?!”
Ivan Pedro
19 de julho de 2015 12:30 pmCaro André,
Concordo com tudo… Fica apenas a ressalva: logo que puder, a elite Higienópolis, que, em Salvador, tem o nome de outro bairro rico, a elite Corredor da Vitória, encontra outro Pierre Laval que descaradamente, irá apoiar os sonhos da Casa Grande e de seus agregados, ou seja, a maior parte da classe mé(r)dia baiana…
sergio m pinto
19 de julho de 2015 12:47 pmO que não falta por aqui são
O que não falta por aqui são os oportunistas. Dá para fazer uma relação que travará o blog. O da vez já se perdeu. Mas não vão faltar candidatos. E sempre com o auxílio da mídia e dos altos interesses internos e externos.
chanceLer01
19 de julho de 2015 12:47 pmInfelizmente, a conta ainda
Infelizmente, a conta ainda não foi apresentada. Tome-se pelas manchetes dos jornalões e telejornais. Nenhuma decreta a morte do defunto, tampouco, cobram seu enterro. Enquanto o odor de podridão desse servir para incensar a casa do vizinho desafeto, que se mantenha exposto até a mudança ou desapropriação deste.
Cunha deixou de gozar do apoio explicito da mídia e do PSDB, tem-no agora veladamente.
A questão que a FOLHA/UOL levanta é bem indicativo dessa nova realidade: O que pode acontecer com Cunha: resistência; renúncia; recuperação? Ou seja, os meios de comunicação não vão exercer pressão para o desfecho da situação. Isso vai depender do que Cunha puder aprontar contra o governo. O presidente da câmara permanece como instrumento do golpe.
O editorial da VEJA mais recente (Roberto Pompeu de Toledo) não indica que o semanário pulou da nau golpista, simplesmente tem como propósito a desvinculação do semanário e da empresa ABRIL da imagem de Cunha e de suas circunstâncias.
Jose Mayo
19 de julho de 2015 1:30 pmEssa estória toda me lembra uma palestra
Que ouvi num seminário motivacional…
Em dada altura, o palestrante, que de certo modo queria causar boa impressão, mas ao mesmo tempo repreender, saiu-se com a metáfora do enterro da empresa, num “stand up” meio troncho, mas bem intencionado;
Dizia ele que, em incerta empresa em dificuldades (país?), em belo dia o patrão intimou todos os funcionários a comparecerem ao salão de reuniões, tinha boas novidades.
Lá chegando, os funcionários se deparam com uma cena no mínimo inusitada: Lá estava o patrão, em pé, próximo a um microfone de pedestal e, sobre a mesa do palco, UM CAIXÃO de defuntos! Pedia com gestos que todos sentassem.
De certo modo até constrangidos, mas curiosos, os funcionários foram entrando e sentado, até que todos estavam ali.
O patrão, vendo-os todos sentados, se dirige ao microfone e dá a notícia:
– Prezados! É com prazer que anuncio que, o causador de todos os problemas que temos enfrentado está morto, e se encontra neste caixão – diz, apontando a macabra prenda – gostaria que todos vocês, um a um, viessem até o caixão e dessem uma boa olhada no rosto desse mequetrefe e depois, sem dizer nada, saiam pela porta ao lado e se dirijam ao refeitório, onde alguns salgadinhos e refrigerantes os estarão aguardando, para comemorar esta data tão importante.
O patrão deu um passo ao lado e, os funcionários, um a um como havia sido determinado, aproximaram-se do caixão, olharam o rosto do “mequetrefe” e se dirigiram em silêncio à saída do salão…
No caixão, também olhando pra eles, estava um espelho.
JB Costa
19 de julho de 2015 2:17 pmDiscordo apenas no que se
Discordo apenas no que se relaciona com o Marechal Pétain. Mesmo com seus 85 anos ele não era apenas uma figura simbólica. Na época se constituía num personagem referencial dado o prestígio conquistado depois de Verdum. Muito da passividade e até mesmo proatividade de alguns franceses com relação aos nazistas se deveu a ele, carinhosamente chamado de “Marechal”. Só não recebeu sentença de morte em virtude da idade avançada e seu histórico militar na I Guerra.
Bem, mas o que a história só dá de passagem é um fato hoje visto como vergonhoso e deprimente: a maioria, se não todos, os países do Ocidente, incluindo o nosso Brasil, contou em menor ou maior escala com movimentos simpáticos e até partidos alinhados com o nazismo.
