20 de junho de 2026

PF vê elementos para investigar Flávio Bolsonaro por repasse milionário de dono do Banco Master

Desconexão entre verba enviada ao exterior e gravações feitas no Brasil embasa suspeita da PF
Foto: Sergio Lima/AFP

A Polícia Federal (PF) enviou um parecer à Procuradoria-Geral da República (PGR) em que defende a abertura formal de investigação contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Segundo informações reveladas pelo jornal Valor Econômico, o estopim são os desdobramentos do caso “Dark Horse” — documentário sobre a trajetória de Jair Bolsonaro —, que expuseram transações milionárias envolvendo o parlamentar e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

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A manifestação da PF atende a pedidos apresentados por deputados e advogados após as revelações iniciais do site The Intercept Brasil. Como Flávio é senador da República, o avanço do inquérito depende do aval do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e da posterior autorização do Supremo Tribunal Federal (STF). Por envolver os negócios do Banco Master, a tendência é que o caso seja distribuído ao ministro André Mendonça, relator das ações ligadas à instituição financeira na Corte.

O caminho do dinheiro e a sombra de Eduardo nos EUA

O ponto que acendeu o alerta dos investigadores foi a desconexão entre a rota do dinheiro e a execução da obra, conforme fontes a par do caso ouvidas pelo Valor. Vorcaro enviou R$ 61 milhões para os Estados Unidos sob o pretexto de financiar a produção cinematográfica. No entanto, a PF mapeou que uma parte significativa das gravações ocorreu em território brasileiro, o que levanta suspeitas sobre o real destino dos dólares remetidos ao exterior e abre uma linha de apuração por suposta evasão de divisas.

A investigação também tenta esclarecer se o montante milionário serviu, na verdade, para custear a permanência do ex-deputado Eduardo Bolsonaro em solo americano. Eduardo é réu no STF, sob a relatoria do ministro Alexandre de Moraes, acusado de coação no curso do processo por articular pressões políticas internacionais e sanções econômicas contra o Judiciário brasileiro, na tentativa de reverter as condenações do pai por envolvimento na trama golpista. Se comprovado o desvio, o financiamento pode enquadrar os envolvidos como colaboradores do crime de coação.

Pressão sobre a PGR

O cerco jurídico ao clã ganhou mais uma frente nas últimas horas. O ministro Alexandre de Moraes deu um prazo de cinco dias para que a PGR se manifeste sobre o pedido de inclusão de Flávio e do próprio Jair Bolsonaro, que hoje cumpre pena em casa, no inquérito que apura as atividades de Eduardo nos Estados Unidos. A petição foi protocolada pelo deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ).

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

1 Comentário
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  1. Cristina

    30 de maio de 2026 11:51 am

    Nossa se indiciar vai ser um soco na campanha do.mesmo.

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