A recente encíclica papal “Magnífica Humanitas” tem gerado um importante debate sobre o impacto da inteligência artificial (IA) e da tecnologia na condição do trabalhador e na sociedade como um todo. A especialista Laura Rodrigues, coordenadora da Frente Hacker da UJS (União da Juventude Socialista), avaliou, em entrevista ao canal TV GGN no Youtube, que o Papa Leão XIV não criticou nem enalteceu a tecnologia, mas sim questionou o que a humanidade se tornará diante dessas inovações, colocando o ser humano no centro da discussão. Ele enfatizou a necessidade de refletir sobre como o trabalhador é posicionado em uma lógica onde tudo o que pode ser feito mais rapidamente por uma máquina será feito por ela, levantando a questão do que será do ser humano nesse cenário.
Rodrigues ressaltou que a IA tem sido utilizada como justificativa para demissões em massa, o que não apenas substitui trabalhadores, mas também serve como um incentivo financeiro para a valorização das empresas. Ela explicou que demitir funcionários e substituí-los por IA tornou-se uma “propaganda” para as Big Techs, impulsionando o valor de mercado e permitindo IPOs bilionários. A especialista alertou que a IA pode precarizar o trabalhador, retirando direitos e espaço, transformando-o em um mero operador da tecnologia. Há uma preocupação de que a IA acabe excluindo populações já precarizadas e marginalizadas, que historicamente sofre com as mudanças no mundo industrial.
A entrevistada também apontou uma contradição na qualidade da IA, afirmando que ela não consegue reproduzir o nível, tanto em quantidade quanto em qualidade, que os trabalhadores humanos executam, e que os custos de uso dessa tecnologia estão cada vez mais altos. O Papa, segundo Rodrigues, defendeu não apenas a manutenção dos postos de trabalho, mas também a dignidade do trabalho, argumentando que não faz sentido desenvolver tecnologia a ponto de substituir o ser humano, precarizando-o e causando-lhe mal. Ele enfatizou a importância de investir nas pessoas que trabalham com tecnologia para que se tornem desenvolvedores, e não apenas operadores, com o apoio do Estado.
Transmitido na noite de terça (27), o programa TV GGN 20 Horas também abordou o poder das Big Techs, que, segundo Rodrigues, exercem uma influência que ultrapassa a de políticos e do próprio Estado. Ela explicou que, por serem donas dos meios de produção e acumuladoras de capital, essas empresas agem como legisladores privados, determinando como as coisas funcionarão através do poder e do dinheiro que possuem. A especialista mencionou que o Papa fez um alerta sobre a necessidade de definir o ser humano e seus direitos como inegociáveis, questionando o propósito do desenvolvimento tecnológico se ele sacrifica a humanidade.
Conduzida pelos jornalista Lourdes Nassif e Icaro Brum, do Jornal GGN, a entrevista destacou a relevância da encíclica “Magnífica Humanitas” como um chamado à reflexão sobre o futuro do trabalho e da sociedade na era da inteligência artificial. O Papa Leão XIV, ao colocar o ser humano no centro do debate, convidou o mundo todo a fazer uma análise crítica sobre o desenvolvimento tecnológico, seus impactos na dignidade do trabalhador e o papel das Big Techs, reforçando a urgência de garantir que a tecnologia sirva à humanidade e não o contrário.
Assista a entrevista completa abaixo:
Nota da redação: O Jornal GGN utiliza Inteligência Artificial para transformar o conteúdo original feito pela equipe de jornalistas e especialistas do canal TV GGN, no Youtube, em texto para o portal. O uso de ferramentas de I.A. não dispensa, em hipótese alguma, a revisão, apuração e edição, por parte de um jornalista do GGN, antes da publicação do texto.
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