Política, carreira, gestão pública e luta social com Ana Estela Haddad, na estreia do Cai Na Roda

"Sobre me candidatar: tenho sido procurada por um grupo de mulheres e isso me toca, me sensibiliza muito. Acredito na importância de nós, mulheres, ocuparmos os espaços que tivermos a oportunidade de ocupar"

Jornal GGN – Estreia neste sábado (18), no Youtube, o programa semanal de entrevistas “Cai na Roda”. Na primeira edição, Ana Estela Haddad bate um papo com as jornalistas Lourdes Nassif, Patricia Faermann e Cintia Alves sobre carreira acadêmica, experiência como gestora de políticas públicas no governo federal e na prefeitura de São Paulo, filiação ao PT e as chances de ser candidata em eleições futuras (sim, ela está pensando com carinho), além da “união de forças” pela democracia e contra o bolsonarismo.

Ana Estela falou ainda sobre machismo, discriminação, promoção de justiça social, educação na primeira infância, os 30 anos do ECA, o acolhimento aos moradores de rua e às mulheres em situação de vulnerabilidade social, entre outros tópicos.

Confira a íntegra da entrevista abaixo:

A seguir, alguns trechos destacados pela redação:

FILIAÇÃO AO PT, CANDIDATURA E MULHERES NA POLÍTICA

“Eu me filiei recentemente ao PT, na época em que o partido estava mais apanhando. Me filiei de indignação, para dizer que esse é meu partido, é o partido em que acredito. Eu como estudante não fui militante política, mas sempre recebi em casa, com meus pais, e nos colégios onde estudei, uma preocupação muito grande com a justiça social. Sempre votei no PT, mas minha incursão no espaço político começou não como militante, mas como gestora pública. O envolvimento com o espaço político foi crescendo naturalmente. Foi quando acabou [o mandato de Fernando Haddad na] Prefeitura [de São Paulo], em 2016, 2017, que decidi me filiar.”

“Sobre me candidatar: eu tenho, principalmente depois da eleição de 2018, sido procurada por um grupo de mulheres e isso, de certa maneira, vou dizer pra vocês, me toca, me sensibiliza muito porque eu acredito muito na importância de todas nós, mulheres, ocuparmos os espaços sociais que tivermos a oportunidade de ocupar. Não tem outra forma da gente fazer valer nossos direitos, esse equilíbrio, essa igualdade de oportunidades e a melhoria na questão de gênero, sem que a gente tenha uma maior participação. E aí, claro, a gente se sente de alguma maneira impelida a contribuir.”

SAÍDAS PARA A DISTOPIA ATUAL 

“Esse caos que hoje é econômico, sanitário, político, ele veio a acordar quem estava meio adormecido e naturalizando o que a gente estava vivendo. Eu acho que a gente precisa se nutrir de abertura, serenidade, capacidade de diálogo e de conversar com o diferente. Eu tenho percebido que cada vez mais atores sociais e influentes têm revisto sua posição nesse processo. A gente sofreu muita manipulação de informação por setores da mídia e isso influenciou a opinião pública. A questão das fake news, assim como foi feito durante a campanha [presidencial de 2018], isso continuou depois da eleição até chegar no STF. Ai que perceberam que as práticas que foram adotadas contra o PT, elas não se restringiram ao PT, elas começam a atingir outros espaços de poder. A gente precisa começar a identificar onde estão os inimigos, as forças que estão promovendo esses retrocessos, para que, como sociedade e indivíduos, a gente possa se posicionar e construir portas de saída.”

UNIÃO DE FORÇAS

“Também é importante que no espaço político possa haver união de forças. Mas por que não acontece? Porque sempre há um equilíbrio das pessoas que estão pensando no coletivo e aqueles que têm projetos individuais. Tem no meio de tudo isso aqueles que contribuíram para que o caos acontecesse e a gente chegasse nessa situação. E de repente, vêm a campo agora como se não tivessem participado de nada disso. É muito difícil. A gente tem que conversar em bases reais, não dá pra mudar a história, não dá pra mudar as posições que cada um adotou e deixou de adotar, as omissões que cada um teve e que contribuíram pra gente chegar aqui. A verdade precisa ser restabelecida como ponto de partida. Não dá para por uma pedra em cima e seguir como se as coisas não tivessem acontecido. As pessoas foram agredidas. A campanha de 2018, as agressões que aconteceram, as mentiras… Se a gente não trouxer a verdade, esses processos tendem a se repetir.”

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6 comentários

  1. É o que o processo político mais necessita neste momento: mulheres tomando a frente e decidindo com muito mais responsabilidade, carinho e humanidade! Têm mais sensibilidade e são historicamente mais honestas!

  2. Que a nossa Ana Estela não se iluda.
    O sobrenome não irá lhe bastar. Em alguma
    ocasiões poderá ser um peso.
    A depender do vôo almejado deverá criar
    um limo, uma casca. Talvez uma armadura.
    Saber falar ao e com o povo é uma ciência.

  3. Segundo a entrevistada: ” A gente precisa começar a identificar onde estão os inimigos, as forças que estão promovendo esses retrocessos, para que, como sociedade e indivíduos, a gente possa se posicionar e construir portas de saída.”
    Vou ajudar: subserviência cretina, covarde e apátrida ao interesses dos eua.
    Tudo e todos que infectam o Brasil hoje sao apenas subprodutos da venda de nossa soberania por individuos que perante o povo humilde e oprimido posam de tigroes mas comportam-se como dóceis tchutchuquinhas ante os falcões do norte.
    Então, caso não se disponha de alguma estratégia para manter os eua dentro do seu território, cuidando da vida deles e deixando nossa democracia (e a de nossos vizinhos da América do Sul) em paz, acredito que teremos enormes dificuldades em nos livrar dos ridiculos tiranos à que estamos hoje submetidos.
    Iniciar pelo trio moro/lava-jato/FBI pode ser um caminho.

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