Com relação ao paralelismo: certamente Fernando Henrique Cardoso é o Marechal Pétain. Já os Laval se desdobram em Aécio, Serra e Alckmin. Todos figuras patéticas e indignas para o momento histórico que vivenciamos.
Andre Araujo
19 de julho de 2015 3:45 pmMeu caro Costa, o Marechal
Meu caro Costa, o Marechal Petain foi condenado à morte mas De Gaulle comutou-lhe a pena para prisão perpetua em homenagem ao padrinho de seu filho, Phelippe De Gaulle ganhou o nome em homenagem ao padrinho, o Marechal Petain.
Voce tem razão sobre a importancia do Marechal mas o cerebro operacional da colaboração era Laval.
Por incrivel que pareça os EUA tiveran relações diplomaticas com o regime de Vichy até maio de 1944, um mês antes da invasão da Normandia. O Embaixador americano era o Almirante Lehay, amigo pessoal de Roosevelt.
O Brasil teve relações com Vichy até 1942, o Embaixador no Rio era Paul Claudel, grande intelectual.
Sérgio Rodrigues
19 de julho de 2015 2:45 pmPerfeito!..
Como regra as “altas burguesias” são sempre assim!…Mas se o governo apertar elas afroxam, como afrouxaram pro De Gaulle!…
Marcos Andrade
19 de julho de 2015 2:57 pmO problema, André Araujo, é
O problema, André Araujo, é que essa elite pensante não perde a oportunidade de nos enfiar goela abaixo figuras como Cunha, Gilmar Mendes, Demóstenes Torres, etc…
Esses falsos moralistas dão um trabalho danado para serem desmascarados. Parece que a sociedade adora uma hipocrisia.
E não temos ningúem que suporte um Edward R. Murrow para enfrentar esses tipos.
https://www.youtube.com/watch?v=-YOIueFbG4g
luiz claudio pontes
19 de julho de 2015 3:11 pmTEMER A TEMER: O VAMPIRO DO CARANDIRU.
Desde o episódio do Carandiru, sempre temi Temer. Aquela efígie vampiresca de Christopher Lee, aquela fala firme e calma, mais a predileção por pescoços feminimos jovens e longilíneos sempre me causaram temor.
Temer é o símbolo maior de São Paulo no governo de Dilma:
católico, maçon, conservador, liberal, imigrante e sobretudo paulista.
Paulista do 09 de julho,
da “Revolução de 64”,
da ROTA,
de Fleury e, lembrem-se: DO CARANDIRU.
Acho que Eduardo Cunha foi um BUCHA ou um PAU MANDADO, um balão de ensaio que abriu as portas para o vice da Dilma. No momento em que Cunha não mais servia, foi devidamente descartado pelos seus iguais.
QUEM MUITO COLOCA A BUNDA NA JANELA SABE QUE, EM ALGUM MOMENTO, ALGUÉM VAI PASSAR A MÃO NELA e Cunha, como bom carioca EXPERTO sabia que tinha prazo de validade na presidência do congresso e só veio para confundir e não para explicar. Devem dar umas férias para ele, depois tudo será esquecido e Eduardo, que nunca pensou em chegar tão longe na vida, gozará seus últimos dias milionário ao lado de sua bela esposa, ex-musa da REDE GLOBO.
Notem que enquanto ele falava mal da presidenta, tudo bem, mas quando pleiteou a derrubada da Dilma e do vice juntos para que pudesse assumir o cargo maior da República a coisa ficou feia pra ele. Ou será que não? ou será que tudo não passava de uma grande mise-en-cene com tempo certo para durar?
Sem Cunha as portas para Temer e para a oposição paulista estarão escancaradas. O vice da Dilma sempre esteve mais perto do PSDB do que do PT e sabe que esse é o momento de sair do esquife, digo, do anonimato. O Conde Drácula da política nacional já mira seus caninos na jugular da presidenta que, lassa, já se curva para ser abatida carinhosamente pelo vampiro do CARANDIRU, cujo próximo castelo será o ALVORADA.
Quem viver, verá.
André Oliveira
20 de julho de 2015 8:28 pmO fuzilamento foi, de certa
O fuzilamento foi, de certa forma, uma morte com honra já que essa modalidade de execução era reservada aos militares. A forma de execução de condenados civis seria a guilhotina.